As obras dos Jeronymos

Luciano Cordeiro · Capítulo 4 de 6

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As obras dos Jeronymos

Capítulo II

Quem de boa fé e de regular senso deixará de ver que a simples e consideravel verba despendida para obter a derrocada providencial de 1878, nos podera ter dado o Monumento restaurado, e a Casa Pia installada nas condições fundamentaes e praticas de um internado asylar moderno, muito fóra ou muito longe d'ahi, é claro?

Quanto se gasta annualmente; quanto se tem gasto até hoje, sómente em apropriar e conservar a essa mesma Casa Pia aquelle alojamento improprio?

A 295:118$834 réis se elevava já essa despeza em 1892. [7]

 

II

 

Pondo em evidencia as obras e a descoberto as ideias que a ellas presidiam, a incompetencia que as dirigia e os processos adoptados na concepção e execução d'ellas, parecera que veriamos abrir logar e tempo á reflexão, ao estudo, á critica conscienciosa e idonea.

Pagaramos um ensaio mal pensado, precipitadamente preparado, executado desalmada e aventurosamente. Ha males que veem por bem.

O desastre era uma licção cruel, mas era uma licção.

Parecia isto natural, rasoavel, pratico.

Não foi, porém, o que succedeu.

Passadas as primeiras sugestões, a bem dizer instinctivas dos erros ou das illusões incorridas; retrahidos e vexados, por algum tempo, os primeiros impetos irreflectidos e mallogrados, reabriu-se a mesma situação e reincidiram as mesmas ideas e processos, aproximadamente, de maneira que passados 32 annos depois do começo das obras, e 17, depois da derrocada, continuamos a ter obras e a não ter o Monumento reconstituido, ou a fazel-as e desfazel-as, apenas mais recatadamente, um pouco, sem plano,

sem pensamento, sem destino definitivo e sério. [8]

Posto de parte o primeiro ou o unico plano geral,—o de Colson,— todos os projectos parcelares mais ou menos desenvolvidos teem um caracter de fantasista apparato, obdecendo evidentemente á idea de uma construcção nova que possa hombrear com a grandesa e o aspecto da parte primitiva do Templo, que exceda até essa grandesa ou dispute a acção esthetica e impressionista d'esse aspecto.

Uma vez adoptada ou imposta tal idea, nada mais natural do que perder-se de vista e da vontade a simples reconstituição ou reparação harmonica do velho Monumento, para, em vez d'isto, pôr a aspiração e o esforço na fabrica de um monumento novo ou de uma remodelação imaginaria.

Ha uma circumstancia que por si basta para comprovar de maneira irrecusavel e decisiva a obsessão que só o desejo leal de a ninguem offender nos obriga a não chamar estupida, d'este proposito monotonamente repetido.

É a reincidencia no chamado «corpo central».

Central, como?

Central, de que?

Central, porque?

Porque se projecta e separa petulantemente em monumento novo, em edificio authonomo, a nova construcção.

Mas, então, não é o verdadeiro, o genuino Monumento que se quer honradamente, sensatamente, restituir, reparar, conservar! Quebra-se, mutila-se a sua estructura e o seu caracter. Interrompe-se com a sua integridade material, a sua rasão, a sua intenção historica, até a sua unidade esthetica.

Se ao menos, se contentassem, modestamente, com exhibir e

ensaiar a luxuosa fantasia dos porticos de apparato ou dos torreões de convenção, na fachada occidental, apenas, onde devera ser e era a entrada da galilea, longe, por conseguinte, do grande portal manuelino e sem contraste immediato com a fachada longitudinal da edificação, uma certa attenuante podera encontrar-se á desastrada idéa. Seria a de querer dotar com uma entrada de ostentação e de luxo, sem prejuizo ou sem quebra do aspecto geral do edificio, a parte d'elle que não podendo já destinar-se a Convento, teria de alojar privativamente uma instituição differente.

Mas não. A fachada meridional é que seduz e prende a pretenção vaidosa.

Logo no começo das obras, dizem os documentos officiaes que se demoliram—«janellas magnificas»,—e demoliu-se a «sala dos Reis,»—e o primeiro lanço da galilea, já deturpado, é certo, mas, em todo o caso, ligação historica, necessaria do Templo com o Mosteiro.

Cortou-se, depois, este ultimo, a meio da fachada, para dar logar a um forte—«corpo central»,—uma entrada e escadaria privativa, apparatosa; um torreão altaneiro, inexplicavel, que dominasse toda a vasta traça do Monumento.

Setenta e dois metros de altura attingira o que desabou como um castello de cartonagem, em 1878.

E poucos annos decorridos depois da catastrophe, quando ao abrigo do mais extraordinario abandono official, se ensaiava novamente o proseguimento das obras, a obsessão do «corpo central» retoma a dianteira d'ellas, o principal logar.

Em 13 de outubro de 1882, o director da Casa Pia de Lisboa, apresenta e propõe o projecto de uma nova torre e portico central, de 60 metros d'altura, e prevenindo divergencias de gosto ou procurando satisfazer todos os paladares bureaucraticos que tivessem de sentenciar no assumpto, dá-se ao curioso incommodo de esboçar onze torres ou porticos «centraes» diversos. Onze!

Que não se averbe a conta de censura individual, o reparo, que o não é, e tanto que tomo o projecto Valladas, por exemplo, como podera tomar qualquer outro.

Com o mais authorisado me poupo á referencia e á critica dos outros.

Esta facilidade, esta prodigalidade de concepção artistica do membro principal, da edificação imaginada, para conclusão condigna e harmoniosa do grande monumento, corresponde perfeitamente á geral ausencia de um estudo sério e de uma segura e nitida percepção do caracter, do estylo, da significação d'elle, da sua integridade historica.

E que admira isto?

Não vemos e ouvimos todos os dias confundir o gothico portuguez, o Manuelino, com o gothico florido; até com o gothico simples; quando muito imaginal-o mal definida ou barbara variante decorativa, esquecidas ou desdenhadas as mais evidentes differenciações e feições architectonicas?

Parecendo ter o instincto d'essa desorientada situação, a Junta Consultiva de Obras Publicas, objecta, em 22 de maio de 1883, o que chama o—«gosto pyramidal»—da nova torre proposta, gosto ou forma similar á dos scenographicos miranetes dos angulos da reconstrucção ensaiada;—reconhece que simplesmente se procura

n'uma engenhosa combinação de arcos botantes e botareus,— como se elles fossem meros elementos decorativos,—«mascarar o esguio e nú que se notava na construcção anterior»,—mas condescende infelizmente com a ideia d'esse «corpo central», aconselhando que elle adopte, de preferencia, a forma de uma —«torre quadrangular».

Até então podera orgulhar-se aquella illustre corporação, de achar-se isempta de responsabilidades n'esta longa e picaresca historia das obras de Belem, tendo-se recusado a authorisar ou approvar quaesquer projectos anteriores.

E se a substituição que aconselha no projecto Valladas parece á primeira vista comprometter um pouco esta feliz isempção, tem pelo menos o valor de ser o primeiro rebate, a primeira nota suggestiva de um facto capital que mal se comprehende que tenha sido teimosamente inobservado e desattendido por quantos teem projectado e engenhado—«concluir»—ou—«restaurar»—o longo e formoso Monumento, alteando-lhe o aspecto e a estructura n'uma florescencia aeria de botareus brincados e de arrojadas agulhas.

Consiste esse facto em que a linha ascencional, as curvas apertadas, as formas esguias, hieraticas, pyramidaes do velho gothico, não são já as feições, as tendencias predominantes do Manuelino que se objectiva e desenvolve em fortes massas longitudinaes, como arcabouços de galeões, sob o simultaneo influxo da Descoberta oriental que impulsa os espiritos para as grandesas terrenas e da Renascença greco-romana que incendeia a Arte no idealismo pagão.

É certamente o instincto, e nem admira que não seja a doutrina segura e nitida, d'este facto, o que move aquelle tribunal de consulta technica a contrapôr o—«typo rectangular e pouco elevado»,—como diz, ao que qualifica de—«typo pyramidal»,—das obras, por mais conforme e harmonioso com o typo primitivo, manuelino, do Monumento.

De resto, encontrando, a bem dizer, separada e authonoma a construcção nova que devera ser simples continuação da antiga, comprehende se que uma junta official de engenheiros,—e não de artistas ou de criticos d'arte,—transigisse com a idea de dotar essa construcção com um portico, com uma entrada apparatosa, com um «corpo central», privativo e imponente.

Mas que esse «corpo central», recommenda—não siga o typo pyramidal dos miranetes já infelizmente construidos.

E tanto, realmente, a questão insensivelmente se deslocara da idea inicial e geral das obras para a d'aquelle monumento novo, que sobre os projectos de conclusão d'elle não tardou em incidir a sentença official, technica, por aquelle mesmo tribunal formulada de que o «corpo central» haveria de elevar-se alguns metros acima dos miranetes angulares, especie de balisas e enfeites terminaes d'esse monumento novo.

Não podendo, pois, considerar-se approvado o projecto Valladas, nem tendo sido fixada em outro a substituição indicada pela Junta Consultiva, continuaram as cousas no mesmo estado de incerteza e de arbitrio, aggravado ainda por novas irreflexões.

Com o mesmo desceremonioso criterio, ou com a mesma falta d'elle, com que se destinara o historico edificio a instituição asylar de creanças, projectando-se restituil-o á sua integridade monumental, formou-se e realisou-se a idea de o ir aproveitando e adaptando, aos pedaços, para asylo de outras instituições que pelas suas proprias exigencias fundamentaes desparatavam com essa installação ali, e nenhuma relação de consonancia e de harmonia critica poderiam ter com o Monumento.

Assim foi que um pseudo Museu Industrial, especie de Cabeça de Pau de rebotalhos esmolados, sem caracter nem licção que de longe lembre os bellos e instructivos Museus Industriaes de Vienna ou Berlim, pôde petulantemente pregar um lettreiro garrafal e reles

sobre a graciosa e rendada archeologia de uma parte da fachada interrompida; como nas paredes do formosissimo e magestoso claustro se exhibem os desenhos e aguadas dos collegiaes, e ferem importunos e irreverentes, as fortes e velhas abobodas destinadas a abrigar a paz dos corações e a devoção dos espiritos, os toques da corneta e as voses da ordenança n'um simulacro de caserna.

Ultimamente se alojou lá, tambem, um outro serviço, um outro pseudo-museu, com o apendice de uma estação chimico agricola, se bem me lembro.

Decerto, na impressão immediata e geral o escandalo não será tal ou tamanho como o do gazometro que defuma mais adiante a joia manuelina da Torre, aquelle bruto aventesma que parece propositadamente postado lá para justificar a phrase que Garrett punha na bocca dos extranhos quando entrassem o Tejo:

—Aqui moram barbaros!...

Mas pelo que tenho tido mais de uma vez occasião de observar, o visitante, o forasteiro culto, o observador educado, o pensador delicado que tenha o culto, o amor, o fino sentimento da harmonia, da ordem, da consonancia ideal das cousas, dirá que a Casa Pia é uma excellente instituição, dedicada e intelligentemente servida e dirigida; que o Museu é bonito e poderia ser util, que é lamentavel

até, que lhe não dê o Estado mais recursos para melhor valer, mas que tudo isso fica mal ali; que disparata irritantemente com o caracter, com a significação, com a propria estructura do Monumento; que interrompe ou affronta a integridade, a dignidade d'elle.

Se esse visitante fôr um medico, um hygienista ou um pedagogista serio, dirá que á propria instituição asylar, ás condições e ás conveniencias da sua natureza e destino repugna aquelle alojamento.

Se pensar, e souber, seriamente, o que são museus; o que são, especialmente, museus industriaes; porque e para que se querem e se fazem; se os tiver visto funccionando, frequentados, todos os dias, por artistas, por operarios, por mestres e patrões das grandes e pequenas industrias que vão ali beber a lição directa, pratica immediata dos modelos, da mão d'obra, do fabrico, dos preços, e não apenas, em desenfadamentos de domingos e feriados por curiosos burguezes: esse visitante observará que o museu está mal, deslocado, pouco menos que inutilisado ali, fóra das grandes correntes de circulação, dos centros mais activos do trabalho industrial.

Se fôr então um artista...

Mas para que procurar novos exemplos?

A impressão será commum.

Esse visitante dirá:—«Esta gente ou este Estado não tem a comprehensão, a vontade, a disciplina, a medida exacta, racional, das cousas bellas, uteis, praticas da vida nacional. Mistura tudo: um asylo de pobreza, com um monumento d'Arte; um padrão de Historia com um museu de Industrias; a archeologia, a beneficiencia, a fabrica; a descoberta da India, a infancia desvalida, o trabalho manual e mechanico. Na Torre de Belem, pozeram um pharol, alguns postes telegraphicos, e a formar-lhe o fundo um gazometro, e montanhas de carvão; qualquer dia dão o Convento de Christo de arrendamento a um fabricante de pannos; já uma vez derrubaram um lanço do Castello de Leiria para offerecer uma pequena orgia pyrotechnica a uma visita regia. Não fizeram ha pouco da celebre estatua do Terreiro do Paço, centro ornamental de uma barraca de feira, e da columna do Rocio, poste de illuminação chineza? E o mais e o mais...»

Voltemos, porém, aos Jeronymos.

Ora é claro que independentemente das adaptações com que os hospedes alludidos irão alterando e deformando, mais ou menos disfarçadamente, o Monumento, não pode ser indifferente ao caracter e á integridade d'elle se lealmente se pretende restaurar ou restituir, o seu destino, a sua applicação actual, até porque tal circumstancia ou tal elemento pode quebrar ou pode completar essa integridade; pode affrontar ou pode enaltecer esse caracter.

Não fica a bem dizer, completa e perfeita a restituição monumental somente com affeiçoar mais ou menos o plano e a pedra á fórma primativa.

No Monumento fundiu-se uma idea; reside e perpetua-se n'elle uma intenção, um culto, uma consagração historica que se quer respeitar desde que se quer conservar e restaurar o Monumento.

Se não se comprehende, se não se sente, se não se respeita isto, parece hypocrisia o empenho e o cuidado da conservação material.

O monumento commemorativo de um feito que synthetisa e glorifica o nome, o esforço, a missão historica de um povo atravez das idades e das nações, não póde ser vasadouro ou asylo eventual de serviços e instituições avulsas sem caracter nem significação que com a d'elle condiga n'uma expontanea e nobre consonancia moral.

Santa Maria de Belem é o Te-Deum que agradece e celebra a victoria da idea, da fé e do esforço que alargaram o nome e a terra da Patria portugueza, como Santa Maria da Victoria canta e celebra o triumpho do direito, da vontade, da rasão das gerações que fizeram essa Patria, independente e soberana.

Completam-se e continuam como padrões do desenvolvimento de um povo no tempo e no espaço, na sua solidariedade historica e na sua individualidade politica.

Pertencem á historia d'esse paiz.

São monumentos religiosos, menos já porque o sejam de uma crença mystica do que porque o são da honra e do nome commum.

Guardar, conservar, reparar, amoravelmente, devotamente, taes monumentos,—estes como tantos;—restituir aos Jeronymos,—que é o caso especial, opportuno, que nos preoccupa,—a continuidade, a integridade, a conclusão panoramica, esthetica, monumental: nada mais honesto, mais digno, mais affirmativo da nossa dignidade civica e da nossa cultura moral.

Mas não é tudo.

Um elemento d'essa restituição é hoje irrestituivel. Perdeu-se; não pode restaurar-se; porque não era, como os outros ou como a Arte, necessario e eterno. Ha de sempre succeder isto.

Mas como não ha Jeronymos a alojar, nem poderá resuscitar-se a instituição que desappareceu na evolução do tempo, das necessidades, do modo de ser social, para vir de novo povoar a monumental fabrica, outra terá de escolher-se e outra se escolha que se conforme com a significação, com a finalidade, com o caracter historico, fundamental e perenne, do Monumento; com a intenção, com a affirmação subsistente e actual d'elle.

Está bem de ver que assim como não se teria feito o Convento se não houvesse frades, não se ha de reconstituil-o para o deixar vasio e inutil ás necessidades da vida e da administração nacional moderna.

Teve já uma certa voga o pensamento de destinar o Templo, a jazida dos restos de cidadãos benemeritos e illustres; a Pantheon Civico, como costuma dizer-se.

Arriscada e difficil na execução, a idea era ao primeiro aspecto perfeitamente pratica e sympathica: restricta aos nomes ou aos personagens sobre os quaes passou já o juizo da Historia, tinha até a vantagem de nos redimir de muitas vergonhas.

Melhor, talvez do que no Templo, propriamente dito, na vasta gallilea, poderiam recolher-se, em sarcophagos de pedra, os restos dispersos dos heroes da Descoberta, dando-lhe assim o destino historico de Campo Santo que tão naturalmente se harmonisaria, até, com a tradicção d'aquella especie de construcções.

Com relação á parte conventual, n'uma commissão official de que fiz parte, ha annos, foi lembrado que ficaria ahi adquadamente installado o museu de Bellas-Artes, esse pobre nomada que não obteve ainda alojamento proprio, e a Escola correspondente que talvez podesse chamar-se assim do seu feiticismo academico e extrangeirista á contemplação e ao amor da Arte nacional.

Mas os Museus e as Escolas tem condições especiaes de installação que não poderiam facilmente realisar-se no edificio de Belem, sem prejuizo da estructura d'elle, além de convir aos primeiros, especialmente, quando dotados de um caracter e destino de applicação actual, uma situação mais central e accessivel, á beira das grandes correntes de circulação urbana.

Ora succede que uma instituição existe de um capital e universal interesse social e historico, e de um caracter que perfeitamente se harmonisa com o do monumento, tanto que logo na fundação delle podera ter-se-lhe associado, e não offerece, hoje ainda, exigencias de adaptação que o contrariem.

Acresce que essa instituição impropriamente installada, não tem já alojamento que em boas e seguras condições lhe comporte o continuo e necessario desenvolvimento.

É o Archivo Nacional, a tradiccionaria Torre do Tombo, o riquissimo e genuino repositorio da vida da Nação em todos os seus elementos e em todas as suas evoluções; já se vê: o Archivo Nacional reformado, ampliado, restituido á sua nobre e justa authonomia, recolhendo e reunindo todas as folhas dispersas da Historia Portugueza, desde os humildes codices dos conventos, das freguezias, dos bispados, que apodrecem por esse paiz fóra armazenados nas Camaras Ecclesiasticas, até aos mais graduados diplomas da vida do Estado, cuja ordenação, cuja authenticidade até, anda arriscada, de ha muito, na falta de um registamento central e alheio ao simples expediente vario das repartições bureaucraticas.