Ultimatum
Em 1917, na revista Portugal Futurista, Álvaro de Campos publicou um manifesto que manda embora quase toda a cultura europeia pelo nome próprio: escritores, políticos e filósofos, um a um, com insulto e argumento juntos na mesma linha. Depois de despejar tudo, propõe uma humanidade nova organizada por aquilo a que chama engenharia da alma. É Pessoa no registo mais violento que alguma vez usou. Foi escrito numa altura em que a Europa se destruía na guerra, e sente-se isso em cada linha. O texto é curto e lê-se de uma assentada, mas fica a arder muito depois disso.
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