A Volta
Denize Freire Valença
Querido papai Djayr e querida mãezinha Doralice; Deus nos abençoe.
Vocês dois desejam tanto as minhas notícias e o meu desejo é tamanho no sentido de abraça-los que não resisti e solicitei os bons ofícios da vovó Emília para vir encontra-los.
Felizmente vou indo bem. As preces e vibrações do meu avô Antenor, de minha avó Laura e de meu avô João me restauraram a vontade de trabalhar e continuar em grupo de serviço, a fim de não ser um peso morto na proteção de nossos muitos amigos.
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Fiz um curso de enfermagem aqui na Vida Espiritual e presentemente, ao mesmo tempo em que os vejo tranqüilos em Ipanema; posso colaborar junto de irmãs queridas em auxílio aos doentes de vários hospitais, conseguindo a alegria de conhecer as melhoras de muita gente, embora ainda me entristeça à frente dos acidentados que me lembram a própria desencarnação em tão difíceis circunstâncias.
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Papai Djayr e mamãe Dora, sou muito grata aos dois por me lembrarem com tanto carinho. Não chorem a minha perda apesar de nossas saudades, porque, atualmente, acompanho muita gente em provação que julgo melhor ter vindo para cá mais cedo sem esperar que as provas e as lutas do mundo me impusessem um comportamento inadequado, com maiores aflições para nós todos.
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Não cheguei a sofrer tentações de natureza inferior, porque o estudo e o trabalho me refundiam as energias, mas sinto o pesar de conhecer várias amigas minhas desviadas do melhor destino que poderiam usufruir, caso se mantivessem nas disciplinas necessárias da vida, plenamente felizes.
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Com essas palavras não me faço de criatura superior e sim me confesso agradecida com a desencarnação julgada prematura, porque, através do acidente de que fui vítima entrei no mundo espiritual como quem se matricula numa escola de revisão e aperfeiçoamento.
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Escolhi a enfermagem, porque os irmãos doentes são meus professores de paciência e coragem.
Junto deles, aprendo lições que não me seria possível receber na posição privilegiada que os pais queridos me deram com tanto amor.
Hoje sei quanto dói à moléstia de um filhinho que desfalece, aos poucos, sem esperança de mãos providenciais do mundo e sei orar rogando a Deus fortaleza e conformação para a mulher desvalida que, em vão pede melhoras para o esposo internado em sanatório de alienados mentais.
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Dou aos pais queridos esta notícia consciente de que estarão satisfeitos com a filha que não acostumaria a permanecer na inércia sob a proteção de tantos amigos e parentes devotados que possuímos na Vida Maior.
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Mãezinha Doralice e papai Djayr, quanto puderem visitem as enfermarias dos enfermos indigentes dos hospitais. É possível que me encontrem lá, junto a um coração materno que morre no esquecimento dos filhos e netos a quem deu o próprio coração.
Sempre que souberem que surgiu em nosso bairro alguém doente e sem recursos não pensem na presença de delinqüentes possíveis.
Façam o auxílio que puderem.
Seguiremos juntos, porque depois do apoio de nossa casa, serei eu a seguir com ele para algum pronto socorro, aonde talvez chegue tarde para fugir da morte.
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Pais queridos, muitos obrigado pelo amor com que me cultivam a memória e muito obrigado por serem gente de Deus, de coração aberto à beneficência.
Aos estimados vizinhos e amigos as minhas saudades afetuosas, e reunindo os dois em meu imenso carinho e em minhas grandes saudades, beija-lhes as mãos generosas da filha reconhecida.
Denize Freire Valença.
(Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da
noite de 12.07.86, em Uberaba, Minas).
ESCLARECIMENTOS
Denize Freire Valença
Nascimento: 19 de janeiro de 1962.
Desencarnação: 24 de maio de 1985.
Idade: 23 anos.
Pais.
Djayr Gonçalves Valença e Doralice Freire Valença.
Residentes no Bairro de Ipanema – Rio de Janeiro-RJ.
Da Obra “A VOLTA” – ESPÍRITOS DIVERSOS –Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Digitado por: Lúcia Aydir.
DENIZE FREIRE VALENÇA (II)
Querido papai Djayr e querida Mãezinha Doralice; em preces a Jesus por nossa paz e felicidade, venho trazer-lhes o meu coração agradecido, notadamente ao Papai Djayr, a quem desejo um Dia dos Pais dos mais felizes.
A madrinha Purificação e a vovó Laura estão comigo e enviam ao Papai idênticos votos.
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Passamos este sábado em várias instituições em que se refugiam os idosos sem esperança, tentando infundir-lhes a fé no futuro que para eles está surgindo tão perto.
A enfermagem me propicia oportunidades de aproximação com vários núcleos assistenciais, hoje principalmente, encontrei muitos pais esquecidos e enfermos, de cuja existência a sociedade em comum não conseguirá lembrar-se.
Digo isso, sem a mínima inclinação para a crítica ou para a reprovação. Mas a verdade é que surpreendi muitos irmãos desolados pela saudade com que se recordam dos parentes queridos, que os deixaram nessa antecâmara da libertação espiritual, a mentalizarem filhos e netos que aspirariam reencontrar ainda que fosse por alguns simples minutos.
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Pais esquecidos!... São avôs ou bisavôs que a doença inclina para a terra generosa, portadores de moléstias inarredáveis que neles mesmos entretecem os fios da desencarnação próxima. E oramos junto deles, cujos cérebros, à falta de medicação adequada, se mostram esclerosados, misturando lembranças e alucinações nas lágrimas que lhes levam as faces.
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Idosos!... Quando será que os nossos irmãos da Terra, se conscientizarão de que o tempo lhes amolecerá o corpo e lhes encarcerarão os pensamentos nas saudades do que são hoje, em marcha para as transformações de amanhã?
Refletimos sobre isso e continuemos trabalhando e servindo.
Que o Sol de Deus prossiga brilhando acima da Terra, aquecendo a todos os filhos e filhas do Misericordioso Pai, multiplicando experiências que nos sirvam a todos, são os meus votos.
Querido Papai Djayr e querida Mãezinha Doralice, aqui deponho os beijos que lhes devo significando o meu respeitoso amor e a minha gratidão de sempre.
Muito carinho e reconhecimento da filha que lhes pertence pelo coração.
Denize.
Denize Freire Valença.
(Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião Pública
do Grupo Espírita da Prece; na noite de 09 de agosto de 1986, em Uberaba,
Minas).
Da Obra “A VOLTA” – ESPÍRITOS DIVERSOS –Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Digitado por: Lúcia Aydir.
IGOR THIAGO ALVES NAKAMURA
Alô papai Arnaldo e mamãe Elcy; peço a bênção.
Estou aqui com o vovô Tomáz que me trouxe, para notícias. Estou bem, mas ainda fraco para fazer uma prova assim, diante de tanta gente. Mas o vovô Tomáz me diz: “Escreva, meu filho. Seus pais e seus irmãos precisam saber que você está vivo e mais forte”.
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Eu estou apurado, mas é preciso falar-lhe aos corações.
Mamãe Elcy, não chore tanto por seu filho.
No desequilíbrio da motocicleta fui muito amparado. Minha preocupação era com a Gyovana.
Estava na frente, com o nosso companheiro. Ele quis me ajudar, mas a queda tinha me atirado fora com violência e qualquer cousa, que eu não sabia explicar, me rebentara no peito e não consegui falar.
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Fiz as orações que mamãe e a vovó Thereza me ensinavam, mas depois de sentir uma sombra nos olhos, vi meu avô a me abraçar.
Eu ouvi claramente a voz dele dizendo:
“Vamos Igor, isto não é cousa que possa vencer um homem valente!...”.
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Para mim tudo escurecera, menos para enxergar o meu avô.
Quis levantar-me e como não podia, ele falou com segurança:
“Logo o meu Alemãozinho é que vai enfraquecer?”.
Aí, ele mesmo ajudou as pessoas que me auxiliavam a chegarmos em casa.
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Eu queria falar com o Marco e com o Arnaldinho que eu ganhara o jogo. Ms não foi assim. Vi meus pais consternados e verifiquei que a Gyovana estava sorrindo e por isso estava salva... Fiz força para caminhar ao encontro de todos, mas nada consegui e comecei a chorar.
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Estava nervoso e queria reagir contra o que estava acontecendo, mas minha cabeça parecia de pedra e não pude levantar.
Meu avô trouxe um médico amigo dele e com muito cuidado o médico me fez dormir. Ai não vi mais nada e nada conseguia fazer para vencer o torpor que me parecia um processo de colocar-me numa câmara fria.
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A falta dos meus me doía tanto!
Mas o meu avô trouxe outras pessoas que são nossos parentes, mas eu estava enfraquecido e não podia conversar.
Agora, eu penso que meus pais sabem tudo muito mais do que mesmo.
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Começou para mim uma vida nova e eu me espantava do Sol ser o mesmo Sol, da erva verde que era um retrato dos nossos lugares de passeio.
Agora, meu avô me diz para não ficar parado nos assuntos e me aconselha a falar a meus pais de meu carinho e de minha saudade.
Mamãe Elcy; peço-lhe com muito respeito e muito amor para não ter ciúmes de meu pai Arnaldo. Acertei? Acho que estou falando como devo falar. Mãezinha; fique calma e pensando no bem, como sempre.
Ao Papai Arnaldo; peço também paciência e serenidade. Papai, o meu avô me ensina que tudo passa muito depressa e que o senhor é um homem sincero e caritativo. Não fique triste quando tiver de falar com mãezinha Elcy sobre os assuntos. Mamãe vive principalmente para o senhor e para nós, os seus filhos.
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Estou aprendendo a parar uns minutos por dia para pensar. Eu juro que se eu pudesse voltar agora, não brigaria com o Marco e com o Arnaldinho e aprenderia a conduzir a nossa Gyovana com muita compreensão e amor.
Isso agora não é possível como eu queria, mas Deus nos protegerá a todos. Para mim, penso que está nascendo um novo dia. Obedecer ao senhor e à minha mãe e ser amável com os mais idosos.
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Tratar as visitas com bons modos e não falar nomes com irritação.
Trabalhará em nossa casa atendendo com paciência as crianças infelizes. E muito mais. O vovô Tomáz me diz que estou estendendo muito nesta carta, que já falei o suficiente para ser compreendido.
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Perdoe-me; os queridos pais, se não soube escrever ou expressar como devia. Mas vou terminar dizendo que amo com todo o meu carinho aos pais e aos queridos irmãos.
Creiam que vou terminar o que estou escrevendo, com muitas lágrimas de lembranças. Se eu não estivesse com o vovô Tomáz iria gritar para me levarem para casa, mas devo ter calma e pensar que a bondade de Deus nos guardará a todos.
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Papai Arnaldo e mãezinha Elcy; abracem por mim aos queridos irmãos e recebam no coração e na face, muitos beijos com os meus votos ao Senhor de todas as cousas para continuarem cada vez mais felizes.
Aceitem lembranças do filho que os ama com todo o coração.
Igor.
(Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece; na noite de 04/04/92, em Uberaba, Minas).
ESCLARECIMENTOS
Igor Thiago Alves Nakamura
Nascimento: 24.02.1984
Desencarnação: 09.10.1990
Pais
Arnaldo Nakamura e Elcy Alves Vieira
Residentes em Uberaba-MG.
Avô paterno: Tomáz Alberto Nakamura – falecido em 21.09.1986. Vovó Thereza: paterna: Thereza Fumiko Nakamura.
Alemãozinho: Apelido carinhoso de seu avô.
Irmãos: Marco Henrique Alves Nakamura e Arnaldo Nakamura Filho. Irmã: Gyovana Alves Nakamura (estava com Igor no acidente). Vovó Eni: Eni Alves Vieira
Vovô Adalardo: materno: Adalardo Vieira Gomes
A desencarnação de Igor deu-se por acidente de moto.
Da Obra “A VOLTA” – ESPÍRITOS DIVERSOS –Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Digitado por: Lúcia Aydir.