1974

David Peace · Capítulo 10 de 13

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1974

Capítulo 10

 

Dom ingo, 22 de dezem bro de 1974.

Às cinco da m anhã, dez policiais, liderados pelo detetive superintendente Noble, apareceram na porta da casa da m inha m ãe com m alhos, e a xingaram quando ela entrou no hall e correu, subindo a escada, fugindo dos disparos, depois m e arrancaram da cam a, puxando m eus cabelos, fazendo com que eu descesse a escada sendo chutado, batendo em m im ao chegar no últim o degrau, arrastando-m e para fora da porta e m e enfiando na parte de trás de um a van preta.

Bateram as portas e foram em bora.

Na parte de trás da van eles m e batiam , e eu estava insconsciente, depois m e deram um tapa na cara e m ij aram em m im , até que eu voltasse à consciência.

Quando a van parou, o detetive superintendente Noble abriu a porta de trás e m e arrastou pelos cabelos, atirando-m e no estacionam ento dos fundos da delegacia de Wakefield, em Wood Street.

Dois policiais uniform izados m e puxaram pelos pés, subindo os degraus de pedra, para dentro da delegacia, onde os corredores estavam repletos de corpos negros, batendo, chutando e cuspindo em m im ao m e arrastarem de j oelhos, um a e outra vez, para cim a e para baixo, para cim a e para baixo, pelos corredores am arelados.

Tiraram fotos, m e deixaram nu, cortaram as ataduras da m inha m ão, tiraram m ais fotos e tam bém m inhas im pressões digitais.

Um doutor paquistanês colocou um a lanterna em m eus olhos, um a espátula na m inha boca e m exeu debaixo das m inhas unhas.

Me atiraram nu em um a sala de interrogatórios com luzes brancas e sem j anelas, m e sentaram atrás de um a m esa e prenderam m inhas m ãos nas costas.

Depois m e deixaram sozinho.

Algum tem po depois, abriram a porta e atiraram um balde de m ij o e m erda na m inha cara.

Me deixaram sozinho m ais um a vez.

Algum tem po depois, abriram a porta e atiraram água gelada até que m eu corpo caísse da cadeira.

E m e deixaram sozinho, deitado no chão, am arrado à cadeira.

Eu podia ouvir gritos na sala ao lado.

Silêncio.

Deitei no chão e ouvi o ruído das lâm padas.

Algum tem po depois, a porta se abriu, e dois hom ens grandalhões, usando ternos de boa qualidade, entraram carregando cadeiras.

Eles m e soltaram e pegaram as cadeiras.

Um deles tinha costeletas e bigode e m ais ou m enos quarenta anos. O outro tinha cabelos cor de areia, e seu bafo cheirava a vôm ito.

O Areia disse:

— Sente-se e coloque as palm as das m ãos abertas em cim a da m esa.

Eu m e sentei e fiz o que pediram .

Areia entregou as algem as pro Bigode e sentou-se na m inha frente.

Bigode cam inhava atrás de m im , brincando com as algem as.

Olhei para m inha m ão direita, aberta em cim a da m esa, com os cinco dedos transform ados em um e cheia de m anchas am arelas e verm elhas.

Bigode sentou-se e olhou para m im , colocando as algem as no próprio pulso, com o se fosse um soco inglês.

De repente, ele saltou e cravou as algem as em cim a da m inha m ão direita.

Eu gritei.

— Coloque as m ãos na m esa.

Eu coloquei.

— Abertas.

Tentei abri-las.

— Asqueroso.

— Você precisava ver isso...

Bigode estava sentado na m inha frente, sorrindo.

Areia se levantou e saiu da sala.

Bigode não disse nada, apenas sorriu.

Minha m ão direita pulsava de sangue e pus.

Areia voltou com um lençol, que colocou sobre m eus om bros.

Ele se sentou e pegou um m aço de JPS, oferecendo um cigarro a Bigode.

Bigode pegou um isqueiro e acendeu os dois cigarros.

Eles se sentaram e j ogaram a fum aça em cim a de m im .

Minhas m ãos se m oviam .

Bigode inclinou o corpo e passou o cigarro na m inha m ão direita, entre m eus dedos.

Afastei um pouco a m inha m ão.

De repente, ele se inclinou e agarrou m eu pulso com um a das m ãos, usando a outra para cravar o cigarro na m inha palm a.

Eu gritei.

Ele m e soltou e se recostou na cadeira.

— Coloque suas m ãos na m esa.

Eu coloquei.

Minha pele queim ada fedia.

— Mais um a vez? — perguntou Areia.

— Não se im porta se eu fizer — disse ele, pegando outro JPS.

Acendeu o cigarro e olhou para m im .

Inclinou o corpo e com eçou a passar o cigarro pela m inha m ão.

Eu m e levantei.

— O que vocês querem ?

— Senta.

— Diga o que vocês querem !

— Senta.

Eu m e sentei.

Eles se levantaram .

— Levanta.

Eu m e levantei.

— Com os olhos para a frente.

Eu podia ouvir um cão latindo.

Eu m e encolhi.

— Não se m exa.

Eles m overam as cadeiras e m esas em direção às paredes e saíram da sala.

Fiquei de pé no centro da sala, olhando para a parede branca, im óvel.

Podia ouvir os gritos e o cão latindo em outra sala.

Os gritos e os latidos seguiram pelo que pareceu ser um a hora, depois pararam .

Silêncio.

Fiquei de pé no centro da sala, querendo m ij ar, ouvindo o ruído das lâm padas.

Algum tem po depois, a porta se abriu, e dois hom ens grandalhões, com ternos de qualidade, entraram .

Um deles tinha cabelos grisalhos e penteados para trás com gel e cerca de cinquenta anos. O outro era m ais j ovem e tinha cabelos castanhos e gravata laranj a.

Os dois cheiravam a bebida.

Grisalho e Castanho cam inharam ao m eu redor, em silêncio.

Depois Grisalho e Castanho trouxeram os m óveis de volta ao centro da sala.

Grisalho colocou um a cadeira atrás de m im .

— Senta.

— Eu m e sentei.

Grisalho pegou a toalha do chão e colocou sobre m eus om bros.

— Coloque suas palm as abertas em cim a da m esa — disse Castanho, acendendo um cigarro.

— Por favor, diga o que vocês querem .

— Coloque suas m ãos abertas na m esa.

Eu fiz o que pediram .

Castanho se sentou na m inha frente, enquanto Grisalho cam inhava pela sala.

Castanho deixou um a pistola em cim a da m esa, entre nós dois, e sorriu.

Grisalho parou de cam inhar e ficou bem atrás de m im .

— Os olhos para a frente.

De repente, Castanho saltou e prendeu m eus pulsos, ao m esm o tem po que Grisalho pegou a toalha e a enrolou na m inha cara.

Eu caí para a frente na cadeira, soluçando e trem endo, incapaz de respirar.

Eles continuaram prendendo m eus pulsos e m antinham a toalha na m inha cara.

Eu m e aj oelhei no chão, soluçando e trem endo, incapaz de respirar.

De repente, Castanho soltou m eus pulsos, e eu girei o corpo, batendo contra a parede.

Crack.

Castanho tirou a toalha de cim a de m im e m e pegou pelos cabelos, m e arrastando contra a parede.

— Vire o corpo e m antenha os olhos para a frente.

Eu girei o corpo.

Castanho tinha a pistola na m ão direita, e Grisalho, algum as balas, que atirava para cim a e depois voltava a pegar.

— O chefe disse que tudo bem se atirarm os nele.

Castanho tinha a pistola nas m ãos, apontando para m inha cabeça.

Fechei os olhos.

Um clique, e nada aconteceu.

— Merda.

Castanho girou o corpo, m ovendo a pistola.

Mij o corria pelas m inhas pernas.

— Eu consertei. Vai funcionar dessa vez.

Castanho apontou a pistola novam ente.

Eu fechei os olhos.

Um barulho alto.

Im aginei que estivesse m orto.

Abri os olhos e vi a pistola.

Algo preto escorria do cano da arm a, caindo no chão.

Castanho e Grisalho sorriam .

— O que vocês querem ?

Grisalho deu um passo à frente e chutou m eu saco.

Eu caí no chão.

— O que vocês querem ?

— Levanta.

Eu m e levantei.

— Na ponta dos pés.

— Por favor, digam .

Grisalho aproxim ou-se m ais um a vez e voltou a chutar o m eu saco. Eu caí no chão.

Castanho se aproxim ou, bateu no m eu peito e depois prendeu m inhas m ãos nas m inhas costas, em purrando m eu rosto contra o chão.

— Você não gosta de cachorros, gosta?

Engoli em seco.

— O que vocês querem ?

A porta se abriu, e um policial uniform izado entrou com um pastor-alem ão num a coleira.

Grisalho m e puxou pelos cabelos.

O cachorro olhava para m im , ofegante, com a língua para fora.

— Pega, pega.

O cão rosnava, latia e forçava a coleira.

Grisalho puxou m inha cabeça para a frente.

— Ele está com fom e.

— Não é o único.

— Cuidado.

O cachorro se aproxim ava.

Eu lutava, chorava, tentava m e soltar.

Grisalho m e puxou para ainda m ais perto.

Eu lutava, chorava, tentava m e soltar.

O cão estava a um passo de distância.

Eu podia ver seus caninos, sua baba, sentia o cheiro de sua boca, seu hálito.

O cão rosnava, latia e forçava a coleira.

Merda caiu da m inha bunda.

A baba do cão chegou ao m eu rosto.

Tudo ficou preto.

— O que eu fiz?

— Mais um a vez.

O cão estava a centím etros de distância.

Eu fechei os olhos.

— O que eu fiz?

— Mais um a vez.

— O que eu fiz?

— Bom m enino.

Tudo ficou preto, e o cão foi em bora.

Eu abri os olhos.

O detetive superintendente Noble estava sentado do outro lado da m esa.

Eu estava nu, trem endo, sentado em cim a do m eu próprio cocô.

O detetive superintendente Noble acendeu um cigarro.

Eu m e encolhi.

— Por quê?

Meus olhos estavam cheios de água.

— Por que fez isso?

— Sinto m uito.

— Bom m enino.

O detetive superintendente Noble m e passou seu cigarro.

Eu aceitei.

Ele acendeu outro.

— Só quero que m e diga por quê.

— Eu não sei.

— Posso te aj udar.

— Sim .

— Sim , o quê?

— Sim , senhor.

— Você a com eu, certo?

— Sim , senhor.

— Com eu m uito, certo?

— Sim , senhor.

— Mas ela não queria te dar nada, certo?

— Não, senhor.

— O que ela não queria te dar?

— Ela não queria m e dar nada.

— Ela não queria dar nada, certo?

— Não, senhor.

— Mas você com eu m esm o assim , certo?

— Sim , senhor.

— O que você com eu?

— Eu com i assim m esm o.

— Meteu na boceta dela, certo?

— Sim , senhor.

— Meteu na boca dela, certo?

— Sim , senhor.

— Meteu no cu dela, certo?

— Sim , senhor.

— O que você fez?

— Meti na boceta.

— E?

— Meti na boca.

— E?

— Meti no cu.

— E não se im portou, certo?

— Não, senhor.

— Ela não se calava, certo?

— Não, senhor.

— E então?

— Ela não se calava.

— Ela queria contar à polícia, certo?

— Sim , senhor.

— O que ela disse?

— Que contaria à polícia.

— Mas nós não poderíam os saber, certo?

— Não, senhor.

— Então você a calou, certo?

— Sim , senhor.

— Você a estrangulou, certo?

— Sim , senhor.

— O que você fez?

— Eu a estrangulei.

— Mas ela ainda olhava para você, certo?

— Sim , senhor.

— Então você arrancou os cabelos dela, certo?

— Sim , senhor.

— O que você fez?

— Eu arranquei os cabelos dela.

— Por quê?

— Eu arranquei os cabelos dela.

O detetive superintendente Noble pegou m eu cigarro.

— Porque ela ainda olhava para você, certo?

— Sim , senhor.

— E o que você fez?

— Eu arranquei os cabelos dela.

— Por quê?

— Porque ela continuava olhando para m im .

— Bom m enino.

O detetive superintendente Noble atirou o cigarro no chão.

Acendeu outro e m e deu.

Eu peguei.

— Você a com eu, certo?

— Sim , senhor.

— Mas ela não queria te dar, certo?

— Não, senhor.

— Então o que você fez?

— Eu a com i assim m esm o.

— E o que você fez?

— Meti na boceta.

— E?

— Meti na boca.

— E?

— Meti no cu.

— E depois?

— Ela não se calava.

— E o que ela disse?

— Que contaria à polícia.

— E o que você fez?

— Eu a estrangulei.

— E depois, o que você fez?

— Arranquei os cabelos dela.

— Por quê?

— Ela continuava olhando para m im .

— Assim com o a outra?

— Sim , senhor.

— Com o quem ?

— Com o a outra.

— Você queria confessar, certo?

— Sim , senhor.

— O que você quer fazer?

— Quero fazer um a confissão.

— Bom m enino.

O detetive superintendente Noble se levantou.

E m e deixou sozinho.

Algum tem po depois, um policial abriu a porta e m e arrastou para o corredor am arelado, em direção a um a sala com chuveiro e vaso sanitário.

O policial m e deu um sabonete, e água quente com eçou a sair do chuveiro.

Fiquei de pé em baixo do chuveiro e com ecei a m e lavar.

Merda voltou a escorrer entre m inhas pernas.

O policial não disse nada.

Ele m e deu m ais um sabonete e deixou um pouco m ais de água quente correr.

Fiquei de pé no chuveiro e m e lavei m ais um a vez.

O policial m e deu um a toalha.

Eu m e sequei.

Depois o policial m e deu um m acacão azul.

Eu vesti.

Depois o policial m e levou de volta ao corredor am arelo, depois a um a sala de interrogatórios, com quadro cadeiras e um a m esa.

— Senta.

Eu fiz o que ele m e pedira.

Depois o policial m e deixou sozinho.

Algum tem po depois, a porta se abriu, e três hom ens grandalhões, em ternos caros, entraram : o detetive-chefe superintendente Oldm an, o detetive superintendente Noble e o hom em com cabelos cor de areia.

Todos se sentaram à m inha frente.

O detetive-chefe superintendente Oldm an sentou-se em sua cadeira, com os braços cruzados.

O detetive, superintendente Noble colocou duas pastas de papelão sobre a m esa e com eçou a m exer nos papéis e grandes fotografias em preto e branco.

Areia tinha um bloco A4 aberto nos j oelhos.

— Você quer fazer um a confissão, certo? — perguntou o detetive-chefe superintendente Oldm an.

— Sim , senhor.

— Vá em frente, então.

Silêncio.

Eu m e sentei na cadeira, ouvindo o ruído das lâm padas.

— Você a com eu, certo? — perguntou o detetive superintendente Noble, passando um a foto ao chefe.

— Sim , senhor.

— O quê?

— Eu a com i.

Areia com eçou a escrever.

O detetive-chefe superintendente Oldm an olhava para a foto e sorria.

— Vá em frente — ele disse.

— Ela não queria m e dar.

O detetive-chefe superintendente Oldm an olhou para m im .

— E? — perguntou o detetive superintendente Noble.

— Eu com i assim m esm o.

— Por que fez isso? — perguntou Oldm an.

— Eu m eti na boceta.

— E? — perguntou Noble, passando outra foto a Oldm an.

— Meti na boca.

— E?

— Meti no cu.

— E depois, o que aconteceu?

— Ela não calava a boca.

— E o que ela dizia?

— Disse que contaria tudo à polícia.

— E o que você fez?

Noble passou m ais um a foto a Oldm an.

— Eu a estrangulei.

— E depois?

— Arranquei os seus cabelos.

O detetive-chefe superintendente Oldm an desviou os olhos da últim a foto e perguntou:

— Por que você fez isso?

— Ela não parava de olhar para m im .

— Assim com o a outra? — perguntou o detetive superintendente Noble.

— Assim com o a outra — eu respondi.

O detetive-chefe superintendente Oldm an olhou as fotografias, depois devolveu-as a Noble.

Oldm an se recostou na cadeira, com os braços cruzados e fazendo um sinal com a cabeça para Areia.

Areia olhou para o papel e com eçou a ler:

— Eu a com i, m as ela não queria m e dar, então eu com i assim m esm o. Meti na boceta, na boca e no cu. Mas ela não calava a boca. Disse que contaria à polícia, então eu a estrangulei. Depois arranquei os seus cabelos, pois ela não parava de olhar para m im . Assim com o a outra.

O detetive-chefe superintendente Oldm an se levantou e disse:

— Edward Leslie Dunford, você é acusado, em prim eiro lugar, de, no dia 17 de dezem bro de 1974, ter estuprado e em seguida assassinado a senhora Mandy Denizili, na Blenheim Road, núm ero 28, apartam ento 5, em Wakefield. Em segundo lugar, é acusado de, no dia 21 de dezem bro de 1974, sábado, ter estuprado e em seguida assassinado a senhora Paula Garland, no núm ero 11 da Brunt Street, Castleford.

Silêncio.

O detetive superintendente Noble e Areia se levantaram .

Os três saíram da sala, e eu acho que com ecei a chorar.

Algum tem po depois, um policial abriu a porta e m e levou pelo corredor am arelo.

Pela porta aberta de outra sala eu vi Clare, a escocesa que vivia duas casas abaixo.

Ela olhou para m im , abriu a boca.

O policial m e levou por outro corredor am arelo, em direção a um a cela de pedra.

Abaixo da porta havia um a forca.

— Entra.

Fiz o que ele m e pediu.

No chão da cela havia um copo de papel com chá e um prato de papel com um pedaço de torta de presunto.

Ele fechou a porta.

Tudo ficou preto.

Eu m e sentei no chão, chutando o chá.

Encontrei a torta e com ecei a m ordiscá-la.

Fechei os olhos.

Algum tem po depois, dois policiais abriram a porta e atiraram roupas e um par de sapatos na cela.

— Vista.

Eu fiz o que m e pediram .

Eram m inhas roupas e m eus sapatos, com cheiro de m ij o e cobertos de lam a.

— Mantenha as m ãos nas costas.

Eu fiz o que m e pediram .

Um dos policiais entrou na cela e colocou um a algem a em m im .

— Tape-o.

O policial colocou um a toalha na m inha cabeça.

— Anda.

O policial em purrou m inhas costas.

Com ecei a andar.

De repente, agarraram m eu braço. Através do lençol eu só via am arelo.

— Deixa com igo, eu ainda nem toquei nele.

— Tire-o daqui.

Bati a cabeça num a porta e estava do lado de fora.

Eu caí.

Eles m e pegaram .

Im aginei que estivesse dentro de um a van.

Ouvi portas batendo e um m otor sendo ligado.

Ainda estava debaixo da toalha, m as na caçam ba de um a van, com m ais dois ou três hom ens.

— Idiota.

— Não vai dorm ir.

Bateram na m inha cabeça.

— Não se preocupe, eu vou m e certificar disso.

— Maldito idiota.

Outro soco.

— Mantenha essa m erda de cabeça erguida.

— Maldito idiota.

Senti o cheiro de fum aça de cigarro.

— Ele tossiu, eu não acredito nisso.

— Eu sei, que idiota.

Bateram no m eu queixo.

— Devíam os apertar o saco dele.

— Maldito estuprador.

Eu fiquei gelado.

— Vam os fazer o que fizem os com os outros.

— Sim , dois idiotas m alditos.

Bati com a cabeça no chão da van.

— Maldito idiota.

— E aqui?

Ouvi um barulho dentro da van.

— Atire esse m aldito idiota para fora.

— Aqui?

A van, de repente, parecia m ais fria.

Eles tiraram o lençol da m inha cabeça.

Eu estava sozinho com Bigode, Grisalho e Castanho.

As portas da carroceria da van se abriram .

Do lado de fora, parecia am anhecer.

— Tire a algem a desse idiota.

Bigode m e puxou pelos cabelos e tirou a algem a dos m eus pulsos.

Eu podia ver cam pos m arrons passando ao nosso lado.

— Aj oelhe-o aqui — disse Castanho.

Bigode e Grisalho m e atiraram em direção às portas da van, aj oelhando-m e de costas para os cam pos que passavam lá fora.

Castanho se aj oelhou na m inha frente.

— É isso.

Ele pegou um revólver.

— Abre a boca.

Eu vi Paula deitada nua, com o rosto para baixo, na sua cam a, com a boceta e o cu sangrando, e os cabelos com pletam ente arrancados.

— Abre a boca!

Eu abri a boca.

Ele m eteu o cano da arm a na m inha boca.

— Vou estourar sua m aldita cabeça.

Eu fechei os olhos.

Seguiu-se um clique.

Eu abri os olhos.

— Tem algum a coisa estragando isso — ele riu.

— Maldito idiota de sorte — disse Bigode.

— Term ine com isso — disse Grisalho.

— Vou tentar novam ente.

Eu podia sentir o ar, o frio, os cam pos atrás de m im .

— Abre a boca.

Eu vi Paula deitada nua, com o rosto para baixo, na sua cam a, com a boceta e o cu sangrando, e os cabelos com pletam ente arrancados.

Eu abri a boca.

Castanho m eteu o cano da arm a na m inha boca.

Eu fechei os olhos.

Seguiu-se um clique.

— Esse m aldito idiota deve estar com o corpo fechado.

Eu abri os olhos.

Ele tirou a arm a da m inha boca.

— Terceira vez é sorte, hein?

— Foda-se — disse Bigode, agarrando o revolver e afastando Castanho.

Ele segurou o cano da arm a, levantando-a acim a da sua cabeça.

Eu vi Paula deitada nua, com o rosto para baixo, na sua cam a, com a boceta e o cu sangrando, e os cabelos com pletam ente arrancados.

Ele voltou a colocar a arm a na m inha cabeça.

— ESTAMOS NO NORTE. AQUI A GENTE FAZ O QUE QUER.

Eu caí para trás, vendo Paula deitada nua na estrada, com a boceta e o cu sangrando, e os cabelos com pletam ente arrancados.