A Filha do Cabinda

Alfredo Campos · Capítulo 21 de 22

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A Filha do Cabinda

XX Conclusão

Seriam de vergonha?

Seriam de remorsos?

Seriam de odio?

Não sei.

Talvez de tudo isto juntamente, quem sabe?

Instantes depois, entrava o cabinda como doudo na sala e ia ajoelhar-se aos pés de Jorge, beijando-lhe phreneticamente as mãos e exclamando em extrema commoção:

--Bem haja, meu senhor, bem haja, que fez feliz o branco e a filha do cabinda!

Quando as primeiras sombras da noute desciam suavemente sobre a terra, andavam Luiz e Magdalena passeiando no jardim entre as flores, irmãs d'ella, entre os perfumes suaves, como os que então se evaporavam das rosas brancas de suas almas enamoradas.

Fez-se alli o primeiro idyllio do seu noivado.

Já dormiam as juritys nos ninhos avelludados, e os beija-flores, cançados de oscularem as rosas, mas substituiam-os, alli, duas almas prezas nos laços dulcissimos d'uma embriagadora felicidade.

 

XX

CONCLUSÃO

Tres mezes depois o altar havia santificado o mutuo amor de Luiz e Magdalena.

O ninho de Jorge de Macedo abrigava mais uma ave; o bondoso capitalista, tinha, agora, em vez d'uma filha, dous filhos queridos.

Era duplamente feliz.

Luiz tomára sobre si todo o pezo e toda a responsabilidade dos negocios do honrado negociante, para que este descançasse, e desempenhava-se de tal modo de seus encargos, que nada havia por que merecesse uma censura.

Magdalena era feliz e muito feliz.

Ainda hoje, os dous esposos, se reunem em cada tarde no caramanchão de maracujás do lago da chácara, no Botafogo, e ahi passam horas e horas, enlevados nas dulcissimas venturas da sua vida, que tem mais do céo do que da terra.

Ha alli um novo Eden.

Americo sahiu do Rio de Janeiro no dia immediato áquelle em que foi forçado a desafivelar a mascara com que pretendia encobrir a sua ambição; n'aquelle em que foi expulso da casa do homem a quem devia muito, e ninguem mais o viu ou deu noticias d'elle.

Corria muito vagamente que andava desgraçadissimo na America do Norte, dizendo-se que fugira para lá.

Não sei. Talvez.

O cabinda, coitado, morreu de velhice, exalando o ultimo alento nos braços de Jorge, de Luiz e de Magdalena, que lhe cercavam o leito e o não desampararam nos dias de enfermidade.