Homenagem ao Marquez de Pombal

Alberto de Magalhães · Capítulo 4 de 6

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Homenagem ao Marquez de Pombal

Capítulo III

Calára-se o canhão; o fumo das metralhas Ja não tostava a tez aos bravos defensores

De Diu e de Malaca!

Esses conquistadores

Que tinham offuscado o nome de Veneza, Que tinham concebido a audaciosa empresa,

—Na febre do valor, febre de triumphar,— De avassalar a terra e submetter o mar;

Esse povo de heroes, titanico, indomavel, Que dera ao mundo leis e fôra inconquistavel,

Já não queria colher da Heroicidade a palma.

 

Elle cuidava só… na salvação da Alma!

 

III

 

As gloriosas naus, as naus conquistadoras, Que levavam no tópe as quinas vencedoras,

Traficavam agora o oiro, os diamantes,

O topazio, o rubi, os limpidos brilhantes,

Que outr'ora o Oriente e hoje o Novo-Mundo Lançavam sem cessar do seu ventre fecundo!

 

E todo esse thesouro, e toda essa riqueza,

Era p'ra abastecer a perdularia meza

D'essa turba fradesca—a turba de vadios,

Que não passavam fome e não passavam frios, Emquanto cá por fóra os tristes proletarios,

Famintos, rotos, nús, sem pão e sem salarios, Iam implorar ás portas dos conventos