Livro de Mágoas
Para quê?!
Horas benditas, leves como pênas,
Horas de fumo e cinza, horas serênas,
Minhas horas de dôr em que eu sou santo!
Fecho as palpebras rôxas, quasi pretas,
Que poisam sôbre duas violetas,
Azas leves cançadas de voar...
E a minha bôca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos, Traçam gestos de sonho pelo ar...
Para quê?!
PARA QUÊ?!
Tudo é vaidade neste mundo vão...
Tudo é tristesa; tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!
Até o amôr nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri á gargalhada,
Flôr que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!...