A Mulher V

Cristiane Cardoso · Capítulo 23 de 24

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A Mulher V

Ela faz a diferença

 

“Dai-lhe do fruto das suas mãos, e de público a louvarão as suas obras.”

(Provérbios 31:31)

 

A s pessoas podem falar e escrever sobre uma mulher que realizou grandes feitos na sociedade, no governo ou em sua comunidade, mas ela só será digna de louvor quando as suas próprias obras a louvarem. Qualquer pessoa pode fazer caridade nos dias de hoje — é até moda. Mas elas o fazem por causa de sua imagem, pois querem parecer boas. Elas não são o tipo de gente que faz a diferença no mundo.

Se você quer fazer a diferença, precisa ter audácia para ser diferente e controversa. O mundo não louva aquelas que fazem bem aos outros, que são verdadeiros exemplos a serem seguidos e que revelam o caráter de Deus através de suas vidas. Essas são consideradas bobas. O mundo louva aquelas que são contrárias aos preceitos de Deus. E esse espírito tem se infiltrado até nas igrejas, fazendo com que muitas mulheres cristãs comecem a pensar que não tem problema algum dormir com o namorado, usar drogas, frequentar clubes toda sexta-feira à noite e depois ir à igreja aos domingos pela manhã. O mundo está invadindo as igrejas e ninguém está fazendo coisa alguma. Os pastores só estão lá para motivar as pessoas a continuar crendo, não importa o tipo de vida que estejam vivendo.

Quando decidimos nos levantar contra essa loucura, somos praticamente crucificadas. É por isso que poucas pessoas fazem a diferença neste mundo, a maioria está muito ocupada com a própria vida e com a própria reputação para fazer alguma coisa.

Você nunca vai ser uma verdadeira Mulher V se fizer apenas o que está ao seu alcance. Você pode ser uma mãe maravilhosa, uma esposa perfeita, uma filha extraordinária, mas se não alcançar as pessoas que estão fora do seu mundinho, será uma mulher comum.

 

Você pode ser uma

mãe maravilhosa,

mas se não alcançar

as pessoas que

estão fora do seu

mundinho, será uma

mulher comum.

 

Vejamos o que o Senhor Jesus disse a esse respeito:

“Qual de vós, tendo um servo ocupado na lavoura ou em guardar o gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem já e põe-te à

mesa? E que, antes, não lhe diga: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois, comerás tu e beberás? Porventura, terá de agradecer ao servo porque este fez o que lhe havia ordenado? Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer.”

(Lucas 17:7-10)

 

Tudo o que você faz em casa, no trabalho, na escola, ou na igreja já é esperado de você. Se você for como deve ser, não estará fazendo mais do que sua obrigação. Mas quando faz o que é esperado E ainda ajuda outras pessoas ao mesmo tempo, ENTÃO você está fazendo mais do que o esperado. ENTÃO está saindo da sua zona de conforto. ENTÃO está fazendo a diferença num mundo que não é o seu.

Você ajuda outras pessoas enquanto a mulher comum nem se importa com elas. Você expõe o seu passado e lhes conta abertamente como venceu os seus problemas. Você lhes diz a verdade, não importa o quanto doa. Você não tem dúvida acerca da sua fé em Deus. Você estabelece a sua vida sobre a Sua Palavra e deixa isso transparecer para todas as pessoas que você conhece.

As pessoas que me conhecem bem sabem que eu não gosto de aparecer. Sinto-me bem quando estou sozinha; acho que herdei isso do meu pai. Não me entenda mal: amo a companhia da minha família e amigos, mas me sinto muito bem quando não há ninguém à minha volta e eu posso simplesmente sentar e escrever. Eu sou uma pessoa tímida por natureza e isso é uma coisa que detesto admitir. Mas para que eu pudesse fazer tudo o que fiz até agora, tive de sacrificar essa minha natureza solitária, também conhecida como timidez. Tive de matar aquela vontade de ser invisível e me expor para que então pudesse fazer a diferença na vida de outras pessoas. Ainda é muito difícil, e algumas pessoas ainda me julgam mal.

Provérbios 18:1 diz tudo:

“O solitário busca o seu próprio interesse e insurge-se contra a verdadeira sabedoria.”

Se você quer realizar um sonho, saia de sua zona de conforto e faça aquilo que não sente vontade de fazer. Não importa o que você sente vontade de fazer, e sim o que precisa ser feito. Esse é um dos primeiros segredos da fé! Você faz, mesmo que não esteja com vontade.

 

Se você quer realizar

um sonho, saia da

sua zona de conforto

e faça aquilo que não

sente vontade de

fazer.

 

Esse versículo da Mulher V é realmente muito interessante: “Dai-lhe do fruto das suas mãos”, quer dizer, deixe-a desfrutar das obras de suas mãos; é o direito dela. E depois diz: “E de público a louvarão as suas obras”. Em outras palavras, será o próprio fruto do seu trabalho que a louvará.

Ela não se exalta por causa das suas conquistas, do seu sucesso ou da diferença que faz na vida das outras pessoas, mas ela se alegra. Só isso já faz uma enorme diferença entre aquelas que fazem a diferença no mundo e as que não fazem.

A nossa natureza humana está sempre em busca de satisfazer o nosso ego. Quando somos crianças, queremos contar para todo mundo sobre o nosso brinquedo novo. Quando somos adolescentes, queremos ser populares e conhecidas como aquelas que fazem isso e aquilo. Quando estamos namorando, queremos que as pessoas pensem no quanto somos sortudas por sermos amadas por alguém. Quando casamos, queremos que as pessoas pensem que temos uma vida perfeita. Quando temos filhos, queremos que eles sejam melhores do que todas as outras crianças... Acho que você já entendeu aonde eu quero chegar.

Queremos coisas boas só para massagear o nosso ego, e não para beneficiar outras pessoas. É aí que erramos.

Você só pode fazer a diferença na sua família, na sua vizinhança, no seu trabalho, na sua igreja e no seu mundo quando você se livra dessa obsessão pelo próprio sucesso; quando você decide não cuidar de si e passa a cuidar das outras pessoas e das suas necessidades.

Uma vez que começa a fazer a diferença fora da sua vida, você começa a gostar. Quanto mais você ajuda os outros, mais quer ajudar, pois a recompensa de ver outras pessoas sendo beneficiadas pela sua vida simplesmente não tem preço. Você nunca vai precisar se exaltar por causa daquilo que faz pelos outros — eles o farão por você. As suas obras vão louvá-la por você.

 

Você nunca vai precisar

se exaltar por

causa daquilo que faz

pelos outros — eles

o farão por você.

 

Uma dona de casa comum

Jael é pouco conhecida dentre as mulheres da Bíblia, mas o pouco que ela fez em sua época foi tão grande e tão louvável que Deus fez questão de que as suas obras fossem registradas em Sua Palavra.

Ela era uma dona de casa, o que era muito comum naquela época. Só que não se limitava ao seu papel. Era uma mulher de coragem; tomava iniciativa, aproveitava as oportunidades e sabia exatamente como ser uma auxiliadora.

Aqueles eram dias de guerra. Duas importantes nações estavam se enfrentando, e lá estava ela, bem no meio da confusão. Embora o seu marido tivesse decidido não afiliar a sua tribo a nenhuma das duas nações, ele estava passando muita informação para os inimigos de Israel. Jael tinha ouvido sobre as batalhas de Israel e, acima de tudo, sobre o Todo-Poderoso Deus de Israel; sendo assim, ela pôde ver claramente o grande erro que seu marido estava cometendo.

Um dia, de repente, a guerra bateu à sua porta. Sísera, o comandante do exército inimigo de Israel veio à sua tenda em busca de abrigo. Ele estava fugindo de uma batalha na qual estava se dando mal. Praticamente todos os seus homens estavam mortos, e a única alternativa para não perder a guerra era fugir, voltar para casa em segurança, e arquitetar novos planos para destruir Israel. Como o marido de Jael já havia dado suporte a Sísera, ele certamente achou que poderia ir até a sua casa e lá se esconder por um tempo.

“Saindo Jael ao encontro de Sísera, disse-lhe: Entra, senhor meu, entra na minha tenda, não temas. Retirou-se para a sua tenda, e ela

pôs sobre ele uma coberta. Então, ele lhe disse: Dá-me, peço-te, de beber um pouco de água, porque tenho sede. Ela abriu um odre de leite, e deu-lhe de beber, e o cobriu. E ele lhe disse mais: Põe-te à porta da tenda; e há de ser que, se vier alguém e te perguntar: Há aqui alguém?, responde: Não.”

(Juízes 4:18-20)

 

Lá estava Jael fingindo estar alegre em ver o inimigo à sua porta. Sísera era um homem perigoso, como qualquer homem que luta contra Deus. Não se pode confiar neles, afinal de contas, eles não têm bons princípios. Jael sabia que se não ajudasse aquele homem, seria morta por ele; por isso, ela decidiu ser hospitaleira.

“Então, Jael, mulher de Héber, tomou uma estaca da tenda, e lançou mão de um martelo, e foi-se mansamente a ele, e lhe cravou a

estaca na fonte, de sorte que penetrou na terra, estando ele em profundo sono e mui exausto; e, assim, morreu. E eis que, perseguindo Baraque a Sísera, Jael lhe saiu ao encontro e lhe disse: Vem, e mostrar-te-ei o homem que procuras. Ele a seguiu; e eis que Sísera jazia morto, e a estaca na fonte.”

(Juízes 4:21,22)

 

Jael sabia que se

não ajudasse aquele

homem, seria morta

por ele; por isso,

ela decidiu ser

hospitaleira.

 

Sísera nem viu sua morte chegar! Jael não era uma mulher de guerra ou violenta; ela era apenas uma mulher que escolheu fazer o que era certo aos olhos de Deus. Ela nem se importou com a nojeira e brutalidade de um martelo cravando uma estaca na fonte de um homem; ela só queria pôr um fim aquele desatino contra o povo de Deus. Lá estava, diante dela, o inimigo de Deus, dormindo na sua própria tenda; o mínimo que ela podia fazer era matá-lo!

É interessante ler os versículos seguintes: “Assim, Deus, naquele dia, humilhou a Jabim, rei de Canaã, diante dos olhos de Israel. E cada vez mais a mão dos filhos de Israel prevalecia contra Jabim, rei de Canaã, até que o exterminaram” (Juízes 4:23,24).

Foi justamente naquele dia que Deus destruiu os inimigos do Seu povo. Deus usou Jael (uma mulher, uma dona de casa, uma pessoa simples casada com um homem que não tinha coragem para decidir de que lado ficaria) para dar a Seu povo a vitória, de uma vez por todas.

Jael era uma Mulher V que fez a diferença em Israel e em sua história. Ela também fez a diferença em sua própria vida, pois aquela sua atitude corajosa certamente a fez ver o quanto era valiosa, independentemente de quem tinha sido ou do que havia feito.

O seu trabalho a louvou, pois todo o Israel passou a saber quem era Jael — a mulher que Deus usou para vencer a guerra.

Deus está em busca de mulheres influentes nos dias de hoje para que possa vencer as muitas guerras espirituais à nossa volta. Aqui vai uma lista com algumas das características comumente encontradas em mulheres influentes:

 

1. Elas são intrépidas e corajosas para se destacar. Honestamente, como você espera

influenciar outras pessoas se você permite que a sua timidez a impeça de fazer algo novo?

2. Elas aparecem. Elas se colocam à vista. Embora muitas mulheres o façam por razões

erradas, é importante notar que, se você não se colocar diante dos olhos das outras pessoas, será impossível influenciá-las.

3. Elas são excelentes no que fazem. Não são apenas boas no que fazem, são as

melhores! Se você é apenas uma boa aluna, uma boa funcionária, uma boa filha, uma boa mãe ou uma boa esposa, pode tirar da sua cabeça a ideia de influenciar alguém. As pessoas se espelham em quem é melhor do que elas.

4. Elas são bonitas. Pode parecer um tanto fútil, mas, sinceramente, será que alguém dá

ouvidos a mulheres que não se importam com a própria aparência? Sejamos honestas: boa aparência atrai as pessoas, então vamos usá-la para a glória de Deus.

 

Deus está em

busca de mulheres

influentes nos dias de

hoje para que possa

vencer as muitas

guerras espirituais à

nossa volta.

 

Como você pode fazer a diferença em sua família?

E na sua vizinhança, no seu local de trabalho e na sua igreja?