A Volta

Francisco Cândido Xavier · Capítulo 7 de 12

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A Volta

Denis Fernandes

 

Querida Mãezinha Luiza; Deus nos abençoe.

Estou ainda fraco e abatido, o que reconheço pela dificuldade em escrever esta carta.

Mãezinha; cheguei muito bem ao nosso pouco, conquanto de certo modo anestesiado, porque, quando acordei no recanto de tratamento em que me encontro, notei que a região era tranqüila, o que é muito reconfortante para mim, e observei para logo, tratar-se de um refúgio para doentes.

*

Ao meu lado estavam meu pai Júlio e o nosso amigo e irmão Cassanha, que me dirigiram olhares de paz e otimismo.

Meu pai; adiantou-se na minha direção e acalmou-me com estas palavras: “Tudo bem, meu filho. Agora é preciso descansar, de vez que você ainda está sob medicação”.

Nada pergunte. Pense na bondade de Jesus e permaneça calmo.

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Depois disso os dois se afastaram e dois enfermeiros vieram em meu auxílio. Falaram-me do bem que a prece silenciosa me faria. Começaram as massagens, cujo sentido não conseguia compreender. Sentia-me fortificado na fé em Deus, mas decorridos os primeiros minutos de minha nova situação, senti que a preocupação e a saudade tomavam conta de mim.

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Vi o seu semblante como se eu estivesse ao seu lado e as suas lágrimas provocaram as minhas. Choramos juntos, embora o seu coração amoroso não se percebesse. Em seguida, fui rever a nossa Dinha e as crianças.

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A esposa também chorava e perguntei a mim mesmo porque acontecia isso, se eu estava vivo, como que sob uma força que eu não conhecia e me tornava invisível.

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O pranto me escorreu novamente do íntimo para os olhos, mas pedi a presença dos Protetores Espirituais e senti um novo calor penetrando-me os pensamentos.

Abracei então a companheira; pedindo-lhe confiança em Deus e fui ao encontro dos filhos queridos. Fabrizio estava corajoso ao pensar em mim. Fernanda e a irmãzinha tentavam ler uma página de jornal e notei que ambas me lembravam com saudade.

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Demorei-me alguns minutos no ambiente, mas quando quis me retirar para ir ao encontro do Rubens, meu pai Júlio se me fez vidente, dando-me a perceber que estava acompanhado e me comunicou que estava comigo, desde a minha saída do Parque de Saúde em que me achava internado; que eu tivera permissão para sair alguns minutos, entretanto, ele mesmo não me via preparado para as visitas que eu desejava.

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Em companhia dele, fui à residência do Rubens com o intuito de agradecer a ele e à Hilda tudo o que fizeram a meu favor e também para o conforto de visitá-lo.

Sentia-me contente por abraça-los, no entanto percebi que eles também me registravam a presença com grande tristeza e aquela amargura deles também me envolveu e procurei afastar-me para ver os sobrinhos.

*

O Fábio estava lendo um livro com a irmãzinha e fugi de pensar fortemente em ausência e saudade.

Tive a idéia de que um mecanismo estranho funcionava dentro de mim, porque bastou o meu desejo em não me deixar envolver mentalmente em dor para que as crianças recebessem o meu abraço sem lágrimas pelo tio que era eu. E aquela ocorrência foi a minha primeira idéia do poder espontâneo da mente e meu pai me forneceu novas explicações sobre os sentimentos que fora do corpo físico, mostram maior capacidade de influenciação e assim continuo a minha nova aprendizagem...

*

Mãezinha; agradeço as suas preces e seus votos de apoio em meu benefício, e peço-lhe guardar a certeza de que seu filho Denis está num trabalho novo com muita esperança para fortificar-se cada vez mais.

Rogo-lhe dizer ao Rubens que estou bem e cooperarei breve quanto me for possível para auxilia-lo em nossas tarefas. Peço-lhe pedir por mim ao Fabrizio e às irmãs não fazerem pressão sobre a mãezinha Dinha para voltarem para a chácara.

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Saudades de casa tenho também, mas a família não deve, pelo menos por enquanto, permanecer em local isolado que em outros tempos provocaram a visita de malfeitores. Fiquem todos no apartamento, porque o papai, quando puder, vai auxiliar a mamãe a promover a mudança para lugar melhor, já que seus filhos são bons e me atenderão.

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As petições deles transmitidas à mamãe e ao tio Rubens me preocupam e a mamãe Dinha já está até trabalhando dando o sinal de coragem que devemos ter, coragem e fé em Deus que nunca nos abandonou.

Com este pedido meu senti força nesta noite e quando eu puder voltarei para abraçar a todos.

Mãezinha Luiza; não posso escrever mais agora, mas fique certa de que estou muito, muito bem.

*

Estou com o auxílio de meu pai e do Augusto, o prestativo rapaz de nossa amiga Da. Yolanda.

Sei que estão numa reunião festiva em que é lembrado um amigo, o irmão Maximino, e agradeço a gentileza com que estou sendo recebido por todos.

*

Mãezinha; peço-lhe a bênção; e rogo-lhe sentir-se tranqüila e feliz.

Muitas saudades repletas de esperança do seu filho que lhe deve tanto.

Sempre seu,

Denis.

(Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em Uberaba,

Minas, a 11/06/92).

ESCLARECIMENTOS

Denis Fernandes

Nascimento: 03/11/1948.

Desencarnação: 22/11/1991.

PAIS

Júlio Fernandes Varella, desencarnado em 19/04/1977.

Luiza Pellegrino Fernandes, residente em São Paulo-SP, Bairro da Mooca.

Esposa: Izildinha Mônica Fernandes.

Filhos: Fabrizio, Fernanda e Flávia Pellegrino Fernandes.

Irmão: Rubens Fernandes.

Cunhada: Ilda Aparecida Fernandes.

Sobrinhos: Marcela Fernandes e Fábio Varella Fernandes.

Amigo e irmão Cassanha: Celso Cassanha, já desencarnado; foi dirigente

do Centro Espírita “Lar de Amor Cristão”, de São Paulo, localizado à Rua dois de Julho, 384, Ipiranga.

Augusto: Augusto Cézar, Filho do casal Raul e Yolanda Cézar.

 

Da Obra “A VOLTA” – ESPÍRITOS DIVERSOS –Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

Digitado por: Lúcia Aydir