As obras dos Jeronymos
Capítulo III
E não só recolhendo e colligindo as folhas de pergaminho e de papel, mas as de pedra e de bronze em que essa Historia se fixa: Archivo e museu archeologico portuguez, ao mesmo tempo.
Onde poderá encontrar-se mais propria e grandiosa arca para encerrar taes thesouros?
Que mais condigno deposito poderá confiar-se áquellas fortes e venerandas muralhas e abobodas impregnadas da tradição gloriosa da Nação?
Como se ajustariam conteudo e continente n'uma imponente e sugestiva harmonia de estimulos e de saudades; n'um mesmo culto e n'um mesmo testemunho de honra e de nobreza?
E depois, seria talvez o caso unico em que não tivesse de sacrificar se o Monumento á instituição hospedada ou de prejudicar esta para poupar aquelle.
III
Conveniencias occasionaes de administração ou de politica entregando ultimamente as obras de Belem a uma Repartição regularmente official e technica:—a da conservação dos edificios publicos,—pareceram encerrar, em fim, a historia aventurosa e tumultuaria d'essas obras.
Em 17 de março de 1894 essa Repartição, expondo ao Governo a conveniencia de concluir as obras e de as ter terminadas por occasião do Centenario da India, propoz que se abrisse um concurso entre architectos nacionaes para se fixar definitivamente o caracter e projecto d'essa conclusão. Concordando, o Conselho d'obras publicas aconselhava, em 7 de maio, que o Director dos
edificios publicos procedesse á elaboração do programma do concurso no sentido de obter um projecto de conclusão expedita e economica, «tão simples quando o permitisse o estylo Manuelino», e em 21 do mesmo mez mandava o Ministro que esse Director desse seguimento á proposta e parecer alludidos.
Mas sobrecarregado com outros encargos, hesitando, talvez, na definição das condições fundamentaes do concurso ou na propria idea e conveniencia d'elle, este funccionario apresenta, um anno depois, em 21 e 27 de maio de maio de 1895, não o programma do concurso que proposera, mas um projecto de conclusão elaborado pelo architecto Parente da Silva que lhe annuncia a remessa proxima de quatro ou cinco projectos ou variantes em preparação ainda;—outro projecto de um habil desenhador da Repartição e n'ella elaborado,—finalmente a idea propria, tambem transferida para um projecto,—de se prescindir da construcção de um «corpo central», completando a fachada na fórma e estylo uniforme dos dois lanços d'ella que subsistem, idea e projecto que alem de preferir por mais expedita e barata, acabara por intransigentemente considerar a mais adquada e racional.
—«A melhor, a unica solução que o proprio sentimento patriotico e artistico recommendam»,—diz, então,—«é, para mim, indiscutivelmente a construcção seguida dos mesmos membros e vãos ja construidos, rigorosamente identicos, sem corpo algum central.».
E tendo entendido dever amparar a sua idea na opinião de alguns consultores avulsos, um d'estes o architecto José Maria Nepomuceno mais accentuadamente a explica observando que a circumstancia do eixo longitudinal das arcadas coincidir com o eixo maior do Templo e a de todos os pilares dos arcos serem egualmente distanceados, provam a união entre a galilea e aquelle, e confirmam a indicação historica de que a serie dos arcos era desempedida e desafrontada, sem obstaculo algum, até á porta occidental da Igreja: conclue, pois, por considerar contrario ao caracter primitivo da construcção, o famoso «corpo central» tantas vezes imaginado.
Manda a justiça dizer que este teimoso disparate do «corpo central», agora mais doutrinariamente frisado pelo architecto Nepomuceno, parecera ter sido já percebido antes, pois que de uma allusão do processo official se depreende que pouco depois da derrocada de 1878 um engenheiro, o Sr. Cabral Couceiro, proposera que se prescindisse de vez d'essa excrecencia phantasista e impropria.
Quanto aos dois outros projectos elogiosamente apresentados pelo Director dos edificios publicos, visando ambos á construcção de um «corpo central» mais ou menos aparatoso, dispenso-me de occupar-me d'elles, depois do que deixei escripto atraz, relativamente a esta deploravel idea de scindir o Monumento em dois, ou a esta
extraordinaria incomprehensão historica e artistica da estructura e do typo do grande monumento Manuelino. Mas não ficaria bem com a minha consciencia deixando de reconhecer que se esse «corpo central» não fosse fundamentalmente uma deformação, o imaginado pelo desenhador Bemvindo A. Ceia, n'um dos dois projectos alludidos, seria de quantos até hoje teem sido propostos, o que
menos brigaria com o typo e com o caracter architectonico e esthetico do Monumento, pela sua fórma geral e pelas suas linhas e feições de decoração e estructura.
Evidentemente, porém, não é a uma repartição de simples expediente technico de conservação e reparação dos edificios do Estado que pertence propôr ou deliberar qual seja a melhor,— quanto mais a «unica»,—solução de obras da natureza e com o fim d'aquellas que se pretendem concluir no Monumento de Belem.
Desde a sua recente reorganisação se occupara d'ellas a Commissão dos Monumentos Nacionaes, e justamente apprehensiva pela licção do passado e pelos exemplos do presente com esta manifesta tendencia de absorpção bureaucratica do assumpto, já em officio de 29 de julho de 1894 e em conferencias verbaes com os Ministros das Obras Publicas, exposera a necessidade de que elle fosse larga e competentemente estudado, reividicando, mesmo, o direito que pelo seu regulamento lhe era attribuido, quando não lh'o fosse pelo proprio facto da sua instituição official, de ser ouvida sobre quaesquer projectos que tão grave e intimamente interessavam um dos nossos mais notaveis Monumentos.
N'este pensamento tão simples e justo, naturalmente nos
encontrámos com o criterio illustrado e patriotico do actual Ministro, que fazendo sobrestar em todas as propostas e instancias recebidas, ordenou, em 29 de maio ultimo, que nos fosse enviado o processo para que sobre elle podessemos proferir o parecer e voto do nosso estudo e da competencia que a lei nos attribuiu.
A situação é clara e simples.
Não nos achamos a contas com o problema aberto de uma construcção, de uma restauração, de uma restituição monumental.
Achamo-nos em face de umas certas obras de construcção emprehendidas inteiramente fóra da nossa responsabilidade, com o fim de substituir edificações demolidas e de continuar e completar o Monumento dos Jeronymos por uma fórma que se entendeu melhor conformar-se com o caracter d'elle.
Como essas obras não obedeceram a um plano geral definido e certo, pergunta-se como terminal-as e concluil-as n'uma mais proxima e mais segura harmonia com o aspecto, o caracter, a significação historica e artistica do Monumento.
É só isto, mas não é menos do que isto.
Porque a questão hoje creio que só póde ser ou que é só, esta:— concluir essas obras, como quem dissera: trancar e resgatar esse escandalo, procurando restituir o Monumento, tanto e como possivel ainda, á sua intrigridade architectonica, panoramica critica, por maneira que corresponda ao objectivo moral e ao objectivo pratico que podem authorisar um Estado regularmente administrado e um povo authenticamente culto a emprehender e fazer uma obra d'esta natureza.
Não póde já, é claro, corrigir-se todos os erros; expurgar o trabalho feito de todos os aleijões; desagravar a Historia e a Arte de todas as violencias, de todos os attentados soffridos.
Não ha de deitar-se abaixo quanto se fez.
A brutalidade de um segundo desabamento poderia ser util, podera parecer providencial, como foi irrecusavelmente o primeiro, mas o Estado não faz derrocadas e não pode proceder brutalmente.
No fim de contas, estão gastos ali mais talvez de 500 contos de réis; —358 vimos já que se tinham gasto até 1878, em 15 annos,—e todos estes algarismos só podem deixar de impôr-se a espiritos desiquilibrados, irresponsaveis.
Consumiu-se muito trabalho e fez-se e existe,—é justiça dizel-o,— muito trabalho primoroso.
N'estas grandes edificações monumentaes tem sempre de ficar o rasto e o cunho das gerações que se succedem ou que por ellas passam: do seu gosto, da sua educação, da sua acção, da sua obra material ou da sua obra moral. Não temos, ali mesmo, em Belem, todo o vasto corpo da Capella Mór e uma grande parte do claustro, por exemplo, a apregoar uma remodelação, um enxerto, uma invasão irreverente, sacrilega, até, da esthesia e do trabalho originario?
Não seria um attentado maior, um absurdo, um disparate collossal derrubar tudo isto sob pretexto de uma restituição que seria apenas um artificio pretencioso e ridiculo?
Fiquem pois os minaretes inexplicaveis, mais levianos que ligeiros, fique até a irritante torre mitrada, se a sua estabilidade está garantida; fiquem as phantasias que custaram muito dinheiro e muito trabalho, quando a sua supressão correctiva possa prejudicar, mais do que o seu disparate incidental, o que deve ser e é o commum interesse e empenho d'agora.
Fiquem, que ficam attestando a situação social que as tornou possiveis.
Os factos consumados não se supprimem. Derrubadas essas phantasias inscientes não se teria suprimido o processo extravagante que as produziu, nas suas relações e nas suas revelações historicas.
Aproveite-se e emende-se, tanto e o melhor que fôr possivel, o que está feito; embarguem-se e tranquem-se, de vez, as tendencias tumultuarias e vaidosas para uma construcção monumental nova, de sobreposse, em competencia com o corpo principal do Monumento; recomponha-se a ligação com este, ineptamente cortada; abra-se, de par em par e de lez em lez, a formosissima e singular gallilea; imponham-se os restos da vasta carcaça para a reconstrucção da parte interrompida e derrubada da fachada, vedando em fim aquella brecha á insolente pretenção de um «corpo e portico central» de «imaginaria» scenographica e reconstituindo o lanço graciosamente uniforme e modesto das arcarias e casaria primitiva.
E feito isto, ou mais exactamente, á medida que se faça isto, desafronte-se o Monumento das edificações reles e do jardim pelintra que lhe interrompem e afogam, do lado do Rio, o vasto e formosissimo aspecto;—desobstruam se as suas imponentes gallarias e salões, das installações improprias que os teem ido invadindo: do asylo da Casa Pia que melhor e mais adquada collocação encontrará facilmente fóra da cidade;—do pseudo Museu industrial que, se comprehende o seu rasoavel papel, deve procurar as grandes correntes de circulação urbana e os bairros onde se concentra o movimento das industrias, etc.
E desobstruida, e desafrontada, e concluida a monumental edificação, complete-se a sua integridade historica, nacional; por um lado: alojando no Mosteiro o Archivo da Nação; por outro lado: removendo do Templo o exercicio e a administração do culto parochial.
Este é o meu parecer e o meu voto.
Muito propositadamente o quiz ir explicando e definindo n'esta summaria nota, tanto para que a responsabilidade individual d'elle mais desafogada deixe a da resolução que os meus collegas entendam dever preferir, como para escusar delongas de discussão em assumpto e idéas que reclamam realmente uma resolução prompta e sobre as quaes, pela minha parte, considero inutil voltar.
Como se vê, em relação á forma ou processo material da conclusão das obras, as minhas idéas, de ha muito definidas e affirmadas, coincidem, geralmente, com o projecto apresentado pelo Director dos edificios publicos, e excluem todos os outros, e todos ainda que possam reincidir na excrecencia que considero historica e artisticamente absurda de um chamado «corpo central».
Mas propoz tambem esse funccionario, embora não pareça ter presistido na idéa, a abertura de um concurso para apurar o projecto da conclusão desejada. Comprehendo que o «concurso» encontre uma corrente favoravel e sympathica, mais ou menos artificiosamente sugerida, na opinião geral.
O «concurso» não deixou inteiramente de ser, ainda, uma especie de feitiço nacional, por mais que tenha mostrado ser, apenas, um processo embusteiro de dissolver e esconder responsabilidades, quantas vezes tambem, de arredar merecimentos reaes, de elevar insignificancias, de esmagar direitos.
O bom, o genuino, o pratico concurso é a livre concorrencia do trabalho, das aptidões, da affirmação positiva dos merecimentos de cada qual, perante este juiz difficilmente corruptivel que se chama Toda-a-gente, ou este Tribunal implacavel e permanente que se chama a Historia.
O «concurso», no caso pendente, ou ha de ter uma base extremamente restricta de applicação que o torna inutil, ou alargada essa base sobre o thema da melhor conclusão, não apenas das obras, mas do Monumento, ir-nos-hemos envolver em novos embaraços e em novas delongas, se é que não tivermos de reconhecer que se perdeu muito tempo e muito trabalho para não obter um projecto viavel.
No começo das obras o concurso podera ter tido, ao menos, a vantagem de suscitar o estudo detido e serio da reconstrucção ou da restauração a fazer; dos elementos e caracteres do estylo a seguir; das condições e circumstancias da obra a realisar.
Hoje daria, naturalmente, apenas, o resultado de mais demorar a conclusão e de mais a affastar, ainda, do caracter e estructura primitiva,—modesta e simples,—da parte que se quiz reconstruir.
A emulação e a prosapia dos concorrentes forçar-lhes-hia a imaginação; cada qual procuraria produzir um projecto do que mais e melhor se affirmassem os seus recursos, as suas aptidões, a sua originalidade de constructor e de artista.
E se a isto juntarmos as influencias perturbadoras da indisciplina intellectual e educativa que enfraquece e desmoralisa por egual a nossa producção e a nossa critica artistica; se contar-mos com a pressão das consagrações forjadas e impostas pelas pequenas camarilhas num meio mal organisado para que o publico pense e julgue por si, n'estas cousas da Historia e da Arte, facil é de prever, a quem não fôr inteiramente inexperiente e ingenuo, que o concurso longe de ser um processo expedito e seguro será o mais arriscado e menos pratico, nas circumstancias ou nas condições, pelo menos, em que o problema tem de ser posto e resolvido.
O exemplo,—um pequeno mas significativo exemplo,—do concurso para a pintura do tecto do Theatro D. Maria, não é muito antigo.
E eu sei bem quanto se viu atormentado um jury firmemente consciencioso e sério para dar a preferencia ao projecto do monumento a Affonso de Albuquerque que mais estudo, mais caracter, mais originalidade intelligente e san possuia, mas que fôra pensado e elaborado por um artista sem nome, sobretudo sem camarilha.
De resto, o que se pretende e precisa é menos um trabalho de concepção, que de direcção e execução architectonica. Quanto menos esforço conceptivo ou inventivo se despender, mais garantido fica o caracter restitutivo da construcção.
Temos no paiz pouco mais,—se tanto,—de meia duzia de architectos authenticos. Para o que entendo que deve ser ou que só pode ser hoje a conclusão das obras, nos termos praticos que todas as circumstancias indicam, póde antecipadamente affirmar-se que qualquer d'esses architectos é apto e competente.
Por estas e por muitas outras rasões ainda, concluo, pois, por julgar mais do que dispensavel, inconveniente, o concurso, e direi até que uma d'essas rasões é exactamente não ver explicada a necessidade d'elle.
Resumindo e terminando, o que tenho a honra de propôr é que se aconselhe ao Governo, o seguinte:
1.º—A conclusão das obras deve consistir na união do Templo com a Galilea; no desobstruimento completo d'esta desde o seu extremo occidental até á porta da nave principal do Templo, e na reconstrucção da parte interrompida da mesma galilea e da casaria sobreposta, em perfeita e uniforme continuidade dos membros e vãos existentes, com absoluta exclusão de qualquer corpo central,— real ou simulado,—por contrario ao caracter primitivo da edificação e á unidade monumental d'ella. As secções posteriores das obras deverão concluir-se com a maior sobriedade architectonica e decorativa tendo sómente em vista completal-as e ligal-as n'uma traça geral no menor praso e com a maior economia.
Deverão ser aproveitadas e conservadas, quanto possivel, as construcções feitas, e poderá servir de base á conclusão indicada e projecto apresentado pelo Director dos edificios publicos com as variantes approvadas por uma commissão que terá a seu cargo a inspecção da obra até final.
2.º—A obra deverá ser mantida na administração directa do Estado, e feita pela Repartição dos edificios publicos, tendo a inspecção superior e permanente d'ella, até á conclusão, uma commissão composta de um engenheiro, de um architecto e de um critico d'Arte, respectivamente escolhidos pelo Conselho Superior d'Obras Publicas, pela Academia de Bellas Artes e pela Commissão dos Monumentos Nacionaes.
3.º—Deverão ser e estar removidos até o dia 31 de dezembro de 1896, todos os estabelecimentos que actualmente occupam diversas secções do Monumento, e bem assim transferida para outro Templo a séde parochial.
4.º—Até á mesma data deverá ser o Monumento desafrontado das edificações de qualquer especie que se intercallem entre elle e o Rio ou o caes marginal.
5.º—O Templo deve ficar destinado, sómente, ás grandes celebrações religiosas do Estado, e a Galilea a jazida dos restos dos Descobridores e Navegadores portuguezes.
6.º—Todo o resto do monumental edificio deve ser destinado a alojamento e installação do Archivo Nacional, convindo que essa installação se ache concluida até o mez de Maio de 1897.
Lisboa, 2 de Novembro de 1895.
Luciano Cordeiro.
Notas:
[1] «Copia. Fachada geral do edificio tal qual existia antes de se proceder á reconstrucção». (Escala 1:100) Tem a rubrica:—«Manuel Raymundo Valladas, major d'engenheria, director da Casa Pia, encarregado dos trabalhos de reconstrucções».
Consta-me que o original existe no cartorio da Casa Pia.
[2] Galilaeum porticum hoc interpretatur, quam nostri Galerie vocant; etc. (Ducange).
Ha quem prefira ainda a fórma barbara e obsoleta de galilé, e escusado é dizer que as duas são indifferentemente adoptadas pelos melhores lexicographos. Mas o que tem graça é o debique que a fórma culta e portuguesissima de galilea, desde que eu a adoptei, de preferencia, soffreu na propria commissão dos monumentos.
—«Que galilé é que era, porque... assim escreviam as chronicas», e ainda por este apendice jovial da rasão: «que Galilea era uma terra, uma região bem conhecida».
E se fosse exactamente do nome classico da provincia da Judea, theatro e berço dos primeiros mysterios christãos, que devesse extrahir-se a etymologia melhor do termo indicativo d'aquelle membro da architectura sacra?
Vale talvez a pena pensar n'isto, se não acham mais commodo contentar-se com as derivações etymologicas de galea, leae; de galeatus (galea indutus); de galerus, ri, etc. em que não sei se teem alguma vez pensado.
[3] É extraordinario como se perdeu a noção facil e pratica da disposição geral da edificação, da sua orientação, ou como mais exactamente se póde dizer, da sua occidentação, a ponto de se obstruir e afogar a secção occidental, a entrada da galilea, que se tivesse sido reconhecida e mantida não teria deixado pensar em corpos ou entradas «centraes» na fachada do sul. N'um parecer juncto ao processo lembra Nepomuceno a indicação de Carvalho da Costa de «que em certos dias o sol ao cahir entrava pelo arco onde estava a fonte e ia bater na porta do sacrario».
[4] Depois de ter escripto este parecer disse-me o meu amigo e dedicado director da Casa Pia, F. Margiochi, que o projecto original existe ali.
[5] «Cadernos dos esclarecimentos pedidos pela commissão nomeada por portaria de 19 de dezembro de 1878»...
No processo official do Ministerio das Obras Publicas.
[6] Tenho idea, e mais alguem a terá, de que na decoração do famoso corpo ou torreão central que ruiu, apparecia até... o escudo da Saboia, cortezã allusão, naturalmente, ao recente consorcio Regio. Tambem n'uma reconstrucção (sic) da Madre de Deus, póde ver-se, ainda, torneando o capitel d'um columnello gothico... um comboio de caminho de ferro! Homenagem á visinhança...
[7] Relatorio da adm. da R. Casa Pia de Lisboa, relat. ao anno econ. de 1891-1892.—Lisboa, 1895.
[8] «As obras teem tido andamento consideravel sob a direcção do Sr. architecto Domingos Parente da Silva.» Rel. da adm. da R. Casa Pia, relativo ao anno de 1891-1892.