A José Estevão: Versos

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 2 de 4

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A José Estevão: Versos

A José Estevão *A José Estevão*

A JOSÉ ESTEVÃO

*A JOSÉ ESTEVÃO*

 

Eu fui……….

 

Manzoni, Il cinque Maggio

 

I

 

Eil-o junto de nós dormindo o somno eterno.

Na terra emfim descança ao pé do chão paterno. Ao pae que tanto amor em vida lhe votou

Tambem na sepultura agora se abraçou.

Quando ao romper do sol alegre o céo rebrilha,

Como anjo tutelar desce do Empyreo a filha; Bate as azas gentis por entre o cyprestal,

E solta hymno inspirado ao somno paternal. Quem constante lidou, desde a mais tenra edade,

Em prol do amor da patria, em bem da humanidade, Quando é chegada a hora e deixa a terra emfim,

Á entrada do outro mundo encontra um seraphim.

 

II

E quem pois o amor da patria

Com vehemencia egual sentiu,

Qual o peito onde surgiu

Mais ardente hoje esse amor?

Quem, como elle, n'um só gesto,

Quando a turba se atropela,

Quebra as ondas da procella

Resistindo ao seu furor?

 

E se a mão da prepotencia

Procurava erguer-se altiva,

Quem mais prompta e quem mais viva

Tinha sempre a inspiração?

Era ouvil-o ouvir a patria,

Quando exclama na anciedade:

«Liberdade, oh! liberdade!»

Com a voz do coração.

 

Ah! no exilio, quantas vezes,

Afogada entre gemidos,

Mormurára a seus ouvidos

A voz do paiz natal!

E ouvindo-a sua alma, em impetos

Do mais sincero heroismo,

Sonhava em transpôr o abysmo

E libertar Portugal!

 

Então a graciosa aldêa,

O val coberto de olmeiros,

Os ingenuos companheiros

De seus jogos infantis, Tudo aos olhos lhe sorria,