Duas Páginas dos Quatorze Anos

Abílio Manuel Guerra Junqueiro · Capítulo 4 de 6

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Duas Páginas dos Quatorze Anos

Á Morte do Meu Amigo a. P. De Mello

Á MORTE DO MEU AMIGO A. P. DE

 

 

MELLO

 

Eu choro, amigo, eu choro ao ver-te assim

Roubado pela morte ao mundo, á vida;

Ai! que transe cruel, que dor sem fim

Soffrendo está minh'alma enternecida!

 

Da amizade antes nunca os doces laços Os nossos corações viesse unir,

Se te havias de ir cedo dos meus braços, Se tão breve me havias de fugir!

 

Antes nunca… que não poderei eu

A ventura sem ti jámais achar!

Perdido o leme e o rumo ao barco seu,

Como é que póde o nauta navegar?…

 

Morreste, e nada tenho já commigo!

Esp'ranças, illusões, sonhos ditosos

D'esses meus dias de prazer, de gosos

Voaram todos para Deus comtigo.