Amanhecer

Stephenie Meyer · Capítulo 1 de 14 · parte 1/5

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Amanhecer

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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.

ÌNDICE

LIVRO UM – BELLA

................................................................................................ 3

PREFÁCIO

............................................................................................................. 3

1 – COMPROMETIDA (Noivos)

................................................................................ 4

2 – UMA LONGA NOITE

........................................................................................ 13

3 – O GRANDE DIA

.............................................................................................. 19

4 – GESTO

.......................................................................................................... 25

5 – ILHA ESME

.................................................................................................... 36

6 – DISTRAÇÕES

................................................................................................. 46

7 – INESPERADO

................................................................................................. 54

LIVRO 2 – JACOB

................................................................................................ 64

8 – ESPERANDO PELO INÍCIO DA MALDITA LUTA .................................................. 64

9 – CERTO COMO O INFERNO NÃO SABIA DAQUELA CHEGADA .............................. 72

10 – POR QUE EU SIMPLESMENTE NÃO FUI EMBORA? OH CERTO, PORQUE EU SOU UM IDIOTA

............................................................................................................. ............. 81

11 – AS DUAS COISAS NO TOPO DA MINHA LISTA DE COISAS1QUE1EU1NUNCA1QUERIA1FAZER

............................................................................................................. ............. 90

12 – ALGUMAS PESSOAS NÃO ENTENDEM O CONCEITO DE ‘‘NÃO DESEJADO’’ ........ 98

13 – QUE BOM QUE EU TENHO ESTÔMAGO FORTE .............................................. 107

14 – "VOCÊ SABE QUE AS COISAS VÃO MAL QUANDO VOCÊ SE SENTE CULPADO POR TER SIDO

RUDE COM UM VAMPIRO"

.................................................................................. 117

15 – TICK, TOCK, TICK, TOCK, TICK, TOCK ......................................................... 125

16 – MUITOS ALERTAS

...................................................................................... 135

17 – COM O QUE EU PAREÇO? O MÁGICO DE OZ? VOCÊ PRECISA DE UM CÉREBRO? SIGA EM

FRENTE. PEGUE O MEU. PEGUE TUDO O QUE EU TENHO ..................................... 144

18 – NÃO EXISTEM PALAVRAS PARA ISSO ........................................................... 152

LIVRO TRÊS – BELLA

......................................................................................... 158

PREFÁCIO

......................................................................................................... 158

19 –

QUEIMANDO....................................................................................... ....... 159

20 – NOVA

........................................................................................................ 167

21 – A PRIMEIRA CAÇADA

.................................................................................. 176

22 – PROMETIDA

.............................................................................................. 185

23 – MEMÓRIAS

................................................................................................ 196

24 – SURPESA

................................................................................................... 204

25 – FAVOR

...................................................................................................... 211

26 – BRILHO

..................................................................................................... 222

27 – PLANOS DE VIAGEM

................................................................................... 228

28 – O FUTURO

................................................................................................. 234

29 – DEFECÇÃO

................................................................................................ 240

30 – IRRESISTÍVEL

............................................................................................ 248

31 – TALENTED

................................................................................................. 258

32 – COMPANHIA

.............................................................................................. 263

33 – FALSIFICAÇÃO

........................................................................................... 273

34 – DECLARADO

.............................................................................................. 281

35 – FIM DA LINHA

........................................................................................... 288

36 – SEDE DE SANGUE

...................................................................................... 294

37 –

PLANOS............................................................................................... ...... 304

38 – PODER

...................................................................................................... 314

39 – O FINAL FELIZ

........................................................................................... 321

Eu já tive muito mais experiências de quase morte do que era necessário, isso não é exatamente uma coisa a qual você se acostuma.

No entanto, enfrentar a morte novamente parecia estranhamente inevitável. Como se eu realmente estivesse marcada pelo desastre. Eu escapei vez após outra, mas ela continuava vindo atrás de mim.

Ainda assim, essa vez era tão diferente das outras.

Você pode correr de alguém que você teme, você pode tentar lutar com alguém que você odeia. Todas as minhas reações eram direcionadas a esses tipos de assassinos – os monstros, os inimigos.

Quando você ama a pessoa que está te matando, não te restam opções. Como você poderia correr, como você poderia lutar, quando fazer isso machucaria o seu amado? Se sua vida fosse tudo o que você tem a dar ao seu amado, como você seria capaz de não dá1la?

Se fosse alguém a quem você realmente ama?

Ninguém está te encarando, eu prometi a mim mesma. Ninguém está te encarando.

Ninguém está te encarando.

Mas, porque eu não poderia mentir de maneira convincente nem pra mim mesma, eu tive que verificar.

Enquanto eu sentei esperando pelas três luzes do semáforo ficarem verdes, eu espreitei à direita – em sua mini1van, Senhora Weber tinha girado todo o seu torso na minha direção. Seus olhos perfuraram os meus e eu me acovardei, imaginando o porquê que ela não desviava o olhar ou se sentia envergonhada. Ainda era considerado rude encarar as pessoas, não é? Isso não se aplica mais a mim?

Então eu recordei que estas janelas eram tão escuras que ela provavelmente não tinha idéia se era eu mesma que estava aqui dentro, não imaginando que eu notei seu olhar. Eu tentei me confortar com o fato de que ela não estava realmente me encarando, e sim olhando somente o carro.

Meu carro. Suspiro.

Eu olhei de relance à esquerda e gemi. Dois pedestres estavam congelados na calçada, perdendo sua chance de atravessar a rua enquanto encaravam. Atrás deles, o Sr. Marshall observava bobamente através da janela de vidro de sua pequena loja de souvenir. Pelo menos ele não pressionou seu nariz no vidro. Por enquanto.

A luz ficou verde e, na minha pressa para escapar, eu pisei no acelerador sem pensar – do jeito que normalmente eu teria feito para fazer meu antigo Chevy andar.

Motor resmungando como uma pantera de caça, o carro deu um solavanco para frente tão rápido que meu corpo bateu no assento de couro preto e meu estômago se aplanou contra minha espinha.

”Arg!”. Eu ofeguei enquanto eu tateava o freio. Mantendo minha cabeça, eu meramente bati no pedal. O carro balançou a uma paralisação absoluta de qualquer maneira.

Eu não agüentaria olhar em volta para ver a reação. Se houvesse alguma dúvida sobre quem estava dirigindo o carro, agora havia desaparecido. Com o dedo do pé do meu sapato, eu gentilmente cutuquei o acelerador para baixo por meio milímetro e o carro disparou para frente outra vez.

Eu tentei alcançar meu objetivo, o posto de gasolina. Se eu não estivesse gastando tanta gasolina, eu não teria vindo para a cidade de jeito nenhum. Eu estava sem um monte de coisas esses dias, como... (?) e cadarços, para evitar gastar tempo em público.

Se movendo como se eu estivesse em uma corrida, eu abri o porta1malas, tirei a tampa fora, tirei o ticket impresso e coloquei o bocal no tanque em segundos. É claro que não havia nada que eu pudesse fazer para que os números no calibre se movessem mais rapidamente. Eles (?) com muita preguiça, quase como se eles estivessem fazendo isso só pra me irritar.

Não estava claro – um dia típico de garoa em Forks, Washington – mas eu ainda sentia como se um projetor de luz estivesse apontando em mim, chamando a atenção para o delicado anel na minha mão esquerda. Em momentos como esse, sentindo os olhos nas minhas costas, parecia que o anel estava brilhando como um letreiro de néon: Olhe para mim, olhe para mim.

Era estupidez ser tão auto1consciente, e eu sabia disso. Além de meu pai e minha mãe, eu realmente me importava com o que as pessoas diziam do meu noivado? Sobre o meu novo carro?

Sobre a minha misteriosa aprovação na faculdade Ivy League? Sobre o brilhante cartão de crédito preto que estava no meu bolso de trás agora mesmo?

1 É, quem se importa com o que eles pensam 1 eu murmurei sob a minha respiração.

1 Um, senhorita? 1 uma voz de homem chamou.

Eu me virei, mas daí desejei não ter feito isso.

Dois homens estavam ao lado de uma exagerada caminhonete com novos caiaques presos no topo. Nenhum deles estava olhando para mim; os dois estavam encarando o carro.

Pessoalmente, eu não entendia. Mas eles, eu estava orgulhosa que eu podia diferenciar

entre os símbolos de Toyota, Ford e Chevy. Esse carro era preto, lustroso, polido e bonito, mas era apenas um carro para mim.

1 Desculpe1me por te incomodar, mas você poderia me dizer que tipo de carro que você está dirigindo? 1 o mais alto perguntou.

1 Um, um Mercedes, certo?

1 Sim 1 o homem disse educadamente enquanto seu amigo mais baixo virou os olhos com a minha resposta. 1 Eu sei. Mas, eu estava imaginando, isso é... Você está dirigindo um Mercedes Guardian? 1 O homem disse o nome com reverência. Eu tive a sensação que esse cara iria se dar bem com Edward, meu... meu noivo (ainda não dava para escapar dessa verdade com o casamento a apenas alguns dias). 1 Eles não deveriam estar disponíveis na Europa ainda 1 o homem continuou, 1 Sem mencionar isso.

Enquanto seus olhos traçaram o contorno do meu carro – não pareceu muito diferente de nenhum outro Mercedes sedan para mim, mas o que eu sabia? – eu contemplava brevemente meus problemas com palavras como noivo, casamento, marido, etc.

Eu apenas não conseguia encaixar tudo isso na minha cabeça.

Em contrapartida, eu encolhia a cada pensamento de vestidos brancos macios e buquês.

Mas mais que isso, eu não conseguia reconciliar um sério, respeitável, tolo conceito como marido com a minha idéia da de Edward. Era como jogar um arcanjo como um contabilista; eu não conseguia visualizar ele em nenhum lugar1comum.

Como sempre, tão logo eu começava a pensar em Edward, eu me pegava tendo um giro tonto de fantasias. O estranho teve que limpar sua garganta para ter minha atenção; ele ainda aguardava uma resposta sobre a fabricação do carro e o modelo.

1 Eu não sei 1 eu disse a ele honestamente.

1 Você se importa se eu tirasse uma foto dele?

Me levou um segundo pra processar isso. 1 Sério? Você quer tirar uma foto do carro?

1 Claro, ninguém vai acreditar em mim se eu não tiver provas.

1 Um. Okay. Tudo bem.

Eu tirei gentilmente o bocal e rastejei para o assento da frente para me esconder enquanto o entusiasta tirou uma enorme câmera que parecia profissional de fora da sua mochila. Ele e seu amigo se revesaram para posar no capô e depois foram tirar fotos da parte de trás.

1 Eu sinto falta da minha caminhonete 1 eu choraminguei para mim mesma.

Muito, muito conveniente 1 conveniente demais 1 a minha picape dar seu último suspiro poucas semanas depois de Edward e eu concordar com nosso torto compromisso, um dos detalhes sendo que seria permitido que ele substituísse minha picape quando essa morresse. Edward jurou que isso já era esperado, minha picape teve uma longa vida, uma vida cheia e morreu de causas naturais. Segundo ele. E, é claro, eu não tinha como verificar a história dele ou como trazer minha picape de volta a vida sozinha. Meu mecânico favorito 1 eu congelei esse pensamento, recusando1

me a deixar que se concluísse. Ao invés disso, fiquei escutando as vozes dos homens do lado de fora, abafadas pelo vidro do carro.

1 Usou um lança chama nele no vídeo da internet. Nem fez bolha na tinta.

1 É claro que não. Você poderia passar com um tanque em cima desse belezinha. Nem tem mercado pra isso aqui. Foi feita mesmo pros diplomatas, traficantes de arma e de drogas do Oriente Médio.

1 Você acha que ela é algo assim? 1 o mais baixo perguntou numa voz suave. Eu abaixei a cabeça.

1 Hmmm 1 disse o alto 1 Talvez. Não posso imaginar porque você precisaria de vidro a prova de mísseis e 2 toneladas de armadura por aqui. Deve estar indo pra algum lugar mais perigoso.

Armadura. 2 toneladas de armadura. E vidro à prova de míssel? Legal. O que aconteceu com o velho vidro à prova de balas?

Bom, pelo menos fazia sentido 1 se você tivesse um senso de humor negro.

Não que não esperasse que o Edward tiraria vantagem do nosso acordo, pra pesá1lo pro lado dele de forma que eu recebesse mais que ele receberia. Eu havia concordado que ele trocaria minha picape, sem imaginar que este momento chegaria tão rápido, claro. Quando fui forçada a admitir que minha picape tinha virado não mais que um tributo sem vida pra chevrolets clássicos, eu sabia que a idéia dele de troca seria algo pra me deixar envergonhada. Me fazer o foco de olhares e cochichos. Eu estava certa sobre esta parte. Mas nem nos meus sonhos mais obscuros eu tinha previsto que ele me daria dois carros.

O carro pra "antes". Ele me disse que era um empréstimo e prometeu que devolveria após o casamento. Isso não tinha feito nenhum sentido pra mim.

Até agora.

Ha ha. Porque eu era um humano tão frágil, propenso a acidentes, vítima da minha própria e perigosa má sorte, aparentemente eu precisava de um carro resistente à tanques pra me manter segura. Hilário. Eu tinha certeza que ele e seus irmãos tinham adorado rir às minhas custas.

Ou talvez, só talvez, uma vozinha sussurrou na minha cabeça, não é uma piada, boba.

Talvez ele realmente esteja preocupado contigo. Não seria a primeira vez que ele teria exagerado tentando me proteger.

Eu suspirei.

Eu não tinha visto o carro pra "depois". Estava escondido embaixo de uma lona no canto mais fundo da garagem dos Cullen. Eu sabia que a maioria das pessoas já teriam espiado, mas eu realmente não queria saber.

Provavelmente não teria armadura 1 porque eu não precisaria disso após a lua de mel.

Indestrutibilidade virtual era apenas uma das vantagens que eu não podia esperar pra ter. As melhores partes de ser uma Cullen não eram os carros caros e os cartões de crédito impressionantes.

1 hei 1 o homem alto chamou, fazendo concha com as mãos contra o vidro pra tentar me ver dentro, 1 já terminamos. Valeu!

1 Sejam bem vindos 1 eu respondi, e fiquei tensa quando dei partida no motor e pressionei o pedal 1 bem gentilmente 1 pra baixo...

Não importava quantas vezes eu tinha dirigido por essa estrada familiar no caminho pra casa, eu ainda não conseguia ignorar os pôsteres molhados pela chuva de pano de fundo. Cada um deles, pregados em postes de telefone e colados em placas, era um tapa fresco na minha cara.

Um tapa na cara bem merecido.

Minha mente foi sugada de volta a lembrança. Eu a interrompi imediatamente, antes. Eu não conseguia evitar nessa estrada. Não com as fotos do meu mecânico favorito passando por mim em intervalos regulares.

Meu melhor meu amigo. Meu Jacob.

Os pôsteres de "VOCÊ VIU ESSE MENINO?" não tinham sido idéia do pai do Jacob. Foram idéia do meu pai, Charlie, que imprimiu e espalhou os folhetos por toda cidade. E não só em Forks, mas em Port Angeles e Sequim e Hoquiam e Aberdeen e todas as outras cidades da Península Olímpica... Ele tinha verificado que toda delegacia no Estado de Washington tinha um folheto pendurado na parede, também. Na sua própria delegacia havia um mural de cortiça inteiro dedicado a encontrar o Jacob. Estava quase vazio, para seu desapontamento e frustração.

Meu pai estava decepcionado mais que com a falta de resposta. Ele estava mais decepcionado com Billy, o pai de Jacob 1 e melhor amigo de Charlie.

Pelo Billy não estar mais envolvido com a busca pelo seu filho de 16 anos "fugitivo". Por Billy se recusar a colocar pôsteres em La Push, a reserva na costa que era o lar de Jacob. Por ele parecer ter aceitado o desaparecimento de Jacob, como se não tivesse nada que ele pudesse saber. Por ele dizer, "Jacob é grande o bastante agora. Ele virá pra casa quando ele quiser".

E ele estava frustrado por eu ter tomado o partido de Billy.

Eu não tinha colocado pôsteres, tampouco. Porque eu e Billy sabíamos onde Jacob estava, em termos gerias, e sabíamos que ninguém tinha visto esse menino.

Os pôsteres deixavam a costumeira bola na minha garganta, e as lágrimas ardentes nos meus olhos, e eu estava agradecida que Edward estava caçando nesse sábado. Se Edward visse minha reação, ele ia se sentir terrível, também.

É claro que tinham desvantagens de ser Sábado. Ao virar vagarosamente e com cuidado na minha rua, eu pude ver a viatura do meu pai na entrada da garagem. Ele não tinha ido pescar de novo hoje. Ainda chateado por causa do casamento.

Então eu não poderia usar o telefone lá dentro. Mas eu tinha que ligar...

Eu estacionei no meio fio atrás da "escultura" do chevrolet e tirei o celular que Edward tinha me dado pra emergências do porta luvas. Disquei, deixando meu dedo no botão de "end"

enquanto o telefone tocava. Só se acaso. "Hello?" respondeu Seth Clearwater, e eu suspirei em alívio. Eu era muito covarde pra falar com a irmã mais velha dele, Leah. A frase "arrancar minha cabeça" não era necessariamente maneira de falar quando vinha da Leah.

1 Hei, Seth, é Bella.

1 Oh, hei, Bella! Como você está?

Esgasguei. Desesperada por confiança. 1 Bem.

1 Ligando pra saber novidades?

1 Você é písquico.

1 Não mesmo. Não sou a Alice, você só é previsível 1 ele brincou. Entre os Quileutes de La Push, só o Seth se sentia confortável pra mencionar os Cullen por nome, ainda mais brincar sobre coisas como minha quase onisciente quase cunhada.

1 Eu sei que sou. 1 Eu hesitei um minuto. 1 Como está ele?

Seth suspirou. 1 O mesmo de sempre. Ele não fala, apesar da gente saber que ele ouve a gente. Ele tá tentando não pensar como humano, você sabe. Usando só seus instintos.

1 Você sabe onde ele está agora?

1 Em algum lugar do norte do Canadá. Não posso te falar em que província. Ele não presta muita atenção as divisas de estados.

1 Alguma dica de que ele possa...

1 Ele não está voltando pra casa, Bella. Desculpe.

Eu engoli. 1 Tudo bem, Seth. Eu sabia antes de perguntar. Não consigo evitar torcer.

1 É. Todos nós nos sentimos igual.

1 Obrigada por me aturar, Seth. Sei que os outros devem ser difíceis contigo.

1 Eles não são seus grandes fãs 1 ele concordou animado. 1 Meio ridículo, eu acho. Jacob fez sua escolha, você fez a sua. Jake não gosta da atitude deles a respeito. É claro que ele não tá muito feliz que você tá checando nele, tampouco.

Eu exclamei. 1 Eu pensei que ele não tava falando com você?

1 Ele não pode esconder tudo da gente, por mais que esteja tentando.

Então Jacob sabia que eu estava preocupada. Eu não sabia como me sentia a respeito. Bom, pelo menos ele sabia que eu não tinha simplesmente ido de encontro ao pôr do sol e esquecido dele completamente. Ele devia imaginar que eu era capaz disso.

1 Então a gente se vê... no casamento. 1 Eu disso, forçando a palavra entre meus dentes.

1 É, eu e minha mãe vamos estar lá. Foi legal você convidar a gente.

Eu sorri pelo entusiasmo em sua voz. Apesar da idéia de convidar os Clearwater tivesse partido do Edward, eu estava grata por ele ter pensado nisso. Ter o Seth lá seria bom 1 uma ligação, por mais tênue, com meu padrinho desaparecido. 1 Não seria o mesmo sem vocês.

1 Diga ao Edward que eu disse oi, tá?

1 Pode deixar.

Eu balancei a cabeça. A amizade que tinha nascido entre Edward e Seth era algo que ainda embaralhava minha mente. Era prova, no entanto, de que as coisas não tinham que ser desse jeito. Que lobisomens e vampiros podiam se dar muito bem, obrigado, se eles tentassem.

Nem todo mundo gostava dessa idéia.

1 Ah 1 Seth disse, a voz dele subindo algumas notas. 1 Er, Leah chegou.

1 Oh! Tchau!

O telefone ficou mudo. Eu o deixei no banco do passageiro e me preparei mentalmente pra entrar em casa, onde Charlie estaria esperando.

Meu pobre pai era muito pra lidar agora.

A fuga de Jacob era somente um dos problemas nas suas carregadas costas. Ele estava quase tão preocupado comigo, sua acabada1de1virar1adulta filha que estava pra virar Sra. em dali uns poucos dias.

Eu caminhei devagar pela fraca chuva, relembrando a noite em que nós contamos pra ele...

Com o som do carro do Charlie anunciando seu retorno, o anel de repente pesou uma centena de libras no meu dedo. Eu queria esconder minha mão esquerda em um bolso, ou talvez sentar nela, mas Edward com aperto firme manteve1o na parte dianteira e no centro.

1 Pare de remexer1se, Bella. Por favor tente lembrar que você não está confessando um assassinato aqui.

1 É facil pra você dizer.

Eu ouvi o som sinistro das botas do meu pai ranjendo acima do chão. A chave chacoalhando na porta já aberta. O som me lembrou daquela parte do filme quando a vítima percebe que ela esqueceu de trancar seu cadeado...

1 Relaxe, Bella 1 Edward susurrou, ouvindo o meu coração acelerar. A porta bateu contra a parede, e eu vacilei como se eu fosse Tasered.

1 Hey, Charlie 1 Edward falou inteiramente relaxado.

1 Não! 1 eu silvei sob minha respiração.

1 O quê? 1 Edward sussurrou de volta.

1 Espere até que ele descarregue sua arma!

Edward riu e passou sua mão livre entre seus cabelos de bronze.

Charlie veio ao redor do canto, ainda no seu uniforme, ainda armado, e tentou não fazer uma careta quando viu nós sentados juntos no sofá do amor. Ultimamente, ele tem posto muito esforço para gostar mais do Edward. É claro, com essa revelação ele teria que acabar com seus esforços imediatamente.

1 Hey, crianças. E aí?

1 Nós gostaríamos de conversar com o senhor, 1 Edward disse. 1 Nós temos algumas notícias boas.

A expressão de Charlie foi de amigável para preta de suspeita em um segundo.

1 Boas notícias? 1 Charlie rosnou, olhando em linha reta para mim.

1 Sente1se, pai.

Ele levantou uma sobrancelha, me encarou por 5 segundos, então deitou no reclinador e sentou para baixo da borda, suas costas estavam eretas.

1 Não se esforçe muito, pai 1 Eu disse depois de um momento de silêncio.

1 Tudo está bem.

Edward fez caretas, e eu sabia que era por causa da palavra “bem”. Ele provavelmente usaria alguma coisa como “maravilhoso” ou “perfeito” ou “glorioso”.

1 Claro que sim, Bella. Claro que sim. Se está tudo bem porque você está suando como um porco?

1 Eu não estou suando 1 eu menti.

Eu me desviei de sua careta penetrante, me apertando contra Edward, e instintivamente passei a mão direita pela minha testa para apagar as evidências.

1 Você está grávida! 1 Charlie explodiu. 1 Você está grávida, não está?

Apesar da pergunta provavelmente ser pra mim, agora ele estava olhando pra Edward, e eu podia jurar que vi a mão dele se fechando na arma.

1 Não! É claro que eu não estou! 1 Eu queria dar uma cotovelada nas costelas de Edward, mas eu sabia que isso ia me deixar com um hematoma. Eu disse a Edward que as pessoas iam imediatamente chegar a essa conclusão! Que outra razão possível pessoas sãs se casariam aos dezoito anos? (A resposta dele a isso me fez revirar os olhos. Amor. Certo.) O olhar de Charlie limpou um pouco. Geralmente ficava muito claro no meu rosto quando eu estava falando a verdade, e agora ele acreditava em mim.

1 Oh, desculpe.

1 Desculpas aceitas.

Houve uma longa pausa. Depois de um momento eu percebi que todos estavam esperando que eu dissesse alguma coisa. Eu olhei pra Edward, paralisada de pânico. Não tinha jeito de me fazer botar as palavras pra fora. Ele sorriu pra mim e enquadrou os ombros e então se virou para meu pai.

1 Charlie, eu sei que as coisas estão fora de ordem. Tradicionalmente, eu devia ter te pedido antes. Eu não tenho a intenção de te desrespeitar, mas já que Bella já disse sim e eu não quero menosprezar a escolha dela nesse assunto, ao invés de te pedir a mão dela, eu te peço sua benção. Nós vamos nos casar, Charlie. Eu a amo mais do que tudo no mundo, mais do que a minha própria vida e – graças a algum milagre – ela me ama da mesma forma. Você nos dará a sua benção?

Ele soou tão seguro, tão calmo. Por apenas um instante, escutando àquela absoluta certeza na voz dele, eu experimentei um raro momento de insight. Eu pude ver, rapidamente a forma que todos olhavam pra ele. Durante um bater de coração, esta noticia fez total sentido.

E ai eu vi o rosto inexpressivo de Charlie, os olhos dele agora estavam grudados no anel.

Eu prendi a respiração enquanto a pele dele mudava de cor – de normal a vermelha, de vermelha a roxa, de roxa a azul, eu comecei a me levantar – eu não sei o que eu estava planejando fazer; talvez fazer a manobra Heimlich pra ter certeza de que ele não estava engasgando – mas Edward apertou minha mão e murmurou “Dê um minuto a ele” tão baixinho que só eu pude ouvir.

Dessa vez o silêncio foi muito mais longo. Então, gradualmente, tom por tom, a cor de Charlie voltou ao normal. Os lábios dele se comprimiram, e suas sobrancelhas se uniram; eu reconheci sua expressão “pensando profundamente”. Ele estudou nós dois por um longo momento, e eu senti Edward relaxar ao meu lado.

1 Acho que não estou tão surpreso 1 Charlie murmurou. 1 Eu sabia que teria eu lidar com isso em algum momento em breve.

Eu soltei o ar.

1 Você está certa disso? 1 Charlie quis saber, me encarando.

1 Eu tenho cem por cento de certeza de Edward 1 eu o assegurei sem perder tempo.

1 Mesmo assim, se casar? Pra que a pressa? 1 Ele me olhou com suspeitas novamente.

A pressa era porque eu estava me aproximando dos dezenove anos a cada dia que se passava, enquanto Edward ficava congelado em sua perfeição dos dezessete anos. Não que esse fato se associasse a casamento no meu livro, mas o casamento era necessário devido a um delicado e complicado compromisso que Edward e eu temos pra chegar a esse ponto, o tijolo que leva a qualquer transformação de mortal a imortal.

Essas eram coisas que eu não podia explicar a Charlie.

1 Nós estamos indo para Dartomouth juntos no outono, Charlie 1 Edward lembrou ele. 1 Eu gostaria de fazer isso, bem, da forma correta. Foi assim que eu fui criado. 1 Ele encolheu os ombros.

Ele não estava exatamente exagerando; eles tinham moral antiquada durante a primeira guerra mundial.

A boca de Charlie torceu para um lado. Procurando por alguma coisa com a qual discutir.

Mas o que ele podia dizer? Eu preferiria que você vivesse pecaminosamente primeiro? Ele era um pai; suas mãos estavam atadas.

1 Eu sabia que isso aconteceria 1 ele murmurou pra si mesmo, fazendo uma careta. Então, de repente, seu rosto ficou perfeitamente suave e desanuviado.

1 Papai? 1 Eu perguntei ansiosamente. Eu olhei pra Edward, mas eu também não consegui ler seu rosto, enquanto ele olhava pra Charlie.

1 Ha! 1 Charlie explodiu. Eu pulei no meu assento. 1 Ha, ha, ha!

Eu o encarei incredulamente enquanto Charlie de dobrava de tanto rir, seu corpo todo de balançando.

Eu olhei pra Edward para ter uma tradução, mas os lábios de Edward estavam fechados com força, como se ele mesmo estivesse tentando segurar o riso.

1 Okay, está certo. 1 Charlie tossiu. 1 Se casem 1 Outra onda de risos o balançou. 1 Mas...

1 Mas o quê? 1 Eu quis saber.

1 Mas você precisa contar a sua mãe! Eu não vou dizer uma palavra a Renée! Isso é por sua conta! 1 Ele explodiu em risadas escandalosas.

Eu parei com a mão na maçaneta, sorrindo. Claro, naquele tempo, as palavras dele me aterrorizaram. O destino final; contar a Renée.

Casamento durante a juventude estava na lista negra dela acima de matar filhotes de cãezinhos.

Quem podia ter adivinhado a reação dela? Eu não. Certamente não Charlie. Talvez Alice, mas eu não pensei em pergunta1la.

1 Bem, Bella 1 Renée disse depois que eu tossi e gaguejei as palavras impossíveis: Mamãe, eu vou casar com Edward. 1 Eu estou um pouco aborrecida por você ter demorado tanto pra me contar. Passagens de avião estão ficando mais caras. Ohhhh 1 ela temeu. 1 Você acha que Phil já vai ter tirado o gesso até lá? Se ele não estiver usando terno isso vão arruinar as fotos.

1 Espera um segundo, mãe 1 eu resfoleguei. 1 O que você quer dizer com esperar tanto tempo? Eu acabei de no1no... – eu não fui capaz de botar a palavra noivar pra fora – acertar as coisas, sabe, hoje.

1 Hoje? Mesmo? Isso é uma surpresa. Eu achei...

1 O que você achou? O que você achou?

Bem, quando você veio me visitar em Abril, parecia que as coisas já estavam arranjadas, se é que você sabe o que eu quero dizer. Você não é muito difícil de ler, queridinha. Mas eu não quis dizer nada, porque eu sabia que não tinha utilidade nenhuma. Você é exatamente como Charlie. 1

Ela suspirou, resignada. 1 Quando você resolve uma coisa, não tem como tentar ser razoável com você. É claro, assim como Charlie, você mantém a sua decisão também. Você não está repetindo os meus erros, Bella. Você parece estar assustada bobinha, e eu acho que seja porque você estava com medo de mim. 1 Ela gargalhou. 1 Ou do que eu vou pensar. E eu sei que eu disse um monte de coisas sobre o meu casamento e a minha estupidez, e eu não vou morder minha língua, mas você precisa entender que aquelas coisas se aplicavam especificamente a mim. Você é uma pessoa completamente diferente de mim. Você comete os seus próprios tipos de erros, e eu tenho certeza que você terá a sua parcela de arrependimentos na vida. Mas compromisso nunca foi o seu problema, queridinha. Você tem uma chance melhor de fazer isso funcionar do que muitas quarentonas que eu conheço. 1 Renée sorriu de novo. 1 Minha pequena criança de meia idade. Por sorte, parece que você encontrou outra alma de meia idade.

1 Você não está... com raiva? Você não acha que eu estou cometendo um erro gigantesco?

1 Bem, eu com certeza gostaria que você esperasse mais alguns anos. Quer dizer, você acha que eu pareço velha o suficiente pra ser uma sogra? Não responda. Mas isso não se trata de mim.

Você está feliz?

1 Eu não sei. Eu estou tendo uma experiência fora do meu corpo nesse momento.

Renée gargalhou. 1 Ele te faz feliz, Bella?

1 Sim, mas...

1 Você vai querer outra pessoa algum dia?

1 Não, mas...

1 Mas o quê?

1 Mas você não vai dizer que eu pareço uma adolescente apaixonada como qualquer outra desde o início dos tempos?

1 Você nunca foi uma adolescente, queridinha. Você sabe o que é melhor pra você.

Pelas últimas semanas, Renée mergulhou inadvertidamente em planos de casamento. Ela passava horas todos os dias no telefone com a mãe de Edward, Esme – não havia problemas em parentes se darem bem. Renée adorou Esme, mas também, eu duvidava que alguém pudesse reagir de outra forma á minha adorável quase sogra.

Isso me deixou por fora. A família de Edward e a minha estavam cuidando juntas das núpcias sem que eu tivesse que fazer nada ou saber e nem pensar demais nisso.

Charlie estava furioso, é claro, mas o lado bom era que ele não estava furioso comigo. A traidora era Renée. Ele estava contando com ela pra ser tirana. O que ele podia fazer agora, quando a sua última ameaça – contar a mamãe – acabou dando em nada? Ele não tinha nada, e sabia disso. Então ele ficava vagando em casa, murmurando coisas sobre não se poder mais confiar em ninguém nesse mundo...

1 Pai? 1 Eu chamei enquanto abria a porta da frente. 1 Estou em casa.

1 Espere, Bella, fique bem ai.

1 Huh? 1 Eu parei automaticamente.

1 Me dê um segundo. Ouch, você conseguiu, Alice.

Alice?

1 Desculpa, Charlie 1 a voz alegre de Alice respondeu. 1 Como está?

1 Eu estou sangrando.

1 Você está bem. A pele não foi ferida, confie em mim.

1 O que está acontecendo? 1 Eu quis saber, hesitando na entrada.

1 Trinta segundos, por favor, Bella 1 Alice me disse. 1 Sua paciência será recompensada.

1 Humph 1 Charlie adicionou.

Eu bati o pé, contando cada batida. Antes de ir até a nossa sala de estar.

1 Oh 1 eu perdi o fôlego. 1 Aw, pai. Você está...

1 Boboca? 1 Charlie interrompeu.

1 Eu estava pensando em algo mais parecido com ‘elegante’.

Charlie ruborizou. Alice pegou o cotovelo dele e o rodou lentamente pra que ele mostrasse o terno cinza pálido.

1 Pára com isso, Alice. Eu pareço um idiota.

1 Ninguém vestido por mim fica parecendo um idiota.

1 Ela está certa, pai. Você está fabuloso! Qual é a ocasião?

Alice revirou os olhos. 1 É a última prova de roupa. Pra vocês dois.

Eu tirei meus olhos da elegância não habitual de Charlie e pela primeira vez vi a bolsa branca estufada deitada cuidadosamente no sofá.

1 Ahhh.

1 Vá pro seu cantinho feliz, Bella. Não vai demorar.

Eu respirei fundo e fechei os olhos. Mantendo1os fechados, eu procurei o meu caminho subindo as escadas até o meu quarto. Eu fiquei de lingerie e estiquei os braços.

1 Parece até que eu estou enfiando farpas de bambu embaixo das suas unhas. 1 Alice murmurou pra si mesma enquanto me seguia.

Eu não prestei atenção nela. Eu estava no meu cantinho feliz.

No meu cantinho feliz, toda a bagunça do casamento estava acabada e pronta. Atrás de mim. Já reprimida e esquecida.

Nós estávamos sozinhos, só Edward e eu. A paisagem era confusa e estava frequentemente em fluxo – ela passava de uma floresta nebulosa pra uma cidade coberta de nuvens pra uma noite ártica – porque Edward estava mantendo o local da nossa lua de mel em segredo pra mim. Mas eu não estava particularmente preocupada com essa parte.

Edward e eu estávamos juntos, e eu tinha cumprido a minha parte do compromisso perfeitamente. Eu casei com ele. Essa era a parte maior. Mas eu também aceitei todos os seus presentes ultrajantes e me registrei, mesmo que futilmente, pra comparecer na Universidade de Dartmouth no outono. Agora era a vez dele.

Antes de me transformar em vampira – a grande promessa dele – ele tinha estipulado mais uma condição pra mim.

Edward tinha uma preocupação obsessiva com as coisas humanas que eu estaria deixando pra trás, as experiências que ele não queria que eu perdesse. Mas havia apenas uma experiência na qual eu estava insistindo. É claro que essa era a que ele queria que eu tivesse esquecido.

No entanto, aqui estava o problema. Eu sabia no que eu me transformaria quando estivesse tudo acabado. Eu vi vampiros recém1nascidos em primeira mão, e eu tinha ouvido todas as

histórias da minha futura família sobre a selvageria dos primeiros dias. Por vários anos, minha primeira personalidade ia ser “sedenta”. Ia levar algum tempo até que eu fosse eu mesma novamente. E mesmo quando eu estivesse sob controle de mim mesma, eu jamais me sentiria exatamente da forma que me sinto agora.

Humana... e apaixonadamente apaixonada.

Eu queria a experiência completa antes de trocar meu corpo quente, quebrável e guiado por hormônios por algo lindo, forte... e desconhecido. Eu queria uma lua de mel de verdade com Edward. E a despeito do perigo ao qual ele achava que ia me submeter, ele concordou em tentar.

Eu estava apenas vagamente cônscia da presença de Alice e do cetim passando pelo meu corpo. Durante aquele momento, eu não me importei com o que a cidade inteira estava pensando de mim. Eu não pensava no espetáculo que teria que estrelar em breve. Eu não me importei em tropeçar na minha grinalda e rir na hora errada ou em ser jovem demais ou a multidão me encarando e nem sequer no assento vazio onde o meu melhor amigo estaria.

Eu estava com Edward no meu cantinho feliz.

Eu já sinto a sua falta.

1 Eu não preciso ir. Posso ficar...

1 Mmm...

Houve silêncio por um longo tempo, somente o som de meu coração batendo acelerado e o sussurro de nossos lábios se movendo sincronizados.

As vezes era tão fácil esquecer que eu estava beijando um vampiro. Não porque ele parecesse comum e humano1 I nunca poderia esquecer que estava segurando mais do que um anjo em meus braços1 mas porque ele me fazia sentir que não havia nada igual a sensação de ter seus lábios em meus lábios, em meu rosto, minha garganta... Ele dizia que já era passado a tentação que meu sangue lhe causava, que a idéia de me perder era mais forte que isso. Mas eu sabia que o cheiro de meu sangue ainda lhe causava dor, queimava em sua garganta como se ele estivesse inalando fogo.

Eu abri meus olhos e encontrei os dele abertos também, fixados em meu rosto. Não fazia sentido ele me olhar daquele jeito. Como se eu fosse o prêmio ao invéz da ganhadora sortuda.

Nós nos encaramos por um momento, seus olhos dourados estavam tão profundos que era quase como se eu pudesse ver sua alma. Parecia bobo que justamente isso1 a existência se sua alma1 seja uma duvida, mesmo ele sendo um vampiro.

Ele tinha a alma mais bonita, mas do que sua mente brilhante ou seu rosto incomparável e seu glorioso corpo.

Ele olhou de volta para mim, como se ele também pudesse ver minha alma, e estivesse gostando do que via.

Ele não podia ver dentro de minha mente, pensando bem, não da maneira que ele via a dos outros. Quem saberia o por que1 algum defeito em meu cérebro que me tornava imune a todos os extraordinários e assustadores poderes que alguns imortais possuem. (somente minha mente era imune, meu corpo ainda era uma vitima das habilidades dos vampiros com poderes diferentes dos de Edward). Mas eu era seriamente grata a esse “defeito” que mantinham meus pensamentos em segredo. Era muito constrangedor sequer pensar na possibilidade.

Puxei seu rosto mais uma vez para perto do meu.

1 Definitivamente vou ficar! 1 ele murmurou um tempo depois.

1 Não, não! É sua despedida de solteiro, você tem que ir.

Eu disse as palavras, mas meus dedos se enroscaram em seus cabelos cor de bronze, minha mão esquerda apertando suas costas. Seus dedos frios acariciaram meu rosto.

1 Despedidas de solteiros são para aqueles que estão tristes com o fim de seus dias de solteiro. Eu não vejo a hora que eles acabem. Então não há razão para que eu vá.

1 Verdade 1 Eu disse respirando na pele gelada de sua garganta.

Isso era muito perto do que seria meu cantinho feliz. Chalie dormia profundamente em seu quarto, o que era quase o mesmo que estar sozinha. Nós estamos encolhidos em minha pequena cama, nossos corpos o mais juntos possível, apesar do grosso cobertor em que eu estava enrolada como um casulo. Eu odiava a necessidade do cobertor, mas o romance acabava quando meus dentes começavam a bater. Charlie iria perceber se eu ligasse o aquecedor em Agosto...

Pelo menos, se houvesse algo ruim, a camisa de Edward estava no chão. Eu nunca superei o choque de como seu corpo era perfeito1 pálido e gelado como mármore. Eu corri minha mão por seu peito nu, passando por sua barriga perfeitamente rígida, passeando. Ele tremeu levemente, e seus lábios encontraram os meus novamente. Cuidadosamente a ponta de minha língua traçou seus lábios encerados, e ele suspirou.

Seu hálito me invadiu – frio e delicioso1 por todo o meu rosto.

Ele começou a recuar1 esta era sua reação automática toda vez que achava que tinha ido longe demais, seu reflexo toda vez que ele queria mais. Edward passou toda sua vida rejeitando qualquer tipo de contato físico. Eu sei que para ele era assustador tentar mudar seus hábitos agora.

1 Espere 1 eu disse agarrando seus ombros e o abraçando mais perto. Eu passei minha perna que estava livre ao redor de seu quadril. 1 A prática leva a perfeição.

Ele riu. 1 Bem, devemos estar bem perto da perfeição nesse ponto, não acha? Você dormiu alguma noite no ultimo mês?

1 Mas esse é o ensaio do vestido 1 Eu relembrei ele. 1 E nós só praticamos algumas cenas.

Não temos tempo a perder.

Eu pensei que ele fosse rir, mas ele não respondeu, e seu corpo endureceu de um nervoso repentino. O dourado em seus olhos pareceu endurecer de liquido para sólido.

Eu pensei no que havia dito e tentei entender o que ele havia pensado.

1 Bella... 1 ele sussurrou.

1 Não comece com isso de novo 1 eu disse 1 Trato é trato.

1 Eu não sei. 1 É muito difícil se concentrar quando você está comigo desse jeito. Eu 1 Eu não consigo pensar direito. Eu não vou conseguir me controlar. Você vai se machucar.

1 Eu vou ficar bem.

1 Bella...

1 Shh... 1 eu pressionei meus lábios nos dele para parar com o ataque de pânico. Eu já havia ouvido aquilo antes. Ele não ia desistir do acordo. Não depois de insistir que eu casasse com ele primeiro.

Ele me beijou de volta por um momento, mas eu pude perceber que ele não estava com tanto entusiasmo como antes. Preocupado, sempre preocupado. Como seria diferente quando ele não tivesse que se preocupar mais comigo. O que ele fará em seu tempo livre? Terá que arrumar um hobby novo!

1 Como estão seus pés? 1 ele perguntou

Sabendo que ele não falava no sentido literal eu respondi 1 Torrando de tão quentes.

1 Mesmo? Não está mudando de idéia? Ainda não é tarde pra desistir.

1 Você está tentando me fazer desisitir?

Ele riu silenciosamente. 1 Só para ter certeza. Não quero que você faça nada de que não tenha certeza.

1 Tenho certeza sobre você. Com o resto eu posso viver.

Ele hesitou e eu imaginei se devia fechar a minha boca.

1 Você consegue? 1 ele disse quieto. 1 Eu não me refiro ao casamento – eu sei que você vai sobreviver apesar de não concordar1 mas e depois... E Renée? E Charlie?

1 Eu vou sentir falta deles. 1 Mais do que eles de mim, mas eu não quis dar a ele esse tipo de detalhe.

1 Angela e Ben, Jéssica e Mike.

1 Vou sentir falta dos meus amigos também. 1 Eu sorri para a escuridão. 1 Especialmente Mike! Oh Mike! Como vou sobreviver!

Ele grunhiu.

Eu ri, mas logo fiquei séria novamente. 1 Edward nós já falamos sobre isso. Eu sei que vai ser difícil, mas é o que eu quero. Eu quero você, e quero para sempre. Uma vida não é suficiente para mim.

1 Congelada para sempre aos dezoito – ele sussurrou.

1 Todo sonho de mulher se torna realidade 1 eu provoquei.

1 Nunca mudando, nunca indo para frente.

1 O que isso significa?

Ele respondeu devagar. 1 você se lembra quando contamos para Charlie a respeito do casamento? Ele pensou que você estava... grávida?

1 E ele pensou em atirar em você. 1 Eu disse com uma risada 1 Admita, por um momento ele considerou isso.

Ele não respondeu.

1 O que é Edward?!

1 Eu só queria...bem, queria que ele estivesse certo.

1 Uhh 1 eu estremeci.

1 Que houvesse alguma maneira que isso pudesse acontecer. De que corrêssemos esse risco. Eu odeio tirar isso de você também.

Eu precisei de um momento para responder. 1 Eu sei o que estou fazendo.

1 Como você pode saber Bella? Olhe para minha mãe e minha irmã. Não é um sacrifício tão fácil quanto você imagina.

1 Esme e Rosalie conseguiram superar isso. Se isso se tornar um problema podemos fazer o que Esme fez – nós vamos adotar!

Ele suspirou e, em seguida, sua voz era feroz. 1 Isso não é certo! Não quero que você tenha que fazer sacrifícios por mim. Eu quero dar1lhe coisas, não tirar coisas de você. Eu não quero roubar o seu futuro. Se eu fosse humano1

Eu coloquei minha mão sobre seus lábios. 1 Você é o meu futuro. Parar agora. Não se deprima, ou eu irei chamar seus irmãos para virem e pegar você. Talvez você precise de uma festa de despedida. 1 Desculpe1me. Estou deprimido, não é? Devem ser os nervos.

1 Seus pés estão frios (OBS. Pés frios = Estar amarelando)?

1 Não é nesse sentido. Eu tenho esperado um século para casar com você, Senhorita Swan.

A cerimônia de casamento é a única coisa que eu mal posso esperar.

Ele suspendeu o pensamento. 1 Oh, por tudo que é mais sagrado!

1 O que houve?

Ele rangeu os dentes. 1 Você não precisa ligar para os meus irmãos. Aparentemente eles não vão me deixar escapar essa noite.

Eu o abracei mais forte, mas depois soltei. Eu não tinha a menor pretensão de ganhar uma guerra contra Emmet. 1 Divirta1se.

Houve um ruído através da janela. Alguém estava passando suas unhas de propósito no vidro para fazer um barulho horroroso de cobrir os ouvidos e arrepiar os cabelos. Eu dei de ombros.

1 Se você não botar o Edward para fora – Emmet – ainda invisível na noite – ameaçou 1 nós vamos entrar pra pegar ele.

1 Vá 1 Eu ri – Antes que eles quebrem a minha casa.

Edward rolou seus olhos e em um único movimento se colocou de pé e com outro recolocou sua camisa. Ele se abaixou e beijou minha testa.

1 Vá dormir. Você vai dar um grande dia amanhã.

Continuar: parte 2 de 5