Diccionario de João Fernandes

Francisco Gomes de Amorim · Capítulo 18 de 38

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Diccionario de João Fernandes

N

MYSTERIOS—Cabellos muito pretos{179} e dentes muito brancos. Convem desconfiar de tudo, passados os trinta annos. As illusões deixaram de ser exclusivo da mocidade.{180} {181}

 

N

 

{182}

{183}

N

 

 

NABABO—É a posição que mais me sorri, com dez mil elephantes, carregados de oiro. Se eu a apanhasse, veriam o que era ter graça para fazer diccionarios!

 

NAÇÃO—Não se conhece nenhuma tão feliz como a nossa. Acorda um momento para se gabar da sua historia gloriosa, e logo torna a adormecer! Deus te abençoe, mãe de heroes... passados! {184}

 

NACAR—Oh, menina, se ao menos eu tivesse as perolas! deitava as conchas fóra.

 

NACIONALISAR—Em linguagem de varios litteratos, é abastardar peças francezas com portuguez mascavado.

 

NADAR—É bom saber, mas convem mais não precisar d'isso. Por mim, preferia nadar em dinheiro. E tu, leitor?

NAMORADA (RICA)—Prodigio de belleza, ainda que seja feia como o grande diabo.

—(POBRE) Carapau, do que se dá aos gatos.

 

NAMORADEIRA—Especie de mosca. Tanto pousa na flor como no estrume.

 

NAMORAR—Fazer de urso.{185}

 

NAMORO—Primeira expressão da parvoice humana, assim como o casamento é a ultima, segundo affirmam os descontentes.

 

NARCOTICO—Um livro do senhor V.

 

NAVALHA—Lyra dos poetas do fado.

 

NAVIO—Viajante, a quem as viagens estragam e não illustram.

 

NAYADES—Em Lisboa são fingidas por aguadeiros.

 

NUDEZ—Uso economico e primitivo, ao qual a policia declarou guerra, para proteger os alfaiates e as modistas.