Os Sinos

Raul Sangreman Proença · Capítulo 1 de 2

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Os Sinos

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Nosso amor começou a quando o Outono,

Quando as arv'res se despem da folhagem, Numa tristeza amarga que faz sôno,

E mais fria e mais muda é a paisagem.

 

Começou quando avança a Sombra triste, E foi a brisa arripiante e agreste

Que trouxe essas palavras que proferiste E o primeiro sorriso que me déste.

 

Que admira pois que o nosso amor tão largo

Seja mais infeliz que um rei sem throno,

Se o trouxe o Inverno no inicial lethargo?!

 

E temendo-o… eu desejo-o e ambiciôno-o,

Como te quero, ó lindo sonho amargo!

Como te amo, meu pobre amor do outono!

 

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

 

Por isso toma estas florinhas bravas,

Esta simples poesia humilde e agreste, Como os versos d'amor que me inspiravas!

 

E se quizeres saber quem é Leonor,

O perfil que tracei com singeleza,

Mas com um grande, co'um profundo amor,

 

Não me perguntes, não, Mulher celeste;

Vae perguntá-lo á voz com que falavas,

Vae perguntá-lo aos beijos que me déste.

 

Ás almas simples, singélas,

Que teem o Amor por norma,

E amam a luz das estrêlas

E têm a paixão da Fórma;

 

Ás almas suaves, mimosas,

Docemente espirituaes,

Como as grinaldas de rosas,

E as floras tropicaes;

 

Áquêles que têm amado,

Em longas noites serenas,

Um olhar aveludado

E umas brancas mãos pequenas;

 

Ás que indo de fronte calma

No caminho da Illusão,

Construem ninhos na alma

E poemas no coração;

A vós a historia, ó Formosas,

D'um grande amor infeliz,

A vós, camelias mimosas,

A vós, violetas gentis!