Doutrina e Vida

Francisco Cândido Xavier · Capítulo 13 de 15

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Doutrina e Vida

Palavras Aos Médiuns

 

BEZERRA DE MENEZES

Mediunidade com Jesus; é serviço aos semelhantes.

Aqui, alguém fala em nome dos espíritos desencarnados; ali, um companheiro

aplica energias curativas; além, um cooperador ensina ao roteiro da verdade; acolá, outrem enxuga as lágrimas do próximo, semeando consolações.

Entretanto, é o mesmo poder que opera em todos. É a divina inspiração do

Cristo, dinamizada através de mil modos para reerguer-nos da condição de inferioridade ou para sanar-nos o sofrimento.

E nessa movimentação bendita de socorro e esclarecimento, não se reclama os

títulos convencionais do mundo, quaisquer que sejam, porque a mediunidade cristã, em si, não colide com nenhuma posição social, constituindo fonte do Céu a derramar benefícios na Terra, por intermédio dos corações de boa vontade.

Em razão disso, antes de qualquer sondagem das forças psíquicas, no sentido

de se lhes apreciar o desdobramento, vale mais a consagração do trabalhador à caridade legítima, em cujo exercício todas as realizações nobres da alma podem ser encontradas.

Quem desejar a verdadeira felicidade, há de improvisar a felicidade dos outros;

quem procure a consolação, para encontra-la, deverá reconfortar os mais desditosos da humana experiência.

Dar para receber. Auxiliar para ser amparado.

Esclarecer para conquistar a sabedoria e devotar-se ao bem do próximo para

alcançar a bênção do amor.

Eis a lei, que impera igualmente no campo mediúnico, sem cuja observação, o

colaborador da Nova Revelação não atravessa os pórticos das rudimentares noções de vida imperecível.

Espírito algum construirá a escada de ascensão sem atender às determinações

do auxílio mútuo.

Nesse terreno há muito que fazer nos círculos da Doutrina Cristã rediviva,

porque não basta ser médium para honrar-se alguém com as vantagens da luz, tanto quanto não vale possuir uma charrua perfeita, sem a aplicação respectiva no esforço da sementeira.

A tarefa pede fortaleza no serviço com raciocínio no sentimento.

Sem maturidade para superar a desaprovação provisória da ignorância e da

incompreensão e sem as fibras harmoniosas do carinho, fraterno para socorre-las, com espírito de solidariedade real, é quase impraticável a jornada para frente.

Os golpes da sombra martelam o trabalho iluminativo da mente por todos os

flancos e preciso se torna ao instrumento humano da verdade, armar-se convenientemente na fé viva e na boa vontade incessante, a fim de satisfazer aos imperativos do ministério a que foi convocado.

Age, assim, com isenção de desânimo, sem desalento e sem inquietação, em

teu apostolado de esclarecer e de auxiliar.

Estende as tuas mãos sobre os doentes que te busquem o concurso de irmão

dos infortunados, na certeza de que o Senhor é o Manancial de todas as Bênçãos.

O lavrador semeia, no entanto, é a Bondade Divina que faz desabrochar a flor e

preparar-se o futuro.

Indispensável marchar de alma erguida para o Alto, vigiando, embora as serpes

e espinhos que povoam o chão.

Diversos amigos se revelam interessados em tua tarefa de fraternidade e luz e

não seria justo que a hesitação te paralisasse os impulsos mais nobres, tão-somente porque a opinião do mundo te não entende os propósitos, nem os objetivos da esfera espiritual, de maneira imediata.

Não importa que o tempo seja humilde e que os mensageiros compareçam na

túnica de extrema simplicidade.

O Mestre Divino ensinava a verdade à frente de um lago e costumava

administrar os dons celestes sob um teto emprestado; além disso, encontrou os companheiros mais abnegados e fiéis entre pescadores anônimos, integrados na vida singela da natureza.

Não te apoquentes e segue com serenidade.

Claro está que ainda não temos seguidores leais do Senhor sem a cruz do

sacrifício.

A mediunidade é um madeiro de espinhos dilacerantes, mas com o avanço da

subida, calvário acima, os acúleos se transformam em flores e os braços da cruz se transformam em asas de luz para a alma livre na imortalidade.

Não desprezes a oportunidade de servir e prossegue de esperança robusta.

A estância física é uma estrada breve.

Aproveitamo-la sempre que possível na sementeira do Bem.

Em suma, ser médium no roteiro cristão é doar de si mesmo em nome do

Mestre.

E foi Ele que nos descerrou a realidade de que somente alcançam a vida

verdadeira àqueles que sabem perder a existência em favor de todos os que se constituem seus tutelados e filhos de Deus na Terra.

Segue para diante, amando e servindo.

Não nos deve preocupar a ausência de alheia compreensão.

Antes de cogitarmos do problema de sermos amados, busquemos amar,

conforme o Inesquecível Orientador que nos observou:

- “Amai-vos uns aos outros, tal qual eu vos amei”.