Leitura e escrita como espaços autobiográficos de formação

Maria Rosa Rodrigues Martins de Camargo · Capítulo 4 de 9

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Leitura e escrita como espaços autobiográficos de formação

3. Fazeres autobiográficos e cartas pessoais

3. Fazeres autobiográficos e cartas

pessoais

 

Vivian Carla Calixto dos Santos1

Lausanne, 13 de julho de 1946

Elisa, Tânia,

escrevo de Lausanne, sentada no parapeito do lago Leman.

Perto de uma orquestra com uma mulher tocando violino, uma

marcha meio valsa, meio militar. Junto tem um hotelzinho

estreito chamado Hotel du Port. Há montanhas a pique na outra

margem do lago. Há uma fontezinha dividida em três ramos

sobre uma bacia de pedra. Há uma criança comendo um

biscoito. Uma mulher de chapéu branco num barco. Vocês

quase que podem adivinhar que é sábado de tarde. O lago é de

água doce e tem um cheiro gostoso de água. O lago é enorme

e transparente. Junto de mim é esverdeado. Mas do meio para

o fim está da cor do céu e a montanha mesmo está da cor do

céu. Hoje a noite vai ter uma festa noturna no lago, sobre um

barco. No banco está sentada uma mulher com o chapéu preto

e fita branca enterrado até os olhos como em 1920 e tanto,

lendo jornal. Isso que estou sentido pode chamar de felicidade.

Só que a natureza se faz tão estranha que o próprio momento

de felicidade é de temor, susto e apreensão. É pena que não

possa dar o que se sente, porque eu gostaria de dar a vocês o

que sinto como flor. Compreendo que ontem em Berna, quando

recebi carta de vocês, ficasse tão aflita. Talvez fosse de alegria

– e de não poder dar esta mesma alegria naquele mesmo

instante. Um momento muito forte como o de on-tem sempre

arrasta tudo para ele: arrastou todos os meus pecados que

Deus não precisa castigar porque neles mesmos vem o castigo.

Pecado do egoísmo, de indecisão, pecado de deixar morrer

gente de fome e comer, pecado de não entender o mundo,

pecado de amar demais, pecado de não saber amar. Vi um

filme idiota onde o rapaz dizia: eu gosto de você. E a moça

dizia: eu sei, mas não gosto do jeito pelo qual você ama as

pessoas. Eu sei, é preciso dar muito mais do que dou. É

também de minha natureza carregar nos ombros a culpa do

mundo. Uma pessoa só pode apenas sucumbir. Foi isso que fiz

chorando no cinema e aliviando uma mágoa confusa. O início

disso tudo foi a carta de vocês que eu botei junto ao coração

para sentir o calor dela e dormi assim, e mesmo agora, sentada

junto ao lago, tenho a carta na mesma posição, com o envelope

me arranhando um pouco. Não incomoda, é como um aperto de

mão um pouco mais forte. Agora tem um passarinho se

aproximando da fonte. E dois meninos passaram, me olharam e

continuaram a falar em francês. Fomos há pouco ver uma

exposição de pinturas holandesas, de Van Gogh para cá. Eu

estava vendo pacificamente com a cabeça. De repente vi um

pequeno quadro Vers de Soir, de um pintor chamado Karsen.

Entendi muito bem o que você disse, Tânia, sobre a paisagem

que se misturou com você. Esse quadrinho finalmente me

dominou. É uma casa no cair da noite. Não posso descrever.

Tem umas escadas, umas heras, o branco é azulado e tudo um

pouco escuro; tem umas estacas – é um fim de caminho no

mato. Gosto de muitas coisas; mas de repente uma coisa não é

o que a gente está vendo e acima dela não existe mais nada,

pelo menos por um instante; não sei se estou me explicando

bem.

Toda essa carta foi uma tentativa malograda de tirar um retrato

deste lugar junto ao lago Leman, porque esqueci de trazer a

máquina. E aproveitei a ausência da máquina para tirar o

retrato desse momento também. Que Deus abençoe vocês e

lhes dê uma alma luminosa. A paz esteja com vocês, minhas

queridas.

Clarice Na carta reproduzida acima, enviada por Clarice Lispector às suas irmãs, a escritora nos leva em um passeio em que contemplamos o que ela vê, olhamos, pela carta-retrato, o mundo que seus olhos veem... Olhamos para Clarice...

Essa habilidade para inscrever-se no texto e, de certa forma, "conduzir" o leitor, estabelecendo com ele um pacto para seguir a autora – um traço fortemente autobiográfico que a escritora imprime também em seus textos literários – seria restrita a autores da qualidade de Clarice Lispector? Teria a escrita epistolar de "pessoas

comuns" 2 também essa característica?

Esses e outros questionamentos emergiram da leitura de cartas publicadas, realizadas no início de minha pesquisa de mestrado, desenvolvida entre 2007 e 2009 junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação do Instituto de Biociências da Unesp, campus de Rio Claro. Nesse período tive a oportunidade de conhecer cartas pessoais enviadas/recebidas por correspondentes de diferentes idades e pertenças sociais, em diferentes épocas. Cartas publicadas, enviadas e/ou recebidas por correspondentes "célebres", sobretudo de escritores e personagens históricos foram as primeiras que li, dada a disponibilidade desse tipo de material impresso, que tem merecido destaque nos lançamentos editoriais, com obras sendo publicados em profusão.

Posteriormente, procedi à leitura das cartas que passaram a constituir o corpus documental da pesquisa, totalizando 186 cartas de pessoas "comuns", coletadas em espaços públicos destinados à guarda de documentos, como também disponibilizadas por particulares. Essas cartas não foram escritas com a finalidade de serem publicadas, mas, assim como outras tantas, escritas e enviadas desde a Antiguidade, se adequaram para atender a uma multiplicidade de propósitos intercomunicativos. A esses propósitos relacionam-se diferenciações nos conteúdos e nas formas das cartas.

A escrita de cartas é uma prática cultural realizada no recôntido dos espaços privados, no sigilo dos quartos, pelos cantos da noite, no despojar-se do contato com o externo circundante, e enseja-se também na invisibilidade dos espaços públicos, como a do alheamento das salas de aula, ou do isolamento nos transportes coletivos, até mesmo no reservado que a amplidão das praças abertas engendra... Conversa silenciosa, não alardeia a presença de sujeitos escritores/leitores, cujos fazeres permanecem muitas vezes pouco considerados, ainda mais atualmente, quando os fazeres dos usuários de tecnologias intercomunicativas mais recentes, como o e-mail e as redes de relacionamento on-line, recebem destaque nas mídias de massa. Deste modo, os fazeres de escritores/leitores de cartas pessoais permanecem muitas vezes imperceptíveis quando examinados por uma visão macroscópica, ou generalizante. Assim, estudar cartas, na perspectiva da História Cultural, se afigurou como possibilidade apropriada para a ampliação de saberes sobre esse objeto que é tão pessoal, mas também cultural e de conhecimento, uma vez que a História Cultural comporta estudos realizados com grupos particulares, em locais e períodos específicos, abrindo-se para um processo de interconstrução entre as histórias dos sujeitos e da História, que deixa de ser vista como uma sucessão linear e uniforme de acontecimentos, mas pela complexa rede de atores nela envolvidos.

A troca de correspondência via postal é mantida em nosso país onde muitos não têm acesso a outros meios de contato com familiares e amigos distantes, mas, é mantida também, curiosamente, por outros tantos que, apesar de disporem de outros meios, têm interesse em dar continuidade à correspondência por meio de cartas, o que os leva a participar de Clubes de Correspondência (Santos, 2009), em que têm assegurada a troca de objetos cuja materialidade é prenhe de subjetividade, que vai desde o conteúdo tratado até a cor da tinta escolhida, a caligrafia, o envelope, o papel... Esses correspondentes parecem atualizar algo de que nos fala Sêneca, desde há cerca de 2 mil anos: "o traço de uma mão amiga, impresso sobre as páginas, assegura o que há de mais doce na presença: reencontrar" (Sêneca apud Foucault, 1983). Talvez possamos estender essa afirmação e além de reencontrar, pudéssemos acrescentar reencontrarse, pela marca subjetiva que signatários imprimem a suas cartas e, deste modo, possamos também pensar na escrita epistolar como um fazer autobiográfico, ou como possibilidade de escrita de si – um dos aspectos que o objeto material de estudo me possibilitou pensar e que será enfocado neste texto.

 

Contornos da escrita autobiográfica

Michel de Foucault, no texto "A escrita de si" (1983), referindose aos hupomnêmata, uma espécie de caderno em que os gregos, na cultura filosófica pré-cristã, faziam suas anotações pessoais, afirma que esses registros pessoais eram considerados valiosos para três propósitos principais: recolher as leituras feitas, evitando-se a dispersão e o esquecimento; reunir aforismos heterogêneos e com eles compor um texto autoral, que poderia servir como pré-texto de textos epistolares. O autor dedica parte desse texto para tratar especificamente da correspondência como escrita autobiográfica, questão que focalizaremos mais detalhadamente no próximo tópico.

Embora o advento do texto autobiográfico propriamente dito seja atribuído à era das Luzes, Foucault aponta que nesses textos, hupomnêmata e correspondências, provenientes da cultura grecoromana, portanto da Antiguidade, percebia-se já a presença daquele que os escrevia lançando um olhar sobre si, com as finalidades precípuas de se formar ou de se autodepurar.

Mais tarde, no início da Idade Média, As Confissões, obra escrita por Santo Agostinho e publicada por volta do ano 400 d.C., apresenta forte caráter autobiográfico. Para alguns autores, trata-se exclusivamente de um retrato interior que visa a uma evolução espiritual, não podendo ser incluída como escritura da vida privada, que até então não existia. No entanto, podemos pensar que se esse exame de consciência era, de um lado, um meio empregado para ascender a Deus, de outro, traz nuanças de escrita autobiográfica, como no livro 10, em que o autor trata do "si-mesmo do homem, mediante uma análise da memória em sua busca da felicidade" (Strefling, 2007, p.271)

Outra obra, também intitulada As Confissões, de Rousseau, é tida como a primeira autobiografia no sentido estrito do termo, porque nela, além de a escrita versar sobre o eu, a existência e seu desenrolar são tomados como objeto de conhecimento.

Importa ressaltar que a autobiografia, mais do que um gênero literário, caracteriza-se pela construção do eu, construção que é singularização no social, não individualização. O contexto sócio-histórico em que se insere uma autobiografia é integrante desta, seja pela inserção de citações, nomes, acontecimentos históricos narrados, seja pela própria linguagem empregada, enfim, diferentes elementos com os quais o eu se defronta, por vezes, se confronta e se situa. Esse situar-se, contudo, não consiste numa fixação, mas num trabalho de criação, que tem a característica do inacabamento, referida por Lejeune (1975), citado por Teixeira (2003): "A autobiografia sempre poderia ser continuada, o autor-personagem poderia refazer a narrativa, permanecendo o texto o autobiográfico em aberto e possibilitando ao leitor, depois, um espaço para identificar-se ou projetar-se, tornando-se assim coautor da obra lida".

Em obra posterior, Lejeune (1980), ainda segundo Teixeira (2003), o autor amplia essa ideia e insere a figura de vários "eus", que escrevem uma autobiografia, uma vez que o fazer autobiográfico comporta o ato de recordar o passado no presente: nele o autobiógrafo imagina a existência de outra pessoa, de outro mundo, que não é o mesmo mundo que o mundo passado, o qual, por mais que desejemos, não pode existir no presente (Loureiro, 1991). O que o narrador faz, antes, é criar, dando ao texto auto/biográfico um "eixo", um enquadramento para as memórias que serão incluídas na biografia, já que não é possível narrar a totalidade de uma vida.

Deste modo,

El arte del biógrafo consiste precisamente en la selección. No

tiene por qué preocuparse de ser exacto; su cometido es crear

em um caos de rasgos humanos. Leibniz dijo que, para hacer el

mundo, Dios escogió lo mejor entre los posibles. El biógrafo,

como uma divinidad inferior, sabe escoger entre los posibles

humanos el que es único. (Schwob, 1999, p.405)

Ao escrever sua autobiografia, o autor-narrador dá significado a experiências, que de outra forma, se dispersariam.

Recordar es algo que nosotros hacemos y para lo que

necesitamos la oportunidad, el concurso de la imaginacion y la

habilidad de la composicion. Por eso, la recolección tiene la

forma de una narración desde un punto pasado hasta el

presente en función de un punto de vista que la hace

significativa. (Larrosa, 1996, p.466)

Por sua dimensão criativa, os textos autobiográficos contêm traços de ficcionalidade: Aquele que é autobiografado converte-se em personagem. Deste modo, por conter elementos autobiográficos, a escrita epistolar é também espaço de criação, espaço de possibilidades para leituras diversas por leitores que se fazem interlocutor desses textos, ainda que não sejam seus destinatários originais. Para melhor entendimento dessas proposições, trataremos a seguir mais detalhadamente da escrita/leitura de cartas pessoais como fazeres autobiográficos.

 

Autobiografia e escrita epistolar

Embora os textos epistolares sejam escritos para um destinatário, para o outro, eles também contribuem na formação de si, porque, "ao se escrever, se lê o que se escreve, do mesmo modo que, ao dizer alguma coisa, se ouve o que se diz" (Sêneca apud Foucault, p.153).

Deste modo, o texto epistolar propicia o exercício de si, pela leitura que o signatário faz de suas próprias palavras no texto que escreve, mas também ecoadas na resposta que recebe: o signatário dá dicas, adverte, ensina; em troca lhe chegam palavras de louvor, concordância, ou divergência, ou até mesmo o silêncio... Assim, a carta oferece ao destinatário, mas também ao signatário, uma possibilidade de reflexão, que pode ser entendida menos como um decifrar-se por si, e mais "como uma abertura que se dá ao outro sobre si mesmo" (Foucault, p.157).

Nesse sentido, diz Bakhtin (2003), deixar-se examinar, oferecer-se ao olhar do outro é investi-lo de uma "autoridade afetuosa", é deixar-se guiar pelo outro, o que não significa, contudo, prover-se de seus recursos, ou buscar o mundo do outro em si, mas saber-se no mundo do outro.

Se o outro é quem mostra em que mundo o eu está inserido, e por decorrência, quem é, ele é também "contextualizado" por outros, numa grande trama, de modo que

La construción del sentido de la historia de nuestras vidas y de

nosostros mismos en esa historia es, fundamentalmente, un

proceso interminable de oir y leer historias, de mezclar historias,

de contraponer unas historias a otras, de vivir como seres que

interpretan y se interpretan en tanto que ya están constituidos

en ese gigantesco hervidero de historias que es la cultura. En la

autointerpretacion narrativa no hay inmediatez, ni acceso

privilegiado, ni pura privacidad. Si trata más bien de una

actividad constructiva, imaginativa, compositiva. Y ahí, el sujeto

de la autoconsciência aparace como el autor de um personaje

que es él mismo. (Larrosa, p.472)

A escrita de si tem ainda uma outra dimensão, que difere de oferecer-se ao olhar do outro para conhecer-se ou situar-se no mundo dos outros, mas é presentifcar-se para o outro, "fazer coincidir o olhar do outro e aquele que se lança sobre si mesmo ao comparar suas ações cotidianas com as regras de uma técnica de vida" (Foucault, p.161-162).

Ainda segundo o autor, a presentificação de si para o outro, nas cartas, se dá pela descrição das sensações do corpo, o que se sente, o que se sofre, mas também os remédios, dietas, meios utilizados para alcançar a cura de algum mal que tenha acometido o signatário; ela se dá também pelas impressões que a alma sofre nessas circunstâncias e se dá ainda pela descrição de um cotidiano esvaziado de ações grandiosas: ao contar ao seu interlocutor as ações prosaicas de um dia vivido sem acontecimentos marcantes, mas que deixam ver o modo de viver (de ser?) de quem escreve. Essa presentificação, então, seria menos uma persuasão direta e mais uma influência, algo como um apelo sutil que o signatário lança, pedindo para ser olhado como ele próprio se vê, não como é visto pelos os olhos do destinatário.

Assim, ao escrever cartas, o autor expõe-se, mostra-se, faz aparecer seu próprio rosto perto do outro, ainda que seja seu rosto como gostaria que o outro visse...

E isso significa que a carta é ao mesmo tempo um olhar que se lança sobre o destinatário (pela missiva que ele recebe, se sente olhado) e uma maneira de se oferecer ao seu olhar através do que lhe é dito sobre si mesmo. (Foucault, p.156)

 

Algumas considerações

Este trabalho deixa ver o quanto a escrita epistolar é impregnada do eu que escreve. A constatação dessa relação, escrita epistolar/ fazer autobiográfico é anterior à pesquisa que desenvolvi, que contribuiu, me parece, para demonstrar a continuidade dessa possibilidade, ou necessidade até, desse fazer autobiográfico pela escrita de cartas nos dias atuais.

Percebi que as cartas, além de se constituírem como um gênero textual a ser ensinado, estando até mesmo inserido nos PCNs, se vinculam à Educação, à medida que sua leitura possibilita uma profunda sensação de interlocução, de correspondência, de que trata Bakhtin. Ao escrever uma carta, o signatário expõe-se, coloca-se, mas também antecipa respostas de seu interlocutor e abre-se para que reações diferentes das que imaginara, surjam em resposta aos seus escritos. Em meu entender, essa interlocução, essa responsividade, tão evidente quando lemos cartas trocadas entre dois correspondentes, acontece também com os sujeitos diante de outros textos, escritos, imagéticos ou falados e nesse sentido, por extensão, as aulas nada mais são do que movimentos de correspondência entre alunos e destes com o professor. Do contrário, estamos em face do ensino que Paulo Freire denominou como educação bancária, que visa depositar conhecimentos, como se os conteúdos fossem blocos de concreto, herméticos, com os quais os alunos não interagem, apenas acumulam. Com o estudo das cartas compreendi o quanto nós, educadores, precisamos estar sempre atentos ao aspecto dialógico de nossos fazeres e estarmos abertos para corresponder aos anseios, possibilidades e conhecimentos trazidos por nossos educandos.

Meu trabalho de pesquisa, então, se fez pelo diálogo com as teorias estudadas, que me proporcionaram aprendizados diversos e inestimáveis, mas se fez também pelo encontro com sujeitos expressivos, que, ao escrever cartas, um dia, sem o saber, me tocariam e me conduziriam a lugares inesperados em mim. Para melhor explicar esse afeto, permito-me uma última citação, composta por duas perguntas, que desde a sua leitura me desafia e em momentos de maravilhamento ou assombro, se atualiza em mim: "Não sabia estar em transição? Desejava algo melhor do que transformar-se?" (Rilke, p.68 )

 

Referências bibliográficas

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

FOUCAULT, M. A escrita de si. 1983. In: O que é um autor? Lisboa: Vega, 1992.

LARROSA, J. La expericencia de la lectura. Estudios sobre Literatura y Formacíon. Barcelona: Editorial Laertes, 1996.

LISPECTOR, C. Correspondências. (Org.) Teresa Montero. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.

LOUREIRO, A. G. Problemas teóricos de la autobiografia. In: Anthropos. Suplementos Anthropos. N.29. Barcelona, 1991.

RILKE, R. M. Cartas a um jovem poeta. Rio de Janeiro: Globo, 1976.

SANTOS, V. C. C. Cartas, Escrita e Linguagem: A temporalidade em questão. 107p. (Dissertação de Mestrado) – Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2009.

STREFLING, S. R. A atualidade das confissões de Santo Agostinho. Teocomunicação, Porto Alegre, v.37, n.156, jun. 2007.

SCHWOB, M. El arte de la biografia. In: A arte de la biografia. México: Conaculta Oceano, p.406, [s/d].

TEIXEIRA, L. C. Escrita autobiográfica e construção subjetiva. In: Revista Psicologia USP, v.14, n.1, São Paulo, 2003.

1 Graduada em Licenciatura em Pedagogia pela Unesp, campus de Rio Claro. Especialista em Psicopedagogia pelo Centro Universitário Claretiano (Ceuclar) e mestre em Educação, área de Alfabetização e Linguagens, pela Unesp, campus de Rio Claro. Atualmente trabalha como vice-diretora na E. M. Mar-cello Schmidt e atua também rede pública municipal de Rio Claro (SP) como tutora do Programa de Formação Continuada de Professores das Séries Iniciais do Ensino Fundamental.

2 O termo comum que adjetiva pessoas neste texto, está sendo utilizado na acepção concebida por Michel de Certeau, na obra A invenção do cotidiano (1996), na qual se pode ler, na página 57 do volume 1, a dedicatória que o autor faz, de seu ensaio, ao "homem ordinário. Herói comum. Personagem disseminada. Caminhante inumerável" que "pouco a pouco ocupa o centro de nossas cenas científicas", antes dominadas por "atores donos de nomes próprios e brasões sociais".