Ultimatum
A Lei de Malthus da Sensibilidade
ATTENÇÃO!
Proclamo, em primeiro logar,
A Lei de Malthus da Sensibilidade
Os estimulos da sensibilidade augmentam em
progressão geometrica; a propria sensibilidade apenas em
progresão arithmetica.
Comprehende-se a importancia d'esta lei. A sensibilidade — tomada aqui no mais amplo dos seus sentidos possiveis — é a fonte de toda a creação civilizada. Mas essa creação só pode dar-se completamente quando essa sensibilidade esteja adaptada ao meio em que funcciona; na proporção da adaptação da sensibilidade ao meio está a grandeza e a fôrça da obra resultante.
Ora a sensibilidade, embora varie um pouco pela influencia insistente do meio actual, é, nas suas linhas geraes, constante, e determinada no mesmo individuo desde a sua nascença, funcção do temperamento que a hereditariedade lhe infixou. A sensibilidade, portanto, progride por gerações.
As creações da civilização, que constituem o “meio” da sensibilidade, são a cultura, o progresso scientifico, a alteração nas condições politicas (dando á expressão um sentido completo); ora estes — e sobretudo o progresso cultural e scientifico, uma vez começado — progridem não por obra de gerações, mas pela interacção e sobreposição da obra de individuos, e, embora lentamente a principio, breve progridem ao ponto de tomarem proporções em que, de geração a geração, centenas de alterações se dão nestes novos estimulos da sensibilidade, ao passo que a sensibilidade deu, ao mesmo tempo, só um avanço, que é o de uma geração, porque o pae não transmitte ao filho senão uma pequena parte das qualidades adquiridas.