Memória Extracerebral
1 - Introdução
Memória Extracerebral
11 N R 1---II I N T N T D T R O Ã R O O D U Ç D U U Ç Ç ÃO Ã O
A Memória Extracerebral, segundo a moderna classificação da Parapsicologia, refere-se aos casos de memórias de vidas passadas estudados por diversos pesquisadores, entre eles o Dr. Ian Stevenson da Universidade de Virgínia, EUA. O presente estudo visa apresentar alguns aspectos que possam conceituar a Memória Extracerebral, discutindo a sua atuação e possível localização extrafísica. Para tanto, faz-se necessário o estabelecimento de uma metodologia de estudo e pesquisa, que inclua novos modelos hipotéticos, nos quais esta realidade extrafísica esteja presente.
Ao partirmos para o estabelecimento de uma nova teoria científica, devemos ter em mente sua transitoriedade. O físico Stephen W. Hawking no livro Uma Breve História do Tempo escreve que: “Qualquer teoria física é sempre provisória, no sentido que não passa de uma hipótese: não pode ser comprovada jamais. Não importa quantas vezes os resultados de experiências concordem com uma teoria, não se pode ter certeza que da próxima vez, o resultado não vá contradizê-la. (...) Cada vez que novos experimentos comprovam as previsões, a teoria se mantém e nosso nível de confiança nela aumenta; mas se uma nova observação a contradisser, é necessário que seja abandonada ou modificada.” (página 29).
A Física atual busca uma teoria consistente que possa unificar os conceitos da teorias quântica e da relatividade. Para isso, muitos cientistas de renome passaram a considerar a existência de uma consciência, manifestando-se além da matéria física
Ainda segundo Hawking: “A teoria de Paul Dirac foi a primeira do gênero a se demonstrar consistente em relação à mecânica quântica e à teoria da relatividade especial (desconsiderando o efeito da força da gravidade). (...) Previu também que o elétron deveria ter um par, um antielétron ou pósitron. A descoberta do pósitron, em 1932, confirmou a teoria de Dirac, concedendo-lhe o Prêmio Nobel de Física em 1933. Sabemos agora que toda partícula tem uma antipartícula, em relação à qual ela pode se anular. (...). Poderia existir um antimundo e antipessoas, feitas de antipartículas.” (Página 104).
Utilizando nossa capacidade intuitiva, podemos avançar por mundos inimagináveis. Se podemos dar credibilidade a uma teoria que possibilite a existência de antimundos e antipessoas, porque não podemos fazer o mesmo, com uma que tenha como base a existência de uma consciência preexistente no ser humano, e que seria o registro indelével de suas aquisições e vivências pretéritas?
22 –– E – E SST C S T U D A O T U U D D A N A N D N D D O O O O O CÉREB O C É R R E E B R B R R O
Antes de conceituarmos a memória, torna-se importante um estudo, pelo menos básico, das funções do cérebro ou encéfalo. O cérebro é o centro de controle do nosso corpo e o maior órgão do sistema nervoso central. Recebe seleciona, interpreta e armazena sensações e informações recebidas de nervos que se estendem do sistema nervoso a todo corpo. O sistema límbico são as áreas do cérebro envolvidas no processamento de emoções.
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O córtex cerebral é composto por dois hemisférios, que compreendem cerca de 90% do tecido encefálico. Composto de tecidos nervosos, tem uma superfície ondulada que aumenta a área do encéfalo. Eles regem os processos do pensamento, sentido e movimentos. O córtex é a parte do cérebro responsável pelas faculdades de memória, linguagem e pensamento abstrato. As dendrites são os prolongamentos ramificados dos neurônios, que recebem e processam informações de outros neurônios, através de conexões denominadas de sinapses.
O córtex pré-frontal é a área do córtex responsável pelo controle da personalidade e elaboração dos pensamentos, ou seja, comportamento social, raciocínio abstrato e funções cognitivas superiores. O córtex envolve ainda as seguintes áreas: córtex pré-motor (coordenação muscular), córtex motor (controle e coordenação dos músculos), córtex somato-sensorial (tato), áreas de associação visual, córtex visual (visão) e córtex auditivo (audição).
O hipocampo coordena o recebimento das informações que vêm do córtex, organizando-as em memórias. Os circuitos do córtex e do hipocampo são projetados para formar vínculos (ou associações) entre diferentes representações sensoriais do mesmo objeto, evento ou comportamento. O tronco cerebral liga o cérebro à medula espinhal e contém os centros nervosos que controlam a respiração e outras funções vitais. O cerebelo é o responsável pelo equilíbrio, coordenação muscular e postura.
O cérebro humano médio pesa em torno de 1,4 kg e contém cerca de 500 bilhões de neurônios, que são células nervosas que trabalham na formação da memória e são essenciais para o aprendizado. O encéfalo masculino é maior do que o feminino, mas não há relação com a inteligência O lado esquerdo controla e recebe informações do lado direito do corpo e vice-versa.
Hipocampo
Córtex Cerebral Córtex Pré-
frontal
Cerebelo
O processamento das informações que chegam dos nossos sentidos envolve uma rede de muitas regiões menores. É a rede de circuitos entre as regiões corticais que fazem coisas diferentes, que permite que o córtex seja eficiente na formação de associações, ou seja, associar diferentes sentidos na armazenagem de informações e sensações. Assim como o córtex, o hipocampo desempenha um papel importante na formação de associações.
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A seguir apresentamos uma seqüência de como as informações são processadas, apresentada na revista Superinteressante, de agosto de 2000:
1 – Aquisição
Preste atenção. O primeiro passo é ver, cheirar, escutar, saborear ou tocar. Você só vai poder se lembrar de algo se isso for bem captado pelos sentidos. Ansiosos, deprimidos, estressados e cansados têm dificuldade de manter a concentração e acabam deixando passar muita coisa.
2 – Armazenamento
Para guardar para sempre o que você aprendeu, seu cérebro precisa processar as informações no hipocampo. Ele seleciona os dados que podem ser expressos por meio de palavras e determina quais devem ser armazenadas no córtex. Doenças como o mal Alzheimer e o estresse atacam e comprometem essa estrutura.
3 – Recuperação
Trata-se do ato de se lembrar, quando você vasculha sua massa cinzenta à procura de informações espalhadas no córtex. Uma das estruturas que fazem esse serviço é o lobo frontal (córtex pré-frontal), que acaba enfraquecendo com a idade.
No livro Mantenha o seu Cérebro Vivo, Katz e Rubin apresentam exercícios para prevenir a perda de memória e aumentar a agilidade mental, todos baseados no mecanismos de associações. Estes exercícios são denominados de neuróbica. Na página 25, temos que: “Os sentidos não param de inundar o cérebro com informações, algumas vitais, mas muitas sem importância. (...). Para evitar a sobrecarga de informações decorrente da necessidade de se lembrar de coisas demais, o hipocampo peneira o fluxo de informações que vem do córtex, escolhendo as que vai guardar e as que vai descartar. Em outras palavras, o hipocampo funciona como uma central de informações, determinando o que será arquivado na memória de longo prazo. Mais tarde quando solicitado, ele recupera a informação. Acredita-se que a decisão do hipocampo para armazenar uma memória baseia-se em dois fatores: se a informação tem significado emocional, ou se está relacionada a alguma coisa que já sabemos”.
Importante verificar que segundo Katz e Rubin, este registro de longo prazo está ligado a fatores emocionais. No livro Além da Matéria Densa, Alberto de Souza Rocha, escreve que: “É a memória faculdade extraordinariamente importante por via da qual se fixam as aquisições; e são elas oportunamente utilizadas como experiências válidas, no processo evolutivo dos seres e das formas.
Haverá, então, dois momentos importantes a considerar: o do registro – a memória de fixação; e a do aproveitamento da experiência vivida, a memória de evocação. E isto se verifica tanto por vias do automatismo como nas etapas da racionalidade.”
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Continuando com nosso estudo sobre o cérebro, iremos citar trabalho de pesquisa do Dr. Daniel G. Amen, neurocientista clínico e psiquiatra que atua na Califórnia, Estados Unidos. É autor do livro Transforme seu Cérebro Transforme sua Vida, que apresenta um interessante estudo do cérebro, utilizando uma tecnologia chamada SPECT (Single Photon Emission Computed Tomography) ou tomografia computadorizada de emissão de fóton único, tecnologia já disponível no Brasil.
Segundo explica o autor na página 23, o SPECT é “um sofisticado estudo de medicina nuclear que “olha” diretamente para o fluxo sangüíneo cerebral e indiretamente para a atividade do cérebro (metabolismo). Neste estudo, um isótopo radioativo (que, como veremos, é carregado de uma miríade de raios de energia ou luz) é ligado a uma substância da qual prontamente as células do cérebro se apossarão. (...) Uma pequena quantia desse composto é injetada na veia do paciente, corre através da corrente sangüínea e é captada por certos locais receptores no cérebro. (...) Depois, o paciente deita em uma mesa por cerca de 15 minutos, enquanto uma câmera “gama” de SPECT gira lentamente em volta da cabeça dele. A câmera tem cristais especiais que detectam para onde o composto (sinalizado pelo radioisótopo que age como um raio de luz) se dirigiu. (...) As elegantes fotos do cérebro que o resultado nos oferece são de um mapa sofisticado do metabolismo/ fluxo sangüíneo do cérebro. Com esses mapas, os médicos conseguem identificar certos padrões de atividade do cérebro, que se correlacionam com as doenças psiquiátricas e neurológicas”.
Em caso de interesse em maiores detalhes, é importante reportar-se diretamente à fonte, conforme relacionado nas referências bibliográficas. Através da análise de uma série de imagens cerebrais, Amen apresenta uma divisão do cérebro em cinco sistemas, que estão diretamente envolvidos com o comportamento humano.
Em síntese, são eles:
O sistema límbico profundo , no centro do cérebro, é o centro de formação de laços e de controle de humores. Quando esta parte do cérebro está desequilibrada, as pessoas lutam com problemas de humor e negativismo.
Os gânglios basais, grandes estruturas bem no fundo do cérebro, controlam a velocidade em “marcha lenta” do corpo. Quando esta parte do cérebro do cérebro trabalha demais, ansiedade, pânico, medo e evitar o conflito freqüentemente são o resultado. Quando está hipoativo, as pessoas geralmente lutam com a concentração e problemas de controle motor fino.
O córtex pré-frontal, na parte da frente do cérebro, é o seu supervisor, a parte do cérebro que ajuda na concentração, na elaboração de planos, no controle dos impulsos e na tomada de decisões, boas ou más. Quando esta parte do cérebro está hipoativa, as pessoas têm dificuldade de supervisionar a si mesmas e também têm problemas significativos de atenção, concentração, organização e levar as coisas adiante.
O cíngulo é uma parte do cérebro que corre longitudinalmente através da parte mediana dos lobos frontais. É chamada por Amen de “alavanca de troca de marcha”. Ela permite que se mude a atenção de pensamento para pensamento e entre comportamentos. Quando esta parte do cérebro está hiperativa, as pessoas têm problemas e ficam emperradas em certos círculos viciosos de pensamentos e comportamentos.
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