A José Estevão: Versos
Capítulo III
Matisado de mil côres,
Montes, valles, prados, flores,
Céo e luz do seu paiz!
Rompe um dia aurora esplendida,
O tambor toca a rebate,
No mais fero do combate
Entra, luta, conquistou!
Conquista dos proprios lares!…
Mas do campo afasta a vista,
Por que emfim n'essa conquista
Sangue de irmãos se espalhou!
Era assim: tinha lutando
No olhar o fogo supremo,
Na voz o poder extremo
Que arrebata a multidão;
Desafiando o inimigo,
Entre as nuvens da metralha,
Era um tigre na batalha,
Na victoria—era um irmão!
III
Termina a luta fervida,
Cae na bainha a espada,
Retorna aos lares placidos
Da terra sua amada,
D'esta que berço e tumulo
Do grande genio foi!
Se nos assaltos bellicos
Distincto era o soldado,
Acções inda mais validas
Lhe destinara o fado:
Desprende a voz, e a patria
Sauda um novo heroe!
Quando se abatem animos,
Medindo a luta immensa,
Quando n'alguns espiritos
Já desfallece a crença,
Surge imponente e mostra-lhes
Raiar nova manhã!
É porque o genio esplendido,
Que a liberdade inspira,
É como a voz prophetica,
Que outr'ora dirigira
Do Egypto um povo misero
Á fertil Canaan!
Quando com olhos avidos,
Em torno a nós medimos
A industria, o bem, a gloria,
Em tudo, emfim, sentimos
Que dera impulso maximo
Seu sopro animador!
Não raro correm lagrimas
De uma saudade infinda!…
Quanto não fez!… quantissimo
Tivera feito ainda, Se o não roubasse subito