A José Estevão: Versos

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 3 de 4

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A José Estevão: Versos

Capítulo III

Matisado de mil côres,

Montes, valles, prados, flores,

Céo e luz do seu paiz!

 

Rompe um dia aurora esplendida,

O tambor toca a rebate,

No mais fero do combate

Entra, luta, conquistou!

Conquista dos proprios lares!…

Mas do campo afasta a vista,

Por que emfim n'essa conquista

Sangue de irmãos se espalhou!

 

Era assim: tinha lutando

No olhar o fogo supremo,

Na voz o poder extremo

Que arrebata a multidão;

Desafiando o inimigo,

Entre as nuvens da metralha,

Era um tigre na batalha,

Na victoria—era um irmão!

 

III

 

Termina a luta fervida,

Cae na bainha a espada,

Retorna aos lares placidos

Da terra sua amada,

D'esta que berço e tumulo

Do grande genio foi!

Se nos assaltos bellicos

Distincto era o soldado,

Acções inda mais validas

Lhe destinara o fado:

Desprende a voz, e a patria

Sauda um novo heroe!

 

Quando se abatem animos,

Medindo a luta immensa,

Quando n'alguns espiritos

Já desfallece a crença,

Surge imponente e mostra-lhes

Raiar nova manhã!

É porque o genio esplendido,

Que a liberdade inspira,

É como a voz prophetica,

Que outr'ora dirigira

Do Egypto um povo misero

Á fertil Canaan!

 

Quando com olhos avidos,

Em torno a nós medimos

A industria, o bem, a gloria,

Em tudo, emfim, sentimos

Que dera impulso maximo

Seu sopro animador!

Não raro correm lagrimas

De uma saudade infinda!…

Quanto não fez!… quantissimo

Tivera feito ainda, Se o não roubasse subito