Verdades amargas: estudo político dedicado às classes que pensam, que possuem e que trabalham
Capítulo XIII
A bancarota ainda é mais do que tudo isso. Mais do que a pobreza; mais do que o perigo; mais do que o descredito; mais do que a barbaridade; mais do que a sedição.
É a deshonra do nome da patria!
E querereis, vós os que pensaes, que possuis e trabalhaes; vós todos os que andaes na vanguarda do movimento nacional, que o nome do vosso paiz fique deshonrado na historia do seculo?
Não é possivel.
E não basta que a bancarota não seja um facto inevitavel; é necessario que o não pareça.
Porque em pontos tão delicados parecer é quasi ser.
Intervinde, intervinde, pois, que ainda é tempo. Salvae o paiz pelo paiz. Saccudi o habitual torpor e trabalhae desde já n'esta empreza tão util para vós, como gloriosa para o nome portuguez.
Não se vos dá um grito de terror no meio da batalha.
É uma voz de—sentido!
XIII
Resumindo:
Fuja o paiz da ruina equilibrando, quanto possivel, o orçamento do estado.
Equilibre o orçamento augmentando as receitas.
Augmente as receitas desenvolvendo a riqueza.
Desenvolva a riqueza promovendo a confiança.
Promova a confiança tendo governos estaveis.
Tenha governos estaveis inaugurando boa politica.
Inaugure boa politica criando vontade propria.
Crie vontade propria adquirindo noções de seus direitos e de suas responsabilidades.
Adquira essas noções por meio do desenvolvimento do criterio moral, que anda tão descurado e empobrecido, devendo ser o motor de qualquer sociedade que não queira finar-se na impotencia, na ruina ou na desordem.
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Assim como a egreja nega o chão bento ao corpo dos suicidas, a posteridade atira para a valla commum da historia os nomes dos povos que morrem ás suas proprias mãos.
Haja fé na salvação do paiz e o paiz salvar-se-ha. Porém se Portugal, no correr dos annos, tiver algum dia de baixar á cova, que possa ao menos uma cruz negra dizer ás gerações futuras, no cemiterio das nações: Aqui jaz um povo que viveu como honesto e morreu como bravo.
FIM