A bruxa não vai para a fogueira neste livro
III. a tempestade de fogo
os fósforos acesos caemcaemcaem em cima de nós & param bruscamente bem antes que as chamas famintas lambam nossos pés. fechamos nossos olhos bem apertados, nos preparando para o fim violento. o ar espesso reverbera com “amo você” & “vamos nos encontrar outra vez”, mas a única coisa que se segue é o silêncio. relutantemente nos forçamos a ficar de olhos abertos quando ouvimos os caras dos fósforos gritando enfurecidos ao fundo.
“nunca sonharíamos em deixar os caras dos fósforos nos usarem para machucar você”, a fumaça murmura suavemente para nós. “shhh, não se preocupe. vamos fazê-los pagar por isso”, sussurra de novo e envolve nossos corpos até que sejamos consumidas por uma barreira de proteção cinza.
usamos nossos poderes combinados para fazer os fósforos irem noutra direção.
os caras dos fósforos não são rápidos o bastante para nós.
– a terceira lição de fogo.
eles podem
nos oferecer
vestidos transpassados.
eles podem
nos presentear com
asas virgens.
eles podem
nos forçar
a usar o nome deles.
eles podem
nos trancar
em quartos pequenos.
eles podem
roubar
nossas palavras.
eles também podem
tentar tirar
nossas escolhas,
mas a única coisa
que eles não podem
nunca roubar?
essa
determinação
feroz.
– o que june me ensinou.
(homenagem a O conto da aia, de Margaret Atwood)
a sociedade
colocou
um espartilho
em nós,
puxou
os cadarços
& nos amarrou
bem apertado
como se
afinasse
um violino
novo,
&
até que
os cortemos
fora
&
mostremos
os
ossos
nunca
vamos descobrir
quem nós realmente somos.
– desaprender esse ódio a si mesma habitual.
nós podemos
ser muito magras
& nós podemos
ser feliz,
mas
ser muito magras
não é a
mesma coisa
que ser feliz.
– temos que voltar para casa dessa batalha perpétua.
eu aprecio:
I. cada pneuzinho.
II. cada cicatriz.
III. cada marca de acne.
IV. cada quilo extra.
V. cada estria.
VI. cada cabelo esquisito.
VII. cada celulitezinha.
VIII. o único corpo que eu tenho.
– coisas que ainda luto para dizer & tudo bem.
se
você não pode
adubar suas próprias
raízes,
não
corte
fora
sua árvore
para
punir
o
chão.
não…
respire,
dê um passo atrás
& abra para si mesma
o
espaço
necessário
para florescer.
– do livro de feitiço das bruxas verdes. não há
problema
algum
em
acordar
com um
impulso irresistível
de cobrir
todos os espelhos.
o amor-próprio
não é
uma evolução
instantânea
nem
do dia para a noite,
mas
ao menos tente
abrir
as janelas
para deixar a brisa entrar
às vezes, de vez em quando.
– uma bruxa sabe que os espelhos às vezes mentem. sorva
o elixir
lustroso
das minhas
mãos
em concha.
vá em frente,
pegue o
tanto
ou o pouco
que
precisar.
deixe-o
guiá-la
a um
esplêndido
caso de amor
consigo mesma
até que
esse amor
se torne sua
segunda natureza
e você não precise
mais dele.
aí,
beberemos juntas.
tim-tim.
– uma poção de amor-próprio.
você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer.
(homenagem a Garotas de vidro, de Laurie Halse Anderson)
comer.
encha a si mesma
de energia,
de luz do sol.
trate o seu corpo
com ternura &
lavanda.
– precisamos de você aqui & inteira.
eu
vou ser
aquela voz
que diz a você
para cobrir seus braços
com pétalas de flores
em vez de.
– seu inverno vai chegar ao fim.
prato:
mulher
ingredientes:
I. açúcar
II. malevolência
III. tudo que não é muito legal
modo de fazer:
I. pré-aqueça o caldeirão a 200 graus.
II. misture os ingredientes num recipiente de médio para grande.
III. adicione mais malevolência se necessário. (& ah, será
necessário.)
IV. deixe ferver de 10 a 12 minutos.
V. coma. repita as duas&três&quatro vezes que sempre
lhe negaram. lamba os dedos depois.
– do livro de receitas das bruxas.
“eu não
uso maquiagem para os outros
da mesma maneira
que não
decoro
minha casa para os outros.
aqui é o meu
lar
&
tudo que faço
é para
mim.”
– tweet de 28 de setembro de 2016.
o que
quero dizer
com isso
é
perdi
tantos
e tantos
anos
da
minha vida
estando
muito
exausta/cansada de fome/
deprimida/triste demais
para sair
da cama…
sem ter
escolha
a não ser ficar olhando fixo
para as paredes
onde rasguei
todo o papel
de parede com flores empoeirado
em
tiras finas
com unhas
quebradas…
para
deixar você acreditar
que eu apenas me levei
a
obsessões/ casca de ferida/
números/ hematomas
para poder
pintar um
pequeno mural na porta
do jardim
para você & para você
apenas.
– não tenho vergonha de dizer que sou minha primeira prioridade.
realizar
os
desejos dele
não
é
o
objetivo
desta
vida.
– há muito mais esperando por nós.
não
importa
o que eles
dizem a você,
não
é
sua obrigação
ser
educada
com ninguém
que
não é
educado
com você
primeiro.
– levante-se, você não é o capacho de ninguém.
tu és
o ás da sorte
do baralho,
uma flecha
ardente
penetrando
pelo pseudo
oco do
ódio deles.
tu. és.
– aceitar(ás).
pinte
suas unhas
de preto,
coloque glitter
no seu
rosto,
faça
muitas
selfies,
cumprimente
todas as suas
irmãs
(não,
não apenas
as suas cis-ters)
& lance um feitiço
em todo
homem
que
assobiar
para você.
– uma mensagem minha rabiscada no seu espelho.
“meu corpo
é uma cidade histórica
& sou a única
com permissão para
incendiar
as construções.”
– reivindique a si mesma.
“vadia”, cospe ele.
“bruxa”, zomba ele.
& eu respondo:
“na verdade, sou as duas.”
– reivindique tudo.
não,
mulheres
não são
vasos a
serem
enchidos
com seus
desejos.
mulheres:
únicas,
originais,
criativas,
adoráveis,
humanas.
então não é
nunca possível
copiar nem
colar
aqui.
– nada de personagem coadjuvante meio doidinha.
eu não sou
uma recordação
que você pode enfiar na
estante
entre
o bukowski
& o thoreau.
eu não sou
uma margarida seca
que você pode guardar
numa caixinha
& deixá-la bem
acima da sua
cabeça que dorme.
eu não sou
seu troféu
de participação
da gentileza
nem nada
que você possua
orgulhosamente.
às vezes
a amizade é a
porra do
prêmio,
então agradeça
por eu deixar você entrar
pelo menos.
– A FRIENDZONE NÃO EXISTE.
roteiro
para quando
ele
diz que
você é
bonita:
“eu sei.”
– confiança não é egocentrismo.
roteiro
para quando
ele diz
para você
sorrir:
“vá se ferrar.”
– confiança é saudável.
quando ele disser
que você não seria nada
sem ele,
vou lhe dar
todos os recursos
necessários.
primeiro,
despeje carvão
pela sua garganta.
depois,
persiga-o com
seu fósforo aceso.
então você pode
se sentir segura quando
disser a ele
que o limpou
de si mesma, do seu corpo
& alma,
& será que você
consegue ver
isso?
você está muito bem
sem
ele.
– o corpo se regenera sempre que você quiser.
eles não querem
que sejamos
maria-vai-com-as-outras
mas
eles não querem
que sejamos
antipáticas
tampouco.
isso coloca
a questão:
será que eles querem
que existamos
fora das suas fantasias
de altas horas?
– não sou sua boneca de papel, nem sua boneca inflável.
seja a
mulher
protagonista
antipática
(sinônimos:
vadia,
realista,
igual a um desses heróis típicos)
da qual todos os
homens
amam
reclamar.
– é muito mais divertido desse jeito, não é?
nesse romance
a mulher protagonista
afirma que ela não é
como as outras
não porque ache
que a feminilidade delas
é um insulto ou
uma fraqueza, não…
é
porque
ela sabe
que todas as mulheres têm
sua magia própria
e única
que não pode ser
replicada por ela
ou nenhuma outra
mulher.
– a reviravolta do enredo que todas estávamos esperando. não
há
apenas
um
corpo
de mulher.
nós somos
simplesmente
mulheres
que por acaso
têm
corpos…
abrigos
construídos para
proteger nossa
raiva-fogo de mulher
dos
furacões.
– toda mulher é autêntica II.
ser mulher
não tem que
significar
essa competição
torta.
vamos
cultivar
a ideia de ser mulher
até que ela cresça
e se torne irmandade.
espalharemos
sementes de lavanda
sobre nossas
velhas feridas
até que fiquemos finalmente
c u r a d a s.
– suas irmãs não são suas inimigas.
temos que ajudar umas
às outras a nos levantar acima
das chamas.
– mulheres apoiando mulheres.
definitivamente,
deixe seus julgamentos
morrerem na fogueira.
– mulheres apoiando mulheres II.
repita
comigo
agora:
“eu sou uma mulher
eu sou um ser humano
& eu sou importante
sem nenhuma outra
condição exigida.
você pode não
ver o meu valor,
mas eu vejo.
eu vejo.”
– queridas mulheres.
repita
comigo
agora:
“as mulheres
não me
devem
nada.
absolutamente nada.
mas
nada
mesmo.”
– queridos homens.
“meninos serão meninos”
até o dia em que
educarmos nossos filhos
a praticarem
exatamente a mesma
responsabilidade,
obrigação
&
maturidade
que exigimos das nossas
filhas
antes de escolher
seus nomes.
– nós não ensinamos, eles não aprendem.
(não) sinto muito
em desapontar
você,
mas seu
sorriso sedutor
não vai mais
desculpar
o mal que você
inflige.
tente
não se
vangloriar
a si mesmo
achando
que pode
me
q u e b r a r
quando
eu sou a
heroína
que sempre
teve que
salvar
todos os seus
super-heróis
favoritos
de criança.
– diana & eu nos tratamos pelo primeiro nome.
me chame de
vadia.
me chame de
vilã.
me chame de
lobismulher.
me chame de
mau augúrio.
me chame de
seu pior pesadelo
sorrindo
com lábios vermelhos.
– melhor ainda, me chame pelo meu nome.
não vim aqui
para ser civilizada.
não vim aqui
para me sentar com você
com uma xícara de chá
& um muffin de mirtilo
para dividir enquanto
tento convencê-lo
a respeitar que
minha existência é essencial.
você teve muitas
chances
mas não estava
nem um pouco a fim toda vez,
então venho aqui
para assistir à sua raiva crescer
até que você finalmente
e n t r e e m c o m b u s t ã o.
– vou usar o clarão para ler.
esqueça-se
de ser como uma moça
(seja lá o que
isso
signifique)
& permita
a si mesma
mostrar
ao mundo
apenas como
com muita raiva
sem nenhum arrependimento
essa
desigualdade
deixa você.
deixe tudo isso
i r.
– lance chamas como uma mulher.
mulheres,
eu imploro:
ateiem fogo.
apenas finjam
que estão ajudando
os homens
a sobreviver até a primavera
como fomos
criadas para fazer.
deixem que eles fiquem
bem & relaxados
até que
seus pulmões
tenham mais
fumaça
do que
ar
&
eles não tenham
como gritar
por
socorro.
queridos caras dos fósforos,
vocês conhecem
todas aquelas mulheres diabólicas
que vocês executaram entre
1692 & 1693?
bem, elas asseguraram
que nós herdássemos seus poderes
injetando centelhas
direto em
nossas veias
& colocando chamas
na ponta dos
nossos dedos
& incrustando
palavras na ponta das
nossas línguas:
“entre em erupção.”
– o único desejo de katniss.
você
gentil
(vírgula)
forte
(vírgula)
resiliente
(vírgula)
criatura
mortal
(vírgula)
você
(ponto)
– você é uma força incontrolável.
estou
bem certa de que
você tem
f e i t i ç o s
correndo
por
suas
v e i a s.
– as mulheres têm uma espécie de magia II.
toda vez
que você “faz piada” com seus outros amigos estupradores
de mãos vermelhas
que não
é estupro se
vocês avisam a elas
antes…
toda vez que
você pressiona
sua mão
cheia de calos
sobre a boca
“não por favor não”,
de batom cor de limonada rosa
dela…
toda vez que
você pensa em colocar
alguma coisa sem gosto & que provoca sono na bebida dela…
aviste-nos
nos céus
voando à noite e aterrissando atrás de você sem fazer barulho.
nós vamos
esperar
(im)pacientemente, com espadas
enfiadas nas mangas dos nossos vestidos
&
ferrões manchados de sangue
enfiados nas
nossas botas.
(ah, vão,
cabeças vão
cair. cair. caindo.
& r o l a n d o.)
os cavaleiros
da távola redonda
se ajoelham por
nós.
arthur,
escancare seu
peito
& morra de ciúmes.
brienne,
aqui está nosso cartão de visitas.
vamos esperar
sua ligação.
– a gangue de mulheres bruxas.
misoginia
(do gr. µισογυνία, misogynía)
subst. fem.
1. desprezo, aversão pelas mulheres.
2. apenas a maneira como as coisas são.
misandria
(do gr. µισανδρία, misandría)
subst. fem.
1. ódio pelos homens, uma reação de autopreservação. 2. de algum modo, isso está indo longe demais.
na minha
versão
da história
do conto de fadas,
todo
colchão
espontaneamente
se incendeia
toda vez
que nossos “nãos”,
toda vez que
nossos silêncios
são tratados
com a
resistência
ensinadas pelos pais
de
mãos
sobre nossas bocas
& em volta do pescoço
&
braços
que são
gaiolas de aço.
o
mesmo fogo
que nos alimenta,
que nos nutre
nunca
barganha
com a
culpa
& nós
sempre
iremos embora
sem nos queimar.
– essa é a conta.
de acordo
com o jornal,
a mulher encontrou
o marido
tocando
a filha deles
com suas
mãos de gelo,
então
enquanto ele dormia,
tão seguro
& tão profundamente
quanto
a filha deles
nunca mais
dormiria,
a mulher
pensou na arma
escondida debaixo
da cama,
mas decidiu
que as balas eram
um castigo muito, muito
suave
pelo que
ele
tinha feito.
em vez disso,
ela pegou sua tocha
& lhe deu um grande
beijo de boa-noite.
“é a
noite perfeita
para uma fogueira”,
observou ela
para si mesma
enquanto se sentava
& bebericava seu
vinho.
– essas são as novas condenações à fogueira.
primeiro,
desmembrei você
como uma menina de cinco anos sozinha
com sua primeira boneca de plástico, fascinada pela maneira com que
somos todos tão facilmente
desmontados,
mas não tão facilmente
montados de volta.
depois,
espalhei seus membros por
sobre toda a mesa da cozinha,
sempre com cuidado para não
manchar a madeira perfeitamente polida.
dentro da minha cabeça,
eu sabia que estaria tudo bem se isso acontecesse.
sangro doze semanas num ano,
então sei uma ou duas coisas sobre manchas de sangue.
(seus membros mutilados e embaralhados eram frios ao toque mais dos que as palavras geladas
que você despejou sobre mim
naquela última noite.)
finalmente,
enterrei algumas das suas partes
no jardim onde apenas coisas verdes crescem;
enterrei algumas das suas partes
nas paredes com teias de aranha
do ático abandonado;
queimei algumas das suas partes…
e a fumaça amaldiçoa
o céu iluminado de prata…
antes de espalhar suas cinzas
no mar nauseante.
(não me considero
uma mulher rancorosa, rançosa, ranzinza,
mas se eu nunca mais for inteira outra vez, então você também não vai.)
– foi assim que me livrei de você.
ela
desejou que
ele queimasse
& ah, como esse
filho da mãe
queimou
&
ah, como
era deliciosa a
nova vida que
ela criou dos
ossos
enegrecidos dele.
– nunca mais desamparada.
(homenagem ao musical Hamilton, de Lyn-Manuel Miranda)
aproximem-se, aproximem-se.
vocês estão confortáveis?
ótimo. porque esse poema vai para todos os caras dos fósforos que erroneamente me consideraram uma garota bobinha, indigna de sua verdade, indigna do seu amor & indigna do seu respeito. saibam que toda vez que vocês acordarem sobressaltados, caindo, fui eu que empurrei vocês dos seus sonhos das 3 da manhã. & saibam que toda vez que vocês sentirem aquele arrepio subindo e descendo pela sua coluna num dia quente de verão, sou eu dançando sobre o túmulo de vocês. & saibam que toda vez que vocês perceberem uma sombra ao seu lado, sou apenas eu, me certificando de que vocês nunca mais vão machucar outra mulher de novo.
é uma vergonha que vocês tenham que finalmente aprender que existem consequências por tratar as mulheres como se elas não fossem nada.
vocês podem ter ido embora, mas um pedaço de mim os seguirá para sempre.
ora, isso não é romântico?
– vingança é o novo seguindo em frente.
talvez
eu não seja a
“ex-namorada maluca”
talvez
eu seja apenas uma pessoa
reagindo racionalmente
ao fato de as mulheres
serem abusadas
& desprezadas
que
a sociedade
de alguma maneira
nos convenceu
ser algo completamente
normal.
– me recuso a continuar fingindo.
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
você ainda me odeia?
se
até
a ideia
de ficar de pé
por mim mesma
assusta você
então
dane-
-se
acho que
o poder
que você pensava
que tinha
sobre mim
não era tão
grande assim
em
primeiro lugar.
– masculinidade frágil.
mas
estou divagando.
o que tenho
tentado dizer
esse tempo todo
é que
quando você
errou comigo
estava
esperando que eu
o perdoasse
como uma
boa e bem-educada
mulher,
mas na verdade
você finalmente
ficou conhecendo
o gosto que o fogo tem.
– & não, não tem gosto de uísque.
não peça desculpas; não aceite desculpas.
– 3º mandamento das bruxas.