Eu Quero Tudo!
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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
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P: Cara GG,
So da turma de saúde de J e sei que ela está fazendo terapia por causa da obsessão que tem com umbigos. Ela, tipo assim, tem de ir ao banheiro toda hora pra ter certeza de que o dela ainda está lá, e quando trocamos de roupa para a aula de educação física ela sempre olha para o de todo mundo. É mesmo uma aberração. - ronisays
R: Oi, ronasays,
E daí, qual é o problema? Umbigos são sensuais. Pelo menos o meu é. - GG
P: Oi, GG,
Só estava pensando que você gostaria de saber que eu acho que moro no mesmo prédio da B que você sempre fala, e às vezes eu pego a correspondência dela por engano. A mãe dela recebe toneladas de cartas da New Beginnings, que é ou uma clínica de fertilidade ou um centro de aconselhamento para drogas e álcool. Eu procurei na lista telefônica. - peekaboo
R: Oi, peekaboo,
Vamos esperar que ela só dê dinheiro a eles e não use realmente seus serviços. - GG
Flagra
S dando ao porteiro um boneco de neve de chocolate sólido com um metro de altura embrulhado em papel dourado da Godiva. Flow realmente está exagerando, a não ser que S tenha outro admirador - ela joga os cartões fora sem nem mesmo ler. D olhando a água no píer da 79, procurando por inspiração. V em um bar em Billyburg, testando sua nova figura aprimorada pela Victoria's Secret, talvez? B e S saindo do J. Sisters Salon, depois de fazer depilação com cera para o St. Barts.
Parece que vai ser surpreendente por lá!
Tenham férias maravilhosas e não se esqueçam de se divertir como loucos. Eu sei que vou. Vejo vocês lá!
Pra você que me ama,
gossip girl
b está presa na classe econômica, atraindo homens como moscas
Blair Waldorf, Ensaio da Proposta para a Universidade de Yale, 23 de dezembro
O que eu mais gosto na persona de cinema de Audrey Hepburn é que ela é altiva e acessível ao mesmo tempo. Ela paira, mas tem os pés no chão. É misteriosa, mas aberta.
Blair parou de digitar e pressionou o backspace de seu iBook até que todas as palavras fossem apagadas. Persona de cinema? Que diabos era isso? Fazia com que ela parecesse alguma anormal que banca a cineastra, como Vanessa Abrams, a de cabeça raspada e joelhos gordos da turma de cinema. O caso era que Blair tinha de escrever sobre Audrey Hepburn como aparecia nos filmes, e não como uma pessoa real, porque Blair sinceramente não sabia tanto sobre a verdadeira Audrey, a não ser que tinha parado de usar Givenchy quando ficou mais velha, cortou todo o cabelo e só usava calça cáqui e gola rulê preta o tempo todo. Blair tinha pegado um monte de livros sobre Audrey Hepburn na biblioteca, mas nem passou do primeiro capítulo. Não queria saber dos problemas de colite de Audrey, nem de seu trabalho no UNICEF. Era muito mais interessante imaginar como tinha sido a vida de Audrey do que ler sobre a vida real. - O que está escrevendo? - perguntou Miles, completando o suco de laranja com uma minigarrafa de vodca Smirnoff.
Aaron tinha convidado Miles para passar o Natal com ele no St. Barts e decidiu não contar a Blair até que se encontrassem no balcão do check-in da United Airlines. Era bastante óbvio que o único motivo para Miles ter ido era porque ele achava que passaria todo o tempo da viagem com Blair. Mas Blair estava decidida a fazer com que ele entendesse, antes mesmo da aterrisagem, que ele havia cometido um triste erro. - Nada - retrucou ela sem olhar para ele.
Eles tiveram de sair do apartamento na péssima hora das 7:45 da manhã. Agora era uma da tarde e o avião ainda estava a uma hora de St. Barts. Aaron estava dormindo- ou talvez estivesse só fingindo, para não ter de ver Miles dando em cima de Blair. Serena estava ouvindo Coldplay no discman, aliviada por estar longe da inundação constante de presentes de Flow. Tyler jogava xadrez em seu Game Boy e estava de mau humor, poque no último minuto a mãe de seu amigo, o príncipe Rolf von Wurtzel, decidiu não deixar que Rolf fosse para St. Barts com Tyler porque o jovem príncipe alemão tinha um problema constrangedor de fazer xixi na cama. Blair mexeu os cubos de gelo de sua bebida com um canudinho de plástico marrom. Graças a Deus pelos pequenos privilégios. - Tentei falar com você a semana toda - disse Miles enquanto reclinava a poltrona numa tentativa de esticar as pernas compridas. Para grande consternação de Blair, todos estavam espremidos feito sardinhas na classe econômica. - Mas eu devo ter escrito seu número errado ou coisa assim.
Blair continuou com os olhos na tela do computador. Não, respondeu ela em silêncio. Eu é que dei a você o número errado.
Miles estendeu o braço e passou os dedos pelas pontas do cabelo de Blair. - Senti saudade - sussurrou ele.
Ela olhou para ele, sem sorrir, e afastou os olhos novamente, perguntando-se o que Audrey Hepburn faria nessa situação desagradável.
Sabe aqueles fanáticos religiosos que têm adesivos no carro que dizem: "O que Jesus faria?" Bem, Blair tinha um parecido que dizia: "O que Audrey faria?" Não é que ela tivesse alguma coisa errada contra Miles. Ele não era um seboso e usava roupas Armani maravilhosas. Ele era bonito e era amigo de Aaron, que também era um cara legal, embora, se ela pudesse escolher, não teria meio-irmão nenhum. Blair devia ter se sentido lisonjeada com a atenção de Miles, e talvez se sentisse, se estivesse com humor para azarar o cara. Mas a realidade era que, à uma da tarde, espremida na classe econômica de um avião pequeno e vagabundo, com o computador no colo e o cabelo sujo num rabo-de-cavalo, ela não estava com vontade de paquerar ninguém. - Com licença, senhorita, estaria interessada em um exemplar da Vogue brtânica?- perguntou o comissário de bordo da primeira classe. Ele parecia um Pierce Brosnan mais novo e mais alto e, se não estivesse usando um uniforme United Arlines, bem que podia ser um gato.
Blair pegou a revista. Percebeu que o comissário de bordo não estava passando a revista a todos na classe econômica, só ela.
- Posso lhe servir uma bebida? Champanha?- ofereceu ele com uma píscadela. Blair largou a revista no chão. Não dava para ele ver que ela estava ocupada? - Não, obrigada- respondeu ela.
Miles entregou o copo vazio de vodka com suco de laranja ao comissário. - Vou querer outro desse.
O comissário de bordo pegou o copo, olhando irritado porque tinha perguntado especificamente a Blair se ela queria alguma coisa e agora ia ter de bancar o garçom para o arrogante adolescente sentado ao lado dela.
Miles voltou a mexer na ponta dos cabelos de Blair.
- Não vai ler a revista?
Blair queria dizer a ele para enfiar a revista no rabo de Armani dele, mas ela sabia que nessa situação Audrey permaneceria calma e continuaria a fazer o que estava fazendo na esperança de que o impertinente entendesse a dica e a deixasse em paz. Ela voltou sua atenção para o ensaio. O que queria dizer era que Audrey tinha todas as qualidades que Blair achava que uma mulher devia ter. Estilo, beleza, graça, inteligência, espirituosidade, coragem e um certo mistério que faziam com que os homens se apaixonassem por ela. Mas Blair não era idiota. Não podia dizer em sua proposta para Yale que o motivo de admirar Audrey Hepbrun era qe ela era irresistível para os homens- especialmente depois de Blair ter beijado o entrevistador. A Srta. Glos tinha dito a ela para não ser literária demais. Blair colocou os dedos no teclado novamente e começou a digitar, deixando que as palavras fluíssem, sem planejar o que ia dizer.
Às vezes eu sonho que sou Audrey Hepburn. Snto-me mais leve e mais pura, e falo com o mesmo sotaque elegante dela. Audrey fazia tudo parecer mais fácil. Ela nunca teve provas de estudos avançados, nem teve de reescrever um ensaio imbecil para uma proposta de universidade. Nunca teve de sair de férias com a mãe nem com o padrasto gordo e irritante, nem com o irritante e excitadinho amigo do meio-irmão. O namorado dela nunca a trocou por uma garota de dez anos. E, mesmo quando tinha problemas, ela os guardava para si mesma e lidava com eles sozinha, em vez de contar a todos no mundo, inclusive ao entrevistador de Yale. Quando eu sou a Audrey sinto que posso dominar o mundo.
Blair releu o que tinha escrito e depois marcou o parágrafo todo e o deletou. Quando eu sou Audrey eu sou uma psicopata era mais adequado. "E esá um lindo dia na região, enquanto começamos nossa descida a St. Barts", a profunda voz do capitão saiu do sistema de voz do avião. "Quero aproveitar para agradecer a todos por voarem conosco hoje. Especialmente quero agradecer à linda morena na 24B. Tenham ótimas festas, e espero que escolham a United novamente sempre que viajarem."
Vinte e quatro B. Blair olhou para a pequena etiqueta no teto. Era o lugar dela. Ela imaginou que o piloto deu em cima dela ou ele deu mesmo? Miles ainda estava afagando os cabelos dela. O comissário de bordo voltou com o drinque de Miles e uma taça de champanha para Blair, embora ela tivesse dito que não queria.
- Com os cumprimentos do piloto- disse o comissário de bordo com um sorriso malicioso.
Blair se sentiu como Mia Farrow em Alice, o filme de Woody Allen que o Sr. Beckham fizera a turma ver não uma vez só, mas duas. No filme, Alice- aquela obtusa mãe da Park Avenue- foi a um lugar estranho em Chinatown, onde comeu aquelas ervas daninhas chinesas interessantes que atraíam os homens feito moscas. Como nunca recusa uma bebida quando lhe é estendida, Blair pegou a taça de champanha e fechou o laptop, enfiou-o na pasta Louis Vuitton e a colocou debaixo do assento da frente. O avião estava começando a descer, e o lado de fora da janela o mar quente do Caribe brilhava promissor. Blair girou o anel de rubi repetidamente no dedo, ansiosa para colocar o novo biquíni preto Gucci e ir à praia, ficar longe de tudo e de todos. Aaron abriu os olhos e se endireitou na poltrona, bloqueando sua visão. Ele sorriu para ela.
- Terminou seu ensaio?
- Vá se foder- respondeu Blair.
d está pronto, ou não
- Mais curry!- rosnou Rufus Humphrey para o molho de tomate depois de prová-lo.- Mais rum!- Era sexta-feira à tarde e sua farra anual de feriado devia começar em uma hora. - Mas, pai, a lasanha não devia ser italiana?- argumentou Dan. O pai dele vincou as bastas sobrancelhas grisalhas e limpou as mãos sujas de molho na camiseta SAVE THE COMMIES! branca e suja.
- Quando foi que você virou pão-duro?- Ele acenou uma colher de pau acima da cabeça dele.- Não existem regras, só possibilidades!
Dan deu de ombros e colocou alguns copos de rum escuro no molho. Não surpreendia que todos sempre delirassem com a lasanha do pai dele. Depois de algumas mordidas, ficavam num porre completo.
- E aí, quem é o cara que sua irmã convidou?- perguntou Rufus. Ele usava palavras como cara para zombar da forma como Dan e Jenny falavam. Era totalmente irritante. O nome dele é Nate- disse Da distraidamente.- É muito legal- acrescentou ele, embora tivesse muita certeza de que o pai desprezaria Nate, que usava camisa pólo e tinha um corte de cabelo caro. Usava sapatos e cinto de couro, e em geral estava tão chapado que não podia ter uma conversa sem irromper em uma risadinha asinina no meio dela. Mas Da não se preocupou em explicar isso ao pai. Estava distraído demais com o fato de que Vanessa ia chegar a qualuqer minuto e ele quase se convencera a dizer a ela que queria transar. - Bem, vamos esperar que esse Nate goste da Lasanha Punjabi- gracejou Rufus, enchendo chianti a caneca gigante de café dos Mets.
A campainha da porta tocou e Rufus correu para receber o velho amigo, Lyle Gross, que ele tinha conhecido no parque vinte anos antes. Lyle era um daqueles caras que não envelhecem, e sempre os vemos sentados em um banco de parque, ouvindo um jogo dos Mets no rádio portátil e estudando um exemplar de semanas do Daily News que tinha encontrado no lixo. Era um escritor, disse ele, embora Dan nunca tenha visto nenhuma prova disso.
- Trouxe uvas- anunciou Lyle. Tinha penteado o cabelo grisalho sobre a careca e usava um suéter amarelo-mostarda, calça de lã marrom e um tênis Nike branco. Havia feridas em todo o pescoço, onde ele se cortou enquanto se barbeava. Era meio difícil olhar para ele.- Oi, Danielson!
- Oi.- disse Dan. Lyle sempre acrescentava uns floreios ao nome das pessoas. Provavelmente ele achava que era hilário, mas Dan não via nenhuma graça nisso. Rufus pegou as uvas e as atirou para Dan.
- Coloque umas dessas aí dentro também- ordenou ele.
- Tudo bem.- desconfiado, Dan pegou algumas umas do saco e colocou no molho. A essa altura ele podia jogar um dos ccôs de Marx ali que ninguém ia notar. Marx era seu gato obeso, que agora estava esparramado na mesa da cozinha, entre um baguete e uma rodela enorme de queijo parmesão.
Enquanto Rufus e Lyle estavam na sala escolhendo um vinil da colação de Rufus, Dan mexou o molho com a mão trêmula, perguntando-se como exatamente devia mencionar o assunto sexo com Vanessa. Ele disse a ela que queria que fosse orgânico, mas a quem ele estava enganando? Agora só o que queria era que acabasse rápido, para que pudesse voltar a escrever, porque estava enjoado de ficar olhando o bloquinho preto com a cabeça tão branca e vazia quanto a folha de papel.
Dan mexeu o molho cada vez mais rápido, até que o grude vermelho de tomate transbordou da beira da panela. Ele simplesmente ia ter de falar de estalo e esperava que Vanessa não risse dele.
v está no lugar certo na hora errada
Vanessa já devia estar na casa de Dan, mas tinha carregado todo o equipamento de cinema comj ela, e foi uma pedreira - primeiro no metrô da linha L de Williamsburg para a 14 Oeste e depois na linha E para o Central Park -, e a tarde estava tão bonita que seria uma pena não filmar alguma coisa enquanto estava na rua. Tinha nevado na noite anterior e os caminhos do parque estavam congelados e escorregadios. A caminho do lago congelado, Vanessa queria ter colocado a nova roupa íntima Victoria's Secret na bolsa em vez de estar usando debaixo das roupas. A renda parecia fria na pele e estava arranhando em todos os lugares errados.
Depois do lago havia um imenso carvalho, os ramos caindo com os pingentes de gelo. Vanessa pegou a câmera da caixa. Podia filmar os pingentes e usá-los nos créditos de abertura do ensaio cinematográfico sobre Nova York. Que maneira bacana de introduzir o filme. Por um momento, as pessoas pensariam que tinha sido rodado numa serena área rural. Depois ela cortaria para alguma coisa distintamente urbana, como carregadores de carne desembarcando carcaças sangrentas na West Street. Ela perdeu tempo com as lentes, tentando fazer um close dos pingentes e depois voltando a uma panorâmica. Parecia meio National Geographic fazer isso de outra forma. Dan sempre lhe dizia que ela precisava ter mais ação nos filmes, mas Vanessa insistia em que cinema era exatamente como poesia. Nada tinha de acontecer necessariamente; só era preciso sentir alguma coisa.
E enquanto Vanessa estava parada na neve, na margem do lago congelado, tentando capturar a beleza momentânea e perfeita dos pingentes de gelo, ela definitivamente sentiu uma coisa: uma tanga preta de renda congelando na bunda. Naquela tarde, Nate tinha levado Jenny para ver a matinê de O quebra-nozes no Lincoln Center. Foi exatamente como Nate se lembrava, com a enorme árvore de Natal e os espantosos camundongos em tamanho natural brigando. Jenny ficou sentada maravilhada, fascinada pela música, pelo cenário, bailarinos e o figurino - especialmente a Fada do Açúcar. O coração dela ficou a ponto de explodir no fim, quando Clara e seu príncipe Quebra-nozes vão para o céu num trenó puxado por cavalos. Depois, Jenny e Nate deviam seguir direto à casa dela para o jantar de Rufus, mas não havia uma forma mais perfeita de destruir uma tarde do que ir a pé para a casa do pai, que, com aquela camiseta dele, estava na cozinha despejando rum e um frasco de ketchup tamanho econômico em uma panela. Nate fora tão perfeito o dia todo, segurando a mão dela e apontando para as partes preferidas do balé. Até a aparência dele era perfeita, no paletó de cashmere cinza e camisa azul de pervinca.
Então, em vez disso, Jenny decidiu ir para casa pelo caminho mais longo, através do Central Park.
Quando chegaram ao caminho para o lago dos barcos, ela pegou a mão de Nate e apertou. Suas botas pretas de camurça tinham um solado liso e ela escorregava no gelo. Agora que não estava mais distraída pelo balé, ela não conseguiu deixar de perceber a estranha sensação de irritação na bunda. Em silêncio ela lembrou a si mesma para relaxar - não estava com a calcinha enfiada, só estava usando a nova tanga. A mão livre de Nate estava agarrada ao saquinho de erva no bolso do paletó de lã, mantendo-a aquecida. Não havia nada pior do que erva congelada. Fica toda ensopada e faz uma fumaça tremenda quando você acende. Ele pretendia acender assim que saíssem do balé, mas havia alguma coisa de surreal e bonita no sol mergulhando na neve e no calor da mão de Jenny na sua que o fez não se incomodar em apertar um. Ele só queria conversar.
- É um saco ter de ir para o Maine amanhã - disse ele. - Mas já terminei minha proposta para a universidade, então vai ser bom ir para um lugar tranqüilo. Meu entrevistador na Brown disse que eles têm um curso novo bacana chamado Estudos de Ciência e Tecnologia. Eu estava pensando que, se for para lá, eu podia desenhar barcos como parte da minha graduação.
Jenny assentiu, concentrada nos pés. Ela não queria que Nate viajasse amanhã. Não queria que ele fosse para a universidade também.
O lago estava à vista agora. Na primavera, Nate gostava de ficar no gazebo, apertar um e olhar os patos e os filhotinhos nadando por ali. O lago agora estaria totalmente congelado. Talvez eles até pudessem andar nele.
- É estranho - continuou ele. - Nessa época, no ano passado, eu sabia exatamente onde estaria no ano seguinte: aqui, na cidade, indo para a escola e zanzando com os amigos, como sempre fiz. Mas não tenho idéia de onde vou estar no ano que vem. É muito louco. Jenny voltou a olhar para Nate, perguntando-se como ele reagiria se ela lhe dissesse agora mesmo que o amava. O rosto dele estava rosado do frio, bem como a ponta das orelhas adoráveis e perfeitas. Ele era tão lindo que Jenny tinha vontade de gritar sempre que olhava para ele.
- Estou usando o fio dental-Jenny soltou antes que conseguisse se conter. Ela começou a andar mais rápido. Não conseguia acreditar que tinha dito isso! - Peraí. O quê? - Nate acelerou o passo para acompanhá-la. Nem tinha ouvido o que ela disse.
Jenny soltou a mão dele.
- Estou usando o fio dental! - exclamou ela, agora um pouco mais alto. Depois ela riu e começou a correr, escorregando e deslizando pelo morro até o lago congelado. Nate ouviu dessa vez. Ele soltou o saquinho e começou a correr atrás dela. - Volte aqui! Eu querro ver essa tanga! - gritou ele com voz de vampiro. Jenny guinchou e continuou a correr. Os olhos dela lacrimejavam do frio e a respiração estava presa na garganta.
Nate a perseguiu por todo o gelo coberto de neve, onde os pés de Jenny escapuliram debaixo dela, caindo estatelada sob um grande carvalho enfeitado com longos pingentes de gelo cristalino. Ele se atirou em cima dela como uma bomba e os dois rolaram, rindo sem fôlego e grudando neve nos cabelos. Nate virou Jenny de bruços e puxou o casaco dela.
- Deixe eu ver, deixe eu ver! - gritou ele, segurando a calça de veludo preto de Jenny por trás e puxando-as para baixo para ter um vislumbre da bunda nua. - Peraí! - gritou Jenny, rindo e guinchando. Ela fechou os olhos com força, incapaz de prender por mais tempo. Espere. Nate, eu te amo.
Nate se interrompeu por um momento, absorvendo a informação. Depois, em vez de virá-la, beijá-la e dizer que também a amava, ele soprou ruidosamente uma das bochechas rosadas e bonitinhas do traseiro dela e depois a virou de costas, exalando nuvens de ar quente para o frio céu azul.
Jenny ficou estatelada por mais uns segundos, recuperando o fôlego. Depois se colocou de pé e arrumou as roupas.
Estava feliz por finalmente ter falado, mas teria sido muito mais legal se Nate dissesse a mesma coisa. Ele devia ter dito "Eu te amo" e depois a levado em um trenó a cavalo para a terra do nuncca.
Mas só o que Nate fez foi dar um pum-de-boca na bunda pelada de Jenny. - Você não está usando a cueca com o veleiro, está? - perguntou ela cheia de esperança, tentando manter a brincadeira
como tinha começado.
- Sei lá. - Nate desabotoou o cinto. Arriou as calças até os quadris. -Xadrez azul. Desculpe.
- Tudo bem - respondeu Jenny rapidamente, puxando casaco em volta do corpo. - Ei - disse ela, mudando o assunto. - Vamos até a estátua de Romeu e Julieta. É a minha favorita e fica no caminho.
Nate passava muito tempo no parque, mas não tinha idéia do que ela estava falando. - Que estátua de Romeu e Julieta?
Jenny esfregou os braços com as mãos.
- Deixa pra lá.Vou mostrar a você quando a gente chegar. -Está com frio? - perguntou Nate, apoiando-se nos cotovelos e pegando a mão dela. - Venha cá. Jenny hesitou por um segundo e depois se abaixou. Nate a puxou para cima dele e passou os braços dela por baixo de seu casaco, beijando a testa e depois cada uma das bochechas rosadas e frias dela. Ela passou os lábios no queixo dele e não conseguiu resistir a dizer de novo. Talvez, só talvez, ele não tivesse ouvido da primeira vez. -Eu te amo - sussurrou ela.
Desta vez Nate tinha de responder. Ele estava abraçado com ela e Jenny olhava nos olhos verdes dele com seus grandes olhos castanhos, esperando. E eles tinham acabado de assistir ao Quebra-nozes, pelo amor de Deus, que era uma história de amor, para o caso de você não se lembrar.
- Eu também te amo - murmurou ele.
Depois eles se beijaram por um longo tempo. O chapéu vermelho de Jenny caiu e seus cachos castanho-escuros tombaram no rosto, escondendo-o. Mas não muito bem.
Dan tinha dito a Vanessa que os filmes dela precisavam de mais ação. Bem, aqui havia definitivamente alguma ação. Sim, os pingentes de gelo eram ótimos, soberbos. Mas quantas vezes você via uma mulher com a bunda de fora na neve? Quantas vezes você via um cara totalmente arrumadinho arriando a calça em plena luz do dia no meio do inverno? E quantas vezes você via um casal rolando dentro do mesmo casaco em pleno lago congelado no meio da cidade mais movimentada do mundo? Se ao menos Vanessa tivesse um helicóptero, ela teria sobrevoado e filmado o caminho, subindo depois até que o casal fosse só um pontinho no meio da grade de Manhattan. Mas ela não tinha helicóptero, então teria de ser criativa na montagem. O melhor de tudo era que ela não tinha dado um zoom completo no rosto do casal, então eles podiam ser quaisquer pessoas de quaisquer idades - você com o seu namorado, ou sua avó com o namorado dela. Era pura poesia, rude e bela. Ela mal podia esperar para mostrar a Dan. Espere aí. Será que vai fazer isso antes ou depois de mostrar a ele o que ela tem embaixo da gola rulê preta e da saia de lã preta?
Ia isla bonita
O resort Isle de IaPaix, na ilha de St. Barts, era o tipo de lugar aonde vão as celebridades que querem se esconder e as mulheres de meia-idade da sociedade de Nova York que querem e recuperar de uma cirurgia plástica. A não ser que seja alguém ou conheça alguém, você não pode se hospedar ali. Mas por mero acaso Cyrus Rose, o padrasto de Blair, tinha uma construtora que havia feito o resort, e assim as três vilas que ele e a mãe de Blair reservaram para a família eram as melhores de todas. A vila de Blair e Serena tinha um deque envolvendo a casa do qual podiam ver a piscina do resort, onde mulheres com mais de quarenta anos com peitos cirurgicamente aumentados e coxas cirurgicamente reduzidas deitavam-se em espreguiçadeiras usando óculos de sol enormes e maiôs sem alça, fingindo ler revistas de moda francesas enquanto tomavam um porre com o ponche de rum da casa.
Uma das mulheres tinha um pequeno bichon frisé, e até o cachorro usava óculos de sol. Do outro lado do deque, elas podiam ver o trecho perfeito de areia branca da praia, onde as mulheres mais novas estavam tomando sol de topless e os homens velejavam despreocupadamente em pranchas de windsurfe, fingindo não ver. O mar era tão claro e num tom de azul-esverdeado tão perfeito que parecia falso. Serena se sentou na varanda, fumando um Gitane e folheando a Elle francesa, esperando que Blair se arrumasse antes de encontrarem os outros na sala de jantar para um almoço tardio. Ela já havia lavado os cabelos, que caíam nos ombros nus e nas costas de seu top amarelo Diane von Furstenberg. Depois do banho, ela passou uma loção Lancôme de auto bronzeamento em todo o corpo e a pele já havia adquirido um castanho dourado saudável. A minúscula minissaia de brim
Agnes B. mal cobria as coxas, e nos pés estava um par de sandálias de tiras brancas de couro incrustadas de cristais.
Perto da grade do deque, um beija-flor sugava o pólen de um hibisco, adejando de uma flor a outra. Serena se perguntou por que não ficava numa só flor e tomava um bom e longo drinque em vez de ficar se mexendo tanto.
Boa pergunta.
- Olá? Perdão? - Serena ouviu um homem dizer com um sotaque francês. Ela apagou o cigarro com a sola da sandália e se levantou. Um cara usando uma camiseta Isle de Ia Paix estava parado ao pé da escada do deque, segurando um enorme buquê de flores tropicais raras. - Ça e'est pour vous,
mademoiselle - anunciou ele, levando as flores para cima e entregando-as a Serena. Meu Deus. Será que Flow tinha espiões ou coisa assim? Como foi que ele a encontrou? Serena pegou as flores e as cheirou.
- Obrigada.
- De nada - respondeu ele. Ele estava quase se virando quando Blair abriu a porta de tela da vila e saiu para o deque.
- É melhor que minha mãe tenha uma conta no bar disse ela a Serena antes mesmo de perceber o c.ara.Blair estava usando um tomara-que-caia de jérsei de seda bege que era praticamente da mesma cor de seu bronzeado Lancôme. De longe, parecia que estava completamente nua. Nos pés havia
um par de sandálias vermelhas de borracha que tinha comprado na drugstore, e ela colocou um anel de diamante falso no dedão do pé esquerdo, experimentando um novo visual lixo-endinheirado. Ela percebeu o cara do resort olhando para ela. - Sim? - perguntou. - Parlez-vous anglais?
O cara pareceu envergonhado.
- Desculpe. Eu só queria dizer "bem-vindas" às duas garotas mais bonitas da ilha. Felizmente, o sotaque dele era muito sensual. Era a única forma de ele poder sair dessa dizendo alguma coisa completamente brega.
- Obrigada. A gente se vê depois - acrescentou Blair, dispensando-o. - Desfrute das flores, mademoiselle - disse o cara, assentindo para Serena. Depois ele riu para Blair novamente e saiu.
Blair penteou os cabelos com os dedos e espiou o mar. Já estava ficando meio entediante levar cantada de cada homem por que passava.
Serena colocou as flores na mesa de rattan no meio do deque. - De quem são? - perguntou Blair.
Serena deu de ombros.
- Não acho que você deva perguntar.
Blair foi até a mesa e pegou o cartão do vaso quadrado de vidro onde estavam as flores. - "Tenha férias maravilhosas e não se estresse demais com os planos de casamento" -leu ela em voz alta. - "Com amor, suas queridas amigas K e L" Blair e Serena se olharam e explodiram numa gargalhada. Serena estava realmente aliviada por descobrir que talvez Flow não tenha lhe mandado todos aqueles presentes. O boneco de neve de chocolate e o cesto cheio de baby barracudas, por exemplo. Talvez Kati e Isabel tenham mandado estes também. Vamos - ela pegou o braço de Blair, puxando-a para a escada da vila. -Vamos deixar Cyrus nos pagar uma bebida!
Aaron e Miles já estavam no bar jogando gamão e tentando fazer com que Tyler comesse mexilhão frito. A mãe de Blair e Cyrus ainda estavam velejando no iate de alguém, então não os tinham visto ainda.
O salão de jantar do resort não era realmente um salão, sim um grande deque coberto de frente para a praia e o mar perfeitamente azul-esverdeado. De um lado do deque, havia um bar de bambu e vidro, com bancos de couro branco. Muito tropical chique moderno. - Duas Cocas com rum, por favor - disse Blair em francês ao bartender. O bom em estar numa ilha francesa era que você não precisava se preocupar em mostrar identidade. Não que ela mostrasse a dela com muita freqüência.
Serena pegou o drinque e bateu o copo no de Blair.
- A nós - brindou ela. Depois as duas atiraram a cabeça para trás e beberam de um gole só.
- Uau - murmurou Miles, olhando Blair com admiração. Ele tinha vestido a calça cargo preta Armani e uma camisa pólo cinza-cimento Armani e parecia pálido, agora que estava fora da cidade. - Como fazem isso sem arrotar depois como um motorista de caminhão? Blair riu e limpou os lábios com as costas da mão.
- Prática.
Aaron sacudiu a cabeça. Suas trancinhas pareciam mais adequadas agora, com a praia ao fundo. Ele enfiou as mãos nos bolsos do short cargo verde-oliva. - Não sei bem se isso é motivo de orgulho.
Blair revirou os olhos.
- Até parece que você nunca bebe.
Aaron deu de ombros.
- Eu bebo. Só que prefiro beber água quando estou com sede. Tyler deu uma dentada no mexilhão e depois o cuspiu no guardanapo do coquetel. - E Blair bebe todas - brincou ele.
Blair estava prestes a bater nele, mas então viu sua mãe e Cyrus andando pelas docas. Cyrus segurava o cotovelo de Eleanor como se estivesse preocupado de ela tropeçar. Se fosse qualquer outra pessoa, Blair podia ter pensado que era doce, mas em sua opinião nada do que Cyrus fazia era doce.
Eleanor usava um vestido berrante rosa e verde Lilly Pulitzer coberto de sapos brancos que seria melhor se fosse todo de uma cor e cobrisse um pouco mais suas pernas não muito magras. Os cabelos com luzes estavam presos com uma faixa de linho branco, e seu rosto estava profundamente bronzeado. Cyrus estava com calça de linho vermelha de prega e uma camisa pólo listrada de azul-marinho e branco. O rosto dele estava vermelho e brilhava, e ele não poderia parecer mais porcino. O que significa "como um porco", para os que se deram mal no teste de aptidão verbal. Eleanor Waldorf Rose guinchou quando os viu ali no bar. - Oi, meninos! - gritou ela, correndo e dando um abraço apertado em Tyler.Ela o largou e se atirou em Blair. – Senti muitas saudades de vocês. E tenho tanta coisa para contar! Serena sorriu educadamente.
- Oi, Sra. Rose - a mãe de Blair era meio excêntrica, mas era muito menos arrogante que a mãe de Serena.
Cyrus apertou a mão de Aaron.
- É bom ver você, filho. Meu advogado não me ligou, então acho que você e Blair conseguiram não incendiar o prédio enquanto estávamos fora. Aaron riu.
- Ah, incendiamos. Estamos construindo um novo pra você agora. Vai ver quando voltar. Vai ficar muito legal.
Blair decidiu se divertir um pouco também. Ou talvez ela só estivesse bêbada. - E eu estou grávida - disse ela. Ela pôs o braço em volta de Miles. - Este é Miles. Ele é o pai.
O riso desapareceu do rosto de Aaron.
- Desde quando você é comediante? – perguntou Eleanor, empinando a cabeça de surpresa para o senso de humor obsceno da filha.
Blair tirou o braço dos ombros de Miles e disparou para a mãe um sorriso torto. - Desde que fui expulsa da Constance.
Serena riu.
- É uma cascateira.
Cyrus pegou Blair com a pata carnuda e a puxou para um abraço. - Alguém está de bom humor! - disse ele.
Não mais.
Largando Blair, Cyrus fez sinal para o bartender.
- Champanha para todos!
Blair estremeceu. Que coisa mais brega.
Eleanor deu um tapinha na barriga.
- Para mim não, querido.
Desde quando ela recusava champanha?
- Sobra mais para nós - Cyrus piscou para Blair e passou as taças para Aaron, Blair, Serena, Miles e Tyler. Deu a Eleanor uma taça de soda e depois ergueu a taça na frente dele. - A nossa grande família feliz - brindou ele, rindo feito um idiota. Blair já havia tido o bastante de família por hoje.
- Podemos sentar para comer? - gemeu ela. – Estou faminta - não tinha vomitado desde que a mãe e Cyrus partiram, mas estava com a sensação de que qualquer coisa que comesse hoje não ia ficar nela por muito tempo.
Eles foram em bando para o salão de jantar ao ar livre e se sentaram em uma das banquetas brancas de couro. Um ventilador circulava preguiçosamente no teto e uma leve brisa soprava pelas folhas das palmeiras em volta. Todos, exceto Aaron, pediram hambúrgueres. Era um restaurante francês e não havia um único prato vegetariano no cardápio.
- Só quero salada e fritas - disse ele ao garçom, acendendo um de seus cigarros naturais especiais.
- Tivemos uma lua-de-mel maravilhosa - falou Eleanor entusiasmada, passando manteiga num pãozinho e devorando-o como se estivesse presa numa ilha há semanas sem comida nenhuma. Ela engordou tanto desde que saiu em lua-de-mel que Blair se perguntou se devia dar um toque. Mas estou feliz que vocês tenham vindo, meninos. Cyrus apertou o braço dela.
- E sua mãe e eu temos uma grande surpresa para vocês - disse ele, os olhos azuis mais bulbos os do que nunca.
Eleanor colocou os dedos cheios de diamantes nos quadris gordos. - Shhh - disse ela. - Só no Natal.
Aaron sentiu o joelho de Blair tocar sua perna por baixo da mesa e, em vez de se afastar, ele o deixou ali. Era um de seus pequenos prazeres desvirtuados - o esbarrão casual do joelho, a mão dela roçando a dele quando ela pegava o pão, o hálito dela em sua orelha quando ela suspirava de tédio.
Ele sabia que Blair tinha acabado de tomar banho, embora o cabelo dela estivesse seco, porque ela cheirava a seu xampu favorito, de coco, da Kiehl. Ele também percebeu que a pele dela estava mais dourada do que quando estavam no avião, então ela obviamente usou algum tipo de loção de bronzeamento logo depois que chegou. Ele sabia que as unhas dela estavam pintadas de rosa-claro e que ela estava sem relógio. E ele se odiou por perceber estas coisas, porque eram coisas que um irmão não devia reparar. Tyler encarava desanimado sua Coca-Cola. Queria ter um selo de discos um dia e fazer clips para a MTV. Não só era um saco ter só 11anos de idade e ter de passar as férias com a família em vez de ir para a Ozzfest, como também todos os outros tinham um amigo ali menos ele.
- Não esquenta, cara - disse Aaron, percebendo o lábio inferior projetado do meio-irmão. - Assim que a gente comer, Miles e eu vamos levar você pra fazer jet-ski. Tyler pescou uma palha do copo e tentou acendê-la com o Zippo de Aaron. - Legal - disse ele, tentando manter a imagem de mau enquanto usava short cáqui de pregas absurdamente nerd e uma blusa Lacoste verde.
Então a comida chegou, e Cyrus e Eleanor começaram a falar dos pontos altos do cruzeiro de lua-de-mel. Na semana passada eles subiram um vulcão e viram raias-lixa na Martinica. Em St.Johns, Cyrus comprou para Eleanor um broche de coral e diamante que tinha sido encontrado em um navio naufragado.E em Virgin Gorda eles tomaram coquetéis com Albert Finney, que supostamente era um ator antigo muito famoso de que nenhum deles jamais ouvira falar.
Serena se desligou. Ela e Blair estavam sentadas de frente para a praia, e no céu acima da água um hidroavião fez um loop e mergulhou. Logo ficou evidente que o avião escrevia letras no céu. Como faziam isso?E não seria divertido se o piloto fosse semi-analfabeto? Ela semicerrou os olhos enquanto lia a palavra se desenhando no céu, supondo que seria em francês.
S-E-R-E-N-A.
A mão de Serena voou para a boca e ela cutucou Blair com força no cotovelo. Blair cutucou Serena com a mesma força. Ela pegou um cartãozinho branco dobrado, colocado no centro da mesa, e entregou a Serena.
Os dedos de Serena estavam tremendo enquanto ela lia a tipologia dourada impressa no cartão:
Por favor,façam suas reservas para a Isle de Ia Paix
Festa de Natal apresentando o 45
De oito à meia-noite
Serena pegou a mão de Blair e apertou. A única coisa que manteria as duas sãs nesse Natal era ficarem de porre juntas.
- Ah, olha! - sibilou Eleanor, fazendo com que Serena e Blair saltassem na cadeira. Ela apontou para a mesa de recepção do restaurante. - São Misty e Bartholomew Bass! Ela baixou a voz para um sussurro. - Ouvi dizer que Misty removeu o fígado... ela tem um problema terrível com a bebida... mas eu acho que ela está bem. Eu me pergunto se eles vieram para cá de barco. Que maneira inteligente de ficar a seco. Quer dizer, não se pode beber muito em um barco se não levar nenhuma bebida alcoólica. Misty e Bartholomew Bass, pais do infame Chuck Bass, estavam dando entrada no hotel, uma pilha de malas Louis Vuitton aos pés deles. Blair e Serena esperaram que Chuck aparecesse atrás dos pais - seria muita sorte delas -, mas não havia sinal dele. - Foi o apêndice dela, mãe - disse Blair depois de um minuto. Parecia que Chuck tinha ficado em casa, graças a Deus. - Ela teve apendicite. Não foi grande coisa. - Bem, não foi o que eu soube - insistiu Eleanor. -De qualquer forma, não sei se eles vão passar o Natal aqui. Ela olhou em volta no restaurante, afagando o broche de diamante e coral com a ponta dos dedos. - Eu soube que algumas celebridades costumam ficar aqui também, embora não tenha visto nenhuma que eu reconhecesse. Cyrus a fez se calar colocando uma batata frita na boca de Eleanor. - Só para ter certeza de que está consumindo todas as vitaminas e sais minerais, querida - disse ele amorosamente.
Blair tinha certeza absoluta de que a mãe não precisava de mais batata frita e também tinha certeza absoluta de que não queria ficar sentada ali vendo Cyrus alimentar a mãe. Isso lhe dava uma vontade ainda maior de vomitar.
- Com licença - murmurou Blair e disparou da mesa em busca do banheiro das mulheres mais próximo.
Todos estavam tão acostumados com as saídas repentinas de Blair que ninguém deu a mínima para isso, mas Serena odiava pensar em Blair no banheiro forçando o vômito. Ela deixou o guardanapo de pano sobre o hambúrguer intocado. - Obrigada pelo almoço - disse ela com a voz fraca. Depois se levantou e correu atrás de Blair para ver se ela estava bem, mantendo os adoráveis cabelos louros para baixo no caso de Flow estar ali por perto, espiando por trás de uma palmeira.
quem realmente quer saber da victoria's secret?
- Espere só para ver o que acabei de comprar - disse Vanessa Dan enquanto se sentava a mesa da sala de jantar do pai dele.
Jennye Nate ainda nao tinham chegado, mas Rufus havia bebido vinho tinto demais e estava ansioso para comer. - É totalmente maluco. Vai ficar muito orgulhoso de mim. - Voce é cineasta, Vanessamonda? - perguntou Lyle, O amigo do pai de Dan, servindo-se de um pouco de lasanha.
- Que tipo de filmes voce faz?
Vanessa bebeu um gole de água.
- Em preto-e-branco. Sabe como é, Sem muita ação.
Lyle encheu o resto do prato com feijoes assados, O acompanhamento que Rufus tinha escolhido para servir com a lasanha.
- Filmes de arte, hein?
Vanessa assentiu.
- Acho que sim.
- Estou mais para os filmes de aventura. Já viu A mumia? Para mim, é um filme perfeito.
Mas Vanessa nao estava ouvindo. Nate e Jenny tinham acabado de chegar e estavam tirando o casaco no vestibulo.
- Desculpe, pai - Jenny estava sem fôlego, tirando o chapéu. Vanessa reconheceu o chapeu imediatamente. Era vermelho e felpudo, como o da garota no parque. E Nate estava usando um casaco azul-marinho comprido, como o do cara no parque. Ele tambem tinha o mesmo jeito de mauricinho e os mesmos cabelos castanho-dourados. Vanessa baixou o garfo.
Epa.
- Pai, esse e o Nate - disse Jenny, levando Nate para a mesa. Ela parecia estar dançando em volta da mesa, beijando todo mundo ali. Nao sabia que era possível ficar tao feliz. Nate tinha dito que a amava!
Nate apertou a mão do pai dela.
- Prazer em conhece-Io, Sr. Humphrey.
Rufus estava de boca cheia e usou o vinho para ajudar a engolir. - Nate, meu rapaz, voce é o motivo de minha filha ter pegado mais de quatrocentos dólares emprestado comigo no ultimo mês é ótimo finalmente conhecer você - Rufus afastou da mesa a cadeira ao lado da dele. - Venha, sente-se. Jenny estava tao alvoroçada que nem se importou de o pai te-la constrangido. Ela só esperava que ele fosse legal com Nate.
- Entao, diga-me, Nate - tornou Rufus, servindo o vinho de um galão na taça de Nate. - Qual é a sua?
Nate sorriu. O pai de Jennifer parecia legal.
- Barcos - respondeu ele. - Meus pais tem uma casa em Mount Desert, no Maine. Eu e meu pai fazemos barcos e velejamos la.
Dan esperava que Rufus começasse a devorar Nate vivo, esbravejando sobre o egoísmo da classe ociosa e a inutilidade de coisas como veleiros, mas Rufus parecia estar fascinado e continuou fazendo perguntas a Nate.
Normalmente, uma hipocrisia dessas teria deixado Dan maluco, mas ele tambem estava distrafdo demais com o que queria dizer a Vanessa para se incomodar com seu pai falando merda com um chapado mimado como o Nate. Ele pegou sua lasanha. Mais dez minutos e ia pedir licença para que ele e Vanessa pudessem "conversar" em seu quarto. De repente, Rufus bateu na mesa.
- Um momento, todos me passem os pratos. Acho que essa lasanha teria um gosto muito melhor se estivesse flambada.
- Pai - gemeu Jenny. Ele ia envergonha-la totalmente.
Era inevitavel.
Nate passou o prato a Rufus, que acendeu um fósforo e deixou cair na lasanha de Nate. Tinha tanto rum no molho que a lasanha pegou fogo.
- É isso aí! - exclamou Nate.
Rufus riu alegremente e Jenny passou o prato para ele, um largo sorriso de excitação preso no rosto. Parecia que eles estavam noivando!
Dan nao conseguiu aguentar mais. Virou-se e inclinou a cabeça para Vanessa. - Posso falar com voce um minuto? - Ele estava muito nervoso, as mãos tremiam. - Tudo bem - rebateu Vanessa, de repente nervosa também.Será que ousaria ir adiante com isso e mostraria os trajes novos a ele? Lyle pegou o prato dela e ele voltou em chamas.