O Esqueleto

Camilo Castelo Branco · Capítulo 6 de 38

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O Esqueleto

Notas de Rodapé:

Não se quiz bater com testemunhas: era natural que evitasse bater-se sem ellas.

Absteve-se de ir ao Porto, e reflectiu ponderosamente no escape de taes aperturas. Achou que era tempo de espesinhar considerações de menor alcance. Propoz á franceza uma separação temporaria, e urgente á quietação de ambos. Margarida ouviu-o de boa fé. Acceitou alguns mil cruzados; residencia no Porto, se lhe desprazia viver na quinta; e a segurança de se reunirem na provincia, assim que a entrevada mãe de Nicoláo passasse a melhor vida. Annuiu a franceza, dizendo em tom lastimoso que de bom grado, e com o coração cheio de lagrimas, se immolava á tranquilidade do amante.

Nicoláo foi para Traz-os-Montes, e Margarida Froment para uma casa ricamente alfaiada na Torre da Marca.

O chanceller, perdida a esperança de tirar os olhos do scelerado á ponta de florete, escreveu ao amigo, contando-lhe o seu intento, e o encontro inesperado.

Ernesto Froment accusou a carta recebida, e não falou da mulher. Parece que tinha lá tres, todas mais fieis, e póde ser que mais formosas.

Por este lado, o acaso—não ouso dizer a Providencia—se amerceara do esposo trahido. Quem dos dois soffria mais, ou presentia o emborrascarem-se as porvindouras tormentas, era Margarida.

 

NOTAS DE RODAPÉ:

 

[1] Foi no palacio dos viscondes de Balsemão. Este palacio,

onde se hospedou Carlos Alberto, é hoje do visconde da Trindade. Habent sua fata... os palacios!