A Menina do CEO

Jéssica Larissa · Capítulo 3 de 5

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A Menina do CEO

Epílogo

ALGUNS MESES DEPOIS

BEATRIZ

Acordo no meio da madrugada sentindo a minha barriga roncar de fome e uma vontade louca de fazer xixi. Uso o banheiro às pressas e desço as escadas, estranhando o fato de eu nunca me sentir assim. Abro a geladeira, pego o restante do bolo que sobrou do aniversário do papai no dia anterior e coloco um pedaço generoso no prato. Minha boca fica aguada quando corto a massa fofinha e o recheio de chocolate escorre um pouquinho da colher, fazendo-me passar a língua nos lábios em ânsia. Coloco o primeiro pedaço na boca e pareço estar comendo o céu. A sensação é indescritível.

Como uma garfada atrás da outra, como se eu não me alimentasse há dias e essa fosse a única comida disponível no mundo. Concentrada em atacar o bolo, não percebo quando mamãe aparece na cozinha e senta-se do meu lado. O susto é tamanho que quase caio da cadeira.

— Filha, tá tudo bem? — pergunta com as sobrancelhas franzidas.

— Sim, mamãe, por quê?

Ela olha para mim e em seguida para o suporte que estava com o bolo na geladeira, agora contendo apenas alguns farelos.

Meu Deus.

Fico chocada quando percebo que comi todo o doce em uma única sentada e nem ao menos percebi. Mamãe me fita com seriedade, analisando o meu rosto e descendo o olhar para o meu corpo. Suas sobrancelhas se erguem mais ao analisar os meus seios, que estão quase pulando para fora da camisola.

— Céus! — diz ela, colocando a mão sobre a boca. — Há quanto tempo está tendo esses ataques de fome durante a madrugada, Beatriz?

— Há alguns dias, eu acho — respondo um pouco confusa, ainda sem entender onde ela quer chegar com esse assunto.

— Filha do céu… — Ela tapa a boca e arregala os olhos.

— Mãe, a senhora está me assustando, pelo amor de Deus! — Levanto-me e levo o prato até a pia. — Espero que não tenha nada anormal no meu rosto ou no meu corpo. Amanhã é meu casamento e…

— Querida… — Ela também se levanta e caminha na minha direção, interrompendo a minha fala. — Não percebe?

— O que eu deveria perceber?

Desço os olhos para os meus seios e passo a mão pelo tecido fino da camisola. Será que estou gorda?, penso, mordiscando o lábio e já pensando na dieta que farei. Se bem que o Cadu disse ontem em algum momento que os meus seios estavam enormes e ele estava amando tudo isso.

Pensar naquele safado faz a curva de um sorriso nascer em meus lábios e me arrependo de não ter dado uma fugidinha para o seu apartamento no começo da noite. Estava tão cansada após passar o dia experimentando o vestido e escolhendo os acessórios que usarei amanhã que nem ao menos tive ânimo para respondê-lo quando me enviou mensagem se oferecendo para vir me buscar e passarmos a noite juntos. Eu só queria dormir.

— Filha, você pode estar esperando um bebê — diz ela com o olhar alarmado, e eu preciso me segurar na pia para não cair no chão.

— Um bebê? Mas como? Eu me previno desde… — É então que me recordo de algo que havia acontecido no mês anterior, quando peguei uma virose e tive que usar antibiótico.

Cadu havia dormido aqui em casa, no quarto de hóspedes, claro, porque o papai cismou em dizer que não iríamos dormir na mesma cama antes do casamento. Naquela noite, eu havia ido para cama mais cedo e, como o céu estava quase desabando em nossas cabeças, antes de subir para o meu quarto pedi para que ele dormisse conosco, pois era perigoso voltar para casa debaixo daquele temporal.

No meio da madrugada, acordei sonolenta, sentindo beijos sendo distribuídos pelo meu rosto e pescoço, enquanto era abraçada por trás. Recordo-me de ter ouvido os murmúrios do Cadu no meu ouvido e então levei minhas mãos para detrás das minhas costas, agarrei o seu pênis duro e o ouvi gemer. Fizemos amor nas horas mortas da madrugada até a exaustão, quando o sol já começava a raiar.

Depois disso, ele passou uma semana de cama por ter pego a minha virose, e agora eu estou descobrindo o presente que ganhei naquela noite.

— Meu Deus, eu estou grávida! — digo, colocando a mão na minha barriga. — O papai vai surtar.

— Calma, querida. Precisamos fazer o teste primeiro para confirmar — diz minha mãe, tentando me acalentar.

— Mamãe, o antibiótico que tomei mês passado deve ter cortado o efeito do anticoncepcional.

— Mas, filha, naquela semana você nem ao menos saiu de casa… — Ela pausa a frase e franze a sobrancelha, encarando-me com a expressão acusadora. Provavelmente montou todo o quebra-cabeça — Meu Jesus! Praticamente estou criando dois coelhos dentro da minha casa.

Sinto minhas bochechas corarem envergonhada, mas sorrio. Mamãe me abraça emocionada, dá um tapinha no meu ombro e diz: — Parabéns, querida. Sei que está cedo e que é muito provável que seu pai arranque as bolas do seu futuro marido para ele aprender a nunca mais tocar na filhinha dele, mas está feito, não é?

Afasto o meu corpo do seu e percebo que ela me fita com uma mistura de felicidade e medo no olhar. No entanto, tenta a todo custo disfarçar o receio.

— Obrigada! — digo emocionada. — Sei que não era isso que a senhora esperava de mim agora, mas prometo que irei concluir a faculdade e cuidar desse filho com todo o amor que há no meu coração.

CARLOS EDUARDO

Perco o meu fôlego, nervoso, quando as notas nupciais começam a tocar, e Beatriz passa pelo arco decorado com flores brancas e caminha na minha direção, sendo guiada por Felipe. Ela sorri radiante ao me ver dentro do terno cinza e camisa branca sem gravata, da forma como planejamos que seria o nosso casamento: simples, mas inesquecível, de frente para o mar que ela tanto ama.

Bia caminha descalça pelo tapete de cor nude colocado na areia. Pareço estar vendo uma miragem quando ela retira uma mecha do cabelo escuro que cai em cima dos seus olhos e o prende atrás da orelha, junto com a flor branca que embeleza ainda mais as suas madeixas.

O vestido esvoaçante partido na lateral a deixa parecida com uma sereia. O sorriso estampado no rosto angelical faz meu coração palpitar tão desesperado que preciso me segurar para não correr até ela e girá-la em meus braços. Tudo some à minha volta. Só vejo Beatriz andando para mim, enraizando-se dentro do meu coração, vindo de mudança para a minha vida.

— Não deixe que eu me arrependa disso, Eduardo — adverte Felipe quando estende a mão de Beatriz para mim.

Olho para ele e vejo a curva de um sorriso surgir nos seus lábios. Também sorrio e assinto, tomando consciência que, por mais tempo que leve para ele voltar a confiar em mim de novo, sei que fui perdoado.

— Obrigado! — digo e encaminho Beatriz na direção do altar para que o padre dê início à cerimônia.

Na hora dos nossos votos, seguro o papel que por tantas noites rabisquei, mas as palavras me faltam. Olho o seu rostinho de menina encarando-me em expectativa e engulo um punhado de saliva.

— Querida… — Começo, sentindo minha voz falhar, e um entalo se forma na minha garganta. — Enfrentar mil reuniões ou passar noites em claro trabalhando não é nem um porcento tão difícil quanto expressar o que sinto por você. — Beatriz sorri, a mão trêmula segurando a minha, o olhar emocionado. — Por você, eu seria capaz de abdicar de toda uma vida de riquezas, de todas as minhas conquistas, de tudo o que construí. Porque você, Bia, é o meu céu ensolarado, é o mar que acalma os meus nervos, é o ar que preciso para respirar.

Beatriz abaixa a cabeça e fita o chão. Vejo o seu corpo estremecer e, sem esperar que o padre dê a ordem final, abraço-a e ergo a sua cabeça, beijando os seus lábios.

— Cadu — Ela sussurra entre os meus lábios. — Estou grávida. Estou esperando o nosso filho…

Porra! Meu coração só falta parar quando ouço a sua declaração. Fito-a, incrédulo, sem fala e, mais uma vez, ela sorri em meio às lágrimas.

— Fiz o teste hoje pela manhã. Parabéns, papai! — Ela segura as minhas mãos e leva até a sua barriga. Um coro surpreso é ouvido entre os convidados. Até mesmo o padre parece ficar impactado com a notícia inesperada.

— O meu netinho… — Ouço a voz da minha mãe ao fundo e um resmungo do Felipe, mas não presto atenção em mais nada que não seja nela.

— Porra! Eu vou ser pai! — grito feliz e ergo Beatriz do chão, rodopiando com ela em meus braços.

Enquanto o sol se põe no horizonte, tenho certeza de que a nossa história está apenas começando. Este é apenas o início de toda uma vida que está por vir, eu, ela e o nosso filho, o lugar seguro que jamais pensei que encontraria.

FIM