Outros estudos em zoologia

Adolpho Lutz · Capítulo 35 de 51

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Outros estudos em zoologia

Taxonomia e biologia do gênero Cyclorhamphus

Taxonomia e biologia do gênero

Cyclorhamphus *

 

Nome e caracteres do gênero

Não obstante muita confusão reinante na literatura, o gênero Cyclorhamphus (Cyclorhamphus Tschudi,1838) não somente tem a prioridade reconhecida, mas também se distingue claramente de todos os outros, reunidos com ele na família Cystignathidae ou Leptodactylidae. Pela lei da prioridade deve absorver os gêneros Pithecopsis Bibron e Grypiscus Cope com a única espécie umbrinus. Também o nome Iliodiscus Miranda Ribeiro, posto que mais característico, entra na sinonimia de C., assim como duas espécies erroneamente incluídas no gênero Telmatobius.

O que mais claramente caracteriza esse gênero é um disco elevado com a superfície plana que, nos machos, aparece nas regiões inguinais e com a idade se acentua mais. (Falta nas fêmeas e nos exemplares ainda muito novos.) O seu aspecto é gelatinoso, lembrando uma ampola produzida por injeção intradérmica. O diâmetro não excede dez e a espessura se limita a poucos milímetros. O disco deve ser procurado porque nem sempre é muito conspícuo.

Órgão semelhante apenas se observa nos machos de Craspedoglossus sanctae catharinae de Lorenz Muller que, para designar a espécie, deve levar o nome bolitoglossus, dado por Werner (que o colocou em Borborocoetes) e em algumas Paludicolinae onde existe também nas fêmeas e mostra cores vistosas. Os caracteres da língua excluem qualquer confusão com a única espécie de Craspedoglossus.

Outro caráter importante é salientado por Miranda Ribeiro. Trata-se de um lóbulo discòide da íris, nascendo no meio da margem pupilar superior e designado por ele pelo termo menisco. Quando projetado sobre o campo pupilar, como numa figura de Miranda Ribeiro, é bem conspícuo, mesmo em exemplares novos, mas sempre é muito pequeno. Tendo pedúnculo fino e móvel, pode facilmente ser virado para trás, o que explica por que, muitas vezes, é de percepção difícil, mesmo em adultos vivos e ainda mais em indivíduos conservados. Não parece faltar a nenhuma espécie, mas em algumas é mais distinto do que em outras.

A todas as espécies faltam os tímpanos e os cantos rostrais, mas os dentes existem na disposição habitual.

Quanto ao esqueleto, as apófises sacras são um tanto achatadas e dilatadas apicalmente; todo o esterno é formado de cartilagem hialina muito fina. O ápice da última falangeta tem forma de ‘T’, mas os dedos não têm discos; suas pontas são rombas, podendo ser um tanto achatadas e dilatadas. Nos pés, uma membrana interdigital bem desenvolvida pode ser presente ou faltar completamente.

A forma geral do corpo e da cabeça é um tanto deprimida e o focinho curto, largo e arredondado, sem canto rostral saliente. Tudo isso, em combinação com a pele pouco lustrosa e, muitas vezes, cheia de grânulos, a largura do tronco e a grossura das extremidades musculosas, lembra a aparência de muitos sapos. Estes caracteres se explicam pelos hábitos do gênero, cujas espécies gostam de esconder-se de dia nas fendas e interstícios das pedras, expostas pela ação dos córregos encachoeirados.

A pele destas rãs é raras vezes lisa ou apenas finamente rugosa no dorso. Freqüentemente apresenta verrugas glandulares disseminadas, de cor mais clara e tendo a base, ora esférica, ora oval, ou grânulos miliares, mais acentuados na pálpebra superior. Outras vezes o dorso é densamente coberto de grânulos maiores, opacos ou transparentes, do tamanho de um grão de sagu cozido, que podem mostrar uma pontinha córnea, ocràcea ou enegrecida. Às vezes confluem para formar algumas estrias curtas e salientes. O lado ventral pode ter o fundo claro ou mais ou menos vermiculado de pardo, e esta pigmentação, que aumenta com a idade, pode chegar em algumas espécies a deixar parte do fundo completamente enegrecido ou apenas salpicado de pontinhos claros. Esta pigmentação permite distinguir as espécies em estado fresco, mas pode alterar-se em exemplares conservados. A face dorsal pode ser uniformemente fuliginosa ou apresentar manchas maiores de cor mais clara, principalmente nos indivíduos mais novos. Em C. asper Werner todo o dorso é pardo claro, com ou sem manchas mais escuras.

A pele é geralmente muito frouxa, o que aparece principalmente no material pouco endurecido pela conservação.

(Convém lembrar aqui um fato que não acho mencionado na literatura: é a extrema freqüência com que certos batráquios brasileiros mostram na sua pele acarinos de cor vermelha. Conheço-os há mais de quarenta anos e reconheci que se trata de formas larvais semelhantes a Leptus e pertencentes a Trombidiidae, provavelmente de mais de uma espécie. Podem achar-se apenas debaixo da epiderme, mas nos Cyclorhamphus, onde são freqüentes, parecem penetrar também nas glândulas mucosas. Durante a vida distinguem-se facilmente pela cor, mas em batráquios conservados podem ser confundidos com as glândulas cheias de mucos, cuja hipertrofia talvez deva-se a ataques anteriores por estes parasitos. Ainda não consegui obter os adultos, mas verifiquei a transformação das larvas em ninfas livres, pouco maiores, porém com quatro pares de pernas.)

Todas as espécies observadas por mim têm os mesmos hábitos. De dia se escondem em buracos e frestas dos padrões e blocos de pedra, banhados por córregos e pequenos rios encachoeirados, mas ouve-se freqüentemente na boca das fendas a sua voz, que lembra um estalo de língua (como se usa para excitar os cavalos) ou um coaxar curto e grosso. Quando se procura apanhá-las, estas rãs geralmente se escondem mais para dentro. Quando expostas pela suspensão de alguma pedra ou de um pau que as cobria, saltam com força e rapidez. Assim, não podem ser apanhadas com facilidade, mesmo onde abundam. Ao escurecer, parecem sair dos seus esconderijos para caçar como os sapos, mas nunca são encontradas longe da água.

No tempo da propagação os machos contêm testículos grandes, e as fêmeas, ovos, assaz numerosos e grandes, de cor creme amarelada, que esconde toda a pigmentação vista em ovos recém-formados e pequenos.

 

Postura de ovos, desenvolvimento de girinos e

metamorfose

Baseado no exame de uma postura conservada no Museu Paulista e procedente de Santa Catarina, Miranda Ribeiro declarou que nos Cyclorhamphus a metamorfose tem lugar dentro do ovo, saindo deste uma rãzinha perfeita. Concluí logo que nisto devia haver um equívoco e que se tratava de outra postura, talvez do Craspedoglossus bolitoglossus (cujos ovos contendo rãzinhas foram descritos e figurados na mesma ocasião), porque já naquele tempo conheci os girinos livres e a metamorfose do C. fuliginosus, e os caracteres e hábitos semelhantes das outras espécies excluíam uma evolução tão diferente. Meus girinos em metamorfose mostravam já a palmatura dos pés ao aparecer das pernas posteriores, enquanto faltavam nas rãzinhas recém-formadas de Miranda Ribeiro, o que já bastava para excluir as espécies de Cyclorhamphus, descritas de Santa Catarina.

Contudo, achei desejável estudar mais de perto a formação dos girinos que eram sempre observados em lajes inclinadas e irrigadas por uma camada fina de água corrente. Nesses lugares deviam ser encontradas as posturas, e provavelmente fora da água.

Com efeito, pesquisas cuidadosas nos lugares apropriados, feitas em dezembro de 1927 e no princípio de 1928, deram a solução do problema, encontrando-se quatro posturas em três ocasiões diferentes. Em outubro do mesmo ano foram observadas mais quatro posturas em outros lugares. Pertenciam a duas espécies: C. fuliginosus Tschudi e pinderi Mir. Rib, ambas bastante semelhantes. Foram encontradas nos lugares habitados pelos adultos, algumas descobertas, outras debaixo de folhas ou de pedras salientes, geralmente perto, mas nunca dentro dos córregos. Continham de setenta até mais de cem ovos aglutinados, formando massas achatadas de cerca de dez centímetros de diâmetro e 2-3 de altura no máximo. Cada ovo apresentava um invólucro globular gelatinoso tendo no centro um vitelo esférico de cerca de 4 mm de diâmetro e de cor creme bastante amarelada. Levadas para casa e estendidas sobre musgo ou pedra úmida, as posturas desenvolveram-se rapidamente, com exceção de duas que ficaram estéreis e mofaram, ou porque não tinham sido fecundadas ou porque sofreram condições inapropriadas nos primeiros dias. Outras posturas já estavam em evolução, mostrando as fases, reproduzidas nas estampas 4 e 5. Observam-se mesmo girinos escapando para a água.

O primeiro passo que se nota no desenvolvimento é o aparecimento de um embrião muito tosco, encurvado sobre a massa vitelina. Mostra brânquios exteriores com ramificações curtas, nas quais se vê o sangue circular com muita rapidez. Depois de algum tempo a cauda encurvada se destaca da gema e pende livremente em curva bastante chata. Já nesse período podem observar-se movimentos muito enérgicos, porém de duração curta, seguida de longo intervalo de repouso absoluto. Aparecem depois as primeiras manchas de pigmento, indicando os olhos e os queixos. Na região dorsal também pode aparecer um pouco de pigmento. Neste estado a larva mostra a cabeça e o tronco, incluindo uma massa vitelina subglobular, em redor da qual o sangue circula rapidamente em alguns vasos que se percebem com aumento fraco. Há mais uma cauda alongada terminando em remo vertical. Molhando um pouco os ovos vemos então os girinos sairem do envólucro. Conservam-se ainda algum tempo dentro da massa mucilaginosa, mas acabam dirigindo-se para a água próxima por movimentos serpeantes.

Nesta fase a boca virada para baixo mostra uns pentes circumorais de bastonetes. O tubo respiratório, colocado na linha média um tanto atrás da boca, é pouco distinto e parece rudimentar. As narinas percebem-se claramente. O ânus não parece ser desviado da linha mediana. Já muito cedo percebe-se na face ventral superior uma zona vermelha que parece corresponder ao coração e aos pulmões muito vascularizados e talvez já funcionantes.

As larvas já nesta idade nadam com grande energia, mas procuram logo sair da água com a parte anterior do corpo. Podem aderir em paredes verticais sem usar a cauda, que não é um órgão de fixação, mas sim de locomoção.

Pela reabsorção da massa vitelina que por muito tempo fornece a alimentação da larva, esta toma um aspecto mais natural. Contribui para isso o desenvolvimento da pigmentação. A sua forma muito alongada é bastante característica. O corpo oval ou obcordado diminui de largura relativa, mas conserva-se curto, tendo apenas a quinta parte do comprimento da cauda, em forma de sovela, porém com remo terminal alongado e estreito. O desenvolvimento das extremidades é rápido porque nesta fase os girinos já não são mais tão delicados como no princípio, quando morrem facilmente por falta de condições apropriadas. A rãzinha nova é pequena, ativa e já mostra, nas espécies observadas, a palmatura dos pés posteriores. Trepa facilmente em pedras inclinadas e nas paredes do vidro. Depois da reabsorção da cauda (que pouco demora) move-se por saltos. O desenho e a coloração são representados na estampa.

Na falta de observação direta podem-se colecionar todos os estados em pedras e paredões irrigados dos córregos onde se ouvem cantar os adultos. As únicas espécies que se encontram nas mesmas condições por ter hábitos semelhantes são os Hylodes miliaris e petropolitanus, mas a distinção não é difícil.

 

Taxonomia do gênero Cyclorhamphus Já mencionei os caracteres gerais do gênero e tratarei agora da distinção das espécies. No meu material encontrei seis, cinco das quais já eram descritas ou pelo menos denominadas. O conhecimento destas rãs é ainda rudimentar porque não têm sido bastante pesquisadas nas serras brasileiras onde podem ser encontradas, e só com conhecimentos e habilidades especiais ou por algum acaso feliz se poderão constatar as diferentes espécies que existem num determinado lugar. Assim, podemos esperar que com o tempo a repartição das espécies se tornará mais conhecida e provavelmente apareceram mais algumas novas.

Todas as espécies mostram bastante variação individual na estrutura da pele, nas cores e nos desenhos. Os próprios indivíduos modificam-se, não em poucas horas como acontece para muitas Hylas, mas com o tempo, sendo os indivíduos novos mais variegados e os velhos mais unicolores. As pontas córneas das verrugas não são constantes, e os tubérculos glandulares podem ser mais ou menos numerosos e salientes. Talvez haja aqui uma relação com o tempo de reprodução. Em geral, convém usar para a determinação somente os adultos, que, infelizmente, não representam a maioria dos exemplares encontrados. Contudo, a metade das espécies reconhece-se facilmente e só pode haver dificuldades para as espécies com os pés completamente palmados.

Miranda Ribeiro tratou em duas publicações do material reunido pelo antigo diretor do Museu Paulista e já conservado há bastante tempo. Os exemplares, posto que numerosos, provinham de poucos lugares, faltando principalmente a região da Capital Federal. Forneceu descrição com numerosas fotografias e desenhos do material conservado; alguns exemplares deste consegui comparar. No meu material tenho seis espécies, das quais, cinco foram examinadas vivas. As aquarelas e outras ilustrações que acompanham meu trabalho foram tiradas do vivo ou de exemplares recentes e bem conservados.

Aqui, apresento em primeiro lugar uma chave para determinação das espécies e depois a indicação dos lugares onde foram encontradas, e finalmente discutirei cada uma das espécies observadas.

 

Chave para a determinação dos adultos do

gênero Cyclorhamphus

1. Pés posteriores palmados ................................................ 2

Pés posteriores não palmados ................................................ 5

2. Membrana interdigital mais ou menos reduzida ............ asper

Werner.

A mesma muito desenvolvida .................................... 3

3. Dente no centro da mandíbula simples ....................................

4

O mesmo com duas ou três pontas ....................................

fuliginosus.

4. Dorso coberto com grânulos maiores e densos ............

boulengeri.

Dorso com verrugas maiores disseminadas ou apenas com

grânulos muito finos. Pele com rugas finas

.................................... pinderi.

5. Dorso densamente coberto com grânulos maiores ......

granulosus n. sp.

Pele lisa .................................... eleutherodactylus.

 

Habitat e sinonímia dos adultos

Cyclorhamphus fuliginosus Tschudi 1838; Grypiscus umbrinus Cope 1867. Telmatobius brasiliensis Steind. 1894. Brasil (leg. Delalande); Rio de janeiro (leg. Agassiz); montanhas do Rio de Janeiro e parte baixa da serra de Petrópolis (Lutz).

Cyclorhamphus asper Werner 1899 (Telmatobius duseni Andersson 1914, Iliodiscus dubius et semiplamatus Mir. Rib.). Serra de Cubatão (Museu Paulista, Lutz), Santa Catarina (Seg. Werner e Lorenz Mueller, Paraná (Ipiranga) seg. Andersson.

Cyclorhamphus boulengeri 1 Lutz (asper Boulenger) 1907. Estado de Santa Catarina (Boulenger, Lorenz Mueller e Lutz).

Cyclorhamphus pinderi Mir. Rib. Ilha de São Sebastião (M. R.) Tipo. Serra de Macaé (Cotipo) Mir. Rib. Serra de Petrópolis, a 800 metros de altitude. Serra de Nova Friburgo (Macaé) Lutz.

Cyclorhamphus eleutherodactylus Mir. Rib. Serra de Cubatão (Museu Paulista e Lutz). Montanhas do Rio de Janeiro e Serra da Bocaina (Lutz e Mir. Rib.)

Cyclorhamphus granulosus Lutz. Bonito, Serra da Bocaina.

 

Discussão das espécies

1. Cyclorhamphus fuliginosus

Est. 1, figs. 1 e 2; est. 2, figs. 1 e 5; est. 5, figs. 4-6

1. Cyclorhamphus fuliginosus. Chamo assim a única espécie com pés palmados que se encontra nas montanhas em que se encosta a cidade do Rio de Janeiro. É bastante abundante e podia facilmente cair nas mãos dos colecionadores que fizeram as excursões

clássicas 2 ao Corcovado e à Tijuca (Delalande, Agassiz e Natterer). O primeiro forneceu os dois exemplares, mencionados por Duméril & Bibron como tipos da espécie de Tschudi.

A descrição não permite distinguir a espécie, mas a designação fuliginosus é bastante característica e o desenho do atlas mostra um dente duplo na mandíbula. Grypicus umbrinus é caracterizado pelos dentes mandibulares e a procedência. A fotografia do tipo, reproduzida por Mir. Rib., também concorda com este diagnóstico. O brasiliensis de Steindachner era um exemplar novo com 28 mm de comprimento, cujo desenho mostra bem os pés palmados; mas a descrição de Mir. Rib. Refere-se antes ao C. asper de Werner ou ao de Boulenger, como provam a descrição e o habitat mencionado. Não parece ter conhecido o verdadeiro fuliginosus, limitado às montanhas perto da Capital Federal.

O fuliginosus, quando novo, é muito variegado de ocráceo, como indicam as figuras das Estampas 1 e 2. Mais tarde o lado dorsal pode tornar-se completamente enegrecido, com exceção de uma mancha interocular de cor mais clara e algumas verrugas glandulares maiores, alvacentas. O lado inferior também se mostra muito pigmentado, principalmente a região gular que, entretanto, costuma ser semeada de pontos brancos, o que é muito característico. A cor é ora fuliginosa, ora apenas um chocolate muito escuro.

A pele é raras vezes completamente lisa. Geralmente os exemplares maiores e conservados algum tempo têm um aspecto chagrém, devido a rugas muito finas e agrupadas que se podem confundir com os grânulos arredondados de outras espécies. Entretanto, nunca mostram pontas córneas. O lado ventral é finamente granulado.

O centro da mandíbula mostra em todos os exemplares maiores um grupo de duas ou três pontas de dentes que é típico da espécie, mas falta nos exemplares novos e aparece bastante tarde. A membrana palmar é bem desenvolvida e o menisco bem distinto durante a vida.

2. Cyclorhamphus pinderi Mir. Rib.

Est. 1, fig. 3; est. 2, fig. 2; est. 4, fig. 1 e 2; est. 5, figs. 1-3, 7 e 8-11.

O nome pinderi foi dado a um Cyclorhamphus do Museu Paulista colecionado por Pinder na Ilha de São Sebastião, que pode ser considerada como parte da Serra Costeira do estado de São Paulo, visto ser muito elevada e separada da terra firme apenas por um canal pouco largo e fundo.

A descrição da espécie é insuficiente, mas vem acompanhada de uma figura. Não examinei o tipo, porém conheço um cotipo do Museu Paulista procedendo da Serra de Macaé. Creio dever afiliar à mesma espécie os numerosos adultos e posturas procedendo de um lugar da Serra de Petrópolis que pode ter cerca de 800 m de altitude.

A espécie pinderi parece-se bastante com fuliginosus, mas mostra menos pigmento ocráceo nos diferente estados de evolução. Pode alcançar o comprimento aproximativo de 7 cm. A pele raras vezes é lisa, geralmente mostra-se encarquilhada com grupos de rugas curtas e finas que parecem verruguinhas, principalmente na pálpebra superior. Esta estrutura pode ser mais acusada do que em fuliginosus; além disso, há mais verrugas glandulares claras, de contorno redondo ou elíptico, disseminadas sobre toda a superfície e aparecendo também nos discos inguinais. Entre os olhos há uma mancha clara de forma variável.

Pode haver também faixas brancas oblíquas nas patas posteriores. No lado ventral a pigmentação preta aparece geralmente mais tarde e menos acusada do que em fuliginosus, mas há exemplares com todo o lado ventral e principalmente a gula fuliginosa. O menisco é menor e mais preto, a margem negra da pálpebra inferior mais larga e a membrana interdigital mais escura e pelo menos tão longa quanto nas espécies 1 e 3. Nunca há mais de um dente mandibular, mesmo nos indivíduos maiores.

Um exemplar da Serra de Macaé (Est. 1, fig. 3) tem 68 mm de comprimento, mas a pele é mais lisa e a cor menos preta do que em outros exemplares; contudo o exemplar da mesma procedência, pertence ao Museu Paulista e considerado cotipo, é quase inteiramente preto com a pele rugosa. O que nunca se observa são pontas córneas, que são freqüentes em asper Werner e em boulengeri Lutz.

3. Cyclorhamphus boulengeri n. n. (Telmatobius asper Boulenger).

Comp.: pl. 3, figs. 1 e 2, e a descrição original, copiada no apêndice.

Como já declarou Boulenger, esta espécie não é idêntica a Telmatobius duseni, que deve chamar-se Cyclorhamphus asper. Deste se distingue pela cor mais escura e a membrana interdigital mais comprida. De pinderi difere pelas verrugas numerosas, arredondadas e conchegadas no dorso, podendo carregar pontas córneas correspondendo às do C. asper Werner. Tendo este nome prioridade, mudo de Boulenger para C. boulengeri.

Tenho dois exemplares bem conservados, o menor com 30 mm, o outro com 37 mm de comprimento da ponta do focinho ao ânus. Dou uma fotografia da aquarela tirada desse exemplar, que mostra discos pequenos e algumas pontas córneas. Ultimamente recebi mais um macho vivo com 38 mm de comprimento que se parece com o outro, porém mostra muitas manchas de amarelo cromo claro, disseminadas sobre o corpo e mais conchegadas nos flancos e na face interior do fêmur. Correspondem a glândulas, e as maiores são salientes. No ventre e na gula são menores e mais chatas. A íris é gris ligeiramente bronzeado e suporta um grande menisco superior que pode ser virado para dentro. É semeado de pontinhos brilhantes sobre um fundo difícil de perceber-se no campo pupilar. A margem inferior mostra no meio uma ligeira incisão marginal. Entre os olhos há uma barra angular, algumas estreitas e verticais sobre o lábio superior e outras, mais largas e transversais, sobre as coxas e pernas com a cor mais clara, ocráceo-pardacenta. O disco, bastante desenvolvido, e a pele ventral com a sua extensão sobre as coxas são translúcidas e de aspecto gelatinoso. O dorso é preto fuliginoso; o lado ventral mostra pigmentação escura difusa. Em cima a pele é coberta de verrugas salientes, em parte com centro claro; as glândulas do lado ventral são miliares e apenas elevadas. Faltam as pontas córneas, que devem aparecer apenas no tempo nupcial. Verificou-se mais tarde um desenvolvimento moderado dos testículos, que eram brancos. As dimensões dos meus exemplares são bastante inferiores às indicadas por Boulenger, mas provavelmente o macho é sempre menor.

Todos os meus exemplares são da Serra de São Bento, no mesmo estado de Santa Catarina, mas de outro lugar que os de Boulenger.

4. Cyclorhamphus asper Werner

(Compare Est. 1, fig. 4, assim como as cópias das descrições de Werner e Andersson no apêndice.)

Desta espécie tenho mais de cinqüenta exemplares, e todos podem ser reconhecidos à primeira vista. Foram todos apanhados no Alto da Serra do Cubatão, região que forneceu também os exemplares do Museu Paulista. Os exemplares descritos por Werner e Andersson provinham de Santa Catarina e Paraná.

Nesta espécie a membrana interdigital é um tanto variável, mas sempre mais curta do que nas outras espécies. Também o comprimento do corpo é um pouco menor do que nas espécies anteriores. Há prevalência de um pigmento ocráceo, sendo o preto pouco visível. O dorso tem geralmente a cor de café com pouco leite ou sépia diluída com ou sem manchas mais escuras. A Figura 4 da primeira estampa mostra um macho de tamanho regular, mas de cor mais escura do que a maioria dos indivíduos. Percebem-se uma mancha interocular e outra mais clara no meio das costas, que é bastante freqüente, mas pode também ocorrer em outras espécies. As faixas oblíquas são bem acusadas nas extremidades posteriores.

A pele do dorso é coberta de tubérculos, que ocupam mais lugar do que os intervalos. Podem formar traços irregulares. O centro desses tubérculos é ora hialino esbranquiçado, ora coberto de pontinhas córneas pardacentas como também aparecem em muitos sapos.

O lado ventral se distingue por uma coloração clara, alvacenta ou apenas ligeiramente vermiculada de pardacento claro.

Considero que não somente Iliodiscus semipalmatus Mir. Rib. é um sinônimo, mas também a descrição de dubius e parte da descrição de brasiliensis (Mir. Rib., nec Steindachner) podem referir-se a ela.

5. Cyclorhamphus eleutherodactylus (Mir. Rib.)

Est. 1, fig. 5-6; est. 2, fig. 4; est. 3, fig. 5

Esta espécie, baseada em 41 exemplares do Alto da Serra de Cubatão ou da mesma região, foi descrita sob o nome genérico Iliodiscus e difere das outras espécies por ter os dedos do membro posterior inteiramente livres. A pele, ou é completamente lisa, ou mostra apenas algumas granulações, muito disseminadas, nas costas. O lado inferior é bastante pigmentado, lembrando o fuliginosus.

Podem distinguir-se duas formas assaz diferentes no aspecto. A primeira, que chamarei variegata, tem desenhos muito variáveis e bastante complicados. Tenho alguns adultos e dois exemplares novos da Tijuca (Cascatinha) e da Serra de Cubatão. Apresento a reprodução em tamanho natural de dois outros, da Serra da Bocaina.

Da outra forma tenho um exemplar, apanhado ao lado da estrada nova que vai de São Paulo para Santos, e dado pelo Dr. Vellard. Este, em cima, é uniformemente pardo-escuro, lembrando a casca da canela; leva apenas umas manchinhas alongadas ou riscos curtos e grossos de cor clara, disseminadas sobre a face dorsal, sendo longitudinais no tronco, nos olhos e nas pernas. Nestas são grupadas em forma de faixas um tanto oblíquas. As articulações são marcadas de branco e há manchinhas redondas nos lados do corpo, na face inferior do tarso e em mais alguns lugares. Faltam absolutamente manchas com diâmetro maior do que poucos milímetros. O lado ventral é ligeiramente enfuscado, com manchas ovalares mais claras. Esta forma bem caracterizada pode levar o nome de strigillata. Miranda Ribeiro indica para o eleutherodactylus um comprimento de 5 mm, mas os meus exemplares mal excedem 4 cm de comprimento e a espécie parece menor e mais franzina do que as outras. Não quero afirmar que haja mais de uma espécie de pele lisa, porque parece que as duas formas podem ser encontradas nos mesmos lugares.

6. Cyclorhamphus granulosus n. sp.

Est. 3, figs. 3 e 4.

Em nosso material da Serra da Bocaina existem mais dois exemplares de 44 e 27 mm de comprimento, que pertencem a uma forma que não se pode afiliar ao eleutherodactylus de Miranda Ribeiro, embora os dedos também sejam completamente livres. Aqui, porém, toda a pele do dorso é coberta de grânulos miliares tão densamente conchegados como em C. asper Werner, mas estes não são cônicos, nem mostram pontas córneas; vistos de cima o seu calibre é aproximadamente igual, mas os contornos da base são irregulares. Lembram o couro chagrém ou a casca das vagens de jataí. A coloração é uniforme, chocolate escuro.

Quanto a desenhos, faltam completamente.

 

Bibliografia de Cyclorhamphus

1838. Tschudi. Classification der Batrachier, p.81. Neufchâtel.

1841. Dumeril & Nibron. Erpetologie Générale, Tome 8. Paris.

1858. Guenther. Catalogue of the Batrachia Salientia in the Brit. Museum. London.

1864. Steindachner. Verh. D. k. Zool. Bot. Gesellsch. in Wien, p.235.

1867. Cope. Journ. Acad. Philadelphia, ser. 2, v.6, p.205.

1882. Boulenger. Cat. of the Batr. Sal. in the Brit. Museum, 2.ed., p.189.

1899. Werner. Zoolog. Anz., v.22, p.482.

1907. Boulenger. Annals & Mag. of Nat. Hist., ser. 7, v.19, p.394.

1914. Andersson. Ark. F. Zool., v.9, n.3, p.1.

1920. Barbour & Noble. Bull. of the Mus. of Comp. Zool., v.63, n.8.

1920. Barbour & Noble. Bull. of the Mus. of Comp. Zool., v.63, n.8.

1920. Miranda Ribeiro. Revista do Museu Paulista, v.12, p.267.

1922. Mueller, Lorenz… Froschlurche von Santa Catarina. Bl. F. Aquarienund Terarienkunde. Jg. 33, n.11. Stuttgart.

1923. Nieden Fr. Amphibia, Anura I. Das Tierreich, 46. Lieferung.

1926. Miranda Ribeiro. Notas p.s. ao Estudo dos Gymnobatrachios Brasileiros.

 

Explicação das estampas

Estampa I

Figs. 1 e 2: Cyclorhamphus fuliginosus não completamente adulto 1/1.

Fig. 3: C. pinderi. Macho adulto. ¾ de tamanho natural.

Fig. 4: C. asper Werner. Macho adulto grande e bastante escuro 1/1.

Figs. 5 e 6: C. eleutherodactylus mostrando variações nos desenhos da forma variegata. 1/1.

Estampa II

Fig. 1: Pé posterior de C. fuliginosus, face inferior; 1/1.

Fig. 2: dito de C. pinderi; 1/1.

Fig.3: dito de C. asper Werner; 1/1.

Fig 4: dito de C. eleutherodactylus; 1/1.

Fig.5: Boca de C. fuliginosus mostrando os dentes mandibulares; 1/1.

Estampa III

Figs. 1 e 2: C. boulengeri, exemplar pequeno. 1/1.

Figs. 3 e 4: C. granulosus n. sp 1/1.

Fig. 5: C. eleutherodactylus, forma strigillata. 1/1.

Estampa IV

Fig. 1: Postura de C. pinderi. Ovos não desenvolvidos. 1/1.

Fig. 2: A mesma com os embriões já formados. 1/1.

Estampa V

Fig. 1: Ovo com embrião de C. pinderi visto de cima. 2/1.

Figs. 2 e 3: Girino novo e mais crescido. 10/7. Del. Pugas.

Figs. 4 e 5: Metamorfose de C. fuliginosus. 1/1. Del. Sandig.

Fig. 6: C. fuliginosus, indivíduo novo. 1/1. Del. Sandig.

Fig. 7: Girinos de C. pinderi, obtidos de postura. 1/1. Fot. Pinto.

Figs. 8 e 11: Girino maior e metamorfose. 1/1. Del. Pugas.

 

Apêndice

Descrições copiadas da literatura citada Tschudi. Klassification der batrachier, p.31.

Genus Cyclorhamphus Tsch. (Descrição original)

Caput latum, rotundum, rictum oris latissimum, liaguam crassam, rotundam, margine postico liberam; dentes angulum acutum formans, fortes, latens; digitos breves, scelides breves, semipalmatas.

Duméril & Bibron. Erpetologie générale, t. 8, p.452-5.

Genre Cyclorhamphe

Caracteres. Langue entière, disco-ovalaire, libre à son bord postérieur.

Deux groupes ou deux rangs de dents palatines, situés entre les arrière-narines ou au niveau de leur bord postérieur. Tympan caché; trompes d'Eustachi de médiocre grandeur ou excessivement petites. Quatre doigts libres; pas de rudiment de pouces extérieurement. Orteils réunis par une membrane plus ou moins courte; premier os cunéiforme faisant une saillie faible et non tranchante. Apophyses transverses de la vertèbre sacrée non dilatées en palettes.

1. Le cyclorhamphe fuligineux. Cyclorhamphus fuliginosus Nobis

(Voyez Pl. 87, fig. 3)

Caracteres. Dents vomériennes formant un fort chevron dont la base touche au bord postérieur de l'entre-deux de trompes d'Eustachi d'une moyenne grandeur. Une glande sur chaque flanc. Orteils réunis par une membrane dans les deux tiers de leur longueur; un petit renflement lenticulaire sous le métatarse; deux grands renflements de la même forme à la face palmaire.

Synonymie:

Pithecopsis fuliginosus, Nob. M.S.S.

Cyclorhamphus fuliginosus Tschudi. Class. Batrach. Mém. Sociét. Scienc. Nat. Neufch., t. 2, p.81.

Description

Formes. La phrase caractéristique qui précède suffirait seule pour faire reconnaítre cette espèce de Cyclorhamphus; cependant nous ajouterons, que hors la glande circulaire et aplatie, qu'elle porte sur chaque flanc, sa peau est partout parfaitement lisse, que ses membres postérieures ont un peu plus du double de cette étendue, et que de chaque côté de la langue des mâles il existe une grande fente longitudinale communiquant avec un sac vocal qui est tout à fait interne.

Colaration. Un brun fuligineux est répandu sur toutes les parties supérieures et inférieures, et celles-ci sont comme piquetées ou finement tachetées d'un blanc grisâtre.

Dimensions. Tête. Long 2”. Tronc. Long. 3” 5”. Memb. Antér. Long. 3” 5”. Memb. Postér. Long 7” 8”.

Patrie. Cette espèce est originale du Brésil; les deux sujets que nous possédons y ont été recueillis par Delalande.

Cyclorhamphus asper Werner

(Zoologischer Anzeiger, Bd. XXII, n.602, p.482. 1899)

Schnauze abgerundet, flach, ogne Kante; Nasenloch von Auge und Schnauzenspitze gleich weit entfernt; Interorbitalraum so breit wie ein oberes Augenlid; Vorderbein mit ziemlich langen Zehen ohne Saugscheiben und zwei Metacrpaltuberkeln; Hinterbeine mit halben Schwimmhaeuten und zwei deutlichen Metatarsalhoeckern, von denen der innere laenglich, walzlich, der aeussere rund und viel kleiner ist. Subarticularhoecker deutlich. Tibiotarsalgelenk erreicht die Augenmitte. Oberseite mit kleinen spitzigen Warzen dicht besetzt; Kehle granuliert; Unterseite sonst glatt.

Faerbung der Obersette schwarzbraun, Unterseite etwas heller; keinerlei Zeichnung.

Heimat: Santa Catarina. Brasilien.

Laenge: 54 mm.

Cyclorhamphus asper (Boul.), 1907

Telmatobius asper

(XLVIII. Description of a new Frog of the Genus Telmatobius from Brazil. By G. A. Boulenger, F. R. S. – Ann. & Mag. of Nat. Hist., v.19, Ser. 7, p.394)

Vomerine teeth in two rounded groups behind the level of the choanae.

Head a little broader than long; snout rounded, longer than the eye; no canthus rostralis; nostril nearer the end of the snout than the eye; interorbital space a little broader than the upper eyelid; no tympanum. Fingers moderate, with slightly swollen tips, first not extending quite as far as second; toes with swollen tips, nearly entirely webbed; subarticular tubercles well developed, flat; an oval inner and a rounded outer metatarsal tubercle. The tibiotarsal articulation reaches the eye. Skin of upper parts closely studded with small warts, each bearing a pearl-like horny tubercle; lower parts smooth. Blackish brown above with or without large yellowish blotches on the back and a cross-bar between the upper eyelids; limbs with yellowish crossbars; lower parts brown. Male with na internal vocal sac.

From snout to vent 50 mm.

Four specimens from Teresópolis, Santa Catarina, collected by Mr. J. Michaelis.

Telmatobius duseni Andersson (Arkiv för Zoologi, Bd IX, n.3, p.1, 1914)

Vomerine teeth in two slightly separated, small, but distinct groups behind the choanae, which are moderate.

Tongue large, round, a little broader than long, not nicked behind. Head short, flattened; snout short, rounded, longer than the diameter of the eye; nostril midway between the eye and the margin of the tip of the snout. Canthus rostralis indistinct. Interorbital space as broad as, or broader, than the upper eyelid; no tympanum. Fingers narrow, rather long, free, the first not reaching as far as the second. Toes one third to scarcely halfwebbed. (The figures indicate the number of joints free from web, if counted from first to fifth toe) the formula for the developement of the web is:

 

If the length of the tibia is marked of from the knee forwards along the body, it reaches the front of the eye or the nostril. An oval inner and a small outer metatarsal tubercle (the latter not discernible on the right side in the largest of the specimens).

The whole upper surface is provided with densely scattered small tubercles, each usually ending in a rounded horny knob. On the back and on the upper parts of the sides the tubercles are to some extent arranged in longitudinal series, forming narrow folds which sometimes are rather regular and angularly bent, or, usually, short, straight or oblique, and then numerous. Undersurfaces smooth, indistinctly granular on the thighs. A large nearly circular disc-shaped inguinal gland. The colour above varying from light grey to dark brown, sometimes indistinctly spotted with dark and white; on the middle of the back a light irregular spot in most of the specimens. Between the eyes a white crossband, darkedged behind, sometimes beginning at the edges of the upper eyelids; inguinal gland dark and white. In the lightest specimen this colourpattern is rather indistinct, the specimen being more uniform; in the dark specimens there are some white spots in front of the gland as well. Highs anteriorly and posteriorly spotted with white. Limbs faintly crossbabded; in the dark specimens the outer sides of the feet have some irregular light blotches. Broad dark band with narrow light interspaces radiate from the eye to the shoulder and to the oral border. Under surfaces yellowish brown, more or less dark, marbled with lighter. Under parts of limbs yellowish white, more or less dotted with dark. Measurements of the largest and of the smallest specimens:

Total length 37; 31 mm

Length of head to mandibular articulation 15; 12,8 mm

Breadth of head at the angle of the mouth 17; 14 mm

Length of snout 6; 5 mm

Diameter of eye 5,2; 4,2 mm

Length of femur 19; 16,3 mm

Length of tibia 18,5; 16 mm

Length of tarsus with 4th toe 26.2; 23 mm

Length of fore limb 23; 19,5 mm

Diameter of inguinal gland 6; 5 mm

Five specimens, all males, from Brazil, “Paraná, Serra do Mar; Ipiranga,” in crevices and cracks in the vertical cliffs along the railway, 3/9 1911. By the natives called “Sapo,” according to a statement of Dr. P. Dusen who has collected and kindly presented them to the R. Zoological Museum in Stockholm. I have at other opportunities as well had the pleasure of receiving new species of frogs from Dr. Dusen, and therefore I have named this new species after him.

Telmatobius duseni is nearly allied to T. asper Blgr. (Ann. Mag. Nat. Hist., v.7, n.19, p.394). With usual kindness Dr. G. A. Boulenger has compared it with the type of the latter species. According to him “T asper has the head longer in proportion to its width, so the toes are much more extensively webbed”. Dr. Boulenger states also in the letter which I have received from him that the males of his species as well are provided with inguinal glands which is not mentioned in the description quoted, whereas there “is no trace of it in females”.

See plate I in colour in p.572.

* Trabalho de Adolpho Lutz publicado em 6 de maio de 1929 nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, t.22, fasc. 1, em português (p.5-16) e em inglês (p.17-25), neste caso com o título “Taxonomy and Biology of the genus Cyclorhamphus;” o trabalho traz estampas numeradas de 1 a 5. Lutz já havia publicado, no ano anterior, comunicação sobre o mesmo tema à Sociedade Brasileira de Biologia, reeditada também no presente livro: “Biologie et métamorphose des Batraciens du genre Cyclorhamphus,” em Comptes Rendus Hebdomadaires des Séances et Mémoires de la Société de Biologie et de ses Filiales, Paris, Masson et Cie, Éditeurs, Libraires de L'Academie de Médecine, t.98, p.640. [N.E.]

1 O nome dado por Boulenger é prejudicado por emprego prévio. [N.A.]

2 No original, consta ‘classificadas’, erro óbvio. [N.E.]