Psicologia da saúde: teoria, intervenção e pesquisa
Prefácio
Esta obra, publicada pela EDUEPB sobre a Psicologia da Saúde, é um marco importante para a consolidação do grupo de pesquisa em Psicologia da Saúde, da Universidade Estadual da Paraíba - UEPB. Nela, estão reunidos capítulos inéditos que fazem parte da produção dos pesquisadores que compõem o referido grupo, durante o biênio de 2008/2009.
Tal grupo, abrigado pelo Departamento de Psicologia da UEPB, encontra-se devidamente registrado e certificado pelo CNPq, acolhe seis pesquisadores, mais de vinte alunos da graduação em Psicologia e se constitui a partir de quatro linhas de pesquisa, a saber: Processos Psicossociais e Saúde; Saúde e representações sociais; Saúde, posições identitárias e práticas discursivas; e Saúde mental, adolescência e juventude: comportamentos específicos e procedimentos preventivos no campo da saúde.
Além dos pesquisadores da “casa” esta coletânea conta também com a colaboração de pesquisadores europeus de renomado prestígio. Motivo pelo qual o livro é bilíngue. Aliás, optamos pela não tradução dos textos que vêm em espanhol para preservar a originalidade dos mesmos. E, ainda, porque temos a tranquilidade de saber que tanto os profissionais como os estudantes da área da saúde, interessados na leitura deste livro, compreendem bem a língua espanhola.
Esta publicação é eminentemente didática e poderá ser útil aos vários profissionais da área de saúde. Está organizada em duas partes. A primeira, dedicada à teoria da Psicologia da Saúde, visa dar ao leitor um panorama geral dos aspectos que embasam a compreensão da segunda parte do livro voltada aos trabalhos de pesquisa desenvolvidos pelos pesquisadores da Psicologia da Saúde, aqui reunidos.
No capítulo primeiro, o autor nos brinda com a apresentação do contexto de desenvolvimento da Psicologia da Saúde em Portugal. E mostra que a Psicologia da Saúde constitui um campo de aplicação da Psicologia com interesse crescente. Crescente porque as condições médicas tendem a aumentar e é necessário desenvolver competências para enfrentar estes acontecimentos que se tornam normativos; porque as doenças crônicas aumentam cada vez mais e se torna necessário implementar medidas de prevenção secundária para esta população; porque a população envelhece e é necessário implementar medidas de prevenção primária para um envelhecimento saudável. Tudo isto se faz através do desenvolvimento de competências úteis para lidar com as novas demandas de saúde.
Dando prosseguimento ao texto, o autor adentra aos aspectos históricos da Psicologia da Saúde e mostra que ela surge num período de grandes mudanças sociais, políticas e econômicas – a década de 70 do século XX – e expressa uma melhoria e um ajustamento às novas condições de saúde. Ela continuou a evoluir e a desenvolver-se, constituindo hoje um componente fundamental nas equipes multidisciplinares que intervêm no sistema de saúde.
O futuro da Psicologia da Saúde tenderá a especializar-se por áreas ou contextos de aplicação – promoção, proteção da saúde e prevenção e tratamento das doenças; contextos formais de saúde como hospitais ou equivalentes versus comunidade; crianças, adolescentes ou mais velhos; homens versus mulheres; etc. -, mesmo por áreas mais especializadas como, por exemplo, o tratamento das doenças. É desejável que isso aconteça sem que represente psicologias diversas, separadas, mas que continue a ser um domínio de aplicação da Psicologia que recorre aos conhecimentos provenientes de todas as áreas da Psicologia, tal como proposto na definição fundadora.
O segundo capítulo trata da abrangência e dos níveis de aplicação da Psicologia da Saúde. O texto se desenvolve buscando alcançar dois objetivos. O primeiro: demonstrar a importância das ações dos psicólogos no nível da promoção de saúde. O segundo: apresentar, explicar e justificar a pertinência da intervenção do psicólogo na prevenção de doenças no âmbito da saúde pública/coletiva. A partir do desenvolvimento desses dois argumentos, propõe, sem ânimo de exaustividade, uma lista de atividades voltadas à prevenção de doenças para orientar minimamente as atuações do psicólogo nos três níveis de assistência de saúde.
O texto procura vincular cada intervenção ao nível mais apropriado de atenção de saúde, de modo a destacar as diversas possibilidades desde, onde e quando fazer a prevenção.
Cabe sublinhar que a prevenção de doenças é, entre todas as novidades das intervenções psicológicas na saúde pública/coletiva, a menos desenvolvida e conhecida. Motivo pelo qual lhe é atribuída maior ênfase.
A prevenção entendida como uma prática psicológica requer do profissional o conhecimento de múltiplas ações de saúde geral. A falta de tradição da intervenção preventiva põe, em evidência, a dificuldade em adequar cada ação a seu nível de pertinência. Essa conjuntura deverá ter na Psicologia da Saúde seu suporte tanto epistemológico como prático.
O terceiro capítulo apresenta um panorama geral tanto da evolução da Psicologia Clínica e da Saúde na Espanha, como dos modelos teóricos mais destacados na área. Para isso, em primeiro lugar, os autores realizam uma análise da evolução histórica até a atualidade da Psicologia no país e, posteriormente, contextualizam e diferenciam conceitualmente a Psicologia Clínica da Psicologia da Saúde. Em seguida, analisam, de forma mais concreta, os antecedentes em Psicologia e Saúde, mostrando a trajetória desde os finais do século XIX até a década de 90, do século XX. No segundo ponto do capítulo, fazem uma reflexão sobre a Psicologia e sua aplicação no âmbito clínico e sanitário. Para isso, fazem uma revisão das divisões dos Conselhos de Psicólogos, na Espanha, e do número de psicólogos registrados nos referidos Conselhos, que têm a especialidade clínica. Também justificam esta relação em diferentes níveis (formação, revistas científicas, âmbito hospitalar e afinidade com a medicina), com o objetivo de dar uma visão coerente à mesma. Essa conjuntura conduziu à formalização do terceiro ponto, no qual os autores descrevem a Psicologia como profissão sanitária mediante a análise de diferentes estudos realizados sobre este tema. Por último, descrevem os principais modelos atuais em Psicologia e as denominadas “Terapias de Terceira Geração”.
O quarto capítulo apresenta uma série de apontamentos sobre o conceito de saúde. Nele, o autor afirma que vivemos em um mundo de conceitos esquecidos que, graças à representação do mundo que fazemos por meio da linguagem, perdemos a possibilidade do contato com as coisas reais, e esquecidos, ainda, que todo conceito é fato histórico-social. O autor, sob a influência de Foucault, faz um levantamento topográfico que pode auxiliar na arqueologia do conceito de saúde, pondo a descoberto as torções e contorções por ele sofridas ao longo do tempo. Sob a influência de Deleuze, o autor demonstra que um conceito, qualquer conceito, é sempre atravessado por conceitos sinônimos ou antônimos, os quais findam dando o sentido final a uma conceituação que, desarticulada de uma rede conceitual (metaforicamente expressa a partir da noção de rizoma, como deseja Deleuze), nenhum sentido teria.
O quinto capítulo, fechando a primeira parte do livro, traz um artigo sobre a saúde do homem, o qual apresenta um levantamento bibliográfico, não exaustivo, da literatura sobre a relação entre a saúde dos homens e as políticas públicas de saúde dedicadas a eles, numa interface com a Psicologia da Saúde. Concomitantemente, levanta e discute a relação gênero e saúde, entendida como diretamente imbricada nos processos psicossociais que explicam alguns dos desdobramentos da relação de gênero masculino com a saúde.
No tocante às políticas públicas de saúde, as autoras evidenciam que, historicamente, tais políticas priorizaram o atendimento às mulheres e que, somente nas últimas décadas, a literatura sobre gênero e saúde voltou-se para o estudo do universo masculino.
O texto mostra que os altos índices de morbi/mortalidade dos homens, quando comparados aos das mulheres, tornou a saúde do homem um assunto de interesse para os que fazem as políticas públicas de saúde no Brasil. Assunto que vem ganhando visibilidade midiática e passou a receber do sistema nacional de saúde um tratamento diferenciado, atestado pela criação do Programa Nacional de Saúde do Homem (PNAISH).
As autoras expõem as dificuldades dos homens brasileiros em utilizarem os serviços de saúde e afirmam que a compreensão dos processos que explicam o comportamento demonstrado pelos homens brasileiros à hora de zelar pela sua saúde é objeto de estudo de várias disciplinas. As autoras apontam a Psicologia da Saúde como disciplina de suporte para o estudo e a compreensão do tema e a definem como um campo de aplicação da Psicologia dedicado aos cuidados de saúde geral. Com prioridade para as assistências de promoção de saúde e de prevenção de doenças. Nesse modelo, as práticas do psicólogo se alargam para além das práticas clínicas e da saúde mental já que, autônoma em relação à Psicologia Clínica, seu objetivo maior é a saúde global das pessoas inseridas em seus coletivos sociais.
As autoras reafirmam a necessidade de aumentar o número de investigações sobre a relação gênero e saúde, e denunciam também que as políticas públicas de saúde ainda não são suficientes e não contemplam de modo satisfatório as relações entre as construções culturais de masculinidade e as práticas de prevenção em saúde.
Na sequência dos debates teóricos que fundamentam o tema central desta obra, encontram–se agrupados, na segunda parte do livro, os capítulos dedicados às investigações de temas da Psicologia da Saúde.
Assim, no sexto capítulo, os autores fazem uma reflexão sobre a questão da saúde a partir dos resultados obtidos em duas pesquisas realizadas em Campina Grande/PB. Nessas pesquisas, foram analisados os sentidos do termo saúde em discursos de praticantes e não praticantes de atividades físicas. O método qualitativo na modalidade de história oral conduziu a obtenção dos 24 (vinte e quatro) depoimentos orais de adultos jovens e de meia-idade – 12 (doze) mulheres e 12 (doze) homens – e 14 (quatorze) depoimentos orais de idosos – (05) cinco homens e 09 (nove mulheres). Os autores, fundamentando-se na Psicologia Social, estudaram a produção de sentidos a partir da análise das práticas discursivas. As entrevistas, submetidas à análise de discurso, evidenciaram que os relatos de praticantes e de não praticantes de atividades físicas são muito semelhantes. Os dois grupos tendem a conceber a saúde como sinônimo de ausência de doença, ainda que alguns a definam como bem-estar físico e mental. O termo saúde é recorrentemente seguido de expressões como “fundamental”, “é tudo”, “primordial”, o que denota uma sobrevalorização da saúde. Para ser saudável é preciso se submeter a uma disciplina rígida, priorizando uma boa alimentação e a prática de exercícios físicos, pois é através desses cuidados que se consegue a longevidade.
O sétimo capítulo traz um estudo sobre a velhice e a atividade profissional. Trata-se de um estudo sobre a qualidade de vida entre idosos que desempenham ou não algum tipo de atividade profissional. Para tanto, as autoras fizeram uma comparação da qualidade de vida entre idosos profissionalmente ativos (PA) e inativos (PI) realizando uma análise intergrupos; e a correlação da qualidade de vida de cada grupo com a idade, com a renda e com a escolaridade dos idosos, utilizando também a análise intragrupos. 60 idosos (30 PA e 30 PI) responderam o questionário WHOQOL-abreviado, que subdivide a qualidade de vida em quatro fatores: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente. Utilizaram também um questionário sociodemográfico a fim de traçar o perfil dos participantes e o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), adotado como teste de rastreamento para assegurar a capacidade dos participantes em responder aos demais instrumentos. Os dados do questionário foram tratados segundo a estatística-descritiva, e as correlações inter e intragrupos foram realizadas com auxílio do programa SPSS 15. As análises intergrupos sugerem que os idosos PA possuem melhores condições físicas, psicológicas e de meio ambiente. O fator relações sociais é semelhante entre os dois grupos, não indicando influência da atividade profissional nesse aspecto da vida dos idosos. As análises intragrupos indicam, tanto entre os PA quanto entre os PI, significativa correlação entre a qualidade de vida e a escolaridade. Entre os idosos ativos, há correlação entre a escolaridade com o meio ambiente. Entre os inativos, há correlação entre escolaridade e a qualidade de vida geral e o fator físico. Os dados mostram a influência comum da escolaridade na forma como as pessoas envelhecem independente do desempenho ou não de uma atividade profissional. Os resultados evidenciam que a qualidade de vida dos idosos é resultado não apenas da atenção que lhes é oferecida na velhice, mas das condições que tiveram durante toda a vida. Para que as futuras gerações envelheçam, de forma saudável, é necessário que sejam oferecidas, hoje, condições satisfatórias para o desenvolvimento de crianças, jovens e adultos.
O oitavo capítulo mostra os resultados de uma pesquisa descritiva e de corte transversal que teve como objetivo analisar os efeitos do regime de plantão sobre a saúde mental em profissionais de enfermagem que trabalham no SAMU de Campina Grande (PB). Participaram 34 profissionais, correspondendo a uma amostra de 54% do total. Os autores utilizaram como instrumentos: o QSG-12 (versão reduzida de 12 itens) para avaliar o nível de bem-estar psicológico, um questionário semiestruturado para avaliar a percepção do regime de plantão e das condições de trabalho, e uma ficha sociodemográfica para caracterizar a amostra. Os resultados indicam 77,3% dos participantes com carga horária de trabalho elevada (mínimo de três plantões semanais de 12 h), sendo essa carga ainda mais extensa entre os que possuem mais de um emprego. Mostram também que 37,4% da amostra não têm folgas e, mesmo entre os que as dispõem (25,5%), os intervalos são muito curtos, sendo desfavoráveis à recuperação da saúde, sobretudo quando se leva em conta que 51,6% dormem menos de seis horas por dia e 16,2% têm sono irregular. Os resultados também indicam que 94,1% da amostra apresentam esgotamento emocional e 91,2% percebem a própria competência profissional afetada ou em declínio. Conjuntamente, os dados sugerem que a dificuldade em conciliar o regime de plantão com outros horários de trabalho, vida familiar e lazer, vêm gerando tensão emocional e conduzindo a equipe de enfermagem a perceber uma baixa eficiência no serviço que presta à sociedade.
O nono capítulo traz, à baila, uma reflexão acerca do trabalho em saúde mental e tem como base norteadora a Psicologia da Saúde e os fundamentos da Psicologia Humanista. O ponto de partida para o debate em torno da saúde mental são as condições nas quais se encontram aqueles que, mesmo após a promulgação da Lei 10.216, que institui os investimentos na assistência em saúde mental, nos serviços de base comunitária para o tratamento de pessoas portadoras de transtornos mentais, continuam internos em hospitais psiquiátricos sob condições pouco ou nada favoráveis à recuperação da saúde, da autonomia, da qualidade de vida e da reinserção social. A partir da análise de tais condições, as autoras propõem-se a discutir as possibilidades de melhoria das condições de vida e, consequentemente, da qualidade de vida por meio de relações humanizadoras e favoráveis à promoção da saúde de pacientes internos em um hospital psiquiátrico da cidade de João Pessoa (PB), com diagnóstico de esquizofrenia crônica. Estes, devido ao tempo de internação (mais de 12 anos) e a perda de contato com a família, constituem um grupo socialmente isolado e em condições pouco favoráveis para alcançar a recuperação e a desinstitucionalização. Assim, o estudo é uma modalidade de pesquisa interventiva que teve como meio de ação a realização de sessões de psicoterapia grupal de base humanista com cinco pacientes com o diagnóstico acima mencionado, sob a facilitação de duas psicólogas e uma estagiária. As sessões semanais, com duração de uma hora e meia cada uma, fomentam as análises dos resultados observados nos primeiros três meses de intervenção (22 encontros), os quais revelam a diminuição dos sintomas negativos do quadro clínico da esquizofrenia, a ampliação da interação entre os participantes e entre estes e as facilitadoras, uma maior expressão de sentimentos e opiniões, um aumento da autonomia e uma ampliação nas modalidades de comunicação. A constatação da relação entre as mudanças observadas nos comportamentos dos participantes e as intervenções grupais têm como base a inexistência de outras mudanças nos tratamentos oferecidos a estes, como alterações no tratamento farmacológico ou mudanças/inclusão de atividades terapêuticas. A manutenção da rotina e dos tratamentos aos quais os internos eram submetidos antes da intervenção grupal apontam os benefícios do grupo para a melhoria das condições de saúde destes.
O décimo e último capítulo do livro trata de um estudo comparativo da percepção de mulheres urbanas e rurais, de nacionalidade espanhola, sobre a percepção que têm de sua própria menopausa. O viés teórico adotado pelas autoras compreende a menopausa como um acontecimento natural na vida das mulheres, sendo assim não há obrigatoriedade de serem medicalizadas; não implica necessariamente uma diminuição de suas necessidades sexuais, e a atribuição de seu significado depende dos antecedentes culturais. Os principais objetivos estabelecidos para o estudo foram: analisar comparativamente as atitudes, as crenças e as expectativas das mulheres e como estas se relacionam com algumas variáveis pessoais; conhecer os acontecimentos familiares e sociais que coincidem com esta etapa da vida; verificar qual a porcentagem da amostra que toma medicação específica para a menopausa; e estabelecer as diferenças entre um grupo e outro. Em termos metodológicos, trata-se de estudo quanti/qualitativo e os instrumentos utilizados foram um questionário e uma entrevista em profundidade. Os resultados mostraram que a percepção da menopausa é bastante diversa nos grupos estudados e que é fundamental, para compreender tais percepções, levar em consideração as peculiaridades de cada mulher, pois é impossível falar sobre menopausa sem falar antes da vida das mulheres.
A leitura deste livro, iniciada por sólido embasamento teórico e sequenciada por pesquisas que demonstram o leque de possibilidades de aplicação da Psicologia da Saúde, deverá possibilitar ao leitor o conhecimento acerca das teorias e de alguns teóricos que fomentam o trabalho do psicólogo que se propõe atuar neste campo, bem como das possibilidades (e necessidade) de intercâmbio entre os profissionais das diferentes áreas da saúde para fins de implantação de serviços e de intervenções que tenham como fim a prevenção e a promoção da saúde da coletividade e de grupos específicos, tendo em vista as condições de vida destes.
Esperamos ter ilustrado para o leitor, ainda que não exaustivamente, o vasto campo – ainda pouco explorado – para o desenvolvimento de pesquisas e de intervenções sob a perspectiva da Psicologia da Saúde.
Campina Grande, outono de 2011.
Railda Fernandes Alves, Maria do Carmo Eulálio,
Carla de Sant’Ana Brandão,
Thelma Maria Grisi Velôso,
Edmundo de Oliveira Gaudêncio.
Pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Psicologia da Saúde –
UEPB/CNPQ.