
As grandes estratégias
Em 480 a.C., em Abidos, Xerxes sobe ao trono num promontório sobre o Helesponto, vê o exército que Heródoto calcula em mais de 1,5 milhão de homens e chora: nenhum deles estará vivo em cem anos. Artabano, tio e conselheiro, lista o que pode dar errado, os rios secos, os leões famintos, a exaustão e a fome antes da primeira batalha; o rei responde que só se conquistam grandes triunfos ao se enfrentarem grandes perigos. Gaddis vê no conselheiro a raposa e no rei o porco-espinho do verso de Arquíloco que Isaiah Berlin retomou em 1951 num ensaio sobre Tolstói e que Philip Tetlock testou entre 1988 e 2003 com 27.451 previsões de 284 especialistas. Depois vêm Termópilas, as muralhas entre Atenas e o Pireu e o Lincoln de Spielberg, que consulta a bússola sem esquecer o pântano. Grande estratégia é alinhar aspirações potencialmente ilimitadas a capacidades necessariamente limitadas.
