Trovas: Canções de Amor
Capítulo XXIX
Que levantadas estatuas
Denegrir desde o sopé.
XXIX
Ó corações lacerados!
Aguia que um dardo abateu!
Mães que choraes vossos filhos,
Quem me adorava—morreu!
Tenho a nossa despedida
Tão gravada no meu peito,
Que pode lêr-se inda quando
Em cinzas eu seja feito!
Maldita, maldita a hora
Em que te foste operar!
Partiste, e não mais voltaste,
Vidente da beira-mar!
Espelho a que se mirava
Sem vaidades, quero vêr
Dentro de ti, como outr'ora,
Viva a imagem do seu ser!
Leito que prefiro a joias,
Que hei de sempre conservar,
Segreda-me os seus desvelos
Quando a febre me assaltar!
Decorreu por largos tempos
Nosso convivio risonho, E julgo durar instantes,