Eu Quero Tudo!
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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
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Advertência: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.
oi, gente!
O Natal em Nova York é realmente mágico, em especial no uptown. O ar cheira a neve caindo, a lenha queimando e a bolos assando. De nossas coberturas, o Central Park parece um reino encantado de prata, a ParkAvenue é um desfile de luzes de Natal e o tamanho da árvore do Rockefeller Center parece prometer que este será o Natal mais maravilhoso de todos - embora a maioria de nós vá estar bebendo champanha demais para perceber. Ao longo da Quinta Avenida, todas as vitrines das lojas de departamentos estão decoradas para as festas e todas as meninas que saem para fazer compras usam lindos casacos de cashmere azul-celeste Marc Jacobs que compraram em outubro e mal viam a hora de usar. E à noite todos saem para curtir, curtir, curtir. Nada de estudar para os exames de meio de ano; nada daquelas tentativas de última hora de entrar para a faculdade; nada de ajudar a mamãe a comprar presentes para as empregadas, as cozinheiras, os motoristas e as moças da lavanderia. Peguem seu vestido drapeado de cetim preto Prada, os sapatos de salto agulha de puro acrílico Christian Louboutin, a bolsa Hermes Birkin laranja, o cara mais lindinho que conhecerem e venham comigo!
Flagra
D e V com os lábios grudados no píer da 79. É meio trágico o tempo que eles levaram para perceber que se gostavam. N comprando rosas vermelhas para J - e não pense que ele tem um coração mole naquele lindo corpinho chapadão. B e S indo à Bendel's para pegar os vestidos para a noite do baile Black-and-White. Soube que Flow - ex-modelo e agora lindo vocalista e guitarrista, cuja banda, a 45, acaba de ganhar o MTV Music Award de melhor disco por seu álbum de estréia, Komunik8 - vai fazer a honra de anunciar quanto dinheiro arrecadou. O baile é em benefício de Be Kind, um grupo que milita pelos direitos dos animais, do qual Flow é porta-voz. Mas quem liga para isso? Todos sabemos que só vamos lá para dar uma olhada na carinha perfeita dele. Vejo vocês lá!
SERÁ QUE ELAS REALMENTE SÃO AMIGAS AGORA?
É isso mesmo: Se B decidiram reatar a amizade, e já não era sem tempo. Quer dizer, quanto tempo você pode ficar furiosa com alguém com quem tomou banho na escola primária?
B pode não ser tão loura nem tão magra nem tão "vivida" quanto S, mas isso não quer dizer que tenha de odiá-la. E S nunca será tão desonesta nem tão ensimesmada quanto B, mas isso não quer dizer que tenha de ter medo dela. Então as duas decidiram deixar as diferenças de lado e serem agradáveis uma com a outra, pelo menos por enquanto. A questão é, agora que elas voltaram, que tipo de besteira maluca elas vão aprontar? Podem acreditar, serei a primeira a descobrir e vocês saberão logo depois. Eu não sou exatamente boa em guardar segredos.
Pra você que me ama,
gossip girl
as gatas do baile
- Se ela fosse, tipo assim, uns quinze centímetros mais alta, ele podia apoiar o queixo no colo dela - observou Blair Waldorf enquanto via o ex-namorado, Nate Archibald, dançando com Jenny Humphrey, a aluna da oitava série baixinha e peitudona que foi o motivo de Nate inexplicavelmente dar o fora em Blair algumas semanas antes. - Mas aí ele ia ter dificuldade para respirar.
Felizmente, Blair tinha dispensado o jantar naquela noite; senão, teria ido direto para o banheiro das mulheres para vomitar de nojo.
Serena van der Woodsen, a mais antiga e mais recente amiga de Blair, respondeu sacudindo os cabelos claros.
- Não entendi - disse ela. - Não tenho nada contra a Jenny, mas sempre achei que você e Nate eram, tipo assim, o casal perfeito. Vocês estavam totalmente destinados a passar o resto da vida juntos.
Era estranho ouvir Serena dizer isso. Afinal, ela e Nate tinham perdido a virgindade juntos, sem o conhecimento de Blair, quando terminaram a oitava série. Se duas pessoas estavam destinadas uma à outra, só podiam ser eles. Mas, como acontece em qualquer relacionamento em que Serena tenha se envolvido, sua farrinha com Nate tinha sido só uma ficada rápida. Blair e Nate eram coisa séria. E eles sempre foram uma presença tão confiável- como o porteiro no saguão do prédio de Serena na Quinta Avenida - que era impossível imaginar como seria o futuro sem eles como casal. Por causa deles, Serena sentiu como seria fazer parte de um relacionamento
sério, e era meio assustador ver como as coisas tinham ficado ruins. Blair bebeu sofregamente de sua taça de champanha Cristal. As duas meninas estavam sentadas sozinhas a uma mesa redonda e grande, coberta com uma toalha de musselina branca e tafetá preto, no opulento salão de baile do St. Claire Hotel, onde o baile anual Black-and-White estava bom bando. Meninas de tomara-que-caia longos e pretos de Versace e Dolce & Gabbana, com plumas brancas nos cabelos, dançavam com meninos em cintilantes smokings preto-e-brancos Tom Ford para a Gucci, e uma bola gigante feita de rosas pretas e brancas pendia do teto. Blair teve um forte déjà vu.
A mãe dela tinha se casado um mês antes com um mané, suarento e gordo chamado Cyrus Rose e a recepção do casamento aconteceu nesse mesmo salão. O casamento também ocorreu no dia do aniversário de 17 anos de Blair, o dia em que ela planejava ir até o fim com Nate. Ela passou horas se arrumando e ensaiou repetidamente na cabeça cada momento do que seria. Mas depois ela esbarrou em Nate se agarrando com aquela garotinha no saguão do hotel e percebeu que, no fim, não importava o quanto estivesse gostosa em seu vestido de dama de honra Chloé marrom, ou como seu cabelo estava teatral, ou a altura dos saltos de seu stiletto Manolo Blahnik, Nate estava ocupado demais apalpando os peitos de balão daquela cabeça felpuda de 14 anos para perceber alguma coisa.
Foi o pior aniversário que Blair já teve. Mas ela não ia ficar martelando isso. Ela não era desse tipo.
Ah, é, então tá.
- Não acredito mais no destino - disse ela a Serena, baixando a flûte de cristal com um baque na mesa e quase quebrando a haste. Blair passou os dedos nos longos cabelos castanho-escuros que tinham sido aparados naquele dia por Antoine, seu novo cabeleireiro favorito do Elizabeth Arden Red Door Salon. Serena riu e revirou os olhos azuis.
- Então, como é que você sempre disse que seu destino era Yale? - Isso é diferente - insistiu Blair.
O pai de Blair tinha ido para Yale e Blair sempre sonhou em ir para lá também. Ela era a primeira da turma na Constance Billard e tinha atividades extracurriculares saindo pela tampa, então tentar a admissão cedo parecia uma opção óbvia. Mas, durante a entrevista, ela desmoronou e virou Blair a Rainha do Drama no Cinema. Contou ao entrevistador uma história comovente de como a mãe tinha se divorciado de seu pai gay e estava prestes a se casar com um homem que ela mal conhecia, e como estava louca para entrar na faculdade e começar uma vida totalmente nova. E depois ela beijou o entrevistador - na verdade, ficou na ponta dos pés e o beijou na bochecha encovada e eriçada de pêlos!
Blair sempre se imaginou a heroína de algum filme preto-e-branco da década de 1950, no estilo Audrey Hepburn, seu ídolo. Aquela vez tinha sido sua ruína. Agora ela era obrigada a se candidatar à admissão regular de Yale com todos os outros, e chegou a falar com o pai para doar um programa de estudos a Yalena França como uma forma de dar uma forcinha para ela. Mas suas chances de conseguir entrar lá ainda eram, no máximo, magrinhas.
Blair pegou a garrafa de Cristal no balde de prata no meio da mesa e encheu a taça. - Destino é para manés - disse ela. - É só uma desculpa idiota para deixar as coisas acontecerem em vez defazer com que elas aconteçam.
Se ao menos ela soubesse exatamente como fazer com que as coisas que ela queria acontecessem mesmo, sem ferrar completamente com elas. A atenção de Serena era mais curta do que a de um cachorrinho recém-nascido e elajá havia bebido demais para ter uma conversa séria.
- Não vamos mais falardo futuro, tá bem? - Ela acendeu um cigarro e soprou a fumaça no ar acima da cabeça de Blair.Sabe o que é,aquele cara louro que está conversando com oAaron está te encarando total há uns dez minutos. - Ela cobriu a boca com os dedos longos e esbeltos e riu. - Epa. Lá vêm eles.
Blair se virou e deu com seu meio-irmão vegetariano de trancinhas, Aaron Rose, e um cara muito alto com cabelo louro espigado e olhos castanho-claros, vestindo um smoking Armani maravilhosamente bem-feito, andando para a mesa delas. O garoto batia os dedos nervosamente nas pernas supercompridas e olhava para os sapatos Christian Dior pretos e brilhantes como se estivesse preocupado em tropeçar neles ou coisa parecida. Atrás dos dois garotos, a pista de dança inchava de belas meninas lindamente vestidas e rapazes adoravelmente elegantes, os braços de um no pescoço de outro, balançando com uma música de Beck.
- Diga alguma coisa legal para a Blair - disse Serena a Aaron. - Ela está se estressando com o futuro.
Blair revirou os olhos.
- E quem não está?
Os lábios finos e vermelhos de Aaron se curvaram para baixo numa careta de quem pede desculpas. Ele, Blair e Serena tinham vindo ao baile juntos e, desde que chegaram, Aaron deixou as duas meninas bebendo e fumando cigarros enquanto ele ia encontrar os amigos. Mas Blair andava meio ansiosa e sentimental ultimamente com o casamento dos pais, a entrevista repulsiva em Yale e tudo o mais. Ela precisava de todo o apoio moral que pudesse conseguir.
- Desculpe. Não tenho sido um bom acompanhante. Quer dançar ou coisa assim? Blair o ignorou. Ela estava com cara de quem queria dançar? Ela olhou para o amigo alto e louro de Aaron.
- Quem é você?
O louro deu uma risadinha. Os dentes dele eram ainda mais brancos do que a camisa. - Sou o Miles. Miles Ingram.
Filho de Danny Ingram, o famoso proprietário de restaurantes e clubs, dono de lugares da moda, como o Gorgon em Nova York e o Trixie em Los Angeles, para citar apenas alguns.
- Ele é meu colega de turma na Bronxdale - acrescentou Aaron. - Estamos montando uma banda. Miles toca bateria.
Blair bebericou o champanha, esperando que eles dissessem alguma coisa que não fosse completamente entediante.
Miles deu uma risadinha para Blair e tamborilou os dedos nas costas de uma cadeira vazia.
- Você é muito mais bonita do que eu pensava - disse ele. Ele era bonitinho, mas aquele negócio dos dedos batucantes podia ser seriamente irritante.
Blair não retribuiu o sorriso. Pegou a bebida. Aaron provavelmente disse a Miles que ela era uma bruxa total, e ele esperava que ela tivesse verrugas no nariz e uma vassoura na bunda.
Não exatamente. Aaron não gostava de falar de sua nova meia-irmã porque queria guardá-la para si mesmo. Mas não puxe a rede ainda - vamos chegar lá depois. Aaron empurrou as trancinhas para trás das orelhas.
- E essa é Serena - disse ele a Miles. Miles deu só uma olhadinha rápida no rosto perfeitamente cinzelado, nos profundos olhos azuis, no corpo longo e magro e no fantástico vestido preto Gucci de Serena. Os olhos dele caíram nela por um momento - era difícil não cair-, antes de se virarem para Aaron.
- Que esquisito. Você não me disse que Blair era tão bonita. Aaron deu de ombros e pareceu pouco à vontade.
- Desculpe.
Blair e Serena acenderam novos cigarros, ainda esperando que alguma coisa louca acontecesse. Considerando a observação que Blair acabara de fazer sobre o destino, cabia a elas fazer acontecer.
Aaron pigarreou. - Tem certeza de que não quer dançar? - perguntou ele a Blair novamente. Blair percebeu que ele não estava usando gravata-borboleta e que a camisa do smoking estava desdobrada e desabotoada no colarinho. Aparentemente, ele estava declarando
alguma coisa. Ela deu um longo trago no cigarro e soprou a fumaça na cara dele.
- Não, obrigada.
A música de Beck terminou e as pessoas voltaram aos bandos para as mesas para se embebedar mais.
- Meus pés estão morrendo! - gemeu Kati Farkas, atirando-se em uma cadeira na frente de Blair e tirando os sapatos.
- Os meus já estão mortos-ecoou Isabel Coates, afundando na cadeira ao lado da dela. Nos últimos dois anos, enquanto Serena estava na Hanover Academy, em New Hampshire, Isabel e Kati tinham colado em Blair. Elas compravam maquiagem na Sephora juntas, bebiam cappuccino no Le Canardjuntas e, sim, elas até iam ao banheirojuntas. Blair dominava o cenário social. Então, quando as duas estavam com ela, elas se sentiam quase famosas, aproveitando o tapete vermelho em toda parte. Mas, pouco antes do Dia do Descobrimento da América, Serena foi expulsa do internato e reapareceu na cidade para roubar Blair das duas, e Kati e Isabel voltaram a ser as velhas e reles Kati e Isabel de sempre.
- Como é que vocês não estão dançando? - perguntou Kati. Blair deu de ombros.
- Não estou com humor pra isso.
Isabel suspirou.
- Só vamos ter de fazer as provas na semana que vem disse ela, confundindo com cansaço o toque de tédio na voz de Blair. -E depois, vamos ter uma folga por causa do Natal. - Vocês têm tanta sorte de ir a um lugar que é demais acrescentou Kati. - Eu vou ter de fazer aquele esqui idiota na porcaria de Aspen, de novo.
- Bem, não é tão ruim quanto minha casa de campo chatérrima em Connecticut -replicou Isabel.
- Vai ser sensacional - soltou Serena com um sorriso animado. Blair e Serena iam passar o Natal juntas em St. Barts. A mãe de Blair e o pai de Aaron estavam em lua-de-mel num cruzeiro pelo Caribe, e arranjaram para que Blair, Aaron e o irmãozinho de Blair, Tyler, passassem as festas no exclusivo resort Isle de La Paix, em St. Barts. Cada um deles podia levar um amigo, se quisesse. Assim, depois de se reconciliarem no banheiro durante a recepção de casamento da mãe, Blair convidou Serena.
É claro que estariam de volta à cidade para o Ano-novo. Nenhuma garota de respeito com mais de 12 anos que goste de uma balada passa o Ano-novo com os pais. - Vai ser uma loucura - concordou Blair com um sorriso presunçoso. Ela podia se imaginar perfeitamente, escorregadia de bronzeador, com o novo biquíni Missoni em uma praia rústica de areias brancas, o rosto mascarado por enormes óculos de sol Chanel, enquanto uns gatos de calção de surfe traziam drinques exóticos em cascas de coco. Ela ia se esquecer de Yale, de Nate, da mãe e de Cyrus e assar até ficar marrom como café com leite sob o sol quente da ilha. É claro que ela sabia que Kati e Isabel estavam numa inveja total porque ela não havia convidado nenhuma das duas para ir a St. Barts com ela, mas, para ser sincera, Blair não dava a mínima. Só mais um semana. Chuck Bass apareceu por trás de Blair e colocou suas mãos quentes e grandes nos ombros nus dela, tonificados pela prática de tênis.
- Acabo de ver o Nate e aquela garotinha da Constance dando uns amassos no canto -anunciou ele, como se todos quisessem saber.
Chuck era bonito de um jeito meio obscuro, de comerial de loção pós-barba. Também era o cara mais galinha de toda Nova York. Ele tentou molestar Serena quando ela desabou de bêbada no quarto de hotel da família dele no Tribeca Star em outubro e quase conseguiu que a pequena Jenny Humphrey tirasse o vestido para ele no banheiro das mulheres na festa Beijo na Boca na mesma semana. Chuck era o pior tipo de galinha, mas todos ainda o toleravam porque ele era um deles: freqüentava uma pequena escola privativa de meninos; no primário, ele foi para a escola de dança na Arthur Murray e tomou aulas de tênis na Asphalt Green, e cantou na igreja do hotel em frente à praia no sul da França. Era convidado para as melhores festas e para as vendas privativas mais exclusivas, como todos os outros do grupo. Mesmo quando era rejeitado, Chuck ainda voltava. Ele era impiedosamente inespantável. Blair tentou afastar as mãos dele.
- E daí?
Chuck continuou com as mãos onde estavam.
- Nate nunca conseguiu fazer você ceder, né? - Ele começou a massagear os ombros dela. - Estava pensando que talvez a honra deva ser minha.
Todo o corpo de Blair enrijeceu. Até aquele momento, ela nunca teve muitos problemas com Chuck, mas agora entendia por que Serena o odiava tanto. Ela empurrou a cadeira para trás, expulsando violentamente as mãos dele de seus ombros e se levantou. - Tenho de ir ao banheiro-anunciou ela à mesa, ignorando Chuck completamente. - Depois, vamos dar o fora daqui. Podemos continuar a festa na minha casa ou coisa parecida.
Aaron se levantou e deu um passo na direção dela, enfiando as trancinhas atrás da orelha, meio constrangido.
- Você está bem? - perguntou ele, parecendo preocupado. Nesse momento, todo aquele ato do Sr. Sensível irritou Blair quase tanto quanto a galinhagem de Chuck.
- Estou ótima.
Ela se virou e marchou pela sala da melhor maneira que pôde no salto agulha de acrílico Christian Louboutin e no vestido Gucci preto superapertado, olhando diretamente para a frente a fim de evitar ver Nate com aquela garotinha Ginny, ou sei lá que diabos é o nome dela.
As pessoas estavam se reunindo na pista, num murmúrio excitado. Parecia que Flow - o vocalista mais gostoso do mundo da música - estava prestes a aparecer. Mas Blair não se importou. Ela não ficava babando para gente famosa, como a maioria das garotas. Não precisava disso: ela era a estrela constante do filme que rodava em sua cabeça, a pessoa mais famosa que conhecia.
o gato do rock vira a cabeça de todas Jenny estava numa espécie de transe abençoado a noite toda. Antes de acompanhá-la ao baile Black-and-White, Nate vestira um smoking Donna Karan novo, pegara Jenny de táxi, levara-a para comer sushi e beber muito saquê no Bond e dera-lhe um pequeno pingente turquesa Jade Jagger em forma de estrela. Os olhos verdes dele faiscavam à luz das velas e seus cabelos dourados estavam tão perfeitamente desgrenhados que Jenny ficou tirando polaróides mentais dele para que pudesse
pintar um retrato novinho de manhã e aumentar sua coleção. O melhor de tudo foi que, depois que eles chegaram ao baile, Nate não a arrastou para falar com pessoas que ela não conhecia. Até os amigos turbulentos de Nate, Jeremy Scott Tompkinson, Anthony Avuldsen e Charlie Dem, deixaram os dois em paz. Nessa noite Nate era só dela, feliz por abraçá-la enquanto se beijavam silenciosamente no canto. - Conhece a tela O beijo, de Gustave Klimt? - disse Jenny entusiasmada, enquanto olhava para o rosto adorável de Nate. Nate fez uma careta.
- Na verdade não.
- Conhece. É famosa pra caramba. De qualquer forma, é o que isto me lembra. Ele deu de ombros e olhou para o palco.
- Acho que o cara do 45 vai aparecer daqui a pouco e falar alguma coisa. Jenny encostou na parede. Antes de Nate, ela teria molhado a calcinha de excitação por ver uma celebridade como Flow, mas agora só o que queria era continuar beijando Nate. - E daí? - Ela deu uma risadinha e bateu de leve na boca com as costas da mão, com o cuidado de não borrar o brilho MAC cor-de-rosa. - Isso foi demais - acrescentou ela baixinho.
- O quê? - perguntou Nate, olhando distraído para o salão. - Nunca beijei por tanto tempo assim -admitiu Jenny.
Nate se virou para ela e sorriu. Tinha fumado um baseado no caminho para pegá-la e ainda estava meio chapado. Ele gostava do vestido que Jenny estava usando. Era longo e preto, de decote baixo na frente e nas costas, com um franzido branco dramático que se agitava nos tornozelos minúsculos.
Jenny tinha comprado o vestido na Century 21, uma ponta de estoque de roupas de grife freqüentada por caçadores de pechinchas e por uma gente desesperadamente sem noção que comprava qualquer coisa que tivesse etiqueta, mesmo que fosse obviamente imperfeita ou fosse só uma idéia ruim do estilista que não venderia em lugar nenhum, exceto na Century 21.
Ela devia exatamente quatro mesadas ao pai pelo vestido, mas Nate não sabia disso. Ele achava que ela parecia um anjinho em preto-e-branco. Um anjo com o melhor par de peitões que ele já vira. Ele passou as mãos pelos braços claros e macios como de bebê de Jenny. Ela também era delicada e quente, como pãezinhos frescos de um restaurante cinco-estrelas.
O DJ começou a tocar o sucesso do 45, Korrupt Me, e depois Flow apareceu arrogante na pista vindo do nada, usando um paletó de smoking sobre uma camiseta vermelha com BE KIND em grandes caracteres brancos e rindo como quem sabe que é um dos caras mais gostosos do mundo. Flow era filho de uma modelo dinamarquesa de lingerie e de um magnata jamaicano do café, e parecia uma versão bronzeada e de olhos azuis de Jim Morrison, da clássica banda da década de 1960, The Doors. Ele subiu por trás de um pódio de vidro, a música parou e todos uivaram e aplaudiram. Jenny passou a mãozinha pelo dedão de Nate e deu um apertão enquanto eles saíam do canto para ver. - Eu só queria saudar todos vocês por se produzirem e virem aqui esta noite para levantar dinheiro para ... - Flow abriu o paletó de smoking para apontar a camiseta e alguns dos convidados entusiasmados e atrevidos do baile, uma gente que não tinha vergonha de pagar mico, gritaram: "Be Kind!"
No mesmo instante, Blair abriu a porta do banheiro das mulheres para encontrar Nate e Jenny de mãos dadas bem no caminho dela. Jenny usava um vestido berrante de grife dúbia estilo vovozinha que era grande demais embaixo e pequeno demais em cima. Ela e Nate pareciam uns suburbanos bregas em sua noite de baile. Blair ajeitou as alças do vestido e estalou os lábios laqueados de vermelho-rubi. Quanto mais cedo saísse dali, melhor. Mas ela não podia escapulir como uma pobre ex-namorada rejeitada. Tinha de mostrar mais orgulho de merda do que isso. Bem, muito mais.
- Gostaria de agradecer ao comitê organizador do baile, chefiado por Blair Waldorf e Serena van der Woodsen - continuou Flow, lendo um cartãozinho que estava em sua mão. - Ei, por que as duas garotas não vêm aqui e me ajudam a anunciar quanto dinheiro arrecadamos?
Todos esticaram o pescoço para procurar por Serena e Blair. Em seu jeito tipicamente exuberante, Serena soltou um uivo alto e deslizou sem esforço pela pista de dança, subindo ao pódio com os cabelos claros esvoaçantes. Flow deu um passo para trás, emudecido com a beleza dela, e Serena se inclinou para o microfone.
- Venha, Blair - gritou ela, procurando pelo salão abarrotado. - Suba aqui! Blair podia sentir que as pessoas a encaravam. Ela tentou dar um sorriso e deixou seu posto na porta do banheiro, andando diante do nariz de Nate e ]enny enquanto abria caminho para a frente do salão.
A boca de Nate se abriu quando Blair zuniu por ele. Ela parecia mais alta do que ele se lembrava e sua bunda estava mais definida. Os longos cabelos brilhavam e a pele tinha um tom perolado que lhe dava vontade de tocá-la. Ela estava gostosa. Não, ela estava mais do que gostosa. De repente ele ficou confuso. Queria pegar o braço de Blair e dizer: "Volte aqui. Eu cometi um erro." Mas então ]enny apertou a mão dele, e ele olhou para os olhos castanhos e comoventes e o decote profundo, e imediatamente se esqueceu de Blair de novo.
Nate era como o labrador mais pateta. Se você balançasse uma vareta na frente dele, ele só pensava em pegá-la, mas, se atirasse uma bola de tênis, ele se esquecia da vareta e corria atrás da bola.
Blair se juntou a eles no pódio e Flow deu a Serena uma folha de papel, sorrindo de orelha a orelha porque as duas organizadoras do baile, por acaso, eram tão lindas. - Tudo bem - disse Serena, lendo o papel. - Então, levantamos oitocentos mil e quatrocentos dólares. Tudo em benefício do Be Kind, o novo fundo de resgate internacional de animais. - Ela exibiu o famoso sorriso que tinha sido capturado por tantos fotógrafos para as páginas sociais e de foforas e cutucou o braço de Blair. Blair tinha organizado centenas dessas coisas. Ela conhecia o protocolo. Ela se inclinou para o microfone ..
- Obrigada por virem! - gritou ela, dando o melhor sorriso de benfeitora. - E não se esqueçam de sua bolsa de brindes Coach ... é a melhor parte da festa!
A música recomeçou, mais alta do que antes, e todos voltaram a beber e a dançar. Flow inclinou a cabeça para Serena e sussurrou-lhe alguma coisa no ouvido. O hálito dele era quente e pinicou na orelha dela. Ele tinha cheiro de couro novo. Serena riu.
-Peraí um minutinho, tá?
Flow assentiu enquanto Serena pegava o braço de Blair e se afastava do pádio, arrastando a amiga de volta à mesa das duas.
- Ele quer que eu me encontre com ele lá fora, pra gente dar uma volta na limo dele. Rápido, pegue seu casaco. Você também vai.
Blair fez uma careta. Ela realmente não era do tipo de segurar vela, muito obrigada. - Acho que não.
Serena fingiu que não ouviu. Não ia deixar que Blair melasse toda a sua festa. Kati, Isabel, Chuck, Aaron e Miles ainda estavam sentados à mesa, bebendo a Stoli que Chuck tinha trazido em um frasco de prata monogramado. - Vamos lá - disse Serena a eles em júbilo. - Todo mundo pra fora! Vamos fazer a festa na limo do Flow!
Blair pegou o tíquete do casaco em sua bolsa baguette Fendi de pele de mink e armadílio não exatamente livres de crueldade.
Às vezes o entusiasmo de Serena beirava o irritante. Mas Blair não podia dizer que não gostou do baile.
Ela gostou da idéia de estar toda produzida andando de carro pela cidade, vendo o mundo através do vidro fumê da limusine. Era tão Audrey em Bonequinha de luxo. E talvez uma volta na limo de Flow fosse exatamente o que faria sua vida se transformar, como mágica, de uma série de desastres para uma série de sonhos que se tornam realidade.
Nate estava ficando meio cheio de tanto beijar Jenny. Ele não tinha bebido muito e precisava mesmo dar mais uns tapas.
- Quer andar um pouco? - perguntou ele.
Jennysorriu para ele. Parecia que os cílios de Nate tinham sido banhados em ouro, assim como o cabelo. A única coisa que deixaria essa noite ainda mais perfeita seria Nate dizer a ela: "Eu te amo". E ela esperava que fosse exatamente isso que ele ia fazer. - Claro - respondeu ela ansiosa.
Eles pegaram os casacos e Nate manteve a porta aberta para ela quando saíram do alvoroço do hotel.
Uma enorme limusine preta com janelas escuras estava estacionada do lado de fora. Nate e Jenny desceram os degraus de mármore até a calçada e Nate soltou a mão dela para acender discretamente um baseado. Jenny remexeu suas luvas pretas de camurça, decepcionada. Se Nate ia dizer "Eu te amo", ela não queria que ele estivesse chapado quando fizesse isso.
De repente o vidro preto da limo desceu e apareceram os belos cabelos louros de Serena. - Ei, vocês aí! - disse ela a Nate e Jenny. - Venham! Estamos dando uma festa! Entrem! Entrem!
Como sempre, Serena estava agindo por impulso. Sequer passou pela cabeça dela que eles eram os últimos merdinhas no mundo que Blair queria ver. Jenny sempre venerou muito Serena, e andar de carro com ela e com os outros que estavam ali parecia excitante e decadente.
Mais excitante do que caminhar pelo frio congelante enquanto Nate ficava doidão. Ela tocou o braço de Nate.
- Podemos ir?
Nate deu de ombros. Estava pronto para qualquer coisa, desde que pudesse levar o baseado com ele.
- Claro. Por que não?
A porta se abriu e Jenny riu animada enquanto trepava sobre a massa de pernas com meias arrastão e joelhos com smokings e se espremia em um cantinho minúsculo perto da janela, ao lado de uma garota que usava os sapatos mais maravilhosos e aparentemente mais caros que ela já vira. Uma garota que, por acaso, era a ex-namorada de Nate, Blair Waldorf.
O rosto de Jenny ficou vermelho como tomate e ela imediatamente virou a cabeça para o outro lado, dando de cara com o olhar sacana de Chuck Bass, o babaca que tinha tentado dar um arrocho nela num reservado do banheiro da festa Beijo na Boca em outubro. Tá vendo o que acontece quando você entra numa limo sem primeiro checar quem está lá dentro?
d pode se livrar do casamento
Daniel Humphrey mordeu a unha cor-de-rosa de Vanessa Abrams e a cuspiu no áspero tapete marrom de seu quarto. A unha era muito mais comprida do que as outras e ele estava cansado do modo como ela sempre o arranhva acidentalmente. -Ei, essa era minha unhada guitarra - protestou Vanessa, afastando a mão dele com um puxão e examinando os danos.
Dan riu. Seu rosto pálido se contorceu debaixo dos cabelos castanhos embaraçados. Ele raramente cortava o cabelo, mas o cabelo grande demais combinava com a imagem desgrenhada e supercafeinada de poeta dele.
-Como se você tocasse guitarra.
Vanessa deu de ombros e esfregou o alto da cabeça escura e quase raspada com um nó dos dedos pálidos. Tinha olhos castanhos enormes, pele clara e lábios finos e vermelhos e até podia ser bonita, se parasse de raspar a cabeça. Mas Vanessa não ligava para a beleza; preferia o lado mais sombrio das coisas, suas entranhas feias. -Como é que você sabe? - disse ela. - Durante o dia eu fico com você, mas à noite eu toco tock.
-Você nem gosta de música alta - zombou Dan. Ele a empurrou na cama e começou a fazer cócegas nas axilas dela. - Seu CD favorito é uma gravação de uma tempestada com trovões.
-Pare com isso! - guinchou Vanessa, debatendo braços e pernas e bufando histericamente. - Daniel Randolph Humphrey, pare com isso agora!
Ai eles não eram uma gracinha?
Dan patou de fazer cócegas nela e se sentou.
-Você disse a palavra proibida.
Vanessa puxou para baixo a blusa preta de gola rulê sobre a barriga branca e ligeiramente gorducha.
-Randolph, Randolph, Randolph. Quem dá a uma criança um nome do meio desses? Parece nome de camisinha ou de astro de filme pornô ou algo assim. Randolph o Lubrificador! - uivou ela.
Dan ficou em completo silêncio de repente, franzindo a testa enquanto enfiava o dedo em uma queimadura de cigarro no velho cobertor verde do exército de sua cama. Vanessa se sentou.
-Desculpe. Promeri que não ia sacanear seu nome do meio e agora estou aqui, rindo dele que nem um imbecil. Mas não era isso que estava aborrecendo Dan. -Clark tem o quê, tipo assim, vinte e dois? - perguntou ele. Os olhos castanhos de Vanessa ficaram ainda maiores. Clark era o bartender mais velho que ficou com ela antes de a ficha de Dan finalmente cair e ele entender que ele e Vanessa deviam ser mais do que amigos.
-É, e daí?
-É ele é bartender. Tipo garanhão?
-Acho que sim. - Ela ainda não entendia aonde ele queria chegar. Dan disparou para fora da cama e acendou o milionésimo Camel do dia. Inalou profundamente e soprou um vapor cinza-azulado no ar sobre a cabeça de Vanessa. Ela sabia que ele estava tentando aparentar tranquilidade, mas os olhos dele estavam nervosos.
-Daí que vocês...hmmm..transaram, ou o quê?
Vanessa tentou primeiro reprimir o sorriso. Então era isso. Ela pensou na resposta. -Meio assim.
-Tipo assim, você meio que fazia ou meio que não fazia? -Tipo fizemos, mas não tanto assim - respondeu Vanessa devagar. Ela e Clark transaram duas vezes. A primeira vez foi em plena luz do dia. Ela ficou tão envergonhada do próprio corpo que nem prestou muita atenção em outras coisas. Na segunda vez ela se sentiu mais relaxada, mas ainda não pôde entender por que era tão bom assim. Para ela, era engraçado de tão pré-histórico. Tipo, era exatamente a mesma coisa que todas aquelas zebras e hienas faziam na época de acasalamento naqueles programas sobre a natureza. Ainda assim, era meio legal já ter feito. Fazia com que ela sentisse que tinha mais substância, como uma história eu-fui-lá-e-fiz. -Sei - Dan deu outro trago no cigarro. E depois outro. Ele acompanhou a costura do travesserio manchado de café. Ele era virgem e Vanessa não. Ele não sabia como se sentir com relação a isso.
Na verdade, ele sabia. Ele se sentia nervoso, idiota, baixo, esquelético, pálido, estranho e completamente inadequado. Pra que Vanessa tinha de namorar e transar com outro cara? -Olha, eu sei que você virgem - disse Vanessa bruscamente. -Mas isso não significa que tenha de continuar assim. - Ela ergueu sugestivamente as grossas sobrancelhas pretas e sorriu.
Dan olhou para ela e sorriu também, as bochechas adquirindo um adóravel rosa intenso de constrangimento.
-É mesmo?
Vanessa assentiu e se aproximou um pouco dele.
É. - Ela colocou as mãos no peito esquelético dele e o empurrou na cama. Depois, tirou o cigarro da mão dele eo enfiou na caneca de café velho que estava pela metade na mesa-de-cabeceira. -Não se preocupe - disse ela com sua melhor voz rouca de mulher vivida. -Sei o que estou fazendo.
Ela o beijou delicadamente na boca e começou a tirar a roupa dos dois. Primeiro tirou a camiseta cinza dele, e depois tirou a preta que ela vestia. Estava usando um top preto por baixo. Tudo que Vanessa usava era preto.
Dan respirou fundo e fechou os olhos. Não era como ele imaginava que aconteceria. Para ele, o sexo era tão importante quanto nascimento e morte, uma das experiências poéticas mais intensas que uma pessoa podia ter. Não era algo que você fizesse com a namorada quando estava entediado numa noite de sábado antes das provas do meio do período. Era uma coisa que fazia quando os dois já se exploraram de todas as outras formas - intelectual, espiritual e filosoficamente. Dan chegou a brincar com a idéia de esperar para transar quando estivesse casado pronto para ter filhos. Ele queria ter cinco filhos e lhes daria o nome de seus escritores preferidos: Kafka, Goethe ,Sartre, Camus e Keats. Mesmo que não tivesse de esperar até casar, a primeira vez devia ser um processo de descoberta, como se os dois aprendessem a se falar em uma nova língua. Mas Vanessa já havia aprendido a língua com outro cara. - Você tem pés bem estreitos mesmo - observou ela, ajoelhando-se no chão enquanto Dan tirava as meias.
Dan se sentou e afastou os pés dela.
-Peraí.
Vanessa se arrastou para cama e se sentou ao lado dele, as pernas cruzadas, com aquela calcinha preta e o top preto.
-Qual é o problema?
-Não quero fazer isso - Dan cruzou os braços magros no peito nu. A calça de veludo cotelê ainda estava no corpo, mas ele se sentia muito pelado. - Quero dizer, não agora. Vanessa estendeu a mão e o afagou alegremente no braço. -Eu fiquei nervosa na primeira vez também. Não é assim grande coisa - disse ela, tranquilizadora. Eu prometo.
Dan engoliu em seco e olhou para o teto. Ficou olhando fixamente uma rachadura no reboco acima de sua cabeça.
-Eu só queria esperar até que fique mais...orgãnico.
-Tá legal- disse Vanessa lentamente. -Mas é só sexo, save como é. Não é um poema . Obviamente ela não queria dizer isso. Para Dan era mesmo um poema. Provavelmente o poema mais importante que ele jamais escreveria.
Ele vestiu a camiseta.
-Eu só acho melhor esperar; é só isso.
-Certo - retrucou Vanessa, a ponto de perder a paciência.
Dan estava sempre analisando demais as coisas, escrevendo sobre elas em seu bloquinho de capa preta até que não houvesse mais nada para escrever. Ela adorava o modo sensível e romântico dele, mas pelo menos uma vez na vida ele podia ser legal e deixar de pensar tanto nas coisas e só seguir a maldita correnteza. Ainda assim, Vanessa era a fim dele desde o dia em que se conheceram e fizeram amizade, três anos antes. Ela não ia estragar as coisas, agora que eles finalmente estavam juntos.
Dan acendeu outro cigarro. As mãos dele tremiam como nunca. Vanessa o cutucou novamente.
-Ei, não fique ai tão preocupado. Por mim, tudo bem que não tenha rolado. Tá bom? Ele assentiu. Vanessa pegou a mão dele e colocou o braço de Dan em volta de seus ombros. Eles voltaram a se deitar na cama e Dan soprou a fumaça para a lanterna chinesa de papel vermelha enquanto afagava suavemente a cabeça careca de Vanessa com o polegar. Estava feliz por não ter de se explicar tanto. Era o que havia de legal em namorar a melhor amiga. Ela o conhecia quase melhor do que ele conhecia a si mesmo. Os dois ficaram deitados ali por algum tempo, vendo a fumaça do cigarro de Dan flutuar no ar. Essa era outra coisa legal em ficar com a melhor amiga. Nem sempre você tem de falar. -Assim que começarem as férias, quero rodar mais um filme. -Vanesa rompeu o silêncio. - Estou achando que meu Guerra e paz pode ser sombrio demais para mandar para a Universidade de Nova York.
O último filme de Vanessa foi adaptado de uma cena de Guerra e paz, de Tolstoi, e trazia Dan como um princepe Andrei viciado em crack. Vanessa tinha se candidatado à Universidade de Nova York e queria mandar um de seus filmes em vez de um ensaio escrito, uma vez que ela pretendia se formar em cinema. Ela mal podia esperar. Só mais um período na Constance Billard School para Meninas Magrelas e Neuróticas, onde (graças a Deus) não se ajustava em nada, e ela estaria livre, livre, livre! Dan soltou uma longa baforada. Não sabia com o que Vanessa se preocupava. Os filmes dela eram combrios, mas era isso que os tornavam brilhantes. Não tinha como a Univerdidad de Nova York não aceita-lá.
-Se alguém tem de se preocupar, esse alguém sou eu - disse ele, as mãos tremendo de nervoso de novo.
-Como assim? - perguntou Vanessa. - Qualquer universidade com um programa deliteratura meio decente mataria para ter você.
-É, mas eu falo do dombrio, Meus poemas são mesmo... - Dan parou. Os poemas dele eram pessoais, eram o que eles eram. E parecia meio estranho mandar um monte deles para um funcionário qualquer da admissão na Columbia, ou Brown, ou Vassar, como se estivesse desnudando sua alma e um completo estranho podia nem ter lido as obras de Goethe, Sartre ou Camus e não entenderia suas refêrencias oblíquias a eles. -Sabia que você pode até tentar publicar umas coisas suas? - sugeriu Vanessa. -Isso ia deixar o pessoal da admissão da universidade totalmente convencia sobre você. Dan enfiou a guimba do cigarro em uma lata vazia de Coca-Cola. -É, tá legal - disse ele. Ele gostava de escrever, mas de jeito nenhum estaa pronto para mandar suas coisas a um editor. Nem mesmo achara sua voz ainda. Ele sabia disso. Cada novo poema que escrevia parecia diferente dos mais antigos. Vanessa se sentou novamente.
-Que foi? Estou falando sério.Você devia fazer isso.
Dan adunfou ainda mais nas cobertas.
-Tanto faz - murmurou ele sem entusiasmo. Não estava pronto para o sexo e não estavapronto para ser publicado. Agora se sentia mais inadequado ainda. Vanessa sabia que quando era horade recuar. Ela respirou fundo e canalizou sua gatinha interior, aquela que só saía de seu canto quente no aquecedor quando Dan precisava de um forte beijo na carinha bonitinha dele.
Ela deslizou sob as cobertas e beijou o peito dele.
-Mais uma semana e a gente pode passar todo o tempo das férias assim - murmurou ela. Ao contrário da maioria dos colegas da turma na Constance Billard e na Riverside Prep, nem Vanessa nem Dan teriam uma viagem glamourosa nas férias de Natal. Vanessa morava com a irmã mais velha, uma baixista, Ruby, em um apartamento em Williamsburg, no Brooklyn. Os pais delas eram artistas de vanguarda, moravam em Vermont e sempre passavam o Natal numa turnê com sua trupe perfotmática. Dan e a irmã Jenny, moravam com o pai, Rufus, um escritor comunista e editor de poetas beat nada conhecidos, que não acreditavam em Natal, nem em Hanukkah, nem em nenhum outro dia santo, aliás.
-Papai vai fazer sua lasanha anual na quinta-feira - e Dan passou as mãos nas costas de Vanessa, Permitindo-se relaxar novamente. Ele adorava a suavidade e a firmeza das costas dela, que não eram cheias de costelas como as dele. - Você vem, né? Ela deu os ombros.
-Claro. Mas diga a seu pai que não vou comer feito uma porca como fiz no ano passado. É outra coisa que estou dando um tempo. Vou perder três quilos. Dan continuou afagando as costas de Vanessa.
-Por quê? - perguntou ele. Vanessa não precisava fazer dieta. O corpo dela era exatamente como ela descreveu em um de seus poemas: como água. -Porque minhas roupas vão cai melhor se eu fizer. - Vanessa não estava interessada em ser magrela, como a maioria das colegas de turma, mas não gostava quando tinha de encolher a barriga para abotoar as calças.
-Bem, eu gosto de você como você é - disse Dan , passando o nariz na orelha dela. Vanessa virou a cabeça para ele e seus lábios se encontraram em um longo e doce beijo. Enquanto se beijavam, ela não conseguia deixar de pensar em sexo com Dan podia ser muito mais significativo do que tinha sido com Clark. Se pelo menos Dan estivesse pronto.
-Eu te amo - sussurrou ela, fechando os dela. Por algum tempo Vanessa pensou em perguntar novamente se ele queria tentar transar, mas não ia estegar o momento. Só tinha de esperar até que ele estivesse pronto, embora com Dan isso pudesse significar esperar até que estivessem casados ou coisa assim.
Até parece que eles não agiam como se já não fossem casados. Dá licença, que eu vou bocejar.
J se arrepende de participar da festa
No banco traseiro da limusine de Flow, Blair se sentiu espremida pela peituda da Jenny Humphrey e pelo amigo desengoçado de Aaron, Miles, o baterista espigado. Do outro lado deles Serena estava no colo de Flow - "Para dar espaços para os outros", afirmou ela - e Nate imprensado na janela, ficando chapado. Ele também tinha passado o baseado para Kati, Isabel e Chuck, que era ainda mais irritante chapado do que bêbado. Aaron estava sentado de pernas cruzadas no chão, entre os dois bancos traseiros, fumando um dos seus cigarros naturaise jogando o PlayStation 2 da limo. - Qual seu nome verdadeiro aliás? - Perguntou Serena a Flow, embora já soubesse, por um programa da MTV, que o nome dele era Julian Prospere. Na verdade é um nome muito melhor do que Flow, mas não ia dizer isso a ele.
Ele deu seu famoso risinho de cara tímido capturado nas capas da Spins, Rolling Stones, Entertainment Weekly e Interview e sacudiu a cabeça. - Não é tão importante
- Bem, você não é tão bonito pessoalmente - Disse ela virando a cabeça para o outro lado com um sorrisinho perverso.
Ela estava mentindo, é claro. Ele era pelo menos dez vezes mais bonito do que nas fotos, se é que isso era possível.
Serena sabia que estava paquerando de uma forma ridícula, mas ela adorava o modo como o cabelo castanho-escuro de Flow se enrolava nas têmporas, a pele de um bronze dourado e como seus dedos pareciam delicados. Por que não chegar no cara? Era só por uma noite. Amanhã Flow ia voltar a Los Angeles, ou onde quer que morasse, e ela finalmente começaria a estudar para as provas. Tudo o que ela queria era se divertir um pouco.
Tudo o que Serena queria era se divertir um pouco o tempo todo. Flow recuou, fingindo se envergonhar de sua boa aparência. - Desculpe. Acho que não sou tão alto também. Ele se inclinou para a frente e abriu o frigobar Sub-Zero embaixo de seu banco.
- Ei, tem bebida aqui. Alguém aí está com sede?
- Eu, por favor - respondeu Blair de imediato. Ficar bem bêbada era a única maneira de suportar uma coisa daquelas.
- Hmmm, vou experimentar um pouco - aventurou-se Jenny timidamente. A limo deu uma guinada em uma tampa de esgoto e seus peitos quicaram sem piedade. Ela olhou para Nate para saber se ele tinha percebido, mas ele estava olhando pela janela com aquele jeito aéreo que assumia quando ficava extremamente chapado. Miles ajudou Flow a encher dez flutes com champanha Cristal. Ele passou uma a Blair. - Tintim - disse ele, batendo a taça na dela.
Blair pegou a taça e, como não estava sentada perto da janela e não tinha mais nada para olhar, analisou o rosto de Miles. Tinha olhos redondos e castanho-dourados, meio parecidos com os olhos de Mookie, o cachorro de Aaron. O nariz insolente e meio arrebitado era pontilhado de sardas pequenininhas e o cabelo louro-claro espigava direto para cima. Ajulgar pela forma como as veias saltavam do pescoço comprido, provavelmente ele malhava,jogava basquete ou coisa parecida. No todo, ele parecia meio um personagem de desenho num corpo de atleta. Mas como Blair não tinha nada melhor para fazer, e era evidente que ele estava a fim dela, ela pensou que podia ser meio divertido paquerar Miles.