Mensagem

Fernando Pessoa · Capítulo 5 de 42

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Mensagem

O Conde D. Henrique

TERCEIRO

Todo começo é involuntário.

Deus é o agente

O herói a si assiste, vário

E inconsciente.

À espada em tuas mãos achada

Teu olhar desce.

«Que farei eu com esta espada?»

Ergueste-a, e fez-se.

QUARTO

D. TAREJA

As nações todas são mistérios.

Cada uma é todo o mundo a sós.

Ó mãe de reis e avó de impérios,

Vela por nós!

Teu seio augusto amamentou

Com bruta e natural certeza

O que, imprevisto, Deus fadou.

Por ele reza!

Dê tua prece outro destino

A quem fadou o instinto teu!

O homem que foi o teu menino

Envelheceu.

Mas todo vivo é eterno infante

Onde estás e não há o dia. No antigo seio, vigilante, De novo o cria!