O Romance da Rainha Mercedes

Alberto Pimentel · Capítulo 20 de 25

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O Romance da Rainha Mercedes

O Funeral

Á beira do leito funerario d'aquelle cadaver{104} illustre não havia outros murmurios que não fossem os das orações ciciadas por todos os labios. O gigante da eloquencia parlamentar inclinára a fronte em lacrimosa mudez. A politica embainhára as armas de combate, e principiára a tecer a capella de rosas brancas que costuma engrinaldar a cabeça das noivas mortas. O throno de S. Fernando cobria-se de longos crepes. E sobre essa montanha de lucto, que a Hespanha inteira contemplava, elle, o moço rei, na solidão moral da sua dôr, seguia ainda com a vista embaciada de lagrimas a via lactea da saudade que a rainha, ao voar para regiões ignotas, deixára semeada de estrellas, como um traço luminoso das suas azas. Dil-o-ieis um velho chorando sobre ruinas. Ruinas do coração, que são as mais tristes de todas ellas.{105}

 

O FUNERAL

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