Questão de Palheiro: Coimbrões e Lisboetas

Urbano Loureiro · Capítulo 3 de 6

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Questão de Palheiro: Coimbrões e Lisboetas

Capítulo IV

 

Tinha esquecido dizer

que o Quental é coimbrão,

e não gosta do Castilho

com razão ou sem razão;

d'isso não quero saber.

E de Coimbra e Lisboa

os litteratos de prôa

saltaram logo p'ra o campo

a discutir a questão,

pregando fachada á toa,

a maior parte no chão,

e creio que toda em vão.

Cada qual quiz ser juiz

no barulho, em que o bom-senso{9} appar'ceu, segundo penso,

esmorrado do nariz.

E veio á arena o Roussado

com chalaças a granel

(que em chalaça é jubilado)

a entampar o bacharel,

que havia ao mestre bufado.

Sinto que fosse infeliz

n'autopsia que fez ás Odes;

mas como não é culpado

conte que está perdoado.

O volume do Quental

não deve ser máo petisco

no sexto ceo do ideal.

Comparo-o (mas ao poeta)

a qualquer pardal ou pisco,

e sobre tudo ao pardal,

que pretendesse imitar...

que sei? a aguia real,

quando fende altiva o ar

para as campinas do ceo

do mais puro azul sem veu;

na phrase dos Victor Hugos,

a quem tiro o meu chapeu.

Ao illustrado Quental

peço muita paciencia

a par de alguma indulgencia.

Desculpe sua excellencia;

o que eu digo nada val.

Siga a bicha em continencia!{10}