Doutrina e Vida

Francisco Cândido Xavier · Capítulo 6 de 15

Páginas do PDF

Doutrina e Vida

Em Honra a Kardec

 

EMMANUEL

Na Doutrina Espírita, não se dirá que Allan Kardec foi

ultrapassado, de vez que os nossos princípios avançam com o fluxo evolutivo da própria vida e, à maneira da árvore que para mostrar a excelência do fruto não dispensa a raiz, tanto quanto o edifício vulgar para crescer em nova pavimentação não prescinde do alicerce, o Espiritismo não fugirá das diretrizes primeiras, a fim de ampliar-se em construções mais elevadas, com a segurança precisa.

 

Superam-se técnicas e processos de luta material.

 

A Revelação Divina, porém, desenvolve-se com a própria alma do

homem, porque a Infinita Sabedoria não nos esmaga com sua Grandeza, nem nos enceguece com a sua Luz, esperando que nós mesmos, ao preço de esforço e trabalho, na escola do progresso, nos habilitemos a suportar o conhecimento superior, estendendo-lhe a claridade e realizando-lhe os objetivos.

 

Em razão disso, foi o próprio Codificador quem definiu em nossa

Doutrina um templo de postulados que a evolução se incubiria de honorificar em constante expansão, nela plasmando não apenas o altar da fé renovadora que nos religa ao Cristo de Deus, mas também o acesso ao campo aberto da indagação filosófica e científica, para que não estejamos confinados ao dogmatismo enregelante e destruidor.

Não edificaremos por nossa vez, no santuário espírita, senão

aquele desdobramento necessário a todo serviço de luz e fraternidade, que iniciado a benefício das criaturas, a todas elas deve atingir no justo momento em obediência às leis da evolução, de que Kardec foi emérito defensor.

 

Cabe-nos hoje tanto quanto ontem, estudar-lhe a obra regeneradora e vitalizante, a fim de que não nos percamos à distância da lógica e da simplicidade que lhe ditaram o ensinamento, e não nos empenharemos no cipoal da inutilidade ou da sombra porquanto, nele, o apóstolo do princípio, encontramos o roteiro seguro para a integração com Jesus, Nosso Mestre e Senhor.

 

Livro “DOUTRINA E VIDA” - ESPÍRITOS DIVERSOS –

PSICOGRAFIA: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

Digitado por: Lúcia Aydir.

EMMANUEL E A UNIFICAÇÃO

DO ESPIRITISMO

 

EMMANUEL

A unificação espiritualista constitui problema, credor da mais legítima

cooperação de quantos colaboram nas obras da verdade e do bem no plano espiritual.

Difícil padronizar a interpretação, de vez que ninguém pode trair o

degrau evolutivo que lhe é próprio.

Cada aprendiz da realidade universal verá de acordo com as dimensões

de sua janela; ouvirá, segundo a acústica, instalada por si mesmo no santuário interior; e compreenderá, na medida de suas realizações e experiências.

Entretanto, nosso problema de união, ao que parece, não se relaciona

com a exegese.

É questão de fraternidade sentida e vivida, portas adentro da organização doutrinária, para que as obras não se esterilizem, à míngua de fé e para que a fé não pereça sem obras.

Trata-se de avançado cometimento da boa vontade de cada companheiro

na construção do edifício coletivo do bem geral.

Serviço de compreensão elevada, em que para unir, em Cristo, não podemos prescindir da renúncia cristã, aprendendo a ceder com proveito, no esforço de todos, com todos e para todos em favor da vida melhor.

Para isso, cremos, não é necessário invocar a interpretação que sempre

define “um estado de conhecimento”, sem representar a sabedoria, e nem se reclamará o concurso da política humana que constitui “uma expressão transitória de poder”, sem consubstanciar a autoridade em si mesma.

Apelaremos, sim, para as qualidades superiores do espírito, recorreremos à zona sublime da consciência, onde os valores religiosos acendem a verdadeira luz.

Razoável que os orientadores encarnados tracem programas construtivos para a feição externa do serviço a fazer.

Em tempo algum, dispensaremos a ordem, o método e a disciplina, no

templo da elevação, como forças controladoras da inteligência.

Nós outros, conclamaremos o homem interno e mobilizaremos as

energias do ideal, falando ao coração.

Reunamo-nos no campo da fraternidade edificante.

Não teremos espiritismo unido sem que nos unamos.

Debalde ensinaremos amor sem nos amarmos uns aos outros. Não elevaremos a doutrina sem nos elevarmos.

 

Aprendamos a eliminar as arestas próprias, a fim de que o espírito

coletivo paire mais alto, ligando-nos à Divina Inspiração.

Unir, para nós, deve ser aprimorar, crescer, iluminar.

Aprimoremos-nos, apresentando mais dócil instrumentalidade aos mensageiros da Vida Mais Alta.

Cresçamos em conhecimento e superioridade sentimental.

Iluminemo-nos na esfera individual, penetrando o segredo do sacrifício

para enriquecimento da vida imortal.

Em seguida, a união frutificará, em nossos círculos de trabalho qual a

espiga substanciosa que premia a sementeira.

Organizemos por fora, aperfeiçoando por dentro.

Então, chegaremos sem atritos mais ásperos à aquisição de nossa

unidade com o Cristo, na mesma convicção que lhe engrandeceu o verbo, quando assegurou: “Eu e meu Pai somos um”.

Livro “DOUTRINA E VIDA” - ESPÍRITOS DIVERSOS –

PSICOGRAFIA: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

Digitado por: Lúcia Aydir.