Literatura brasileira em foco VIII

Andréa Sirihal Werkema · Capítulo 12 de 12

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Literatura brasileira em foco VIII

Sobre os autores

 

Marília Rothier Cardoso

 

Professora aposentada de Literatura Brasileira do Instituto de Letras da UERJ; atualmente, integra o corpo docente da área de Literatura do Departamento de Letras da PUC-Rio.

 

Ana Chiara

 

Doutora em Letras pela PUC-RJ. Professora associada de Literatura Brasileira na Universidade do Estado do Rio de Janeiro desde 1995, dedica-se à pesquisa nos seguintes temas: corpo, sexualidade, memória, escritas de si. Participa do GT ANPOLL de Literatura Comparada e Coordena o GPESq Vida, arte, literatura: bioescritas. Bolsista de Produtividade CNPq.

 

Ana Lúcia M. de Oliveira

 

Doutora em Literatura Comparada (UERJ, 1999), professora associada de Literatura Brasileira na UERJ, pesquisadora no programa PROCIÊNCIA UERJ/FAPERJ e bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Traduziu e/ou coordenou a tradução de obras filosóficas, das quais se destacam: Caosmose, de Félix Guattari; Ensaios sofísticos e O efeito sofístico, de Bárbara Cassin; Mil platôs, de G. Deleuze e F. Guattari. É autora de Por quem os signos dobram: uma abordagem das letras jesuíticas (EdUERJ, 2003) e organizadora dos livros Linhas de fuga: trânsitos ficcionais (7Letras, 2004); Antônio Vieira: 400 anos (EdUERJ, 2011); Cartas e papeis vários, tomo I, vol. 5 da Obra completa do Padre Antônio Vieira (Lisboa: Círculo de Leitores, 2014; São Paulo: Loyola, 2014) e Figurações do real: literatura brasileira em foco VII (Relicário, 2016). Andréa Sirihal Werkema

 

Professora adjunta de Literatura Brasileira da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde dá aulas na graduação, pós-graduação e especialização. Doutorou-se em Literatura Brasileira pelo Pós-Lit/UFMG. Publicou, entre outros, Variações sobre o romance (2016), Figurações do real (2017), A crítica literária brasileira em perspectiva (2013) e Macário, ou do drama romântico em Álvares de Azevedo (2012).

 

Éverton Barbosa Correia

 

Professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), fez estágio pós-doutoral inicialmente na UNESP e depois na UNICAMP. Sua tese de doutorado foi desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) sobre a obra de João Cabral de Melo Neto. Tem publicado em periódicos especializados artigos sobre autores da Literatura Brasileira, dentre os quais podemos destacar os seguintes: “Memória, genealogia e subjetividade em João Cabral” e “Um poema inédito na obra poética de Manuel Bandeira” (O Eixo e a Roda); “Apontamentos para leitura de poemas”, “Dois poemas de Pedro de Alcântara — Dom Pedro II” e “O discurso de posse de um poeta-diplomata na Academia Brasileira de Letras e outros opúsculos” (Remate de Males); “Um baobá no Recife e o baobá do Senegal” e “Forma e subjetividade em dois poemas de João Cabral sobre o ovo” (Via Atlântica).

 

Fátima Cristina Dias Rocha

 

Professora titular de Literatura Brasileira do Instituto de Letras da UERJ, instituição em que atua na Graduação e na Pós-Graduação. Neste âmbito, desenvolve pesquisa sobre as formas da autobiografia e do memorialismo de escritores brasileiros, publicando regularmente diversos artigos em torno desse tema. Em sua pesquisa mais recente, a pesquisadora investiga o autobiografismo contemporâneo, considerando-o, de um lado, em suas articulações e diálogo com a forte tradição autobiográfica que se consolidou no Brasil a partir da década de 1940; e, de outro lado, em seu convívio com a atual disseminação de narrativas vivenciais.

 

Giovanna Dealtry

 

Professora do PPG de Letras da UERJ. Doutora em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, tendo publicado e coorganizado, entre outros, Guerreira, Coleção O Livro do Disco (Ed. Cobogó), O fio da navalha — malandragem na literatura e no samba (FAPERJ/Casa da Palavra) e O futuro pelo retrovisor — Inquietudes da literatura brasileira contemporânea (Rocco).

 

Italo Moriconi

 

Crítico e curador literário, editor, poeta e professor do Instituto de Letras da UERJ. Como curador, organizou algumas antologias marcantes, como Os Cem Melhores Contos e Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do século XX (ambos pela ed. Objetiva), Destino: Poesia (ed. Jose Olympio) e a recém-lançada Torquato Essencial (ed. Autêntica, 2017). Coordenou o Café Literário da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro de 2009 a 2013. Chefiou a Editora da UERJ de 2008 a 2015, onde criou a prestigiosa coleção Ciranda da Poesia. Na área da pesquisa biográfica, publicou Ana C.: o sangue de uma poeta e organizou as Cartas de Caio Fernando Abreu, ambos agora em segunda edição pela Egalaxia. É autor de Como e por que ler a poesia brasileira do século XX (ed. Objetiva, Prêmio Livros Altamente Recomendados da FNLIJ).

 

Leonardo Davino de Oliveira

 

Professor adjunto de Literatura Brasileira na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É doutor em Literatura Comparada pela UERJ, especialista e mestre em Literatura Brasileira. Ensaísta, procura refletir sobre as múltiplas e heterogêneas modalidades da poesia cantada, focado na vocoperformance da canção popular urbana mediatizada e suas produções e partilhas do sensível. É autor do blog Lendo canção

(lendocancao.blogspot.com). É autor do livro Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso (Ibis Libris, 2012); e, entre outros, coorganizador e autor do livro Palavra cantada: estudos transdisciplinares (EdUERJ, 2014).

 

Marcus Vinicius Nogueira Soares

 

Doutor em Literatura Comparada pela UERJ, é professor associado de Literatura Brasileira da mesma instituição. É coautor de “500 anos de ficção”, publicado na Brasiliana da Biblioteca Nacional (Nova Fronteira, 2002) e autor do livro A crônica brasileira do século XIX: uma breve história (É Realizações, 2014). Membro do Grupo de Pesquisa LABELLE (Laboratório de Estudos de Literatura e Cultura da Belle Époque da UERJ), UERJ/CNPq. Publicou vários artigos sobre a crônica e a obra de José de Alencar em livros e revistas acadêmicas.

Notas

 

Reinvenções poéticas pelo humor

 

1. QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.

João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história (Drummond de Andrade, (1930) 1967, p. 69)

↩

 

“Até os penhascos duros

 

respondem”: Breve introdução à

 

epistolografia de Antônio Vieira

 

1. Trata-se de fragmento de carta endereçada à nobreza de

Portugal, de 31 de julho de 1694, em que se lê: “É cousa tão natural o responder, que até os penhascos duros respondem, e para as vozes têm ecos. Pelo contrário é tão grande violência não responder, que aos que nasceram mudos fez a natureza também surdos, porque se ouvissem, e não pudessem responder, rebentariam de dor” (VIEIRA, 2014, t. I, vol. IV, p. 499).

↩

2. Para uma análise da carta ânua vieiriana, consultar: Oliveira,

2008, pp. 137-54.

↩

3. Uma tradução em português dessa obra, bem como das artes

epistolares de Erasmo e Justo Lipsio, pode ser encontrada em Tin, 2005.

↩

4. Destaque-se aqui, de passagem, que tal descoberta está

diretamente relacionada à grande voga de imitação clássica nesse período, que teve seu ápice no ciceronianismo do início do século XVI, já foi amplamente estudado por Marc Fumaroli, na primeira parte de sua relevante obra sobre a “idade da eloquência” (1980).

↩

5. Para as diversas variações no estilo epistolar ao longo do

século XVII, ver Beugnot, 1994, pp.187-204.

↩

6. Para um exame da estrutural formal das cartas jesuíticas e de

sua ligação com a tradição da ars dictaminis, consultar Pécora, 2001, pp. 17-68.

↩

7. Uma análise das diversas edições das epístolas inacianas nos

séculos XVI e XVII foi feita por Lima, 1983.

↩

8. Para uma crítica da modernização da ortografia e da

pontuação, presentes na edição preparada por Lúcio de Azevedo, cf. Révah, 1947, pp. 255-70.

↩

9. “Carta que Jerônimo Corrêa Sarrapante escreveu a Antônio

Vieira, estando preso por louco, no hospital o dito Sarrapante”. Maquinações de Antônio Vieira jesuíta, Ms. da Biblioteca Nacional Portuguesa, t. 6, p. 231. Outras cópias desse texto são encontradas em diferentes códices dessa biblioteca.

↩

 

Ruas, quartos, janelas: Manuel

 

Bandeira espia

1. O termo “cavalo” aplica-se aos sujeitos que durante os ritos do

Candomblé incorporam os orixás.

↩

 

Hilda Hilst: passos da consagração

 

1. Vale mencionar aqui a tese de doutorado de Fernanda

Schcolnik (UERJ, 2016).

↩

 

Notas sobre a escrita da crônica no

 

Brasil: 1830-1930

 

1. Destaco os seguintes exemplos: as crônicas de “Ao correr da

pena”, de José de Alencar, publicadas em livro em 1874; o programa da Rádio MEC, intitulado “Quadrante”, de 1960; o quadro televisivo “Crônicas de Rubem Braga” no “Jornal Hoje” da Rede Globo, que foi ao ar entre 1975 e 1986; e os textos de Anderson França no Facebook.

↩

2. Em crônica anterior, Machado já se mostrava incomodado,

quando das primeiras notícias do caso, com a “fome” da população por “grandes crimes”: “um simples pedaço de cadáver, ensopado em mistério, bastou a fartar toda a cidade” (Assis, 1892b, p. 1).

↩

3. João do Rio aludia ao início do texto no qual citava um episódio,

provavelmente uma anedota, em que o marechal Francisco Raimundo Ewerton Quadros, um dos divulgadores mais atuantes do Espiritismo no Brasil, teria deixado de pegar um bonde vazio porque ele estaria “cheio de espíritos maus” (Rio, 1904, p.1).

↩

4. Na verdade, os filmes “coloridos” eram colorizados na própria

película, quadro a quadro, e não correspondiam ao efeito da captação da cor pela filmagem, ainda que essa tecnologia estivesse disponível pelo menos desde 1901, conforme descoberta recente. Já os filmes falados consistiam em um processo de sincronização da reprodução das imagens pelo cinematógrafo com a do som pelo fonógrafo.

↩

5. Isso não quer dizer que a crônica já não participasse, mesmo

que parcimoniosamente, do mercado editorial no século XIX, como se vê nas publicações de Alencar, Alfredo Bastos e Bilac. Nas duas primeiras décadas do Novecentos, o processo ganharia força tendo João do Rio à frente, contudo sem ainda atingir a amplitude mercadológica dos anos 1930.

↩

6. Tomás Santa Rosa (1909-1956) foi cenógrafo e um dos mais

importantes ilustradores da primeira metade do século XX, responsável por vários projetos gráficos para a editora José Olympio.

↩

7. A data do início do outono foi também assinalada pela notícia

do Correio da Manhã, de 22 de março de 1935, sobre a intensa chuva que caiu no Distrito Federal no dia anterior: “Entramos, ontem, no outono. Esse salto de estação foi ruidosamente assinalado, pela própria natureza, com um forte aguaceiro, que, como sempre, tudo alagou” (DE VERÃO…, 1935, p. 3).

↩

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