Livro de Mágoas
Ao vento
Beijos d'amôr! P'ra quê?!... Tristes vaidades! Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!
Só acredita neles quem é louca!
Beijos d'amor que vão de bôca em bôca, Como pobres que vão de porta em porta!...
Ao vento
AO VENTO
O vento passa a rir, torna a passar,
Em gargalhadas asp'ras de demente;
E esta minh'alma trágica e doente
Não sabe se ha de rir, se ha de chorar!
Vento de voz tristonha, voz plangente,
Vento que ris de mim, sempre a troçar,
Vento que ris do mundo e do amar,
A tua voz tortura toda a gente!...
Vale-te mais chorar, meu pobre amigo!
Desabafa essa dôr a sós comigo,
E não rias assim!... Ó vento, chóra!