A Mulher V

Cristiane Cardoso · Capítulo 21 de 24

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A Mulher V

Ela é louvada

 

“Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas.”

(Provérbios 31:28,29)

 

V ocê não se torna uma Mulher V com a finalidade de ser comparada a outra mulheres. Você não se torna uma Mulher V para ser melhor que as demais. Você se torna uma Mulher V porque esta É A COISA CERTA A SER FEITA. E por que não? Por que não se tornar uma mulher, esposa, filha, mãe, dona de casa, amiga e irmã melhor?

Fiquei surpresa ao ler um comentário deixado no meu blog, dizendo: “Todo mundo sente o mesmo de vez em quando. De uma coisa eu tenho certeza: o tempo passa rápido demais e sempre nos arrependemos de não fazer o que gostamos. Não olhe à sua volta. Não faça de si mesma um exemplo a ser seguido. Curta a vida. Você é linda! Por dentro e por fora.”

Provavelmente, ela só estava querendo ser simpática, como se dissesse: Não tem problema se você cometer algum erro, não seja tão dura consigo mesma. Até que é uma coisa legal para se dizer a alguém , não é? Por um instante, eu até aceitei a ideia. Mas depois pensei: “Quem disse que eu estou tentando ser um exemplo a ser seguido? Tudo o que eu quero é me tornar uma pessoa melhor; e, com isso, glorificar o meu Senhor.”

Os filmes trazem essa mesma mensagem. Você não tem de ser a melhor; seja apenas você mesma. Mas eu pergunto: Por que não? Por que eu não posso ser a melhor? Por que temos de ser mulheres comuns, medíocres? Eu acredito que, lá no fundo, toda mulher quer ser melhor e deseja um dia servir de exemplo para outras mulheres.

O versículo acima pode se tornar real para você e para mim, sabe por quê? Porque agora sabemos o que é ser uma Mulher V! As pessoas que lhe conhecem não poderão fazer outra coisa a não ser louvá-la por ser tão diferente da maioria das mulheres que existem por aí. Como tudo na vida, quando uma pessoa é diferente, é sempre notada.

O problema é aquela velha mentalidade feminina que todas nós temos. É sempre a mesma coisa: quando temos um problema com alguém, em vez de olhar para nós mesmas e procurar mudar, apontamos as falhas das outras pessoas: “O problema é o meu marido”, “Ninguém me entende”, “Os meus pais não me ajudam”, “O meu chefe me odeia”, ou então “Deus não Se importa comigo”.

Algumas mulheres têm o dom de se fazer de “VÍTIMAS”. Elas são sempre as vítimas de qualquer situação difícil que enfrentam. E, enquanto agem assim, perdem a parte mais importante. Você sabia que enfrentamos dificuldades para que possamos mudar e fazer melhor da próxima vez, e que cometemos erros para que possamos aprender? Na maioria dos casos, não são as pessoas que nos interpretam mal — nós é que não entendemos mesmo.

 

Algumas mulheres

têm o dom de se

fazer de “VÍTIMAS”.

Elas são sempre as

vítimas de qualquer

situação difícil que

enfrentam.

 

A Mulher V está constantemente mudando e, por isso, ela está sempre se superando. A sua família a louva; e porque ela faz o que a maioria das mulheres não se preocupa em fazer, as pessoas se espelham nela. E, dessa forma, ela louva a Deus da maneira menos popular — na prática.

Devemos também entender uma coisa a respeito de ser louvada: não é algo que você possa pedir às pessoas para fazer. Conheço muitas mulheres que estão sempre reclamando porque seus maridos não reconhecem o trabalho duro que elas executam; e, por causa disso, elas reclamam e resmungam o tempo todo.

Os homens em geral detestam quando as mulheres ficam reclamando sem parar. Eles não suportam isso, e há aqueles que até evitam demonstrar qualquer tipo de admiração só para ensinar uma lição às suas esposas. Infelizmente, as mulheres não aprendem dessa forma. Quanto mais indiferentes eles ficam, mais as mulheres reclamam.

 

Os homens em geral

detestam quando

as mulheres ficam

reclamando sem

parar. Eles não

suportam isso.

 

Talvez você esteja pensando que, depois de tantos anos tentando o mesmo método, as mulheres já deveriam ter aprendido que isso não funciona — mas não aprenderam. E o mais triste é que ninguém compartilha essa experiência. Avós cometeram esse erro, mães cometeram esse erro, e muitas filhas vão se casar e cometer o mesmo erro também.

Somos tão modernas e, ao mesmo tempo, tão caretas no modo de lidar com os nossos problemas. Seria bom se fôssemos caretas com as coisas que funcionam à moda antiga, e não com as coisas que nunca funcionam.

Se você quer ser louvada, então deve parar de exigir louvor. A Mulher V fez tudo da melhor maneira possível, a ponto de surpreender até a própria família.

Uma coisa é você surpreender pessoas que não lhe conhecem muito bem. Muitas mulheres conseguem fazer isso. Mas, surpreender aqueles que vivem debaixo do mesmo teto que você... isso é uma virtude! Eles a conhecem melhor do que ninguém, e se eles conseguem louvá-la, qualquer um pode.

 

Oprimida e humilhada

Ana era estéril e casada com um homem que era louco por ela, porém, ele tinha de manter as aparências. Por isso, também era casado com Penina, que lhe deu filhos e se tornou a maior rival de Ana. Ela não apenas era a outra mulher na vida de Elcana, como também fazia com que a sua esterilidade se tornasse um problema ainda pior. A mulher não deixava Ana em paz. Você pode imaginar Penina odiando Ana após ter sido escolhida por Elcana apenas para lhe dar filhos, e não por amor.

Todo dia era a mesma coisa. As constantes brincadeiras de mau gosto, a interminável solidão e o medo do que poderia lhe acontecer após a morte de Elcana a assombravam dia após dia. Ana era uma mulher triste e o seu marido via isso. Ele dizia: “(...) Ana, por que estás de coração triste? Não te sou eu melhor do que dez filhos?” (1 Samuel 1:8).

É claro que ele era o amor da vida dela, mas ele jamais entenderia o que era não poder ter filhos, pois tinha filhos com sua esposa mesquinha.

“Após terem comido e bebido em Siló (...) Levantou-se Ana (...).” (1Samuel 1:9)

 

Você não lê que Ana reclamava de Penina; você não lê que ela fazia escândalo à mesa do jantar. Você lê que ela respeitava a hora do jantar, embora não tivesse a menor vontade de estar ali. Primeira lição: ela estava triste, mas não fez com que as pessoas à sua volta também se sentissem tristes e infelizes.

 

Você não lê que Ana

reclamava de Penina;

você não lê que ela

fazia escândalo à

mesa do jantar. Você

lê que ela respeitava

a hora do jantar.

 

“Estando Eli, o sacerdote, assentado numa cadeira, junto a um pilar do templo do Senhor, levantou-se Ana, e, com amargura de

alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente.”

(1 Samuel 1:9,10)

 

Mais uma vez, você não vê Ana procurando as amigas para reclamar das injustiças da vida. Ana nem se importou com a presença de Eli no templo, ela foi direto a Deus.

Primeiro, ela orou e, quando já não havia mais palavras para descrever o que sentia, ela chorou amarguradamente. Esse é o tipo de choro que vem lá do fundo. Lenços não podem secar essas lágrimas; é muito profundo para ser explicado. Ninguém entendia o que ela sentia, mas Deus entendia.

“E fez um voto, dizendo: Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da

tua serva não te esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.”

(1 Samuel 1:11)

 

Uma vez que ela teve aquela certeza, aquela profunda convicção que somente Deus pode dar, de que tudo ia dar certo, ela fez um voto com Ele — um voto que praticamente dizia que ela Lhe devolveria a bênção. Sua atitude moveu a mão de Deus e Ele realizou um milagre em sua vida.

Uma vez que ela

teve aquela certeza,

aquela profunda

convicção que

somente Deus pode

dar, de que tudo ia

dar certo, ela fez um

voto com Ele.

 

Está vendo? Ela não estava mais pedindo um filho para si; estava pedindo para ser mãe de um menino que serviria a Deus. Seus objetivos mudaram. Ela já não estava mais pensando apenas em si mesma, no seu orgulho de mãe, ou em sua rivalidade com Penina. Tenho certeza de que ela havia pedido um filho a Deus muitas outras vezes, mas essa foi a vez que ficou registrada na Bíblia. Essa foi a vez em que ela parou de pensar em si mesma e começou a pensar em Deus.

E Deus mudou a sua vida daquele dia em diante, no exato momento do voto. A Bíblia diz: “(...) Assim, a mulher se foi seu caminho e comeu, e o seu semblante já não era triste” (1 Samuel 1:18).

Deus lhe ajudou a ser feliz, independentemente daquilo que ela não tinha. Através daquela atitude nova e admirável, Ana se tornou uma mulher completamente diferente.

“(...) Elcana coabitou com Ana, sua mulher, e, lembrando-se dela o Senhor, ela concebeu (...).”

(1 Samuel 1:19,20)

 

Ana não estava mais amarga, e Elcana deve ter percebido o quão atraente ela era. Uma mulher amarga nunca é atraente, não importa quanta maquiagem use ou quanto peso consiga perder.

Uma mulher amarga

nunca é atraente,

não importa quanta

maquiagem use ou

quanto peso consiga

perder.

 

Esse é mais um engano deste mundo: se você está se sentindo para baixo, vá às compras, mude a sua aparência... Como se isso fosse realmente capaz de mudar a maneira como você se sente. Você pode até gostar do que vê no espelho, mas certamente vai continuar não gostando da maneira como se sente ou de como faz as pessoas se sentirem.

Amargura e reclamações andam juntas. Mulheres que reclamam também são amargas, e mulheres amargas também reclamam. Em vez de conseguir o que deseja das pessoas, você só acaba fazendo com que elas a evitem.

Ana levou toda a sua amargura até Deus naquele dia, ela se esvaziou e, para completar, decidiu fazer a coisa certa: dar a glória a Deus pela primeira vez em sua vida. Agora você pode imaginar qual foi a reação de Deus. Geralmente, as pessoas não se importam com o que Deus quer delas.

“Ela concebeu e, passado o devido tempo, teve um filho, a que chamou Samuel, pois dizia: Do Senhor o pedi.” (1 Samuel 1:20)

 

Ana imediatamente deu ao filho um nome que jamais a deixaria esquecer o seu voto a Deus. E, a partir daquele momento, aquela nova mãe deu o melhor de si para preparar Samuel para servir a Deus pelo resto de sua vida. Quando ele atingiu a devida idade, ela não pensou duas vezes. Ela não pediu a Deus que prolongasse o prazo.

Ela também não o fez com amargura. Ela simplesmente “levou-o consigo, com um novilho de três anos, um efa de farinha e um odre de vinho, e o apresentou à Casa do Senhor, a Siló. Era o menino ainda muito criança. Imolaram o novilho e trouxeram o menino a Eli. E disse ela: Ah! Meu Senhor, tão certo como vives, eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, orando ao Senhor. Por este menino orava eu; e o Senhor me concedeu a petição que eu lhe fizera. Pelo que também o trago como devolvido ao Senhor Senhor Senhor , por todos os dias que viver; pois do o pedi. E eles adoraram ali o” (1 Samuel 1:24-28).

Enquanto viver, ele pertencerá ao Senhor. Que atitude linda! Para uma mãe dizer isso, ela realmente precisa estar ciente do que esta fazendo, pois Ana o levou ao templo e nunca mais o tomou de volta. E Deus, vendo a sua fidelidade e sacrifício, honrou-a, dando-lhe mais filhos.

 

E Deus, vendo a

fidelidade e sacrifício

de Ana, honrou-a,

dando-lhe mais

filhos.

 

O capítulo 2 de 1 Samuel começa com a sua oração, que diz:

“O meu coração se regozija no Senhor, a minha força está exaltada no Senhor; a minha boca se ri dos meus inimigos, porquanto me

alegro na tua salvação. Não há santo como o Senhor; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como o nosso Deus. Não multipliqueis palavras de orgulho, nem saiam coisas arrogantes da vossa boca; porque o Senhor é o Deus da sabedoria e pesa todos os feitos na balança.

O arco dos fortes é quebrado, porém os débeis, cingidos de força. Os que antes eram fartos hoje se alugam por pão, mas os que

andavam famintos não sofrem mais fome; até a estéril tem sete filhos, e a que tinha muitos filhos perde o vigor.

O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta.

Levanta o pobre do pó e, desde o monturo, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do Senhor são as colunas da terra, e assentou sobre elas o mundo. Ele guarda os pés dos seus santos, porém os perversos emudecem nas trevas da morte; porque o homem não prevalece pela força.

Os que contendem com o Senhor são quebrantados; dos céus troveja contra eles. O Senhor julga as extremidades da terra, dá força

ao seu rei e exalta o poder do seu ungido.”

(1 Samuel 2:1-11)

 

Muitas pessoas oraram nos tempos da Bíblia, mas apenas algumas dessas orações foram registradas. A oração de Ana é uma delas. Por que Deus fez questão de incluir a oração de Ana na Sua Palavra? Se você ler devagar, vai entender o porquê. Eis aqui uma mulher que glorifica a Deus. Ela não diz: “Porque eu decidi fazer isso, alcancei o meu maior sonho”, como muitas pessoas costumam fazer. Porque ela decidiu louvar a Deus pelas bênçãos recebidas, Deus também decidiu louvá-la.

Você pode ser louvada por sua família e amigos, mas ser louvada pelo Próprio Deus, é muito mais do que um simples louvor! Deus honrou o sacrifício de Ana. Isso é o que Ele faz. Todas as vezes que sacrificamos para Ele, todas as vezes que nos privamos para que Ele seja honrado, Ele nos honra sem medida.

Se a oração de Ana foi tão importante a ponto de ser incluída na Bíblia, o que você acha que o seu marido, a sua família e os seus amigos pensaram dela? Tenho certeza que, a partir daquele momento, Penina perdeu aquele “bom e velho senso de humor” em relação a Ana.

 

Se a oração de Ana

foi tão importante a

ponto de ser incluída

na Bíblia, o que

você acha que o seu

marido, a sua família

e os seus amigos

pensaram dela?

 

“Diante da honra vai a humildade.”

(Provérbios 18:12)

Se você quer realmente ser louvada, não exija isso; simplesmente siga o exemplo de Mulher V de Ana.

 

Que tipo de honra você tem buscado?

O que você pode fazer de diferente a partir de agora para obtê-la?