Cenas da Foz

Camilo Castelo Branco · Capítulo 4 de 44

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Cenas da Foz

Scenas da Foz.

Senhora! A hygiene moral, depois de Broussais, tem feito progressos que demandam um compendio novo, e uma diversa iniciativa no systema de applical-os com aproveitamento.

O romance, senhora, é a mais proficua das pharmacias, porque neste laboratorio douram-se as pilulas com maravilhosa limpesa. O romance, caldeado na forja onde Voltaire assacalou as armas com que feriu no coração o «ridiculo» de{9} v. exc.ª, n'aquella época, será, se me não engana o muito amor da humanidade, um sodorifero por meio do qual faremos transpirar as muitas fezes que v. exc.ª traz no sangue, e das quaes se originam muitos miasmas de febre da pouca vergonha, para a qual não ha quarentena possivel, nem conselho de saude, por ventura o mais necessitado, na presente conjunctura, de ser esfregado com as baêtas da zombaria.

Pelo que: considerando maduramente quão proveitosa devia ser a v. exc.ª a divulgação de trabalhos que o zelo da minha especie me impoz, ouso recorrer á egide da sua protecção, offertando-lhe o primeiro da serie de livros que vou atirar á humanidade.

Senhora! Fiquemos aqui, se lhe parece.{10}

 

[1] Preparo uma dissertação a este respeito.

 

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SCENAS DA FOZ.