Os Crimes da Rua Morgue e Outras Histórias

Edgar Allan Poe · Capítulo 2 de 5 · parte 1/3

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Os Crimes da Rua Morgue e Outras Histórias

O Mistério de Maria Roget

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

O MISTÉRIO DE MARIA ROG ET

(Continuação de "Os Crimes da Rua Morgue")

 

NOTA INTRODUTÓRIA

Publicado pela primeira vez no Ladies' Companion, novembro-dezembro de 1842, fevereiro de 1843.

Titulo original: THE MYSTERY OF MARIE ROGET.

Por ocasião da primeira publicação de O Misterio de Maria Roget, as notas de pé de página, agora apensas, foram consideradas desnecessárias; mas os muitos anos decorridos desde a tragédia sobre que se baseia a estória tornam-nas indispensáveis e também dizer, em poucas palavras, algo sobre o plano geral.

Uma moça, Mary Cecilie Rogers, foi assassinada nas vizinhanças de Nova York, embora sua morte ocasionasse intensa e duradoura e emoção , o mistério que a cercava permaneceu insolúvel até a ocasião em que o presente relato foi escrito e publicado (novembro de 1842). Aqui, sob pretexto de relatar a sorte duma grísette parisiense, o autor seguiu, em todas minúcias, os fatos essenciais, ao mesmo tempo que acompanhava apenas os não essenciais do assassínio real de Mary Rogers. Assim, todo o argumento baseado na FICÇÃO é aplicável à verdade, pois a investigação da verdade foi o seu objetivo.

O Misterio de Maria Roget foi escrito bem longe do local do crime e outros meios de investigação que os fornecidos pelos jornais. Por isso me escapou ao autor daquilo que ele próprio poderia ter utilizado se houvesse estado na cena do crime e visitado os lugares.

Deve ser, não obstante, útil recordar que as confissões de duas pessoas (uma delas a Sra.

Deluc narrativa), feitas em diferentes ocasiões e muito depois de publicada a estória, confirmaram, em pleno, não somente a conclusão geral, mas absolutamente todos os principais pormenores hipotéticos por meio dos quais foi a conclusão obtida.

 

O MISTÉRIO DE MARIA ROG ET

Depois de ter ouvido o que recentemente ouvi, seria por certo estranho que eu permanecesse em silêncio a respeito do que tanto vi como ouvi já faz tempo.Após o desenlace da tragédia que envolveu a morte da L'Espanaye e sua filha, meu amigo Dupin não prestou mais atenção ao caso e recaiu nos seus velhos hábitos de extravagantes devaneios. Sempre predisposto às abstrações , não tardei em segui-lhe o exemplo, e, continuando a ocupar nossos aposentos no bairro de São Germano, abandonamos ao vento o futuro e adormecemos tranquilamente no presente, tecendo de sonhos o mundo estúpido que nos cercava.

Mas esses sonhos não ficaram inteiramente sem interrupção. Pode-se se de pronto supor que a parte desempenhada por meu amigo no drama da Rua Morgue não deixara de causar impressão na imaginação da polícia parisiense.

Entre seus agentes, o nome de Dupin tinha-se tornado familiar. Não tendo sido o simples caráter daquelas induções, por meio das quais havia ele destrinçado o mistério jamais explicado, mesmo ao Chefe de Polícia, ou a qualquer indivíduo, a não ser eu mesmo, não é de admirar, sem dúvida que o caso fosse encarado como pouco menos que miráculos, ou que as habilidades analíticas de Dupin houvessem adquirido para ele o crédito da intuição.

Sua franqueza o teria levado a libertar qualquer perguntador de tal preconceito, mas seu temperamento indolente o impedia de quer agitação ulterior a respeito dum episódio cujo interesse de há muito cessara para ele. Por isso aconteceu que veio a tornar-se o alvo dos olhares policiais e poucos não foram os casos em que fizeram tentativas, na chefia de polícia, para que ele deles se encarregasse.

Um desses casos mais notáveis foi o do assassínio moça chamada Maria Roget. Este fato ocorreu cerca de dois anos depois do bárbaro crime da Rua Morgue. Maria, cujos nomes de batismo e de família chamaram desde pronto a atenção por sua semelhança com os da desventurada vendedora de charutos, era filha única da viúva Estela Roget. O pai morrera na infância da criança e, da ocasião da ocasião de morte até dentro de oito meses antes do assassínio que forma o assunto de nossa narrativa, mãe e filha tinham vivido juntas na Rua Pavée Saint-André, mantendo aquela uma pensão, ajudada por Maria. As coisas continuaram assim, até haver esta última atingido os vinte e dois anos, quando sua grande beleza atraiu a atenção dum perfumista, proprietário duma das lojas do rés-do-chão do Palais Royal, cuja clientela consistia principalmente de audaciosos aventureiros que infestavam aqueles arredores. O Sr. Blanc não duvidava das vantagens que adviriam da presença da formosa Maria em sua loja de perfumes e suas generosas propostas foram avidamente aceitas pela moça, embora com um pouco mais de hesitação da parte de sua mãe.

As previsões do lojista se realizaram e seus salões em breve se tornaram famosos, graças aos encantos da alegre grisette. Encontrava-se ela no emprego havia quase um ano, quando seus admiradores ficaram aturdidos com sua súbita desaparição da loja. O Sr. Le Blanc não soube dar explicações de tal ausência e a Sra. Roget estava quase louca de ansiedade e terror. Os jornais se apoderaram imediatamente do assunto e a polícia se aprestava a fazer sérias investigações, quando, uma bela manhã, uma semana após, Maria, de boa saúde, mas com um ar de leve tristeza, reapareceu no seu balcão habituado da perfumaria. Toda investigação, exceto as de caráter particular, foi, sem dúvida, imediatamente sustada. O Sr. Le Blanc mantinha a mesma ignorância anterior absoluta. A todas as perguntas que lhe faziam, Maria, bem como sua mãe, respondia que passara a semana na casa dum parente, no interior. De modo que o caso não foi adiante e em breve todos o esqueceram, pois no propósito evidente de livrar-se duma curiosidade impertinente, em breve se despedia definitivamente do perfumista e recolhia-se ao abrigo da residência de sua mãe, na Rua Pavée Saint-André.

Foi cerca de cinco meses depois dessa volta ao lar que seus amigos se alarmaram com sua súbita desaparição, pela segunda vez. Três dias se passaram e nada se ouvia falar a respeito dela. No quarto dia, seu corpo foi encontrado boiando no Sena, perto da praia fronteira ao bairro da Rua Saint-André e a um ponto não distante das cercanias pouco frequentadas da Barreira do Roule .

A atrocidade desse crime (pois era de pronto evidente que fora cometido um crime), a mocidade e beleza da vítima e, acima de sua anterior notoriedade conspiravam para produzir intensa comoção no espírito dos sensíveis parisienses. Não me recordo de caso semelhante que houvesse provocado efeito tão geral e tão intenso.Durante semanas, na discussão desse único tema absorvente, até mesmo os momentosos tópicos políticos do dia eram esquecidos. O Chefe de Policia fez esforços fora do comum e todas as forcas da polícia parisiense foram chamadas a dar o máximo de sua colaboração.

Ao ser descoberto o cadáver, não se supôs que o assassino fosse capaz de escapar, a não ser por breve período, ao inquérito sem demora instaurado. Somente ao fim duma semana é que se julgou necessário oferecer uma recompensa e mesmo então estava essa recompensa limitada a mil francos. Entrementes, continuava a investigação com vigor, se não sempre com discernimento, e inúmeros indivíduos foram interrogados, mas sem resultado, à medida devido à contínua ausência dum fio esclarecedor do mistério, aumentava intensamente a excitação popular. No fim do décimo dia, achou-se aconselhável dobrar a soma originalmente prometida e por fim, tendo decorrido a segunda semana sem conduzir a nenhuma elucidação e tendo a prevenção, que sempre existe em Paris contra a polícia, dado azo a algumas desordens sérias, o Chefe de Polícia tomou a seu cargo prometer a soma de vinte mil francos "pela denúncia do assassino", ou, se ficasse provado haver mais de um implicado, "pela denúncia de qualquer um assassinos".

Na proclamação que anunciava esta recompensa, prometia-se pleno perdão a qualquer cúmplice que depusesse contra seu companheiro e a essa declaração estava apenso, onde quer que aparecesse, um cartaz particular duma comissão de cidadãos, que ofereciam dez mil francos a mais do montante prometido pela Chefia de Polícia. De modo que toda a recompensa prometida ascendia a nada menos de trinta mil francos, o que pode ser olhado como uma soma extraordinária, quando consideramos a modesta posição da moça e a grande frequência, nas grandes cidades, de crime tão atrozes como esse.

Ninguém duvidava agora de que o mistério desse crime seria imediatamente esclarecido.

Mas, embora, num ou dois casos, tivessem sido feitas prisões que prometiam elucidação, contudo nada ficou esclarecido que pudesse incriminar as pessoas suspeitas, as quais foram sem demora postas em liberdade. Por mais estranha que possa parecer, havia já passado a terceira semana após a descoberta do cadáver sem que nenhuma luz fosse projetada sob o caso, antes mesmo que qualquer rumor dos acontecimentos, que tanto agitaram a opinião pública, chegasse aos ouvidos de Dupin e aos meus.

Entregues a pesquisas que haviam absorvido toda a nossa atenção , havia quase um mês que não saíamos de casa, ou recebíamos visitas, limitando-nos a lançar uma vista rápida aos principais artigos políticos de algum dos diários da capital. A primeira notícia do crime nos foi trazida por G*** em pessoa. Veio ver-nos, logo no começo da tarde do dia 13 de julho de 18… e ficou conosco até tarde da noite.

Estava vivamente irritado pelo fracasso de todas as suas tentativas de deitar mão aos criminosos. Sua reputação - assim dizia ele, com típico ar parisiense - estava em jogo.

Até mesmo sua honra se achava comprometida. Os olhares do público estavam fixos sobre ele e não havia, na verdade, sacrifício algum que não desejasse fazer pelo esclarecimento do mistério. Terminou seu discurso, um tanto ridículo, com um elogio a que lhe aprazia chamar de "o tato" de Dupin, e fez-lhe uma direta e certamente generosa proposta, cujo valor preciso não tenho o direito de aqui revelar, mas que não tem grande importância no assunto mesmo desta narrativa.

Meu amigo refutou o elogio o melhor que pode, mas aceitou a proposta imediatamente, embora suas vantagens fossem inteiramente condicionais. Ficando determinado este ponto, o Chefe de Polícia pôs-se logo a dar explicações a respeito de seus próprios pontos de vista, intercalando-os de longos comentários sobre os depoimentos, dos quais ainda não tínhamos até então conhecimento. Discorreu bastante e, sem dúvida, doutamente, enquanto eu aventurava uma sugestão ocasional a propósito da noite que passava e da hora de dormir.

Dupin, sempre sentado na sua poltrona habitual, era a encarnação da atenção respeitosa.

Ficara de óculos durante toda a entrevista, e um fortuito olhar, por baixo dos vidros verdes dos óculos, bastou para convencer-me de que dormia profundamente, embora não ressonasse, durante as sete ou oito pesadas horas que precederam a partida do chefe de polícia.

Pela manhã, procurei, na Chefia de Polícia,um relatório completo de todos os depoimentos obtidos e, em várias redações de exemplares nos quais, do princípio ao fim, tinha sido publicada qualquer informação decisiva a respeito daquele triste caso. Desembaraçada de tudo quanto não estava positivamente provado,essa massa de informações estatuía o seguinte: Maria Roget deixara a casa de sua mãe, na Rua Pavée Saint-André, cerca das nove horas da manhã do domingo 22 de junho de 18… Ao sair, comunicou a um tal Sr. Jacques St. Eustache, e somente a ele, sua intenção de passar o dia com uma tia que morava na Rua dos Drômes. A Rua dos Drômes é uma travessa estreita, mas movimentada, não longe das margens do rio, e a uma distância dumas duas milhas, pelo caminho mais reto da pensão da Sra. Roget. St. Eustache era o pretendente de Maria e dormia, bem como tomava refeições, na pensão. Devia ir buscar sua noiva ao anoitecer e acompanhá-la até em casa. À tarde, porém, sobreveio pesada chuva e, supondo que ela permaneceria a noite toda em casa de sua tia (como já fizera antes, em circunstâncias idênticas), achou ele que não era necessário manter sua promessa. Como a noite avançasse, a Sra. Roget (que era uma velha doente, de setenta anos de idade) expressou seu temor de "que jamais veria Maria de novo"; mas, no momento, tal observação não atraiu grandemente a atenção.

Na segunda-feira, verificou-se que a moça não estivera na Rua Drômes e, quando se passou o dia, sem notícias dela, uma busca tardia foi organizada em vários pontos da cidade e seus arredores. Somente, porém, no quarto dia após seu desaparecimento que algo de importante se veio a saber a respeito dela. Nesse dia (quarta-feira, 25 de junho), um tal Sr. Beauvais, que, com um amigo, estivera fazendo indagações a respeito de Maria, perto da Barreira do Roule, na margem do Sena, fronteira à Rua Saint-André, foi informado de que um cadáver acabava justamente de ser trazido à praia por alguns pescadores que o haviam encontrado boiando no rio. Ao ver o corpo, Beauvais, depois de alguma hesitação, identificou-o como o da moça da perfumaria. Seu amigo reconheceu-o mais prontamente.

O rosto estava coberto de sangue preto, que saíra, em parte, da boca. Não se via espuma, como no caso dos simples afogados. Não havia descoloração do tecido celular. Em torno da garganta, havia equimoses e marcas de dedos. Os braços estavam dobrados sobre o peito e mostravam-se rígidos. A mão direita estava crispada e a esquerda parcialmente aberta. No punho esquerdo havia duas escoriações circulares, parecendo causadas por cordas, ou por uma corda com mais de uma volta. Parte do punho direito, também estava bastante esfolada, bem como o dorso, em toda a sua extensão, porém mais especialmente nas omoplatas. Ao rebocar o corpo para a praia, os pescadores haviam amarrado nele uma corda, nenhuma das escoriações havia sido produzida por essa corda. A carne do pescoço estava bastante inchada. Não havia cortes visíveis ou equimoses que parecem causadas por golpes. Descobriu-se pedaço de fita amarrado tão estreitamente ao pescoço que se podia perceber, estava completamente enterrado na carne e amarrado por um nó oculto, justamente por baixo da orelha esquerda. Só isso teria bastado para produzir a morte. O laudo médico afirmou com convicção o caráter virtuoso da morta. Dizia ele que fora vítima duma brutal violência. Achava-se o corpo, quando encontrado, em estado tal que não pode haver dificuldade em ser reconhecido pelos seus amigos.

O vestido estava bastante rasgado e aliás em grande desordem. Na parte exterior, uma faixa de cerca do trinta centímetros de largura fora rasgada de alto a baixo,desde o debrum superior a cintura, mas não arrancada. Estava enrolada três vezes em torno da cintura, e presa por uma espécie de nó nas costas. A roupa que se seguia ao vestido era de fina musselina e dela uma tira de polegadas de largura tinha sido inteiramente arrancada, arrancada de todo e com grande cuidado. Foi encontrada em torno de pescoço, frouxamente amarrada, e presa por um nó cego. Por cima dessa tira de musselina e da tira de fita, estavam amarrados cordões do chapéu, com o chapéu pendente. O nó que prendia atilhos do chapéu não era dos que dão as mulheres, mas um corrediço de marinheiro.

Depois de identificado o cadáver, não foi ele, como de hábito levado ao necrotério (tal formalidade era supérflua), mas enterrado as pressas não longe do ponto em que fora retirado do rio. Graças aos esforços de Beauvais, a questão foi cuidadosamente abafada tanto quanto possível; e vários dias decorreram antes que se registrasse qualquer emoção pública. Um jornal hebdomadário contudo, afinal apossou-se do tema; o cadáver foi exumado e cedeu-se a um novo exame; porém nada se obteve além do que já fora observado. As roupas, contudo, foram desta vez apresentadas à mãe e aos amigos da morta, sendo perfeitamente identificadas como as que a moça usava ao sair de casa.

Entrementes, a excitação crescia de hora em hora. Diversas pessoas foram detidas e postas em liberdade. Especialmente St. Eustache foi tido como suspeito; e ele não pôde, a princípio, dar relato compreensível do que andara fazendo durante o domingo em que Maria saíra de casa. Posteriormente, todavia, ele apresentou ao Sr. G*** atestados satisfatoriamente explicativos sobre cada hora daquele dia. Como o tempo passasse sem que viessem descobertas, mil rumores contraditórios circulavam, ocupando-se os jornalistas em sugestões. Entre estas, a única que atraiu mais a atenção foi a ideia de que Maria Roget ainda vivia, a de que o cadáver encontrado no Sena era o de alguma outra infeliz.

Será bom que eu apresente ao leitor alguns dos trechos que corporificam a sugestão aludida. Tais trechos são cópias literais de L'Étoile, jornal orientado em geral com grande habilidade: A Srta. Roget saiu da casa de sua mãe , na manhã do domingo 22 de junho de 18…, com o propósito ostensivo de ir ver sua tia, ou certo outro parente, na rua dos Drômes.

Ninguém mais a viu desde aquela hora. Não há traço ou notícia dela, absolutamente…

Nenhuma pessoa, fosse qual fosse, se apresentou até agora que a tivesse visto naquele dia, desde que ela saiu da porta da casa da sua mãe…

Ora embora não tenhamos provas de que Maria Roget se achasse no mundo dos vivos no domingo 22 de junho, depois das nove horas, temos prova de que até aquela hora ela estava viva. Ao meio-dia de quarta-feira, um corpo de mulher foi descoberto quando flutuava junto à margem da Barreira do Roule. Isto, mesmo que presumamos que Maria Roget se atirou no rio, dentro de três horas depois que saiu da casa de sua mãe, só se deu três dias depois de haver ela saído, três dias com diferença de uma hora. Mas é loucura supor que o assassínio, se assassínio foi cometido, pudesse consumar-se bastante cedo para habilitar os assassinos a atirarem o corpo no rio antes da meia-noite. Os que são culpados de tão horríveis crimes escolhem antes a treva e não a luz…

Assim vemos que, se o corpo encontrado no rio era o de Maria Roget, só poderia ter estado na água dois e meio dias, ou três no máximo. Toda a experiência demonstra que os afogados, ou atirados dentro da água logo depois de uma morte violenta, exigem de seis a dez dias a fim de que se produza a decomposição suficiente para trazê-los à tona da água. Mesmo quando se dá um tiro de canhão sobre o local onde o cadáver se encontra e esse vem à tona antes de, pelo menos, cinco ou seis dias após a imersão, afundar-se-á de novo, se abandonado a si mesmo. Agora, perguntamos, que há neste caso para produzir um afastamento do caminho normal da natureza?…

Se o corpo tivesse sido conservado sobre a praia, em seu estado de mutilação até a noite de terça-feira, algum traço dos assassinos se encontraria na margem. É também um ponto duvidoso o de que o corpo flutuaria tão rapidamente, ainda que atirado à água, depois de dois dias de ter sido morto. E mais ainda, é enormemente improvável que quaisquer criminosos que tenham cometido o assassínio, como aqui se supõe, tivessem atirado o cadáver na água sem um peso para afundá-lo, quando tal precaução facilmente poderia ter sido tomada.

O redator passa aqui a argumentar que o cadáver deve ter estado dentro da água "não simplesmente três dias, mas, pelo menos, cinco vezes três dias", porque estava tão decomposto que Beauvais teve dificuldade em reconhecê-lo. Este último ponto, porém, era inteiramente falso. Continuo a citar: Quais, então , são os fatos pelos quais o Sr. Beauvais diz não ter dúvida de que o cadáver é o de Maria Roget? Rasgou a manga do vestido e disse ter encontrado marcas que o satisfizeram acerca da identidade. O público geralmente supôs que essas marcas consistiam em alguma espécie de cicatriz.

Esfregou o braço e descobriu nele cabelos - algo tão vago, pensamos, como mal se poderia imaginar -, coisa tão pouco decisiva como encontrar braço dentro de uma manga. O Sr. Beauvais não voltou à casa aquela noite mas mandou um recado à Sra. Roget, às sete horas da noite de quarta-feira dizendo que as investigações ainda continuavam, com relação à sua filha. Se admitirmos que a Sra Roget, por causa de sua idade e de seu pesar (o que é admitir muito), não podia ir lá, certamente devia ter havido alguém que julgasse valeria a pena ir lá e acompanhar as investigações, se pensasse que o cadáver era o de Maria.

Ninguém foi. Nada se ouviu nem foi dito acerca do assunto, na Rua Pavée Saint-André, que tenha chegado sequer aos ocupantes do mesmo prédio. O Sr. St. Eustache, o amoroso e futuro esposo de Maria, que era pensionista da casa da mãe dela, depôs que não ouviu sobre a descoberta do cadáver de sua noiva senão na manhã seguinte, quando o Sr Beauvais veio a seu quarto e lhe falou disso. Admira-nos que uma notícia semelhante a esta fosse tão friamente recebida.

Desse modo o jornal tentava criar a impressão de uma apatia da parte dos parentes de Maria, inconsistente com a suposição de que esses parentes acreditassem ser dela o cadáver. Suas insinuações chegaram a isto: que Maria, com a conivência de seus amigos se ausentara da cidade por motivos que envolviam uma acusação contra sua castidade; e que esses amigos, depois da descoberta de um cadáver no Sena, algo semelhante ao da moça, tinham-se aproveitado da oportunidade para fazer o público impressionar-se a crença de sua morte. Mas L'Étoile estava de novo ultra-apressada Distintamente se provara que nenhuma apatia, tal como a imaginada, existira; que a velha senhora ficara excessivamente enfraquecida e tão agitada que era incapaz de atender a qualquer obrigação; que St. Eustache, em vez de receber as notícias friamente ficou perturbado de pesar e comportou-se tão alucinadamente que o Sr. Beauvais encarregou um amigo e parente de tomar conta dele e impedi-lo de acompanhar o exame na exumação. Além disso embora L'Étoile asseverasse que o corpo havia sido novamente exumado a expensas públicas e que uma vantajosa oferta de sepultura particular fora absolutamente rejeitada pela família, e que nenhum membro da família acompanhou o cerimonial, embora, repito, tudo isso fosse afirmado por L'Étoile para consolidar a pressão que desejava obter - tudo isso, porém, demonstrou-se satisfatoriamente, era falso. Num número subsequente do jornal, feita uma tentativa de atirar suspeitas sobre o próprio Beauvais. Disse o jornalista: Agora, afinal, surge uma mudança. Dizem-nos que, em certa ocasião, enquanto certa Sra. B*** estava na casa da Sra. Roget, o Sr. Beauvais que estava saindo, falou-lhe que era esperado ali um gendarme e que ela, Sra. B***, nada devia dizer ao gendarme até que ele, Beauvais, voltasse, deixando o negócio por sua conta… Na presente situação do assunto, o Sr. Beauvais parece ter toda a questão fechada em sua mão . Nem um só passo pode ser dado sem o Sr. Beauvais pois, tome-se o rumo que se quiser, esbarrar-se-á com ele…Por alguma razão, decidiu ele que ninguém poderia imiscuir-se no inquérito, a não ser ele, e empurrou do caminho os parentes masculinos de modo muito singular, de acordo com suas queixas. Ele parece também ter muito grande aversão a permitir que os parentes vejam o cadáver.

Pelo seguinte, alguma cor foi dada à suspeita, assim atirada sobre Beauvais. Um visitante do escritório deste, poucos dias antes do desaparecimento da moça, e durante a ausência do dono, observara uma rosa no buraco da fechadura e o nome "Maria" escrito sobre uma ardósia pendurada ao alcance da mão.

A impressão geral, tanto quanto a podemos extrair dos jornais, parecia ser a de que Maria fora vítima de uma quadrilha de bandidos; que tinha sido levada por eles pelo rio, maltratada e assassinada. Le Commerciel, contudo, órgão de extensa influência, encarniçou-se em combater essa ideia popular. Cito um ou dois trechos de suas colunas: Estamos persuadidos de que as pesquisas até agora têm tomado um rumo falso ao se dirigirem para a Barreira do Roule. É impossível que uma pessoa tão bem conhecida por milhares de pessoas, como a jovem em apreço era, tenha passado por três quarteirões sem que ninguém a tenha visto; e quem quer que a tivesse visto tê-lo-ia recordado, porque ela interessava a todos os que a conheciam . Ela saiu quando as ruas estavam cheias de.. É impossível que possa ter ido até à Barreira do Roule ou à Rua dos Drômes sem ser reconhecida por uma dúzia de pessoas; contudo, ninguém se apresentou que a tivesse visto fora da porta da casa de sua mãe, e não há prova, a não ser o testemunho relativo a suas expressas intenções , de que ela tenha absolutamente saído. Sua blusa estava rasgada, envolvida em torno do corpo e amarrada; e assim o corpo foi carregado como um fardo. Se o assassínio tivesse sido cometido na Barreira do Roule, não teria havido necessidade de tal arranjo. O fato de que o cadáver foi encontrado flutuando perto da Barreira não é prova de que fosse atirado à água ali. Um pedaço de um dos saiotes da infortunada moça, de sessenta centímetros de comprimento e trinta de largura, fora arrancado e amarrado sob o seu queixo, atando-se na nuca, provavelmente para impedir gritos. Isso foi feito por sujeitos que não tinham lenços de bolso.

Um dia ou dois antes que o Chefe de Polícia nos chamasse, porém, chegou à polícia certa informação importante, que parecia desmanchar, pelo menos, a principal parte da argumentação de Le Comerciel. Dois meninos, filhos de uma tal Sra. Deluc, quando vagabundeavam entre os bosques próximos da Barreira do Roule, conseguiram penetrar numa mata particular, dentro da qual havia três ou quatro grandes pedras, formando uma espécie de banco, com encosto e escabelo. Na pedra mais ao alto estava uma saia branca; na segunda, uma charpa de seda. Uma sombrinha, luvas e um lenço de bolso também ali se encontravam.

O lenço trazia o nome "Maria Roget". Fragmentos de vestido foram descobertos nas sarças em redor. O chão estava calcado, as moitas partidas e havia toda a evidência duma luta.

Entre o bosquezinho e o rio os parapeitos da cerca foram encontrados arriados e o solo mostrava sinais evidentes de haver sido arrastado por ele algum fardo pesado.Um hebdomadário, Le Soleil, publicara os seguintes comentários sobre esta descoberta, comentários que fizeram simplesmente eco ao sentimento de toda a imprensa parisiense: Os objetos ficaram evidentemente lá, durante pelo menos três ou quatro semanas; estavam completamente inalados pela ação da chuva e colados uns aos outros pelo mofo.

A grama crescera em torno e por cima de alguns deles. A seda da sombrinha era forte, mas os fios estavam costurados juntos por dentro. A parte superior, onde fora dobrada e enrolada, estava toda molhada e apodrecida, rasgando-se ao ser aberta a sombrinha…Os pedaços de vestido rasgados pelas moitas tinham cerca de três polegadas de largura e seis de comprimento. Uma parte era o debrum do vestido e fora emendado; o outro pedaço fazia parte da saia, mas não era o debrum. Pareciam tiras arrancadas e se achavam na moita de espinheiros a cerca de trinta centímetros de altura do solo… não pode haver dúvida portanto, que o local de tão espantoso ultraje tenha sido descoberto.

Logo depois desta descoberta, novo testemunho apareceu. A Sra. Deluc contou que mantém uma hospedaria à beira da estrada não distante da margem do rio, oposta à Barreira do Roule. Os arredores são desertos, extraordinariamente desertos. E, aos domingos, o ponto de reunião habitual de maus elementos da cidade, cruzam o rio em botes.

Cerca das três horas da tarde do domingo em questão, uma moça chegou à hospedaria, acompanhada por um rapaz moreno. Ficaram os dois ali, durante algum tempo. Ao partir, tomara estrada que leva a uns bosques espessos da vizinhança. A atenção da Sra. Deluc foi despertada pelo vestido usado pela moça, causa da semelhança com o de uma sua parenta já falecida. Reparou particularmente uma charpa. Logo depois da partida do casal, uma quadrilha de malfeitores apareceu, comportou-se ruidosamente, comeu e bebeu sem pagar, e seguiu pelo caminho do rapaz e da moça, voltou à estalagem por volta do crepúsculo e tornou a atravessar o rio como se estivesse com grande pressa. Foi logo depois de escurecer daquela mesma tarde que a Sra. Deluc, bem como seu filho mais velho ouviram gritos de mulher nas vizinhanças da hospedaria. Os gritos foram violentos, mas duraram pouco. A Sra. Deluc reconheceu não somente a charpa que fora encontrada na touceira, mas o vestido descoberto sobre o cadáver. Um condutor de ônibus, Valence, depôs igualmente que vira Maria Roget atravessar o Sena, de barco, no domingo em questão, em companhia dum rapaz moreno. Ele, Valence, conhecia Maria, e não podia enganar-se a respeito de sua identidade. Os objetos encontrados na touceira foram plenamente identificados pelos parentes de Maria.

Esse acervo de depoimentos e informações, por mim mesmo colhido dos jornais, por sugestão de Dupin, abrangia ainda outro ponto, ponto esse, porém, ao que parecia, da mais alta importância. Parece que, imediatamente depois da descoberta das roupas acima descritas, o corpo inanimado, ou quase inanimado, St. Eustache, o noivo de Maria, foi encontrado nas vizinhanças que todos agora supunham ser o local do crime. Um frasco vazio de láudano, etiquetado, foi achado perto dele. Seu hálito denunciava veneno.

Morreu sem falar.

Encontrou-se sobre ele uma carta, afirmando, em poucas palavras, seu amor por Maria e seu propósito de suicídio.

Creio que não tenho necessidade de dizer-lhe - falou-me Dupin, ao terminar a leitura de minhas notas - que este é um caso muito mais intrincado do que o da Rua Morgue, do qual difere em um ponto importantíssimo. Este é exemplo de crime ordinário, embora bárbaro. Nele nada há de especificamente outré. Você observará que, por esta razão, o mistério tem sido considerado fácil, quando, por esta mesma razão, deveria ter sido considerado de solução difícil.

Por isso é que, a princípio, se julgou desnecessário oferecer uma recompensa. Os esbirros de G* * * foram capazes de compreender como e porque tal atrocidade podia ter sido cometida. A imaginação deles podia conceber um modo, muitos modos e um motivo, muitos motivos. E porque não fosse impossível que qualquer desses numerosos modos ou motivos fosse o verdadeiro, considerado como provado que um deles devesse ser o verdadeiro. Mas a facilidade com que foram concebidas essas várias fantasias e a verdadeira plausibilidade que cada uma delas assumia deveriam ser entendidas como indicativas mais das dificuldades do que das facilidades ligadas à explicação do enigma.

Tenho por esta razão observado que é pelos cumes, acima do plano ordinário, que a razão tateia seu caminho, se bem que, de qualquer modo, na sua busca da verdade, e em casos tais como esse, a pergunta devida não é tanto "o que ocorreu?", mas "o que ocorreu que nunca antes ocorrera?".

Nas investigações na casa da Sra. L'Espanaye, os agentes de G*** ficaram desencorajados e confusos por aquela verdadeira estranheza que, para uma inteligência devidamente regulada, teria proporcionado o mais seguro prenúncio de êxito; ao passo que este mesmo intelecto poderia ter sido mergulhado em desespero, diante do caráter ordinário de tudo quanto se oferecia aos olhos, no caso da moça da perfumaria e, contudo, nada indicava, a não ser o fácil triunfo, aos funcionários da polícia.

No caso da Sra. L'Espanaye e sua filha, não havia, mesmo no começo de nossa investigação, nenhuma dúvida a respeito da realização ou não do assassínio. A ideia do suicídio foi excluída imediatamente. Aqui, também, estamos libertos, desde o começo, de qualquer suposição de suicídio. O corpo achado na Barreira do Roule foi encontrado em tais circunstâncias que não dão margem a embaraço relativo a este ponto importante.

Mas foi sugerido que o cadáver descoberto não é o de Maria Roget, pela denúncia de cujo assassino, ou assassinos, foi prometida uma recompensa e a respeito do qual foi combinado com o Chefe de Policia nosso único arranjo. Ambos nós conhecemos este cavalheiro muito bem. Não devemos fiar-nos por demais nele. Se, datando nossas investigações do encontro do corpo e depois seguindo a pista do criminoso, contudo descobrirmos ser esse corpo de outro individuo que não Maria, ou se, partindo de Maria viva, a descobrirmos assassinada, em qualquer dos casos perdemos nosso trabalho, é com o Sr. G*** que temos de lidar. Portanto, para nosso próprio bem, se não para bem da justiça, é indispensável que nosso primeiro passo seja a determinação da identidade do cadáver com a Maria Roget desaparecida.

Para o público, os argumentos de L'Étoile são de peso, e o de que o próprio jornal está convencido de sua importância surge da maneira pela qual ele começa um de seus artigos a respeito : "Diversos matutinos de hoje - diz ele - falam do decisivo artigo de L'Étoile, de domingo." Para mim, esse artigo só parece decisivo quanto ao zelo de seu redator.

Devemos recordar-nos de que, em geral, o objetivo de nossos jornais é antes criar uma sensação, lavrar um tento, que favorecer a causa da verdade. Este último fim só é visado quando parece coincidir com os primeiros. O órgão de imprensa que simplesmente se ajusta às opiniões comuns (por mais bem fundadas que possam essas opiniões ser)

adquire para si o descrédito da população. A massa popular olha como profundo apenas quem lhe sugere contradições agudas - ideias generalizadas. Na lógica, não menos do que na literatura - é o epigrama que se torna mais imediata e mais universalmente apreciado.

E em ambas está na mais baixa ordem de merecimento.

O que eu quero dizer é que o misto de epigrama e melodrama da ideia de que Maria Roget ainda vive, mais do que qualquer verdadeira plausibilidade dessa ideia, foi o que a sugeriu a L'Étoile, e assegurou-lhe favorável acolhimento entre o público. Examinemos pontos principais do argumento desse jornal, tentando anular a incoerência com que ele desde o início se apresentou.

O primeiro objetivo do autor é mostrar-nos, pela brevidade intervalo entre o desaparecimento de Maria e o encontro do cadáver a flutuar, que tal cadáver não pode ser o de Maria. A redução desse intervalo à dimensão menor possível torna-se assim, imediatamente, uma coisa imprescindível ao argumentador. Na irrefletida procura disso, ele se atira, desde o início, na mera suposição. "Mas é loucura supor que o assassínio, se assassínio foi cometido, pudesse consumar-se bastante cedo para habilitar os assassinos a jogarem o corpo no rio antes da meia-noite." Nós perguntamos logo e muito naturalmente: por quê? Por que será loucura supor que o assassínio tenha sido cometido dentro de cinco minutos, depois que a moça saiu de casa de sua mãe? Por que será loucura pensar que o assassínio tenha sido cometido a qualquer hora do dia? Sucedem-se assassínios a todas as horas. Mas, se o crime se tivesse. realizado, em qualquer momento, entre as nove da manhã de domingo e um quarto antes da meia-noite, ainda haveria tempo bastante para atirar o corpo ao rio, antes da meia-noite. A suposição do jornal, assim, conduz precisamente a isto: a que o assassínio não foi cometido absolutamente no domingo.

E, se permitimos que L’Étoile afirme isto, permitir-lhe-emos todas as liberdades de qualquer espécie.

O parágrafo iniciado "Mas é loucura supor que o assassínio, embora assim apareça impresso em L'Étoile, pode ser imaginado como tendo existido realmente assim no cérebro de seu autor: "É loucura supor que o assassínio, se assassínio foi cometido sobre essa pessoa, poderia ter sido cometido bastante cedo, para capacitar os assassinos a atirarem-lhe o corpo ao rio, antes da meia-noite é loucura; dizemos, supor tudo isso e supor ao mesmo tempo ( como estamos resolvidos a supor) que o corpo não foi atirado à água até depois da meia-noite." Sentença suficientemente inconsequente em si mesma, porém não tão extremamente absurda como a impressa.

Fosse meu propósito - continuou Dupin - simplesmente fazer carga contra esse trecho dos argumentos de L'Étoile e eu poderia muito bem deixá-lo onde está. Não é, contudo, com L'Étoile que temos a tratar, mas com a verdade. A sentença em questão, tal como está, tem apenas um significado e esse eu já estabeleci; é, porém, necessário que vamos por trás das simples palavras buscar uma ideia que essas palavras obviamente pretendiam e não puderam expressar. Era desígnio do jornalista dizer que, a qualquer hora do dia ou da noite de domingo, em que esse crime fosse cometido, era improvável que os assassinos se tivessem aventurado a carregar o cadáver para o rio, antes da meia-noite.

É aí é que está, realmente, a hipótese que censuro. Supõe-se que o assassínio foi cometido em um local tal e sob tais circunstancias que o levar o corpo ao rio se tornou necessário. Ora, o crime pode ter sido cometido na margem do rio, ou sobre o próprio rio.

E, dessa forma, atirar o cadáver dentro da água pode apresentar-se a qualquer momento do dia ou da noite como o mais evidente e mais imediato modo de ação. Você compreenderá que nada sugiro aqui como provável, nem como coincidindo com a minha própria opinião; meu objetivo, por enquanto, não se relaciona com os fatos do caso.

Simplesmente desejo adverti-lo contra o tom geral da sugestão de L'Etoile, chamando sua atenção para seu caráter parcial, desde o início.

Continuar: parte 2 de 3