A Menina do CEO
Sinopse
(+18) Contém cenas de sexo explícito.
Ele jurou nunca mais amar alguém.
Carlos Eduardo é frio e calculista, mas deliciosamente sedutor. CEO de uma das maiores empresas do Brasil, também é o alvo de um amor proibido. Beatriz, a filha do seu melhor amigo, nutre por ele um amor secreto e um desejo ardente.
Ele carrega lembranças amargas que o fizeram criar uma aversão a relacionamentos sérios. Ela o anseia e fará tudo para tê-lo, mesmo que tenha que jogar um jogo arriscado, testando o juízo e o bom senso do homem.
Nesse jogo de sentimentos e desejos opostos, de prazeres e consciência, haverá apenas um resultado. Você consegue adivinhar qual é?
ANOS ANTES
CARLOS EDUARDO
Era fim de tarde naquele dia. O relógio na parede branca do meu escritório marcava quatro e trinta e três da tarde, jogando na minha cara que mais um dia exaustivo estava próximo do fim. Desliguei meu computador, após checar todo o trabalho do dia, e me espreguicei para trás na cadeira de couro, colocando as mãos atrás da minha cabeça.
Trabalhava como diretor-executivo de uma empresa de marketing, localizada no centro de Curitiba. Era meu orgulho. Tudo que construí foi por meus próprios méritos, e não havia mais nada no mundo que me desse tanta satisfação quanto saber que não cresci na sombra do meu pai, CEO e dono majoritário de uma das maiores empresas de construção civil do país, com escritório principal localizado no Rio de Janeiro.
Não nos falávamos há muitos anos. Mais precisamente, desde que me recusei a seguir seus passos dentro da Ferraz Engenharia. Provei a mim mesmo que eu não era apenas mais um riquinho mimado herdeiro de um império. Eu poderia caminhar com os meus próprios pés, e foi o que fiz.
Vivia e respirava trabalho, mas também tinha a minha válvula de escape. Só em pensar nela toda nua para mim, meu pau já ficava ativo. Vivian era minha noiva, confidente e melhor amiga. Começamos a sair no último ano da faculdade de administração e, desde então, não nos desgrudamos mais.
Pensar na bela loira esperando-me em casa me deixava aceso e revigorado. Eu estava pronto para uma dura e suada noite de sexo bruto.
Respirei fundo e afrouxei o nó da gravata preta em volta do meu pescoço. Liguei para minha secretária para confirmar a agenda do dia seguinte, em seguida, dispensei-a. Peguei minha pasta preta sobre a mesa e saí da minha sala em direção ao elevador.
Naquela noite, faria uma bela surpresa para a minha mulher. Eu iria compensá-la um pouco pela minha ausência por causa do trabalho, que me consumia todos os dias. Foi pensando nisso que não liguei para avisá-la que estava saindo da empresa como eu fazia todos os dias. Queria surpreendê-la.
Durante o percurso, parei o sedã em frente a uma loja de vinhos exclusivos, comprei uma garrafa de Chianti Clássico, uma das bebidas que ela mais apreciava. Mais à frente, completei o presente com um elegante buquê de rosas vermelhas.
Cheguei ao apartamento que dividia com ela uma hora e meia mais cedo que o meu costume. Saí do carro, deixando a minha pasta no interior do veículo, e corri em direção ao elevador, segurando os presentes em minhas mãos. Ao chegar na sala, coloquei o vinho sobre a mesa e o buquê de rosas em cima do sofá, para então começar a tirar o terno quente que estava me sufocando.
Arregacei as mangas da camisa branca e abri alguns botões, enquanto andava. Meus nervos relaxaram instantaneamente e um sorriso lascivo surgiu em meus lábios assim que ouvi a música baixinha que vinha do nosso quarto, misturando-se ao som do chuveiro ligado.
Abri a porta devagar e entrei, tomando cuidado para não fazer barulho, maravilhando-me ao som de Secrets, do OneRepublic, uma das minhas músicas favoritas. Retirei o relógio do pulso e o coloquei sobre o criado-mudo. Logo depois, dei o mesmo tratamento ao meu cinto.
Abri mais alguns botões da camisa e andei em direção ao banheiro, na intenção de surpreendê-la, já imaginando tudo o que faria daquele momento em diante. Minhas mãos já tremiam em ânsia de tocar o corpo macio. No entanto, um som abafado, lamuriante e tão conhecido por mim, me fez parar no meio do caminho. Congelei. Era um gemido deslambido.
Senti o sangue sumir do meu corpo, dando lugar a uma mistura de confusão e raiva imensurável. Não… Não poderia ser o que eu estava pensando. Eu perderia o meu senso, seria capaz de fazer uma besteira. A passos firmes, segui até o banheiro e empurrei a porta usando toda a força que tinha, fazendo o objeto se chocar contra a parede, causando um barulho retumbante. Então, eu os vi. Minha noiva e o seu personal trainer, traindo-me descaradamente dentro da minha própria casa. No quarto em que eu dormia.
Vi o homem se encolher covardemente atrás da vagabunda. Nem ao menos teve a decência de me enfrentar. Um verdadeiro covarde, miserável.
Vivian me encarou alarmada, o peito subindo e descendo nervosamente, enquanto tentava tapar a sua vergonha com as mãos.
Fora de mim, segurei-a pelo braço bruscamente e a arrastei para fora do banheiro.
— Saia, agora! — ordenei com ódio. — Saia!
— Cadu. Meu amor… Me deixe explicar.
— Cala a boca, porra! Sua puta descarada. Eu te dei tudo, e olha como me agradece. Exijo que você saia agora mesmo, você e esse escroto covarde.
— Eduardo, não pode fazer isso — o imbecil falou, vindo logo atrás.
Virei-me e cravei minha atenção em sua fisionomia, com sangue nos olhos. Parecia que o demônio havia me possuído, era a definição mais próxima de mim naquele momento.
Avancei em sua direção e o atingi com rajadas de socos no rosto. Logo depois, empurrei-o para cima da vadia. Seu queixo sangrava. Meu desejo era fazer isso a ela, mas seria covardia. Não bateria em mulher.
— Cadu, amor, me ouça. Eu…
— Saia! — eu disse, possesso. Voltando a segurá-la pelo braço, puxei-a na direção da sala.
— Por favor, espere, eu me preciso me vestir.
— Tá com vergonha agora, sua puta? Pois quero que o prédio inteiro saiba a vadia que você é!
Sem cerimônia e um pingo de remorso, abri a porta que dava acesso ao corredor e enxotei os dois para fora, da forma na qual vieram ao mundo. Eu queria humilhá-los, da mesma maneira que haviam feito comigo.
Naquele momento, prometi a mim mesmo que aquela fora a primeira e última vez que eu havia sido feito de idiota. Naquele momento, prometi a mim mesmo que nenhuma mulher teria lugar na minha vida, a não ser em cima da minha cama.
DIAS ATUAIS
Deixo o copo de uísque em cima do suporte prateado, próximo à banheira, e começo a abrir os botões da camisa social. Minha boca ainda lateja, ardendo devido ao soco que recebi daquele desgraçado. No entanto, sorrio. Adorei provocar a filha de Andrew no dia do seu casamento. De certa forma, aquilo me deixou eriçado. Sou mesmo um cretino, confesso. Gostei de ser desafiado.
Contudo, agora, estou muito mais interessado em descarregar as energias que acumulei durante o período de estadia aqui em Nova Iorque. O trabalho é, e sempre será, a minha maior prioridade.
Enquanto fito a ruiva de lábios carnudos deliciosos, completamente nua dentro da banheira, permito que um gemido escape da minha garganta. Com o olhar fixo nos meus, ela torce uma mecha de cabelo acobreado entre os dedos e fica de joelhos dentro da banheira, deixando os seios túrgidos ao meu deleite.
Descaso os botões da minha calça e a desço junto com a cueca, fazendo meu pau saltar para fora, grande, grosso e majestoso, completamente melado com o pré-gozo.
— Gosta de chupar, querida? — provoco quando a vejo passar a língua pelos lábios e mordiscá-los, ansiosa.
— Adoro, Edward! — responde com ousadia, chamando-me com o sotaque carregado.
— Boa garota. Mostre-me o que sabe fazer. — Acaricio a pele do seu rosto, branca como porcelana, e deslizo as minhas mãos até os fios dos seus cabelos, puxando-os, direcionando a sua boca até o meu pau.
Fecho os meus olhos e trinco os dentes quando sinto a língua quente me experimentar. Logo, sou abocanhado por inteiro.
Os lábios experientes me sugam com vontade, dando beijos e lambidas estaladas deliciosas. A ruivinha sabe o que está fazendo e nada mais poderia me agradar tanto no momento. Quem diria que uma noite tão desafiadora acabaria assim, comigo em uma suíte de um hotel cinco estrelas, comendo uma mulher linda e experiente que acabei de conhecer. Do jeito que gosto.
Quando minhas bolas se tencionam e sinto a força do gozo aproximando-se, seguro seu cabelo com mais força e enfio meu caralho com vontade até a sua garganta, deixando-a entalada. Pisco descaradamente na sua direção, vendo o rosto pálido tornar-se vermelho, e então descarrego toda a minha porra dentro da sua garganta, fazendo a moça engolir cada gota.
— Isso, querida, toma tudo. Putinha, safada! — digo, satisfeito com a gula com que ela me toma.
Quando termino, deixo os meus ombros caírem, relaxados, e suspiro. Esta noite, irei me esbaldar em cada buraco que ela tem no corpo, mas, amanhã, quando o dia raiar, nem sequer lembrarei o seu nome, e então ela será só mais um número na lista de conquistas de uma noite que coleciono. Para falar a verdade, é apenas disso que preciso.
CARLOS EDUARDO
O som do toque do meu celular soa fraco sobre o criado-mudo, ao lado da cabeceira da cama onde estou deitado, relaxado. Pego o telefone, sem prestar atenção no visor. Olho para o lado e vejo que a ruiva ainda dorme enrolada no lençol branco.
Antes de atender à chamada, retiro rapidamente o pano que cobre a sua bunda e deslizo minha mão pela pele macia e muito clara. Passo meus dedos pelas curvas do seu traseiro e acerto um tapa, deixando o local avermelhado.
— Alô. — Levanto-me da cama, pelado, atendo à chamada, e sigo até as vidraças.
— Bom dia, Carlos! — cumprimenta Andrew com a voz seca — Que merda foi aquela ontem na minha casa? — questiona, indo direto ao ponto.
Franzo a testa e suspiro. Para falar a verdade, nem eu mesmo sei por que me meti justamente com a noiva e, pior, filha de um antigo amigo da minha família. Contudo, ser desafiado me instiga, principalmente porque nunca tive quaisquer problemas para ficar com alguma mulher. Aquela gracinha de olhos verdes tentadores fez justamente o contrário: me ignorou. O problema é que não imaginei que o pitbull do marido fosse me flagrar.
— Peço desculpas pela indiscrição, Andrew. Acabei confundindo a sua filha com… — Pauso por alguns segundos, pensando em alguma desculpa qualquer. — Com outra mulher que conheci esses dias. Elas têm o mesmo perfil — minto.
— Não tente me fazer de bobo, Carlos. Te conheço há anos. Conheço a sua fama também — diz, austero.
Gargalho, sem conseguir me conter. Realmente, conheço Andrew há muitos anos, fomos apresentados pelo meu pai em uma das nossas muitas viagens a Nova Iorque. Apesar de ser um federal rigoroso e respeitado, ele é também frequentador de grandes eventos importantes entre as pessoas mais requisitadas do país.
— Vamos esquecer o passado e focar no presente, parceiro — sugiro. — Que tal um drink mais tarde? Pegarei o voo daqui a algumas horas e não tenho muito o que fazer durante este tempo.
Paro de observar o circular de pessoas no Central Park pelos vidros da suíte, e me viro na direção da cama. A ruivinha, que acabou de acordar, me olha sonolenta e sorri. Algumas mechas avermelhadas de cabelo deslizam pela sua testa, emoldurando o rosto bem desenhado, salpicado de minúsculas sardas.
— Hoje não posso, estou morto depois da noite de ontem, mas podemos marcar algo daqui a uma semana no Brasil. Pegarei alguns dias de férias e pretendo fazer um passeio em família. Aproveito para fazer uma visita ao seu pai. — diz, um pouco mais calmo.
— Sem problemas — respondo, analisando o corpo nu da mulher na cama. — Tenha um bom dia, Andrew — digo e caminho na direção dela.
Deixo o celular sobre o criado-mudo e me aproximo mais. Apesar de a noite ter sido suada e deliciosa, está chegando a parte menos interessante do dia. A parte em que dispenso a mulher sem deixar tão evidente que eu só queria comê-la e nada mais. Essa tática serve para evitar possíveis ataques logo pela manhã, coisa que não tenho muita paciência para aturar.
Fico de frente para ela e pisco descaradamente, como somente eu sei fazer. A moça praticamente se derrete, enquanto me analisa dos pés até o último fio de cabelo, focando no meu pau que ainda exibe a ereção matinal. Ela deve estar pensando em quanta sorte teve noite passada, mas não posso tirar sua razão. Não é qualquer homem que tem pique para dar a uma mulher dois orgasmos seguidos, e isso porque ela nem imagina a extensão da minha conta bancária.
— Dormiu bem, querida? — pergunto assim que ela sai da cama e me agarra pelo pescoço, colando o seu corpo ao meu.
— Maravilhosamente bem — responde, animada, com um sorriso estampado no rosto.
— Ótimo. Então apronte-se, está na hora de ir embora.
Seu sorriso morre instantaneamente, dando lugar a uma expressão de incredulidade.
— Como assim? Pensei que… Não sei… Que fôssemos nos divertir um pouco mais.
Encaro a mulher com seriedade e seguro seu pulso com certa firmeza, sem comprimir demasiadamente, apenas o suficiente para que ela entenda que não estou lhe dando liberdade para me tocar desta maneira. Em seguida, retiro suas mãos do meu pescoço e afasto-a.
— É uma pena. Mas tenho muito o que fazer, então você precisa ir.
— Mas hoje é sábado. Podemos fazer tantas coisas — diz, desapontada.
Toco o seu queixo de leve e faço com que ela me encare. Sorrio com cinismo, já impaciente.
— Tão linda, mas tão ingênua — digo e me viro. Cato as minhas roupas espalhadas pelo chão e começo a me vestir. — O que foi? — questiono ao ver que a moça segura o lençol com força contra o seu corpo esguio. Ela me encara com frieza no olhar, a testa franzida de raiva.
— Eu já conheci homens imbecis, mas você certamente ganhou o título de honra — diz sarcástica.
— Fico feliz que você tenha compreendido o recado… — Termino de vestir a camisa e paro, pensativo, tentando relembrar o nome dela. Contudo, é em vão. Não me lembro nem se ela tinha me dito. — Como se chama mesmo? — pergunto na cara de pau.
A mulher arregala os olhos e abre a boca, incrédula, mas eu apenas dou de ombros, até porque aqui não tem nenhuma criança. Somos dois adultos que estavam com tesão, só isso.
— Vou embora e espero nunca mais precisar olhar para essa sua cara, ridículo! — rebate.
— Obrigado! — Sorrio e respondo calmamente. Ela está me poupando de uma enorme dor de cabeça.
Já vestido, encosto-me na parede e, sem que ela se dê conta, observo-a se vestir, irritada. Apesar da indiferença, me delicio com a visão do corpo nu, no qual fiz um banquete a noite inteira.
Quando ela termina, pega a bolsa e passa por mim, soltando fogo pelas ventas, fazendo questão de empinar o nariz.
— Adeus, querida. Foi um prazer comer você! — provoco ainda mais.
A mulher parece transformar-se em um felino raivoso, pois dá meia volta e marcha na minha direção.
— Querida é sua vó, seu imbecil. — Levanta o braço e faz menção a me acertar com um tapa no rosto, mas, para seu azar, sou mais rápido. Seguro sua mão com força e a impeço.
— Não ouse levantar a mão para mim. Agora, saia! — ordeno, cerrando os dentes.
— Seu maldito… — vocifera com o olhar cheio de ódio. — Algum dia você vai se arrepender por tratar uma mulher desta maneira, seu grosso.
Balanço a cabeça e sorrio ainda mais, quase que gargalhando. Ah… Se ela soubesse que esse dia nunca irá chegar, com certeza não estaria me fazendo perder tempo. Já gastei a minha cota de trouxa para nunca mais repetir. Para falar a verdade, tenho pena da criatura que tentar entrar no meu caminho com terceiras intenções que não sejam apenas me dar a boceta. Não tenho pena de pisar nos cacos dos pobres corações feridos, afinal, não tenho culpa delas serem tão vulgares e descaradas. Além disso, não sou responsável por suas ilusões infantis, nunca ofereço mais do que sexo.
Lembrar de vulgaridade faz meus pensamentos voarem para anos atrás, e isso faz uma ira insana despertar em mim. Fecho os meus punhos, ainda mais irritado.
Assim que a mulher sai da suíte, batendo a porta com ira, sigo até o bar e sirvo-me de uma dose de uísque. Ainda que esteja cedo e o sol mal tenha acabado de raiar, sinto a necessidade de relaxar um pouco antes de embarcar de volta para o Brasil. Lá, deixarei a pose de conquistador irresistível e voltarei à velha e boa rotina como o CEO respeitado que sou, dentro do meu império na Ferraz Engenharia.
Tomo o líquido amargo e coloco o copo sobre a bancada. Vou ao banheiro e faço uma breve higiene pessoal. Pego minha carteira, o celular e me preparo para sair. Contudo, assim que sigo até a porta, lembro de olhar o meu WhatsApp para conferir se há algum recado importante.
Respondo a algumas mensagens da minha secretária particular e outras de Felipe, meu advogado e melhor amigo. Quando estou prestes a bloquear o visor, vejo que há uma mensagem de alguém que não está nos meus contatos.
Saudades de você, meu amor. Quando retorna?
Analiso o número de telefone, confirmando que é do Brasil e que se trata da mesma pessoa que vem me atormentando durante toda a semana com mensagens descabidas e bobas como essas. Franzo a testa, impaciente com esse joguinho adolescente, e simplesmente ignoro, como das outras vezes. Se houver mais alguma mensagem dessas, precisarei bloquear o número.
BEATRIZ
Pela milésima vez no dia, olho o visor do celular na esperança de que haja alguma resposta da mensagem que enviei para ele. Mas não. Como das outras vezes, Cadu simplesmente ignorou a mensagem que enviei sem nem se dar ao trabalho de perguntar de quem se trata.
Irritada, deixo o celular de lado e releio mais algumas das inúmeras besteiras que escrevi no meu diário nas últimas semanas. Em cada linha, falo algo bobo sobre ele, inclusive sobre a última vez que o vi, um dia antes de embarcar para Nova Iorque. Cadu estava resolvendo alguns assuntos com meu pai no escritório aqui em casa. Seria impossível esquecer as sensações que tive quando nos trombamos na porta. Aquele toque grosseiro, o olhar de mar revolto, o cheiro almiscarado que aflorou todos os meus sentidos.
Suspiro fundo, sem conseguir controlar o mix de emoções que aquele homem vem despertando em mim, ano após ano. Agora, tudo está mais intenso, cada dia mais difícil de ser ignorado.
Impaciente, deixo o diário de lado e levanto-me da cama. Meu coração bate forte no peito com uma mistura gritante de medo e ansiedade. Caminho até a janela do quarto, que dá acesso à área da piscina, e coloco algumas mechas do meu cabelo atrás da orelha. Enquanto observo, imagino se algum dia conseguirei fazer com que ele me olhe como uma mulher, e não como uma garota mimada, a filha do seu amigo advogado, e nada mais.
Meus pensamentos voam até a semana anterior, quando papai fez um churrasco e convidou alguns amigos. Como sempre, Cadu estava entre os convidados, já que ele e meu pai são amigos antigos e geralmente estão presentes em todos os eventos das duas famílias. Vê-lo dentro daquela sunga preta, que moldava perfeitamente o volume entre as pernas musculosas, levou-me à loucura, definitivamente. Minha vontade era de agarrá-lo na piscina e escalar aquele abdômen trincado. Contudo, eu nem sequer pude ter um segundo da sua atenção, já que ele estava ocupado demais na companhia de uma loira aguada que o estava acompanhando.
Tenho vontade de gritar de raiva só de me lembrar daquela mulher irritante. Bom, talvez para os outros ela não seja tão irritante assim, mas para mim, é. Só de estar perto dele com aquele decote saliente, os seios quase saltando para fora do biquíni.
Desencosto da janela e sigo até em frente ao espelho. Observo meus cabelos castanhos e desgrenhados que ainda não viram pente hoje e bufo, esmorecida. Dou alguns passos para trás, ajeito o pijama das meninas superpoderosas no meu corpo e empino a bunda, esperançosa de já ter aumentado alguns centímetros após a sessão de agachamento que fiz ontem com Gracy e Pedro, meus melhores amigos e colegas da faculdade.
Mordisco o lábio, desanimada quando me lembro das mulheres experientes e de corpos esculturais com quem o Cadu costuma sair. Definitivamente, minhas chances de conquistá-lo são iguais ou menores que zero. Talvez elas aumentem daqui a alguns anos. Quem sabe quando eu não for mais uma menina, e sim uma mulher forte e decidida? Porém, até lá, já terei morrido de raiva, ciúmes e vontade de tê-lo.
Estou perdida nos meus pensamentos quando ouço a voz eletrizante da Ariana Grande invadindo o quarto. É o toque do meu celular. Pego o aparelho com toda pressa do mundo e olho o visor, imaginando ser ele o autor da ligação, porém, nunca estive tão enganada.
Deito-me largada na cama, de costas, e atendo à chamada.
— Oi, Gracy.
— Bia, já está pronta? O Pedro vai passar aí em dez minutos — diz ela.
Recordo-me que havíamos combinado de pegar uma praia agora pela manhã, e eu nem sequer me lembrei de arrumar minhas coisas. Que droga!
— Não sei se irei, Gracy, não estou tão animada assim — respondo, completamente sem ânimo.
— Caramba, Beatriz, o que deu em você? — questiona, aparentemente irritada. — Já havíamos combinado há semanas.
— Eu sei. — Gemo frustrada e mordisco o lábio. Pondero se falo o motivo que me deixou entristecida. Após alguns segundos, pensativa, decido que devo me abrir com alguém. — Ele não me respondeu, Gracy. Mais uma vez, ignorou a mensagem que enviei.
Ouço o suspiro impaciente dela do outro lado da linha e me preparo para ouvir outro sermão. Minha amiga colocou na cabeça que devo me declarar para ele de uma vez por todas ou esquecer essa história, porque essas mensagens anônimas não irão dar em nada.
— Bia… Já conversamos sobre isso. Ou você vai à luta, ou esquece esse homem. Ele não vai simplesmente acordar no dia seguinte e pôr na cabeça que quer pegar a filha do amigo. Muito pelo contrário.
— Eu sei, mas o que você quer que eu faça? Que eu chegue nele e fale que o amo desde os meus quinze anos? Esquece!
Bom, talvez seja melhor do que ficar mandando mensagens anônimas. Ele vai continuar ignorando como fez das outras vezes.
Com o coração martelando o meu peito, viro-me na cama, fico de bruços e respondo: — Eu não sei o que fazer. Todas as vezes que estou perto dele, fico trêmula. Meu cérebro parece se transformar em geleia, porque não sai nada que preste.
Gracy gargalha do outro lado da linha.
— Ai, amiga … Então se você quer mesmo aquele homem, vai ter que descer do salto e pôr a mão na massa. Você sabe o que quero dizer, não é? O Cadu não é um garoto, é um homem feito e tem necessidades. Você está pronta para satisfazê-lo em todos os sentidos?
— Pelo amor, Gracy, você fala como se fosse a dona de um bordel. — Reviro os olhos e sorrio.
Gracy, apesar de ser um pouco mais velha do que eu, nunca se importou em esperar o cara certo para perder a virgindade. Já eu? Além de ter um pai ciumento que nem sequer deixa os meninos se aproximarem, ainda passei parte da minha adolescência apaixonada por um homem que não me nota. Definitivamente, não sou a número um em quesitos de sorte.
— Você sabe que tenho razão. Já saí com alguns homens mais velhos e posso dizer que tenho experiência o suficiente para te ajudar a conquistar um homem como ele. Com certeza passear de mãos dadas no parque não é a atividade favorita deles.
— Certo. Vamos supor que você tenha razão sobre o sexo. Antes de tudo, preciso fazer com que ele me note. Enquanto eu for invisível, não terá nem passeios de mãos dadas no parque, imagina outra coisa.
Volto a me virar na cama e coloco o celular no outro ouvido.
— Vou pensar em algo para te ajudar. Mas só se você for à praia com a gente. Promete?
— Tudo bem. Prometo.
Desligo a chamada e coloco um sorriso forçado no rosto. A verdade é que eu queria passar todo o dia na cama, mas é provável que logo minha mãe bata na porta ou Gracy e Pedro apareçam aqui para me obrigar a ir com eles. Sem escolhas, sigo até o banheiro, tomo um rápido banho e, após escovar os dentes, me troco.
Quando Pedro chega, já estou vestida com uma bela saída de praia preta e tenho todas as coisas que irei precisar dentro da bolsa. Desço as escadas e o vejo conversando sobre futebol com meu pai na sala. Apesar de ser um homem, ele é o único com quem papai não implica quando se aproxima de mim, talvez porque sejamos amigos desde crianças e definitivamente não haja a mínima possibilidade de rolar algo entre nós. Digamos que Pedro não faz o meu tipo, já que tenho atração por homens mais velhos.
— Bom dia — cumprimento-os.
— Bom dia, filha — responde papai e, logo depois, Pedro.
— Bom dia, preguiçosa — provoca e sorri.
Balanço a cabeça e também sorrio com sua provocação barata. O sorriso se expande em seu rosto claro, quase chegando à orelha. Os olhos castanhos brilham ao me fitar, deixam-me um pouco desconcertada e, por um segundo, tenho a impressão de ter visto algo parecido com fascínio em seu olhar. Ignoro essa besteira e pigarreio.
— E então, vamos? Gracy já deve estar louca à nossa espera.
Pedro desvia o olhar do meu rosto, passa as mãos nos cabelos pretos um pouco compridos e fita o chão por breves segundos.
— Vamos, sim — responde. Dá meia volta, acena para papai e segue na direção da porta.
Meu pai, que estava distraído olhando o celular, caminha na minha direção com o aparelho na mão e coloca-o no ouvido.
— Tchau, querida. Comporte-se. — Ele deposita um beijo na minha testa e se afasta. Ouço-o atender ao celular e lhe dou as costas.
Contudo, viro-me na sua direção no momento em que o escuto falar o nome Eduardo. Meu coração dispara. Antes que Pedro retorne até onde estou e me puxe para a porta de saída, ainda ouço papai perguntar se o Cadu irá passar aqui amanhã após o desembarque.
Engulo em seco só em imaginar que poderei vê-lo, mesmo que de longe. Ou talvez não tão longe assim. Respiro fundo quando coloco os meus pés para fora de casa, fecho os meus olhos e aprecio a brisa refrescante que balança os meus cabelos.
Não posso mais conviver com isso. Com este sentimento sufocante. Talvez eu deva jogar um jogo arriscado, testando os seus limites e os meus.
Olho para a frente, decidida. Enquanto aperto a bolsa no meu tronco, digo a mim mesma que irei conquistá-lo, custe o que custar.