Biodiesel, o óleo filosofal
Conclusão
Lula ao contemplar um frasco de biodiesel de gordura bovina,
diz:
“Aqui jaz um boi”, é “biodiesel de picanha!”
Folha On Line, 22 de agosto de 2007.
Faz-se necessário inquirir a forma pela qual nos organizamos para viver e produzir, analisando a matriz energética de nosso país e do mundo. Investir em pesquisa de alternativas mais eficazes em aspecto sócio-ambiental: energia solar, energia das marés, células de hidrogênio, energia eólica. Estudando como são produzidas e de que forma, para quê e, para quem são consumidas.
Trata-se também de adotar medidas urgentes para conter as perdas técnicas do sistema elétrico, avaliadas em 15% (54 bilhões de
KWh/ano), muito acima do padrão internacional de 6% 66 . As empresas do setor deveriam ser obrigadas a reduzir drasticamente estas valiosas perdas para que fossem autorizadas a funcionar. As máquinas, equipamentos tem que ser redefinidos de acordo com o seu uso e consumo energético bem como os impactos sócio-ambientais.
Consideramos, portanto, a necessidade de se realizar uma transformação em nossa sociedade, buscando alcançar um estado de sustentabilidade da vida no planeta entre a degradação da matéria e energia pela entropia e, a sua negação, criação de vida pela fotossíntese.
Destaque-se que estamos preocupados com a vida do ponto de vista ético, pelo qual repudia o caráter instrumental de utilização da mesma para atender aos interesses conjunturais de determinada sociedade ou civilização.
Pensar, buscando construir uma consciência ecológica como práxis enraizante, de forma interdisciplinar, com objetivos de ampliar a cidadania, utilizando-se da educação ambiental, significa ponderar ecossistemicamente, holisticamente sobre o PNPB que dá continuidade a produção de combustíveis, por intermédio de produtores que concentram imensos recursos sócio-ambientais (latifúndio-monocultor e mecanizado), para atender a um determinado setor dispendioso energeticamente, transporte (rodoviário) e impõe através de política pública de renúncia fiscal (PIS/PASEP/Cofins), financiamentos subsidiados com recursos públicos, garantia de mercado (obrigatoriedade da compra e do uso do produto), apoio nos custos e riscos da pesquisa científica e tecnológica (instituições públicas de pesquisa com seus recursos humanos e laboratórios altamente especializados para a produção de máquinas, equipamentos, sementes, nutrientes buscando atender a produção do biodiesel).
Poderíamos abreviadamente, considerar este Programa como um grande “Conto do Vigário”, por entendermos que atualmente a Política se sacralizou. Assim, o sagrado se faz presente como dogma, desta forma: “Aí dos hereges!”
Mas há alternativas que podem aprimorar o programa:
1) unidades produtivas em pequena escala devem ser distribuídas no território, dando se prioridade as regiões mais remotas, em relação ao acesso do uso de rede de energia;
2) utilização diversificada e consorciada de sementes climatizadas por região;
3) priorizar fundamentalmente a produção em pequenas propriedades;
4) controlar rigorosamente o uso de biocidas;
5) impedir o uso de transgênicos e a devastação florestal;
6) incentivar a recuperação de terras degradadas;
7) começar imediatamente a substituição progressiva da matriz energética de transporte e, de substituição do seu sistema rodoviário e individual por hidroviário, ferroviário e de massa;
8) estabelecer e aprofundar uma efetiva reforma agrária;
9) apoiar pesquisas interdisciplinares e contextualizadas, sobre produção, conservação e uso de energia ecologicamente sustentável, buscando equitatividade social em seu controle e distribuição;
10) estabelecer e fundamentar princípios democráticos que possibilitem análises e participações críticas da população nos programas governamentais.
Eis, quem sabe, um dos sentidos da existência! Enfrentar desafios descomunais com ínfimas chances de vitória, só pelo prazer de ter como aliada a consciência e, independente do resultado da batalha, repousar tranquilo com a moeda do dever cumprido na boca, para pagar ao barqueiro a travessia do rio da vida.
66 Instituto Socioambiental. Energias Alternativas para o Brasil.
http://www.socioambiental.org/esp/bm/alt.asp acesso em 19/05/2006.