Alice no País das Maravilhas
Todos na tarde Dourada
Alice Liddell1
TODOS NA TARDE DOURADA
Vamos nós na tarde dourada
Cair suavemente;
Bracinhos remando sem arte
Levam a proa à frente,
Mãozinhas apontam o norte,
Pretensiosamente.
Oh, Trio terrível! Bem na hora
Da vadiagem boa,
Elas imploram por um conto
Uma historinha à toa!
Uma língua contra três: três
Vezes mais qual ecoa?
Prima, bem mandona, decreta:
— Hora de começar.
Secunda, mais meiga, acredita:
— Sentido não terá.
Irrequieta, Tertia atrapalha
O conto sem parar.
Assim que o silêncio domina, A magia então fervilha
São aventuras de uma menina
No País das Maravilhas,
Onde jabutis, grifos e lagostas —
Gostam de dançar quadrilha.
Quando a história secava
O poço quimérico,
O contador desconversava:
— O próximo conto será feérico.
— Mas o próximo é agora! —
Pediam as três eufóricas.
Eis que surgiu o tal país:
Pedaço por pedaço,
Foram lavrados seus relevos —
Restam prontos seus traços,
O sol se põe, voltamos nós,
Trupe de alegre passo.