Alexandre Herculano

Manoel Caldas Cordeiro · Capítulo 5 de 6

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Alexandre Herculano

IV o Historiador

IV

O HISTORIADOR

Vimos como as principaes figuras intellectuaes do começo do seculo penderam para as reconstituições do passado. Em Inglaterra Hume abrira no seculo anterior a corrente que depois Lingard e Macaulay proseguiram; em França Augustin Thierry, Quinet, Guizot dão aos estudos historicos uma nova phase. Herculano seguiu esta corrente, que dominou toda a obra. O investigador surgiu primeiro do que o poeta ou poeta fez surgir o investigador? Um e outro apparecem tão confundidos em todos os seus livros que é impossivel responder á interrogação. Que o historiador não destruiu a alma poetisadora, vê-se logo no 1.º volume da Historia de Portugal, que fecha com estas saudosas palavras sobre o nosso primeiro rei:

«Se uma crença de paz e de humildade não consente que Roma lhe conceda essa corôa, outra religião tambem veneranda, a da patria, nos ensina que, ao passarmos pelo pallido e carcomido portal da igreja de Santa Cruz, vamos saudar as cinzas d'aquelle homem, sem o qual não existiria hoje a nação portugueza, e, porventura, nem sequer o nome de Portugal.»

 

O trabalho sobre a descentralisação municipal da idade-media, inserto no 4.º volume da Historia tem sido, até hoje, considerado como obra definitiva.

O peso da investigação carregara a indole d'este homem d'estudo; o seu cerebro transbordou. Planeando apenas escrever sobre Portugal na idade-media, viu que podia alargar os seus trabalhos; mas a polemica provocada pela publicação do 1.º tomo da sua Historia, serviu-lhe de pretexto para fingir que truncava um trabalho, que elle mesmo talvez--apenas um momento--pensasse em proseguir.