Anamorfoses na música eletroacústica mista
4 - Abertura
Segundo aspecto das anamorfoses na música
eletroacústica mista: a cena da performance
O gesto do alto-falante associa-se a uma virtualização da
informação sonora, a uma distância de seu referencial visual. Esta
distância não se limita, por certo, a uma recontextualização desta
informação, seja no deslocamento do espaço físico (dinamização de
trajetórias), seja no tempo (reinserção de um evento sonoro em
momentos posteriores). A distância habita o próprio material sonoro,
esfacela a noção de um corpo associado a ele, torna-o autônomo,
torna-o imagem. Neste âmbito dos materiais, as anamorfoses
surgem das ambiguidades, das contradições, dos momentos em
que somos surpreendidos com uma mudança de rumo diante do
que acreditávamos ouvir, não só pela origem da fonte emissora,
mas por possíveis desvios aplicados a objetos sonoros cujas
trajetórias energéticas nos pareciam familiares.
Na passagem da música acusmática para a música mista, a
presença humana é posta em evidência: estas distorções adquirem
força em virtude do gesto instrumental – as ações vinculadas ao
som produzido pelo corpo frente ao qual estamos e as ações
vinculadas ao movimento que vemos produzir o som que ouvimos.
O gesto instrumental é contraposto, portanto, a um universo
eletroacústico que tem a potencialidade de transfigurá-lo. Eis então
a abertura a que se propõe este capítulo: identificar um campo de
anamorfoses que extrapola o nível do material, apontando para um
encaminhamento e aprofundamento de pesquisas futuras
envolvendo a performance da música mista.
A problemática descrita dá margem a poéticas composicionais que
podem, desta forma, valorizar estas ambiguidades não só por meio
do material musical em si, ou seja, pelos conflitos gerados na interação entre o corpo instrumental presente e a esfera
eletroacústica, pela fusão e pelo contraste, mas também por meio
de signos e funções não estritamente musicais atribuídos pelo
compositor aos intérpretes para a performance, intensificando as
distorções por elementos visuais. A partir daí, seria possível
expandir a noção de anamorfose, que passaria a compreender,
genericamente, as ambiguidades audiovisuais típicas da
performance da música mista.
Em Parcours de l’Entité (Menezes), o aspecto cênico assume não
somente uma grande importância nos momentos de articulação
formal,1 mas também surge como ênfase a distorções no gesto
instrumental: há um “jogo ilusório” na performance entre a ação dos
intérpretes e o que é projetado pelos alto-falantes, que por vezes
reflete sons pré-gravados provenientes dos próprios instrumentos,
por outras apenas situações de similaridades (transferências)
espectrais entre as duas esferas do material. Em suma, além das
sete posições referentes ao percurso do flautista pelo palco, há três
indicações cênicas na partitura que realçam a interação do
intérprete com a eletrônica:
1) Já na página 2 da partitura, o flautista não só “realiza o
mesmo som” do estrato eletroacústico – um “sopro grave” na
flauta-baixo –, ligeiramente deslocado temporalmente, como
também é solicitado a olhar para o instrumento como se o
“estivesse limpando através do sopro”.
2) No início da terceira seção, o percussionista realiza um
“gesto exagerado, como se fosse tocar o gongo grave e cloche-
plaque fff, mas na realidade toca ppp” (página 6 da partitura),
permanecendo imóvel até o fim da obra, buscando evidenciar o
novo universo sonoro proposto pelo compositor (sons de
síntese projetados pelos alto-falantes).
3) O gesto final da obra é muito representativo: o flautista deve
simular produzir um longo e intenso sopro através do tubo da
flauta, quando na realidade são os alto-falantes que
concretizam o som referente a este gesto (o flautista mantém-
se em silêncio). Aí há uma convergência entre o movimento do
intérprete e a trajetória energética do som de sopro projetado
pelos alto-falantes, desnuda-se visualmente a ação provocativa
em direção ao público que ocorre durante toda a peça: o
compositor optou pelo uso da flauta em dó, quando os alto-
falantes difundem um som a partir da flauta-baixo em dó: Figura
39 – Gesto final de Parcours de l’Entité
Figura 39 – Gesto final de Parcours de l’Entité
O compositor indica na partitura a atuação cênica do intérprete, que
deve realizar “um gesto de sopro exagerado, em silêncio,
acompanhando o som projetado no espaço, da esquerda para a
direita”.
Fonte: Menezes (1998).
O aspecto audiovisual mostra-se, assim, um campo fértil de am-
biguidades na música mista, podendo contribuir para construções
formais diferenciadas, que trabalhem com elementos extramusi-cais, tendo nos meios eletrônicos um catalisador para estas veredas
possíveis. A última ação de Parcours... revela-se extremamente
sitomática, já que da simulação do intérprete “resulta”, aos olhos e
ouvidos do público, um som mais grave que a extensão própria do
instrumento. Aí, um único gesto, que apesar de “conclusivo” em
termos figurais, relacionais – o “sopro grave” é um forte elemento
estrutural da peça –, deixa na ilusão da cena um questionamento
crucial na obra eletroacústica que é potencializada na música mista:
a anamorfose no gesto instrumental, mas uma anamorfose que
resulta não somente de um processo de distorção aplicado ao som
da flauta em dó; ela surge com todo vigor, isto sim, com a própria
cena. Pode-se auscultar se o som da flauta foi processado ou se foi
combinado ao estrato eletroacústico para resultar no que é ouvido.
Enfim, não se tem ao certo o que causou ou qual processo de
transformação sofreu aquele som a não ser que se acompanhe a
partitura ou saiba de antemão o que ocorrerá.
O gesto cênico compõe mais um “percurso” por meio da mobilidade
do flautista pelo palco, formando assim outro pilar da poética da
obra. Há sete posições distintas determinadas pelo compositor, com
três trocas de flautas: flauta em dó na posição 1; troca para a flauta-
baixo em dó na posição 2; flauta-contralto em sol na posição 5;
flauta em dó na posição 6. A amplificação das flautas nas posições
3, 4/7 e 5 é intensificada, de modo que o nível sonoro deve ser
comparado ao dos sons eletroacústicos nestas posições, além do
fato de que a amplificação da flauta obedecerá, no desenho do
panorama espacial, à trajetória do flautista sobre o palco.
Observemos na figura seguinte, extraída da partitura, como a
amplificação contribui para a fusão e o contraste entre os sons da
flauta e sua contraparte eletroacústica: a entrada sutil do
instrumento no início da obra – ainda distante do microfone –
valoriza a anamorfose presente no estado de fusão que ocorre
neste momento (a flauta se “cola” furtivamente ao pedal
eletroacústico em si bemol). Já na posição 7, que marca o início da
terceira seção formal, o contraste entre as dimensões instrumental e
eletroacústica é pronunciado; o nível da amplificação e a posição
centralizada no palco polarizam o intérprete, equiparando o som ao vivo com os sons de síntese projetados pelos alto-falantes. Todas as
mudanças de localização do flautista ocorrem na primeira seção
(posições 1 a 5) e na transição (posições 5 a 7).
Figura 40 – As disposições espaciais do flautista conforme indicadas
na partitura
Fonte: Menezes (1998), partitura de Parcours de l’Entité
Parcours de l’Entité representa um caso típico da composição de
“cenas” que podem enfatizar as anamorfoses na interação com
meios eletroacústicos. Assim também identificamos a questão na
ocultação visual de grupos de alto-falantes para a estreia de Outis,
de Berio, e é possível observá-la ainda em outras obras mistas que
fazem uso de elementos fortemente simbólicos na cena. O véu,
representado metaforicamente em Outis pelo mascaramento dos
alto-falantes, é o elemento que teria dado origem ao termo
acusmática ao fazer referência à escuta sem a visão da fonte
emissora. Este elemento pode ser observado em muitas obras como
símbolo dos diferentes níveis de “translucidez” que a integração entre instrumentos e sons eletroacústicos pode instaurar, suas
ambiguidades, que vão de uma maior permeabilidade e
transparência até a opacidade, o contraste mais evidente.
Tal fenômeno ocorre em diversas obras mistas, cada qual com um
viés distinto: em Trans, para orquestra (Stockhausen, 1971), em que
um “véu” semitransparente deve cobrir completamente a frente do
palco, havendo uma correspondência no material musical (uma
“cortina” sonora por meio de um cluster variável nas cordas que
atravessa toda a obra e encobre os sons dos demais grupos
instrumentais);2 em ...of Silence (Marco Stroppa, 2007, para
saxofone e eletrônica), em que o véu é opaco (uma espécie de
totem de alto-falantes esconde o intérprete, e o que se vê na
performance é apenas este elemento no palco, única fonte emissora
visível de sons – a projeção é unicamente frontal);3 em Cronaca del
Luogo (Berio, 1999), em que a muralha do Felsenreitschule revela
uma correspondência com o “muro harmônico” referido por Berio,
refletindo o relevo sonoro a partir da disposição verticalizada do coro
e orquestra, controlado por sistemas informáticos; e, como uma
última referência dentre muitas outras possíveis, em Colores (Phila:
In Praesentia) (Menezes, 2000, para um clarinetista, um
percussionista, som eletroacústicos em tempo diferido e em tempo
real), em que, para a performance de 2011, circunstancialmente
devido à apresentação de um vídeo experimental realizado por
Branca de Oliveira e Fernando Saiki sobre a obra, uma tela
semitransparente entre o público e o palco foi usada para projetar
imagens que “confundiam” a atuação dos músicos.
No artigo “Formas do espaço na música eletroacústica mista”,
mapeei alguns casos em que elementos de cena – iluminação,
cenário, gestos cênicos do intérprete, entre outros – realçam o
aspecto das anamorfoses nos materiais da música mista:
Buscam-se nas obras mistas a serem estudadas elementos
visuais que estejam longe de conter signos fortuitos, de uma
pretensa dramaticidade desinteressada; a dinâmica da
apresentação promoveria verdadeiras situações formais,
inserindo mais um campo de significação na complexidade da
obra, realçando a dualidade entre o visível e o invisível como
uma problemática essencial da composição mista, convertendo-
se em metáfora do confronto entre corpos presentes e imagens
sonoras. A partir do momento em que o compositor prevê a
inserção de situações e elementos visuais, o espaço da
performance adquire, como potência,4 uma função proeminente
na concepção formal: além do aspecto morfológico dos sons,
sua dinâmica espectral, e das questões derivadas da
estruturação do material em si, as disposições cênicas e a
própria corporalidade do intérprete agregariam novos elementos
de significação. (Gati, 2012, p.254-5)
A abertura no que se refere às formas musicais, especialmente a
partir dos anos 1950 em diante, assim como a proliferação de
caracteres cênicos requisitados para as performances – afastando-
se, no entanto, da linearidade narrativa da ópera –, encontra
paralelos interessantes e termos comuns tanto na música quanto no
teatro. Menezes adota um termo para abarcar o aspecto cênico da
performance ao qual estamos nos referindo: a 5 situação. Em
entrevista realizada com o compositor em novembro de 2011,
discutiu-se a questão das articulações formais em sua obra e
constatou-se que esta noção já estava presente em Parcours..., mas
viria a ser propriamente elaborada em um momento posterior,
especialmente com labORAtorio (1991; 1995; 2003, para soprano,
coro a cinco vozes, grande orquestra e eletrônica). A situação,
verdadeira circunstância de ação musical, incorpora na performance
em si elementos que aderem ao plano formal. Para a composição
de Traces (2007, para quarteto de cordas e live-electronics), por
exemplo, Menezes (2011b) afirma:
Minha intenção foi a de “explodir” o quarteto no espaço e no
tempo, explorando os traços que se perfazem entre notas e
suas ressonâncias, entre uma mesma entidade harmônica e
suas metamorfoses, entre os sons e suas projeções no espaço,
entre a inovação e inevitáveis referências clássicas do gênero
[o quarteto]. A forma da obra estrutura-se em Situações, em
que os músicos do quarteto se deslocam pelo espaço total do
teatro.
Há um paralelo inevitável nesta circunstância situacional com a
poética beriana referente à azione musicale, termo utilizado pelo
compositor italiano Luciano Berio para obras em que a dimensão
cênica integra o gesto musical, como em La vera storia (1977-81),
Outis (1995-96) ou em sua última azione musicale, Cronaca del
Luogo. Berio foi muito além do uso da dimensão cênica enquanto
teatro “narrativo” propriamente dito, como caracterizado na ópera
tradicional, e distanciou-se mesmo das poéticas que elegeram o
teatro como elemento preponderante diante das estruturas musicais
(tal como ocorre tipicamente na obra de Mauricio Kagel),
investigando sua aplicação no seio das estruturas musicais.
Consideremos uma citação do próprio compositor sobre a obra
Circles (1960), que busca inserir e ampliar a dimensão cênica no
gesto instrumental, contaminando-o com elementos extramusicais
provenientes de ações cênicas atribuídas (no sentido da teoria da
ação, movimento do performer repleto de significações mais ou
menos sedimentadas):
Existem experiências de teatro instrumental e de teatro vocal
que podem encontrar seu centro e sua coerência expressiva
alternativamente em operações que gostaria de definir mais
uma vez como “aditivas” ou “subtrativas”. No primeiro caso,
cada participante é envolvido por uma quantidade exorbitante
de funções e de relações musicais que, somadas umas às
outras, encontram expressão e refúgio na gestualidade, em
uma espécie de “palavra cênica” da escuta. No segundo caso, o
trabalho musical é violado, é reduzido a alguns detalhes de
execução que, uma vez isolados, tendem a adquirir sua
autonomia (respirar de distintas maneiras sem que, entretanto,
se produza qualquer som, por exemplo), com o risco do
anedótico, da paródia elementar e do kitsch.
Interessei-me pelo primeiro caso, o de executantes
sobrecarregados por um excesso de trabalho, ou seja, por uma
quantidade excessiva de funções musicais. Interessava-me
também explorar as possibilidades de uma escuta privada de
uma dramaturgia predisposta e radicada a priori na estrutura
musical, e, ao invés disso, explorar uma dramaturgia deduzida
e gerada pelos próprios processos musicais. É o caso dos
meus primeiros passos, em 1961 e 1962, no território do teatro
musical que eu não havia ainda explorado nem aprofundado,
mas através do qual havia afinado meus instrumentos – de
novo, como um recordar (a)o futuro – sobretudo através de
minhas leituras de Monteverdi (Orfeo, Il Combattimento di
Tancredi e Clorinda, o Oitavo Livro de Madrigais) e das
implicações – mais que das realizações – dos madrigali
rappresentativi, ou ainda do “teatro para os ouvidos” da última
Renascença. Penso em meus já mencionados Circles sobre
três poemas de e. e. cummings, para voz feminina, harpa e dois
percussionistas; e em Visage para a mesma voz feminina (a de
Cathy Berberian) e elaborações eletroacústicas; penso ainda
em Passaggio para soprano, orquestra e dois coros: um na
orquestra e outro espalhado pelo público.
A quantidade exorbitante de funções e de relações musicais em
Circles (estreada em Tanglewood em 1960 com Cathy
Berberian e solistas da Orquestra Sinfônica de Boston) pode
ser descrita, em resumo, como se segue. As três poesias de e.
e. cummings, de crescente complexidade, são repetidas duas
vezes: I, II, III e III, II, I, em um total de cinco episódios
musicais. O poema I é repetido, ao final de Circles, com
elementos musicais do segundo episódio. O poema II é repetido
com elementos do primeiro episódio, enquanto que o poema III,
no terceiro episódio, repete a si mesmo em direção contrária. A
harpa e as percussões expandem, pois, musical e
acusticamente os três poemas de e. e. cummings pela maneira
como estes são propostos pela voz: os poemas assumem o
papel de geradores de funções musicais e/ou acústicas. É
desenvolvida antes de mais nada uma contínua oscilação entre
elementos periódicos, ligados a específicas famílias de
intervalos facilmente perceptíveis, e eventos complexos
caracterizados por um grau relevante de indeterminação. Os
critérios de escolha e de uso da percussão e da harpa são
determinados por modelos fonéticos específicos: os
instrumentos ressoam, por assim dizer, a voz e as palavras.
Ressoam diversos modos de ataque, vogais e consoantes
(fricativas, sibilantes, explosivas etc.). Os instrumentos
traduzem e expandem os comportamentos vocais como uma
espécie de onomatopeia ou, melhor ainda, de bilinguismo vocal-
instrumental. A relação entre uma voz feminina e dois
percussionistas frequentemente encadeados um com o outro
pode apresentar problemas de equilíbrio acústico. A cantora
deve, pois, se deslocar, perfazendo sobre o palco um itinerário
que lhe permita de vez em quando ser acompanhada pelos
instrumentos, comportar-se como eles e, ainda, ser
completamente assimilada por eles, tornando-se ela mesma um
instrumento. Esta mobilidade de relação implica distintos modos
e graus de perceptibilidade do texto. A fim de preservar e
desenvolver um diálogo muito intenso entre as dimensões
musical, fonético-acústica e espacial, faz-se necessária uma
coordenação particular que é confiada a verdadeiras
sinalizações musicais da parte de todos os executantes, além
de gestos e sinais bem visíveis da cantora. E mesmo as
sinalizações musicais e os gestos da cantora (a qual parece
celebrar um rito de total identificação com os demais
executantes) são assimilados pelo processo musical, de modo
que Circles torna-se uma representação de uma
superabundância de relações musicais e acústicas. A própria
partitura torna-se uma entidade polivalente evocada, realizada e
traduzida em comportamentos visual e musicalmente
diversificados. (Berio, 2006, p.116-8. Tradução crítica de Flo
Menezes do livro Remembering the Future, no prelo)
As situações incorporam esses fatores mencionados por Berio na
medida em que múltiplos níveis de significado são latentes na
performance que incorpora elementos cênicos. E sendo a questão
das anamorfoses uma problemática fundamental da música mista,
estes elementos agregam outros campos de ambiguidades – seja realçando a fusão dos estratos instrumentais com os
eletroacústicos, seja pelas desconexões furtivas presentes nos
limites do seu contraste. Abre-se, desta maneira, um campo
possível de investigações em casos representativos da problemática
das anamorfoses na música mista aplicados ao campo da
performance. Mais que isto, podem-se vislumbrar meios pelos quais
os recursos eletroacústicos transfiguram o espaço na composição
mista instaurando anamorfoses, em um confronto entre a presença
e a não presença, em uma virtualização do gesto instrumental,
radicalizada na cena da performance. Tal aprofundamento instiga,
sobretudo, que esta investigação enverede para situações e
contextos distintos, especialmente se acompanhados da realização
composicional.
1 Sempre que ocorrem, esses gestos fazem referências a pontos
estruturais importantes da obra.
2 Esta questão é explorada por Wishart (1996).
3 Lembra-se aqui do comentário de Bruno Ruviaro acerca de sua
obra Instantânea, sobre como o procedimento de concentrar os alto-
falantes em uma espécie de “núcleo” próximo ao instrumento é
também utilizado por Stroppa.
4 Vale a menção de que esta hipótese não invalida a escuta de uma
obra assim concebida sem que os elementos visuais estejam
presentes. Ou seja, estamos falando de casos em que uma
reprodução puramente sonora manteria a autonomia da obra pela
estruturação do material musical em si. A performance, nesses
casos, além de atualizar a obra, agregaria novos elementos visuais
importantes para enfatizar anamorfoses particulares da música
mista.
5 A situação é discutida, por exemplo, em Hegel (2001 [1835]) e
Sartre (1992 [1973]), assim como, em música, em Tarasti (1998) e
Menezes (2011). Mas é sobretudo em Menezes que o termo adquire
um sentido mais apropriado para o nosso contexto.