Sá de Miranda
Bibliographia Camilliana
Devemos, portanto, á insigne escritora a primeira edição digna do grande e quasi olvidado poeta. Devemos-lhe além disso ter feito mais conhecido e apreciado do que era em Allemanha o grande luminar donde promanaram discipulos como Antonio Ferreira, Diogo Bernardes, Andrade Caminha, e a pleiade de seiscentistas que formam com Luiz de Camões a idade aurea da literatura portugueza.
Com o livro estimavel da illustrada escritora será mais lido em Portugal Sá de Miranda? Envergonho-me de confessar que não. S. ex.ª achou-me exaggerado quando eu disse, que na minha terra se conhecia o poeta Sá pelas charadas. "Sou poeta portuguez-I. Poeta portuguez com uma syllaba? É por força Sá."
Insisto em teimar, minha senhora, que, quando a transcendente idiotia das charadas cahir no abysmo do ridiculo, apagar-se-ha de todo o nome do poeta. E, quando isso succeder, folgará grandemente a alma rancorosa de Christovão do Valle, ex-alcaide de Lindoso, que está, pelo menos, no purgatorio expiando a perseguição que fez ao innocente gallego, vingado pela satyra do seu immortal patrão uzurariamente.
S. Miguel de Seide, 1887.
V C B .
BIBLIOGRAPHIA CAMILLIANA