Eu Quero Tudo!

Cecily von Ziegesar · Capítulo 1 de 2 · parte 3/4

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Eu Quero Tudo!

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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

Charlie pegou o picles intacto com o garfo e o colocou no prato de Nate como um peixo morto.

-Parece que você está na secura. Acha que pdoe fazer a prova de química? nate olhou para ele e apertou o saquinho pl[astico de maconha no bolso. Olhou o relógio. -Que tal um fuminho rápido antes da gente ir?

Os outros três garotos assentiram ansiosos. Nate sorriu e se levantou. Achava que tinha resolvido alguma coisa em sua cabeça, mas não tinha certeza do que era. -Vamos nessa- disse ele.

talvez garotos sejam como roupas

Enquanto as aulas do segundo e do terceiro a no do secundário da Constance Billard começavam as provas, Jenny estava na aula de saúde, discutindo amor, sexo, xampu e as peculiaridades do garotos, entre outras coisas.

Onze meninas sentavam-se em círculos no chão atrás de uma janela ensolarada no canto aconchegante de uma sala que a escola projetara especialmente para aulas íntimas, como a de saúde da última série da escola elementar. No chão havia um tapete felpudo carmim em vez do carpete verde institucional que resvestia o chão do resto da escola. As paredes eram pintadas em um animado azul-centáurea, com as bordas em branco cintilantes. Havia um pequeno quadro-negro sem moldura, com muito giz colorido, para a professora desenhar diagramas; e, o mais importante, não haviam carteiras, permitindo que as meninas relaxassem o corpo e realmente falassem o que lhes passasse pela cabeça. Quem dava aulas à turma era a Srta. Doherty, a professora de dança hippie New Age que tinha 25 anos, um lindo corpo tonificado pela ioga, cabelo castanho-avermelhados compridos e um rosto pálido que sempre estava inteiramente sem maquiagem. Era a única professora no departamento de educação física que não era totalmente sapata, e as meninas adorariam seu jeito tranquilo e aberto se não fosse pela tendência que tinha de falar em partes constrangedoras do corpo como se falasse do cachorro da família. A Srta. Doherty deixava que as meninas escolhessem o tema de discussão, depois elas em geral passavam a maior parte da aula falando de meninos. -Sinceramente, não entendo como podemos conhecer gente do sexo oposto quando ficamos a maior parte do tempo em ambientes totalmente de meninas - queixou-se Kim Swanson. Ela passou as mãos cuidadosamente nos cabelos castanhos perfeitamente tingidos, que recebiam luzes uma vez por mês no John Barret Salon desde a segunda série.

Jenny estava sentada perto de KIm, maravilhando-se porque tudo nela era perfeito. As unhas bem-cuidadas, o brozeado artificial dourado, a base Chanel sutilmente aplicada, sombras nos olhos e brilho nos lábios, brincos Cartier nas orelhas e a blusa de algodão branco Agnés B. Talvez, se Kim não passase tanto tempo se produzindo, tivesse mais tempo para conhecer os meninos.

A Srta. Doherty deu um sorriso plácido e benevolente.

-Sei que é difícil, Kim - disse ela solidária. - Só o que posso sugerir é, envolva-se em alguma daquelas atividades interescolares mistas, como teatro ou coral. E, se suas amigas têm amigos meninos, não seja tímida...peça que apresentem a você! -Srta. Doherty, acha que a gente tem de se apaixonar pelo cara que fica com a gente? - perguntou Jessica Soames, que parecia exatamente a Branca de Neve dos contos de fada, os cabelos bem pretos, lábios cheios e vermelhos e olhos cinza de cílios longos, embora definitivamente não fosse pura como a neve. Jessica tinha menstruado na terceira série e diziam que tinha perdido a virgindade na quinta. Originalmente, ela é que tinha o maior peito da turma, mas no ano passado os peitos de Jenny superara os de Jessica. A Srta. Doherty enfiou uma mecha de cabelo teimosa atrás da orelha e alisou as sobrancelhas castanhas, obviamente tentando prolongar a discussão. MAs, antes que conseguisse fizer alguma coisa, a pequena Jenny Humphrey se manifestou. -Tem, definitivamente. Quer dizer, talvez leve algum tempo para os dois perceberem que estão apaixonados, mas se você não estiver, então acho que devia terminar. A turma toda, inclusive a Srta. Doherty, a encarou. A Srta. Dohrty estava encarando porque Jenny Humphrey nunca falava em aula e ela não sabia que Jenny era tão cheia de opiniões. As meninas encaravam porque todas sabiam que Jenny conseguira roubar Nate Archibald de Blair Waldorf, o que era mesmo surpreendente, e não havia como Jenny ter feito isso a não ser que estivesse transando, e muito. Será que Jenny Humphrey era ainda mais piranha, secretamente, do que Jessica Soames? E agora ela admitia isso? Quando percebeu que todas a olhavam, Jenny corou.

-Quer dizer, não acho que tenham de terminar se vocês ainda não disseram ''Eu te amo'', porque talvez vocês ainda fiquem juntos e tudo e só estejam esperando o momento certo para falar.

A Srta. Doherty assentiu e deu seu sorriso sem batom. O amor era um dos temas favoritos dela.

-Na primeira vez em que você se apaixona, pode ser difícil reconhecer. Algumas pessoas confundem a paixão até com uma gripe!

Algumas meninas riram e Jenny sorriu para si mesma. Ela sabia do que a Srta. Doherty estava falando. Às vezes Jenny se sentia tão tonta e fraca quando estava com Nate que bem que podia ter uma pneumonia ou coisa assim.

A Srta. Doherty prosseguiu.

-Mas também não acho que você tenha de se apaixonarpara ter um relacionamente. Você só tem 14 anos. Não é que vá se casar com o cara né? Você está aprendendo a ficar com as pessoas. É como experimentar roupas. Tem de experimentar todos os estilos e tamanhos diferentes para ver qual deles fica melhor em você. Jenny franziu a testa. Ela não queria experimentar todos os estilos e tamanhos. Só queria Nate.

-Peraí, está falando de transar com alguém por quem não está apaixonada ou só tipo assim, ficar? - perguntou Alicia Armstron maliciosamente. Ela torcia sua pulseita de couro rosa. - Porque, tipo assim, eu realmente acho que você deve estar apaixonada se vai transar.

-Ah, mas é claro que sim - concordou Jenny rapidamente, corou de novo. O resto da turma a encarou outra vez. Então ela estava admitindo que tinha transado com Nate Archibald ou negando isso? Jenny nunca falava de sexo, mas agora percebia o que Jessica queria dizer com ''ficar'' com um cara. Ela puxou um fio de lã do tapete de carmim. Para ela, o sexo nem era a questão. Era o amor. Quanto tempo deveria esperar antes de dizer que a Nate que o amava? Quanto tempo deveria esperar que ele dissesse? Ela levantou a mão novamente, mas Azaria Muniz levantou primeiro a dela. -Srta. Doherty, é verdade que a gente deve alternar entre diferentes xampus, quando lava o cabelo para não viciar? - Azaria tinha cabelos ondulados tingidos de mel que iam até o traseiro, e o armário dela era cheio de produtos para os cabelos.A.Srta. Doherty olhou para Azaria meio confusa.

-Não sou especialista no assunto, mas acho que, desde que você use um bom produto com ingredientes totalmente naturais que não causam dependência, você pode usar o mesmo xampu o tempo todo. - Ela sorriu e se voltou para Jenny, ansiosa para retomar o assunsto do amor. - Sim, Jenny? Você levantou a mão?

Jenny olhou para o teto, escolhendo as palavras cuidadosamente. Mas antes que pudesse começar, Jessica a interrompeu rudemente.

-É verdade que toda a sensação está na parte final do pênis? - perguntou Jessica, as sobrancelhas pretas unidas com seriedade, como se estivesse fazendo uma pergunta sobre a descoberta do átomo.

O resto da turma irrompeu em risinhos. Jessica sempre fazia as perguntas mais ultrajantes, mas no fundo todas as garotas gostavam quando ela perguntava. -Jessica, por favor, não interrompa as colegas - disse a Srta. Doherty tranquilamente. - Mas a resposta à sua pergunta é sim, a ponta do pênis é muito sensivel, mas a sensibilidade varia de um pênis para outro. - Ela se virou para Jenny. - O que estava dizendo Jenny?

Jenny sentiu as bochechas ficarem vermelhas. Pênis, pênis, pênis! A palavra sempre a fazia rir.

-Sim? - perguntou a Srta. Doherty.

Jenny cobriu a boca com a mão.

-Ah, não era nada.

Os olhos de Jessica se estreitaram.

-O que é tão engraçado, Jenny? É a parte mais sensível de Nate? A ponta? Jenny parou de sorrir cruzou os braços. Todo seu corpo ardeu num vermelho escuro. -Lembre-se Jessica...sem citar nomes -alertou a Srta. Doherty. Ela ajeitou as pernas na posição de lótus e pegarreou. - Quero lembrar a vocês novamente meninas, que nossas discussões são totalmente confidenciais. Nada do que é dito aqui será repetido fora de grupo.

Até parece Depois, como é que toda escola fica sabendo que Alicia Armstrong não usava absorvente interno porque os pais dela acham que, se usar, não será mais virgem? Jenny não era idiota. Ela sabia que o que dissesse definitivamente seria repetido. Então decidiu que era mais seguro não falar nada que pudesse ser tomado da forma errada. -Eu me lembro da primeira vez em quq vi um pênis de verdade - irrompeu Jessica, levando o resto da turma a um frenesi de risadinhas mais uma vez. - Foi tão assustador! A Srta. Doherty deu um sorriso zen. Nem Jessica Soames ia fazer com que ela perdesse a calma.

-Lembre-se - disse ela. - Este é um lugar para fazer perguntas... -Eu não entendo toda aquela coisa de ereção. Como exatamente acontece? - perguntou Kim Swanson.

-É verdade que á a primeira coisa que os garotos têm quando acordam de manhã? - perguntou Roni Chang.

A Srta. Doherty suspirou. Quando estava comçenaod a responder delicadamente ás perguntas, Jenny se desligou delas, preferindo se prender ao tema do amor. Se os meninas eram como roupas, como disse a Srta. Doherty, então Nate era como o primeiro jeans Diesel que ela compara e só usava em ocasiões especiais porque era tão lindo que não queria que ficasse sujo. Mas quanto mais o vestia mais o lavava, melhor ele ficava, até que ela não podia viver sem ele- ele caía perfeitamente. E se ela sabia com tanta certeza como se sentia com relação a Nate, então que mal faria dizer a ele? uma resposta extraordinária a uma pergunta comum

Blair tinha entregado seu rascunho de ensaio para a proposta a Yale mais cedo aquela manhã. Quando as provas de francês avançado e cálculo avançado finalmente terminaram, ela foi até a sala da orientadora universitária da Constance Billard para ver se a Srta. Glos já o havia lido.

A Srta. Glos estava remexendo em suas pastas, as pernas supreendentemente longas cruzadas com elegância na altura dos joelhos.

- Ah, olá, Blair. Por que não se senta?

Blair estreitou os olhos e olhou criticamente para os sapatos ortopédicos horrorosos da Srta. Glos. Que desperdício ter pernas tão boas para uma mulher mais velha e não ter absolutamente nenhum gosto para sapatos. Ela se sentou na dura cadeira de madeira do outro lado da mesa da Srta. Glos.

- Li seu ensaio. -A Srta. Glos vasculhou a pilha de pastas na mesa até encontrar a que estava marcada com Waldorf. Depois franziu os lábios finos e deu uma pancadinha de leve no nariz com um lenço de papel.

A Srta. Glos sempre tinha sangramentos nasais e acreditava-se que tinha uma rara doença contagiosa. Todas as meninas tinham medo de tocar o que ela lhes dava. Blair ergueu as sobrancelhas escuras e bem delineadas.

- E?

A Srta. Glos olhou para ela. Seus cabelos cor de rato se encrespavam embaixo, roçando no queixo. Estava exatamente igual sempre que Blair a via e era evidentemente uma peruca.

- Acho que é melhor fazer outra tentativa se realmente fala a sério quando diz que quer ir para Yale. Levou um minuto para Blair registrar o que a orientadora tinha dito. - Mas ...

A Srta. Glos abriu a pasta de Blair e apontou para as páginas dentro dela com uma unha comprida e de um amarelo asqueroso.

- Esse é um ensaio perfeitamente adequado sobre a vida de Audrey Hepburn - começou ela. - Mas não diz nada sobre você. Você precisa mostrar a Yale que você pode escrever bem, que pode pensar de forma criativa e que pode dar uma resposta extraordinária a uma pergunta comum. - Ela devolveu o ensaio a Blair.

Blair segurou as seis páginas grampeadas entre o polegar e o indicador, as têmporas latejando. Morria de vontade de dizer à Srta. Glos para se foder e comprar uma peruca nova enquanto estava ali, mas ela sabia que a orientadora universitária era muito boa em seu trabalho. E se alguém podia ajudá-Ia a entrar em Yale, esse alguém era a Srta. Glos. - Tudo bem - disse ela, concisamente. - Vou tentar

de novo.

- Boa menina. Procure não ser tão literária. Mostre a eles o quanto adora os filmes de Audrey Hepburn em vez de falar deles.

Blair assentiu e se levantou. Ajeitou a saia, tentando manter compostura diante de um insulto tão ultrajante, agindo exatamente como imaginava que Audrey faria. - Bom Natal para a senhora - acrescentou educadamente. A Srta. Glos encostou o lenço no nariz de novo e sorriu.

- Bom Natal, Blair.

Blair puxou a porta da salada orientadora universitária para fechá-la e atirou seu ensaio contaminado na lixeira de metal do corredor com um suspiro de irritação. Iria se divertir tanto na praia em St. Barts. Serena ia ter de se virar sozinha, porque Blair ia ter de passar toda a porra das férias trancada no quarto escrevendo o ensaio para Yale. Ela pensou em escrever

Me deixa entrar, merda! em uma folha de papel e mandar para o escritório de admissão de Yale, mas, considerando o fato de que contou ao entrevistador toda a história de sua vida e depois o beijou, esta talvez não fosse uma boa idéia. Ela subiu a escada que levava ao quarto andar para pegar armário seu casaco de esqui azul Marc Jacobs, esbarrando com Kati Farkas e Isabel Coates na escada. - Como foi na prova de francês? - perguntou Kati.

Tinha chovido essa manhã quando ela estava indo para a escola, e seu cabelo louro morango estava completamente crespo.

Blair achou que Kati parecia um poodle que fora atingido por um raio. Ela deu de ombros. "Idiota." Afastou o cabelo do rosto com uma sacudida impaciente. Estava tão enjoada de falar de notas e escola e provas de cursos avançados que achou que podia vomitar.

Isabel penteou o rabo-de-cavalo escuro e curto com os dedos e ergueu o queixo. Blair sempre se fazia de superior quando falava das notas.

- Sei que parece meio de nerd, mas eu realmente fiz a revisão de história do Sr. Noble ontem, e acho que ajudou muito. Quer dizer, achei a prova certamente fácil. E você é uma verdadeira chata, observou Blair. O pai de Isabel era um ator de TV que fazia principalmente narrações e tinha um sotaque britânico falso. Isabel tendia a imitá-Io, e era por isso que ela dizia coisas como "certamente fácil" em vez de "totalmente idiota", o que fazia com que ela parecesse, bem, totalmente idiota. Kati concordou com a cabeça.

- Foi curto também. Mas você viu a Serena? Ela nem terminou. Ainda estava sentada lá, tipo assim, encarando o cabelo quando saímos.

É claro que ela deixou de fora a parte sobre Serena dar

autógrafos. De jeito nenhum ia admitir a Blair que pedira um a Serena.

- Tenho certeza de que ela se deu bem - disse Blair com lealdade. Serena nunca estudava e não estava nas turmas de estudos avançados, mas ela sempre conseguia se sair bem o bastante para participar da aula e escrever artigos meio decentes. Ela era inteligente - todas as meninas da Constance eram -, mas os professores dela se queixavam de ela não utilizar todo o potencial desde que estava na segunda série. Bem no fundo, Blair saboreava o fato de Serena ser tão pouco academica. Seria totalmente impossível elas serem amigas se Serena fosse linda daquele jeito e ainda por cima só tirasse A. - E aí, o que rolou entre você e aquele cara, o Miles? perguntou Isabel. Ela não conseguia acreditar naquelas duas. Da última vez em que vira Kati e Isabel, elas tinham desmaiado de bêbadas no banco traseiro de uma limo e Blair as rejeitara totalmente.

Agora elas estavam agindo como se quisessem ser grandes amigas de novo. Mas Blair não ia ficar de papo com elas sobre um cara que provavelmente nunca veria de novo para que elas pudessem espalhar a fofoca por toda a escola.

- Na verdade, nada - respondeu ela com indiferença.

- Ooooh - balbuciou Isabel. - Ela está tão reservada. Isso significa que alguma coisa deve ter acontecido.

Blair revirou os olhos.

- Tanto faz.

- E aí, o que a Srta. Glos disse de seu ensaio para Yale? - perguntou Kati. Esse era o problema de freqüentar uma escola só de meninas: todo mundo sabia de tudo sobre todo mundo. Isso deixava Blair insana. - Ela gostou - mentiu Blair. Ela começou a subir a escada novamente, o anelzinho de rubi batendo no corrimão de metal enquanto ela andava. - A gente se vê depois. Tenho de começar a estudar para a prova de inglês.

- Peraí! - gritou Isabel.

Blair se virou e esperou.

- O que é?

- É verdade que Serena e Flow estão noivos?

Blair mal conseguiu conter o riso. Ela sabia que devia contar a verdade a elas, mas seria muito mais interessante não contar.

- É- disse ela, sacudindo a cabeça com um sorriso de

descrença. - Não é uma loucura?

As duas meninas se olharam, claramente emocionadas com a confirmação que conseguiram de uma fonte muito confiável para uma fofoca revolucionária. - Então ela ainda vai para o St. Barts com você? - perguntou Kati.

Blair assentiu e girou o anelzinho de rubi no dedo.

- Vamos planejar o casamento enquanto estivermos lá.

- Ah, isso parece tão divertido! - declarou Isabel com seu sotaque britânico mais detestável. Ela olhou para Kati e depois de novo para Blair. - Acha que ela vai nos convidar para damas de honra?

Blair se virou e subiu sem esforço a escada, como Audrey em seu maravilhoso vestido Givenchy durante a cena do desfile de moda de Cinderela em Paris. - Talvez - disse ela. - Se vocês forem muito, muito legais com ela.

Gossipgirl.net

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advertência: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Tudo bem, então fizemos as provas - agora é hora de esbanjar.

UMA LISTA DE PEDIDOS DE NATAL

1 chapéu de pele de raposa Fendi, embora provavelmente vá ser esquecido num táxi um dia, tarde da noite

1 bolsa de camurça franjada Coach, boa para sair só com as chaves, cartão de crédito e brilho para os lábios. O que mais se precisaria?

Um ano inteiro marcado no Elizabeth Arden Red Door Salon para depilação facial, nas sobrancelhas e na virilha, máscaras de algas marinhas, cortes de cabelo e luzes. 1 par de botas de couro caramelo. 1 par de botas de camurça marrom-escuro. 1 par de botas pretas na altura do joelho.

Tudo de Stephane Kelian e tudo com salto 10. Não há nada como muitos pares de botas. 1 casaco de pele de cordeiro Fendi.

1 caixa extragrande de trufas de chocolate amargo da

Godiva - minha fraqueza. Bem, uma delas.

1 robe de banho TSE de cashmere branco e meia de cashmere combinando Todos os clássicos de Hitchcoch em DVD

A aceitação na universidade

Uma véspera de Ano-novo totalmente transformadora!

Flagra

B pegando todos os livros sobre Audrey Heoburn na biblioteca de Manhattan. A e seu amigo M passeando com o boxer de A (é um cachorro, e não um lutador), passando pela constance Billard School for Girls e procurando pelas janelas octogonais do primeiro andar - por quem, eu pergunto? S dando ao porteiro uma cesta cheia de baby barracudas. Será que as remessas diárias de Flow não estão meio exageradas? N ficando chapado com os amigos no Sheep Meadow. J fazendo um cartão de NAtal sensacional com glitter para N na aula de arte. D se livrando de um se deus preciosos bloquinhos pretos em uma lixeira na Broadway. O bloco de um escritor não é problemático? V atormentando um pobre vendedor inocente de cachorro-quente no Washington Square Park. K e I brigando por um chapéu de pele de raposa na Intermix.

Seu e-mail

P: Cara "Gossip Girl",

Andei tentando deduzir quem é vc desde q vc começou este site. Acho q vc não falaria de faculdades a não ser q fosse do terceiro ano. Sou só do primeiro ano, mas ando com todos os veteranos cool. Então, talvez vc não seja tão cool como eu acho q é. Ainda acho q vc deve ser um professor de academia pervertido ou alguém assim. - jdwack

R: Caro jdwack,

Continue tentando deduzir quem eu sou, porque não vou contar a você. Mas vou lhe prometer o seguinte: eu não seria apanhada morta usando short cáqui com um apito no pescoço.

- GG

P: Oi, GG,

E aí, o que acha daquele boato que rola por aí de que Flow e S estão noivos?? Ela sempre age cheia de mistérios, como se tivesse um grande segredo, então é meio difícil de saber. - ghost

R: Caro ghost,

Sei o que quer dizer - S mantém um silêncio horroroso sobre Flow, se o boato for verdade. Mas vamos ser realistas aqui. Ela só tem 17 anos. Mesmo que estejam noivos, duvido que o casamento esteja próximo.

- GG

P: E aí, GossipG,

Não sei se B sabe disso, mas ouvi falar que o cara que ficou com ela no sábado à noite - o amigo baterista do meio-irmão dela - vai passar as férias em St. Barts também. - informante

R: Caro informante,

Caraca. Acho que B vai ter uma grande surpresa, e ela pode não gostar muito disso também.

E FINALMENTE...

Aí! Que sentido tem ir para a escola depois das provas se nossas notas já não valem de nada? Elas deviam deixar que a gente tivesse uma matéria só, tipo almoço, ou sala de estudos, ou teatro, em toda a primevera. Quer dizer, parece até que não tivemos uma folga!

Pra você que me ama,

gossip girl

a barneys forma o caráter

Na quinta-feira antes do Natal, a Constance Billard finalmente liberou as meninas para seus luxuosos 12 dias de férias de meio de ano letivo. Depois da escola, Jenny se encontrou com Nate na frente da Barneys. Ela estava usando um suéter com capuz azul-bebê, uma parca preta com colarinho de pele falsa, o uniforme cinza supercurto da escola, um chapeuzinho vermelho de pêlo de cabra com seus cachos escuros saindo por baixo e luvas de pêlo de cabra vermelhas combinando. Estava adorável e, no minuto em que a viu, Nate tirou a luva da mão dela e lhe deu um beijo na palma. Tinha conseguido um enorme estoque de erva para o Natal com seu fornecedor na pizzaria da 80 com a Madison, e estava de muito bom humor.

- Senti sua falta - disse ele, os olhos verde-esmeralda brilhando no crepúsculo de inverno. O coração de Jenny começou a saltar.

- Senti sua flata também - respondeu ela, as bochechas num rosa delicado. Ela tirou do bolso da parca o cartão de Natal que tinha feito para ele. - Tome. Nate rasgou o envelope feito a mão. Ele olhou a figura que ela havia desenhado com aquarela, carvão e caneta dourada, tentando entender o que era exatamente. - É um boneco de neve segurando uma rena - explicou Jenny. - Meio uma combinação dos estilos de Matisse e Picasso, mas não sei se deu certo. Nate não entendia nada de Matisse e Picasso. Ele abriu o cartão. FELIZ NATAL, NATE!, diziam as letras maiúsculas em glitter dourado. Com amor, Jennifer. Nate sorriu e colocou o cartão no bolso do casaco.

- Obrigado.

Jenny passou o braço pelo dele e o levou para dentro da loja. - E aí, o que vai querer de Natal? Vou comprar seu presente primeiro. Ela pegou mais 50 dólares emprestados com o pai, que realmente não eram nada perto de todo o dinheiro que já devia a ele. Desde que começou a namorar Nate, Jenny estava gastando mais dinheiro do que em toda a sua vida.

Como qualquer garota lhe dirá, cuidar da aparência sai caro, mas também vale a pena. No departamento masculino, Nate mostrou a ela um par de meias de lã cinza merino. - Que tal isso?

- Meias? Mas quero lhe dar alguma coisa especial. Alguma coisa com... espírito - insistiu Jenny. Panache, era o que ela queria dizer. Panache. Tinha visto que se usava na Vogue, e parecia tão francês e tão sofisticado.

Nate devolveu as meias e olhou a loja.

- Só não quero que você gaste muito dinheiro comigo, Jennifer. Jenny sorriu exultante para ele, amando-o mais do que nunca. Ela adorava o modo como ele a chamava de Jennifer. Adorava as pequenas mensagens de texto bonitinhas que ele lhe mandava pelo celular. Adorava como ele fazia coisas, como beijar a mão dela. E, o melhor de tudo, adorava a sensação que ele lhe dava com apenas algumas palavras com sua voz sensual, como se ela fosse a garota mais sortuda da Barneys, e isso realmente significava alguma coisa.

- Não pode ser só meia - insistiu ela. - Tem de ser especial. - Tá legal - respondeu Nate com um dar de ombros divertido. Era meio bonitinho que Jenny quisesse comprar para ele alguma coisa mais significativa do que meias ou perfume. Ela era tão genuinamente generosa e nunca esperava nada em troca. - Isso aqui? - Jenny ergueu um short de flanela de lã escocesa com cordão. - Acho que deve ser de pijama.

Nate franziu a testa.

- É meio gay - disse ele.

Jenny colocou o short de volta na prateleira.

- Tem razão. Desculpe - depois ela viu uma mesa com pilhas de cuecas samba-canção com imagens em silk-screen no traseiro. Havia uma samba-canção com um veleiro vermelho em silk. Que perfeito. Velejar era o barato de Nate. Ele até construía veleiros no Maine. A cueca custava 60 dólares, e era mais do que ela pretendia gastar e meio demais para roupa de baixo, mas Jenny estava disposta a abrir mão de dez dólares pelo cara que ela amava mais do que qualquer pessoa ou qualquer outra coisa no mundo. - Esta é muito legal - Nate ergueu a cueca e examinou o veleiro. - Mas acho que ninguém vai poder ver.

Um jato de rubor subiu pelo pescoço de Jenny quando ela pensou em ver Nate de cueca. - Não, mas tem de ser sua - insistiu ela. - É tão totalmente você. Ela dobrou a cueca e a levou ao balcão.

- Pode embrulhar para presente, por favor? - Ela se virou para Nate. - É mais divertido se você abrir como um presente de verdade. - Os olhos castanhos dela brilharam de excitação. Jenny tinha um namorado lindo, comprou para ele um presente muito bacana e ele estava sorrindo para ela daquele jeito que a fazia ter vontade de gritar: EU estou TÃO FELIZ! Ela passou para Nate uma sacolinha preta da Barneys. - Feliz Hanykkah - disse ela toda alegre, embora só fosse meio judia e Nate não fosse nada judeu. - Obrigado, Jennifer - Nate não esperava encontrar alguma coisa de que realmente gostasse, mas ele até achou a cueca bonitinha. Ele pegou a mão dela. - Agora vamos comprar uma coisa para você. Venha.

Ele a levou ao elevador e ao sexto andar. Jenny não sabia aonde estavam indo até que as portas se abriram e eles saíram no departamento de lingerie. Ela hesitou. Imaginou que Nate compraria para ela alguma coisa bonitinha de Natal, tipo um cachecol com uma rena idiota ou coisa parecida. Mas não lingerie. - Escolha o que quiser - disse Nate.

Jenny olhou as prateleiras de lingerie importada feita a mão, o rosto vermelho de vergonha. Ela sempre comprou sutiã Bali na Macy's porque tinha suporte extra e tiras extralargas para evitar que o peso de seus peitos estupendos deixasse marcas nos ombros. Parecia que os sutiãs da Barneys iam se esfrangalhar se ela colocasse só um peito neles, e ainda mais os dois. Não havia jeito de ela pegar um sutiã, um bustiê e nem mesmo um top. Primeiro, ela morreria se Nate descobrisse o tamanho deles. Segundo, eles provavelmente nem faziam coisas bonitas e de renda no tamanho dela. Jenny queria poder dizer a Nate que não queria lingerie nenhuma, mas não queria ferir os sentimentos dele. Em vez disso, ela pegou uma simples calcinha de seda branca La Perla com costoura cor-de-rosa e um laço de cetim rosa no elástico. - Esta aqui é legal.

- Não quer um sutiã combinando com ela? - grasnou uma vendedora de uns 17 anos, zanzando por ali para ajudar.

- Não - Jenny praticamente gritou. Ela tirou a calcinha do cabide e doi até o balcão para que Nate pudesse pagar e eles saíssem correndo dali.

A caixa pegou a calcinha e começou a embrulhá-la em papel. - Só o fio dental, senhorita? - perguntou ela.

Jenny olhou para a peça de seda branca nas mãos da mulher. Podia ver que basicamente faltava a área da bunda.

Não conseguiu deixar de olhar para Nate.

- É - guinchou ela. - É só isso.

- E queremos para presente, por favor - acrescentou Nate. Blair usava fio dental o tempo todo. Ele não entendia por que Jenny estava tão envergonhada. Quando o embrulho ficou pronto, Nate o entregou a Jenny e a beijou no rosto. - Feliz Natal.

Jenny ergueu os olhos do trecho do carpete creme que olhava fixamente e pegou a sacola. Aqui estava outra coisa que ela adorava em Nate - ele não se espantava com coisas como tangas fio dental. Era sempre calmo e frio.

Bem, é meio difícil não ser calmo quando se está chapado na maior parte do tempo. Enquanto desciam pelo elevador, Jenny se perguntou o que deviam fazer agora. Ir para casa e desfilar com os presentes um para o outro? Só a idéia de andar de um lado a outro diante de Nate com a bunda de fora fazia Jenny querer morrer. A porta do elevador se abriu.

- Eu estava pensando que a gente podia ir a pé para o St. Regis - disse Nate enquanto passavam pelo departamento de cosméticos, a caminho da saída da loja. O coração de Jenny bateu erraticamente no peito. O St. Regis era um hotel. Ai, meu Deus.- Tem um barzinho ótimo lá. A gente podia tomar um chocolate quente ou coisa assim - acrescentou Nate.

Parecia que ele genuinamente queria um chocolate quente, e não um showzinho erótico num quarto de hotel. Jenny soltou um suspiro de alívio.

- Parece bom mesmo.

Mas, antes de chegarem à porta da frente, Nate viu duas meninas, uma de cabelos louros puxados para cima num rabo-de-cavalo e outra com cabelos castanhos que caíam pelas costas.Eram Serena e Blair, paradas no balcão da Estée Lauder, bem no caminho deles. Nate colocou o braço em torno de Jenny e começou a levá-la na direção contrária, de volta à loja masculina e para uma saída diferente. Não que ele se importasse em ser visto com ela.Só seria mais fácil se não tivessem de falar com ninguém, especialmente com a Blair.

Jenny hesitou e fez uma careta para ele.

- Peraí. Aonde estamos indo? - perguntou ela, confusa.

- Hmmm, acho que talvez eu deva pegar um cinto novo na saída - disse Nate, esperando que Blair e Serena ainda não os tivessem visto.

Tarde demais.

- Nate? - ele ouviu a voz de Serena atrás dele. - Ei, Natie! Ele se virou devagar. O doce aroma de sândalo e lírio já estava enchendo suas narinas enquanto ela atirava os braços nele. Ela o libertou e beijou Jenny no rosto. - E aí, o que compraram?

Jenny corou novamente.

- Hmmmm, nada demais.

Blair estava parada um pouco afastada deles, criticando em silêncio a feia parca preta de Jenny e seu chapéu vermelho felpudo. Nate sorriu para ela. - E aí, Blair.

Blair suspendeu a bolsa Prada nos ombros e sacudiu o cabelo do rosto. - Oi - disse ela a ninguém em particular. Ela olhou brevemente para Jenny. - Oi, Ginny. Feliz Natal.

Jenny segurava a bolsinha da Barneys atrás das costas, como se temesse que Blair pudesse pegá-la para ver o que tinha dentro.

- Feliz Natal- respondeu ela com a voz fraquinha.

Blair ficou tão irritada em vê-los fazendo compras de Natal juntos como um casal chatinho e feliz que não conseguiu resistir a uma sacanagem. - Talvez vocês possam nos ajudar - ela pareceu subitamente alegre. - Estamos comprando presentes para Flow e Miles ... Sabe quem são, os caras que ficaram com a gente na outra noite. Mas não sabemos bem o que levar. - Ela cutucou

o cotovelo de Serena. - Serena estava pensando em um perfume. Nate, se importa se a gente testar em você?

Nate não usava perfume e realmente queria dar o fora rapidinho dali, mas não tinha capacidade intelectual para se livrar

da situação.

- Claro - respondeu ele sem entusiasmo.

Blair os levou para um balcão e, antes que ele pudesse protestar, pegou a mão direita de Nate e borrifou uma colônia Dolce & Gabana que ela sabia que cheirava a bunda e a queijo blue mofado.

- O que você acha? - perguntou ela, colocando a mão de Nate sob o nariz de Jenny. Jenny começou a espirrar.

- Saúde - disse Serena.

Jenny espirrava sem parar. Não conseguia se conter.

Nate estremeceu.

- É meio forte.

- É mesmo? E este aqui, então? - Blair pegou a mão esquerda dele e borrifou Eau D'Orange Verte, de Hermes. Era um aroma clássico e puro que ela adorava e às vezes ela mesma usava, embora fosse masculino.

Nate cheirou a mão e de imediato foi tomado pela nostalgia, pensando nos tempos em que se deitava na cama de Blair, beijando sua barriga nua e fazendo-a rir. - Legal- disse ele, dando outra fungada.

O nariz de Jenny estava escorrendo. Ela o enxugou na luva. Serena pegou a mão esquerda de Nate e a colocou sob o próprio nariz.

- Ah, é tão totalmente você, Nate - ela sorriu com sinceridade para Jenny. - Devia comprar um desses para ele de Natal. É sensacional.

Jenny limpou o nariz de novo. Não tinha mais dinheiro e, além disso, já havia comprado um presente muito melhor para Nate. Ela olhou para ele, esperando que ele dissesse a mesma coisa e depois eles pudessem ir embora, mas Nate só ficou parado ali, olhando para Blair, com as mãos esticadas feito um boneco. A dúvida se esgueirou novamente no coração de Jenny.

Como Nate podia ser tão maravilhoso quando estava sozinho com ela, mas quando estava com outras pessoas ele ficava tão ...Idiota? Blair franziu o nariz.

- Não sei não - murmurou ela. - Acho que talvez agente deva dar uma coisa mais pessoal. - Tipo o quê? - perguntou Serena, entrando no jogo.

- Acabo de comprar para o Nate uma samba-canção legal com a estampa de um veleiro - sugeriu Jenny cheia de esperança. - Têm outros diferentes. Vocês deviam ir lá ver. Nate riu timidamente.

- É. É bem bacana.

Blair agarrou o frasco verde de amostra da colônia Hermes, pronta para atirá-lo na cabeça de Jenny. Samba-canção? Essa putinha.

Serena viu que a brincadeirinha de Blair parecia estar se voltando contra ela. - Vamos, Blair - ela cutucou levemente o cotovelo de Blair. -Vamos subir. Tem um biquíni que quero experimentar. Você pode me dizer o que acha. Blair colocou o frasco de perfume de volta no balcão.

- Tá legal - retorquiu ela friamente.

- Vamos para St. Barts amanhã. - Serena plantou um beijo no rosto de Nate. Depois se abaixou e beijou Jenny.

- Mas a gente se vê no Ano-novo, tá bem?

Nate observou Blair remexer no anel de rubi no dedo. Ele deu um passo à frente, colocou a mão na manga do casaco dela e a beijou no rosto.

- Feliz Natal, Blair.

As melhores atrizes sempre permanecem compostas diante de insultos. - Feliz Natal - respondeu ela, mantendo o queixo erguido o máximo que era fisicamente possível sem cair de costas. Depois, com a maior pose que pôde formar, ela se virou para os elevadores nos fundos da loja, puxando Serena atrás de si. Nate as viu partir, admirando o modo como os longos cabelos escuros de Blair caíam nas costas do casaco de cashmere azul-celeste. Ele ergueu a mão esquerda e respirou aquele perfume puro e fresco que o lembrava da pele nua de Blair. Depois se virou para Jenny. O pompom de cabelos crespos dela. A parca preta avantajada. As mãos miudinhas. O sorriso tímido. Foi um alívio Blair ter ido embora, para que ele parasse de comparar as duas. Porque a verdade verdadeira era que não havia comparação. Um frasco de perfume na forma de uma bailarina estava no balcão de vidro atrás deles. - Ei - disse Nate mudando de assunto. - Já viu O quebra-nozes? - Jenny estudava arte, então provavelmente sabia tudo de balé.

Jenny sacudiu a cabeça, tentando sorrir. Tinha ido ao Lincoln Center com a turma de arquitetura e design, mas foi o mais perto que chegou de ver um balé de verdade. - Não, ainda não.

Isso não estava bom. Definitivamente não estava bom.

Nate tinha levado Blair para ver O quebra-nozes nos últimos três natais e, embora ele soubesse que era muito idiota, sempre gostara. Era meio que uma viagem: na primeira cena, durante uma festa de Natal, a árvore no palco era só uma árvore normal de tamanho médio. E aí, depois que a menininha dorme e começa a sonhar, a árvore sai do chão, transformando-se em uma árvore bombada de esteróides - era maior até do que a árvore do Rockefeller Center. E depois todos os brinquedos ganham vida e começam a brigar. Era sensacional.

Nate puxou o celular do bolso.

- Tem um jantar com seu pai amanhã à noite, né?

Jenny assentiu.

- Então vamos ver se eles têm entradas para a matinê.

Jenny se apoiou no balcão de perfumes, dominada por aqueles sintomas de gripe novamente. Nate ia levá-Ia ao balé! Como ela poderia não amar Nate? d tenta escrever sobre sexo de um jeito novo

Assim que as provas acabaram na quinta-feira, Dan foi para a cafeteria sino-cubana favorita na Broadway e pediu um café com leite e rolinho primavera. Depois pegou um novo bloco preto e uma caneta esferográfica preta. A semana toda ele ficou tentando escrever alguma coisa meio decente para manter com a proposta para a universidade, mas tudo que escrevia era um completo lixo. Ele nunca teve problemas para escrever antes - em geral, as palavras simplesmente fluíam dele. É claro que ele foi distraído pelas provas, mas isso ainda não era justificativa. Ele estava com bloqueio de escritor. Dan bebeu um gole, pingando gotas de café com leite em toda a primeira página em branco do bloco. De certa forma, ter bloqueio de escritor o associava aos grandes. Tolstoi teve. Hemingway teve. Ele não tinha certeza se seus existencialistas franceses favoritos tiveram, mas deduziu que provavelmente todos deviam passar por isso uma vez ou outra. Isso não tornava as coisas menos dolorosas, porém. Na verdade, era excruciante. Coitadinho, que alma atormentada.

Dan sabia, só de olhar para o velho bloco preto, que a última vez em que escrevera alguma coisa de valor foi antes do Dia de Ação de Graças, antes que ele e Vanessa se beijassem pela primeira vez e percebessem que estavam apaixonados. Ele girou o rolinho primavera em um molho grosso de ameixa e deu uma mordida. Além da morte, o amor era seu tema favorito, mas, agora que estava amando, as palavras que usava para escrever sobre ele pareciam superficiais e toscas. Se ele ao menos pudesse encontrar um novo ângulo para abordar o tema do amor. Mergulhou o rolinho primavera no molho e deu outra dentada. A gordura quente do rolinho escorreu pelo pulso. Uma garçonete esbarrou no cotovelo dele com o quadril e ele deixou cair o que restava do rolinho na caneca, espalhando café com leite por toda parte. A maioria das pessoas se irritaria, mas para Dan foi um

momento de iluminação.

Sexo!, pensou ele. O sexo era a expressão física definitiva do amor, e era por isso, embora nunca o tinha feito, que ele queria que acontecesse no momento certo, quando a única forma de dizer o que verdadeiramente queria dizer era fazer amor. Dan tirou a tampa da caneta. Ele leu muita teoria crítica para saber que alguns dos maiores clichês para escrever sobre sexo era usar imagens de flores desabrochando, o nascer do sol e fogos de artifício. Ele também sabia que era possível fazer alguma coisa que não parecesse sexual. Mas ele queria escrever sobre o sexo de formas novas e inesperadas.

Ele olhou para o rolinho primavera meio comido, marrom de café, pensando. Qualquer garoto normal que pensasse em sexo teria imediatamente pensado em tirar as roupas da namorada. Contudo, Dan não era um garoto normal. Em vez de pensar em tirar as roupas de Vanessa, ele pensava em palavras velhas, a não ser que fossem usadas de uma forma sensual. E para fazer isso você tem de parar de pensar em palavras e começar a pensar em alguma coisa ou, ainda melhor, em alguém. De preferência em alguém sem roupa.

Mas Dan estava preso às palavras. Quanto mais agonizava sobre que palavras usar, mais convencido ficava de que não podia escrever sobre sexo porque ainda não tinha feito. E se ele não conseguisse escrever sobre sexo, não ia conseguir escrever sobre amor. E se não conseguisse escrever sobre amor, nõa ia conseguir escrever mais nada. Será que o sexo era a cura para o bloqueio do escritor?

v descobre a victoria 's secret

Na quinta-feira depois da escola, Vanessa andava pela Broadway, no Soho, filmando um travesti vestido com um macacão

de PVC preto e botas de PVC com salto plataforma 15, passeando com um minúsculo chihuahua preto enfiado num suéler

laranja felpudo, quando foi parada na frente da Victoria's Secret por uma mulher que distribuía folhetos promocionais .Ipresentando a coleção de lingerie Very Sexy.

Compre dois sutiãs Véty Sexy e ganhe uma calcinha v-string ou uma tanga combinando!, dizia o folheto. Vanessa não sabia bem o que era uma v-string ou uma tanga. Ela comprava calcinhas de algodão Hanes Her Way e tops da Rite Aid, e nunca tinha entrado na Victoria's Secreto Ela

olhou o pôster da Gisele Bündchen usando a coleção Angels que enchia as vitrines. Lingerie sem costura com um caimento

celestial ,dizia o pôster. Éclaro que qualquer coisa ficaria celestial em Gisele, mas será que ficaria bem nela?

Vanessa passou a alça da câmera no ombro e abriu a pesada porta de vidro da loja, pensando que podia ser meio divertido descobrir. Ela foi abordada assim que a porta se fechou atrás de si.

- Bem-vinda à Victoria's Secret - disse uma loura mignon com um terninho preto apertado. - Posso ajudá-Ia a encontrar alguma coisa hoje?

Vanessa olhou para ela. Odiava vendedores que adejavam em volta das pessoas.

- Não - respondeu ela, dispensando a mulher. - Só

estou dando uma olhada.

A mulher sorriu graciosamente.

- Tudo bem. Só para você saber, meu nome é Vanessa.

Vanessa olhou para ela, surpresa.

- É meu nome também - disse ela, sentindo-se meio

mal por ter sido tão grosseira com a mulher. - Temos o mesmo nome.

A Vanessa Loura sorriu radiante para ela.

- Mas que coincidência! Bem, você não vai esquecer meu nome. Me chame se precisar de alguma coisa - depois ela se virou para ajudar outra cliente.

Vanessa olhou a loja. Perfume e música de câmara enchiam o ar, e o carpete era de um vermelho aveludado profundo. Mesas redondas cobertas de cetim vermelho tinham pilhas d tangas e calcinhas em cores sólidas, padronagens animais e florais. Em cada parede havia prateleiras de sutiãs de renda, cetim stretch e algodão. Havia corpetes, tangas, v-strings e shortinhos. Anáguas, bustiês, ligas e cintas-ligas.

Vanessa nunca tinha visto tanto espaço dedicado ao tipo

de vaidade de mulherzinha que ela sempre abominou. Mas talvez, só talvez, um conjunto de sutiã de renda meia-taça Very Sexy e uma tanga de renda fosse o tipo de coisa que ela precisava para ficar tão irresistível para Dan, que ele teria seu momento

poético orgânico ou o que fosse que estivesse esperando

e decidisse que estava pronto para transar.

Ela foi a uma prateleira de sutiãs de renda vermelhos e vasulhou. 34B, 36C, 38D.

Nem mesmo sabia qual era o tamanho

dela. Debaixo da prateleira de sutiãs havia uma prateleira de calcinhas de renda, mais para tiras de renda do que para calcinhas - tiras extremamente pequenas. Vanessa examinou as etiquetas. Então isso era uma tanga. Bom, não pareciam assim tão ruins. Ela olhou em volta da sala, procurando pela xará loura. - Decidiu se quer experimentar alguma coisa afinal?- perguntou a Vanessa Loura, saindo de um balcão à esquerda de' Vanessa, onde estava ocupada dobrando uma pilha de tangas de algodão brancas.

Vanessa deu de ombros, desamparada.

- Hmmm, tem preto? - ela ergueu um sutiã meia-taça de renda vermelho Very Sexy. - De que tamanho precisa? -perguntou a VanessaLoura.

Vanessa franziu a testa. Como podia ter chegado aos 17 anos sem saber qual era o tamanho de seu sutiã?

Não sei bem - murmurou ela quase inaudivelmente.

Vanessa Loura sorriu de um jeito benevolente.

- Vamos para uma sala de provas, e aí vou medir você.

Depois falamos do que está procurando. Vamos encontrar alguma coisa no estilo que você goste, que fique bem em seu corpo e seja confortável também! O que acha? Vanessa assentiu com relutância. Não gostava exatamente da idéia de alguém medir seus peitos e não sabia o que queria, mas a Vanessa Loura parecia uma profissional e ela já havia ido longe demais para desistir.

- Desde que seja preto - insistiu ela.

Nós sabemos, nós sabemos.

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advertência: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

AME SUA IRMÃ, MAS NÃO DEMAIS

Chamou minha atenção que a gente não tenha ouvido um pio sobre o meio-irmão de trancinhas de B, o adorável A. Você pode estar pensando que ele está ocupado demais estudando para as provas e se reunindo com a nova banda. MAs não. Ele está se escondendo. E eu estou quase convencida de que o motivo para ele se esconder é porque ele está lidando com uns problemas sérios. O mais recente deles é que ele convidou seu amigo baterista M para ir com ele para o St. Barts, e desconfio de que o motivo para ele fazer isso é que M manterá B ocupada e fora de sua vista.

Continuar: parte 4 de 4