A bruxa não vai para a fogueira neste livro

Amanda Lovelace · Capítulo 9 de 12

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A bruxa não vai para a fogueira neste livro

III. a tempestade de fogo

os fósforos acesos caemcaemcaem em cima de nós & param bruscamente bem antes que as chamas famintas lambam nossos pés. fechamos nossos olhos bem apertados, nos preparando para o fim violento. o ar espesso reverbera com “amo você” & “vamos nos encontrar outra vez”, mas a única coisa que se segue é o silêncio. relutantemente nos forçamos a ficar de olhos abertos quando ouvimos os caras dos fósforos gritando enfurecidos ao fundo.

“nunca sonharíamos em deixar os caras dos fósforos nos usarem para machucar você”, a fumaça murmura suavemente para nós. “shhh, não se preocupe. vamos fazê-los pagar por isso”, sussurra de novo e envolve nossos corpos até que sejamos consumidas por uma barreira de proteção cinza.

usamos nossos poderes combinados para fazer os fósforos irem noutra direção.

os caras dos fósforos não são rápidos o bastante para nós.

– a terceira lição de fogo.

eles podem

nos oferecer

vestidos transpassados.

eles podem

nos presentear com

asas virgens.

eles podem

nos forçar

a usar o nome deles.

eles podem

nos trancar

em quartos pequenos.

eles podem

roubar

nossas palavras.

eles também podem

tentar tirar

nossas escolhas,

mas a única coisa

que eles não podem

nunca roubar?

essa

determinação

feroz.

– o que june me ensinou.

(homenagem a O conto da aia, de Margaret Atwood)

a sociedade

colocou

um espartilho

em nós,

puxou

os cadarços

& nos amarrou

bem apertado

como se

afinasse

um violino

novo,

&

até que

os cortemos

fora

&

mostremos

os

ossos

nunca

vamos descobrir

quem nós realmente somos.

– desaprender esse ódio a si mesma habitual.

nós podemos

ser muito magras

& nós podemos

ser feliz,

mas

ser muito magras

não é a

mesma coisa

que ser feliz.

– temos que voltar para casa dessa batalha perpétua.

eu aprecio:

I. cada pneuzinho.

II. cada cicatriz.

III. cada marca de acne.

IV. cada quilo extra.

V. cada estria.

VI. cada cabelo esquisito.

VII. cada celulitezinha.

VIII. o único corpo que eu tenho.

– coisas que ainda luto para dizer & tudo bem.

se

você não pode

adubar suas próprias

raízes,

não

corte

fora

sua árvore

para

punir

o

chão.

não…

respire,

dê um passo atrás

& abra para si mesma

o

espaço

necessário

para florescer.

– do livro de feitiço das bruxas verdes. não há

problema

algum

em

acordar

com um

impulso irresistível

de cobrir

todos os espelhos.

o amor-próprio

não é

uma evolução

instantânea

nem

do dia para a noite,

mas

ao menos tente

abrir

as janelas

para deixar a brisa entrar

às vezes, de vez em quando.

– uma bruxa sabe que os espelhos às vezes mentem. sorva

o elixir

lustroso

das minhas

mãos

em concha.

vá em frente,

pegue o

tanto

ou o pouco

que

precisar.

deixe-o

guiá-la

a um

esplêndido

caso de amor

consigo mesma

até que

esse amor

se torne sua

segunda natureza

e você não precise

mais dele.

aí,

beberemos juntas.

tim-tim.

– uma poção de amor-próprio.

você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer. você tem que comer.

(homenagem a Garotas de vidro, de Laurie Halse Anderson)

comer.

encha a si mesma

de energia,

de luz do sol.

trate o seu corpo

com ternura &

lavanda.

– precisamos de você aqui & inteira.

eu

vou ser

aquela voz

que diz a você

para cobrir seus braços

com pétalas de flores

em vez de.

– seu inverno vai chegar ao fim.

prato:

mulher

ingredientes:

I. açúcar

II. malevolência

III. tudo que não é muito legal

modo de fazer:

I. pré-aqueça o caldeirão a 200 graus.

II. misture os ingredientes num recipiente de médio para grande.

III. adicione mais malevolência se necessário. (& ah, será

necessário.)

IV. deixe ferver de 10 a 12 minutos.

V. coma. repita as duas&três&quatro vezes que sempre

lhe negaram. lamba os dedos depois.

– do livro de receitas das bruxas.

“eu não

uso maquiagem para os outros

da mesma maneira

que não

decoro

minha casa para os outros.

aqui é o meu

lar

&

tudo que faço

é para

mim.”

– tweet de 28 de setembro de 2016.

o que

quero dizer

com isso

é

perdi

tantos

e tantos

anos

da

minha vida

estando

muito

exausta/cansada de fome/

deprimida/triste demais

para sair

da cama…

sem ter

escolha

a não ser ficar olhando fixo

para as paredes

onde rasguei

todo o papel

de parede com flores empoeirado

em

tiras finas

com unhas

quebradas…

para

deixar você acreditar

que eu apenas me levei

a

obsessões/ casca de ferida/

números/ hematomas

para poder

pintar um

pequeno mural na porta

do jardim

para você & para você

apenas.

– não tenho vergonha de dizer que sou minha primeira prioridade.

realizar

os

desejos dele

não

é

o

objetivo

desta

vida.

– há muito mais esperando por nós.

não

importa

o que eles

dizem a você,

não

é

sua obrigação

ser

educada

com ninguém

que

não é

educado

com você

primeiro.

– levante-se, você não é o capacho de ninguém.

tu és

o ás da sorte

do baralho,

uma flecha

ardente

penetrando

pelo pseudo

oco do

ódio deles.

tu. és.

– aceitar(ás).

pinte

suas unhas

de preto,

coloque glitter

no seu

rosto,

faça

muitas

selfies,

cumprimente

todas as suas

irmãs

(não,

não apenas

as suas cis-ters)

& lance um feitiço

em todo

homem

que

assobiar

para você.

– uma mensagem minha rabiscada no seu espelho.

“meu corpo

é uma cidade histórica

& sou a única

com permissão para

incendiar

as construções.”

– reivindique a si mesma.

“vadia”, cospe ele.

“bruxa”, zomba ele.

& eu respondo:

“na verdade, sou as duas.”

– reivindique tudo.

não,

mulheres

não são

vasos a

serem

enchidos

com seus

desejos.

mulheres:

únicas,

originais,

criativas,

adoráveis,

humanas.

então não é

nunca possível

copiar nem

colar

aqui.

– nada de personagem coadjuvante meio doidinha.

eu não sou

uma recordação

que você pode enfiar na

estante

entre

o bukowski

& o thoreau.

eu não sou

uma margarida seca

que você pode guardar

numa caixinha

& deixá-la bem

acima da sua

cabeça que dorme.

eu não sou

seu troféu

de participação

da gentileza

nem nada

que você possua

orgulhosamente.

às vezes

a amizade é a

porra do

prêmio,

então agradeça

por eu deixar você entrar

pelo menos.

– A FRIENDZONE NÃO EXISTE.

roteiro

para quando

ele

diz que

você é

bonita:

“eu sei.”

– confiança não é egocentrismo.

roteiro

para quando

ele diz

para você

sorrir:

“vá se ferrar.”

– confiança é saudável.

quando ele disser

que você não seria nada

sem ele,

vou lhe dar

todos os recursos

necessários.

primeiro,

despeje carvão

pela sua garganta.

depois,

persiga-o com

seu fósforo aceso.

então você pode

se sentir segura quando

disser a ele

que o limpou

de si mesma, do seu corpo

& alma,

& será que você

consegue ver

isso?

você está muito bem

sem

ele.

– o corpo se regenera sempre que você quiser.

eles não querem

que sejamos

maria-vai-com-as-outras

mas

eles não querem

que sejamos

antipáticas

tampouco.

isso coloca

a questão:

será que eles querem

que existamos

fora das suas fantasias

de altas horas?

– não sou sua boneca de papel, nem sua boneca inflável.

seja a

mulher

protagonista

antipática

(sinônimos:

vadia,

realista,

igual a um desses heróis típicos)

da qual todos os

homens

amam

reclamar.

– é muito mais divertido desse jeito, não é?

nesse romance

a mulher protagonista

afirma que ela não é

como as outras

não porque ache

que a feminilidade delas

é um insulto ou

uma fraqueza, não…

é

porque

ela sabe

que todas as mulheres têm

sua magia própria

e única

que não pode ser

replicada por ela

ou nenhuma outra

mulher.

– a reviravolta do enredo que todas estávamos esperando. não

há

apenas

um

corpo

de mulher.

nós somos

simplesmente

mulheres

que por acaso

têm

corpos…

abrigos

construídos para

proteger nossa

raiva-fogo de mulher

dos

furacões.

– toda mulher é autêntica II.

ser mulher

não tem que

significar

essa competição

torta.

vamos

cultivar

a ideia de ser mulher

até que ela cresça

e se torne irmandade.

espalharemos

sementes de lavanda

sobre nossas

velhas feridas

até que fiquemos finalmente

c u r a d a s.

– suas irmãs não são suas inimigas.

temos que ajudar umas

às outras a nos levantar acima

das chamas.

– mulheres apoiando mulheres.

definitivamente,

deixe seus julgamentos

morrerem na fogueira.

– mulheres apoiando mulheres II.

repita

comigo

agora:

“eu sou uma mulher

eu sou um ser humano

& eu sou importante

sem nenhuma outra

condição exigida.

você pode não

ver o meu valor,

mas eu vejo.

eu vejo.”

– queridas mulheres.

repita

comigo

agora:

“as mulheres

não me

devem

nada.

absolutamente nada.

mas

nada

mesmo.”

– queridos homens.

“meninos serão meninos”

até o dia em que

educarmos nossos filhos

a praticarem

exatamente a mesma

responsabilidade,

obrigação

&

maturidade

que exigimos das nossas

filhas

antes de escolher

seus nomes.

– nós não ensinamos, eles não aprendem.

(não) sinto muito

em desapontar

você,

mas seu

sorriso sedutor

não vai mais

desculpar

o mal que você

inflige.

tente

não se

vangloriar

a si mesmo

achando

que pode

me

q u e b r a r

quando

eu sou a

heroína

que sempre

teve que

salvar

todos os seus

super-heróis

favoritos

de criança.

– diana & eu nos tratamos pelo primeiro nome.

me chame de

vadia.

me chame de

vilã.

me chame de

lobismulher.

me chame de

mau augúrio.

me chame de

seu pior pesadelo

sorrindo

com lábios vermelhos.

– melhor ainda, me chame pelo meu nome.

não vim aqui

para ser civilizada.

não vim aqui

para me sentar com você

com uma xícara de chá

& um muffin de mirtilo

para dividir enquanto

tento convencê-lo

a respeitar que

minha existência é essencial.

você teve muitas

chances

mas não estava

nem um pouco a fim toda vez,

então venho aqui

para assistir à sua raiva crescer

até que você finalmente

e n t r e e m c o m b u s t ã o.

– vou usar o clarão para ler.

esqueça-se

de ser como uma moça

(seja lá o que

isso

signifique)

& permita

a si mesma

mostrar

ao mundo

apenas como

com muita raiva

sem nenhum arrependimento

essa

desigualdade

deixa você.

deixe tudo isso

i r.

– lance chamas como uma mulher.

mulheres,

eu imploro:

ateiem fogo.

apenas finjam

que estão ajudando

os homens

a sobreviver até a primavera

como fomos

criadas para fazer.

deixem que eles fiquem

bem & relaxados

até que

seus pulmões

tenham mais

fumaça

do que

ar

&

eles não tenham

como gritar

por

socorro.

queridos caras dos fósforos,

vocês conhecem

todas aquelas mulheres diabólicas

que vocês executaram entre

1692 & 1693?

bem, elas asseguraram

que nós herdássemos seus poderes

injetando centelhas

direto em

nossas veias

& colocando chamas

na ponta dos

nossos dedos

& incrustando

palavras na ponta das

nossas línguas:

“entre em erupção.”

– o único desejo de katniss.

você

gentil

(vírgula)

forte

(vírgula)

resiliente

(vírgula)

criatura

mortal

(vírgula)

você

(ponto)

– você é uma força incontrolável.

estou

bem certa de que

você tem

f e i t i ç o s

correndo

por

suas

v e i a s.

– as mulheres têm uma espécie de magia II.

toda vez

que você “faz piada” com seus outros amigos estupradores

de mãos vermelhas

que não

é estupro se

vocês avisam a elas

antes…

toda vez que

você pressiona

sua mão

cheia de calos

sobre a boca

“não por favor não”,

de batom cor de limonada rosa

dela…

toda vez que

você pensa em colocar

alguma coisa sem gosto & que provoca sono na bebida dela…

aviste-nos

nos céus

voando à noite e aterrissando atrás de você sem fazer barulho.

nós vamos

esperar

(im)pacientemente, com espadas

enfiadas nas mangas dos nossos vestidos

&

ferrões manchados de sangue

enfiados nas

nossas botas.

(ah, vão,

cabeças vão

cair. cair. caindo.

& r o l a n d o.)

os cavaleiros

da távola redonda

se ajoelham por

nós.

arthur,

escancare seu

peito

& morra de ciúmes.

brienne,

aqui está nosso cartão de visitas.

vamos esperar

sua ligação.

– a gangue de mulheres bruxas.

misoginia

(do gr. µισογυνία, misogynía)

subst. fem.

1. desprezo, aversão pelas mulheres.

2. apenas a maneira como as coisas são.

misandria

(do gr. µισανδρία, misandría)

subst. fem.

1. ódio pelos homens, uma reação de autopreservação. 2. de algum modo, isso está indo longe demais.

na minha

versão

da história

do conto de fadas,

todo

colchão

espontaneamente

se incendeia

toda vez

que nossos “nãos”,

toda vez que

nossos silêncios

são tratados

com a

resistência

ensinadas pelos pais

de

mãos

sobre nossas bocas

& em volta do pescoço

&

braços

que são

gaiolas de aço.

o

mesmo fogo

que nos alimenta,

que nos nutre

nunca

barganha

com a

culpa

& nós

sempre

iremos embora

sem nos queimar.

– essa é a conta.

de acordo

com o jornal,

a mulher encontrou

o marido

tocando

a filha deles

com suas

mãos de gelo,

então

enquanto ele dormia,

tão seguro

& tão profundamente

quanto

a filha deles

nunca mais

dormiria,

a mulher

pensou na arma

escondida debaixo

da cama,

mas decidiu

que as balas eram

um castigo muito, muito

suave

pelo que

ele

tinha feito.

em vez disso,

ela pegou sua tocha

& lhe deu um grande

beijo de boa-noite.

“é a

noite perfeita

para uma fogueira”,

observou ela

para si mesma

enquanto se sentava

& bebericava seu

vinho.

– essas são as novas condenações à fogueira.

primeiro,

desmembrei você

como uma menina de cinco anos sozinha

com sua primeira boneca de plástico, fascinada pela maneira com que

somos todos tão facilmente

desmontados,

mas não tão facilmente

montados de volta.

depois,

espalhei seus membros por

sobre toda a mesa da cozinha,

sempre com cuidado para não

manchar a madeira perfeitamente polida.

dentro da minha cabeça,

eu sabia que estaria tudo bem se isso acontecesse.

sangro doze semanas num ano,

então sei uma ou duas coisas sobre manchas de sangue.

(seus membros mutilados e embaralhados eram frios ao toque mais dos que as palavras geladas

que você despejou sobre mim

naquela última noite.)

finalmente,

enterrei algumas das suas partes

no jardim onde apenas coisas verdes crescem;

enterrei algumas das suas partes

nas paredes com teias de aranha

do ático abandonado;

queimei algumas das suas partes…

e a fumaça amaldiçoa

o céu iluminado de prata…

antes de espalhar suas cinzas

no mar nauseante.

(não me considero

uma mulher rancorosa, rançosa, ranzinza,

mas se eu nunca mais for inteira outra vez, então você também não vai.)

– foi assim que me livrei de você.

ela

desejou que

ele queimasse

& ah, como esse

filho da mãe

queimou

&

ah, como

era deliciosa a

nova vida que

ela criou dos

ossos

enegrecidos dele.

– nunca mais desamparada.

(homenagem ao musical Hamilton, de Lyn-Manuel Miranda)

aproximem-se, aproximem-se.

vocês estão confortáveis?

ótimo. porque esse poema vai para todos os caras dos fósforos que erroneamente me consideraram uma garota bobinha, indigna de sua verdade, indigna do seu amor & indigna do seu respeito. saibam que toda vez que vocês acordarem sobressaltados, caindo, fui eu que empurrei vocês dos seus sonhos das 3 da manhã. & saibam que toda vez que vocês sentirem aquele arrepio subindo e descendo pela sua coluna num dia quente de verão, sou eu dançando sobre o túmulo de vocês. & saibam que toda vez que vocês perceberem uma sombra ao seu lado, sou apenas eu, me certificando de que vocês nunca mais vão machucar outra mulher de novo.

é uma vergonha que vocês tenham que finalmente aprender que existem consequências por tratar as mulheres como se elas não fossem nada.

vocês podem ter ido embora, mas um pedaço de mim os seguirá para sempre.

ora, isso não é romântico?

– vingança é o novo seguindo em frente.

talvez

eu não seja a

“ex-namorada maluca”

talvez

eu seja apenas uma pessoa

reagindo racionalmente

ao fato de as mulheres

serem abusadas

& desprezadas

que

a sociedade

de alguma maneira

nos convenceu

ser algo completamente

normal.

– me recuso a continuar fingindo.

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

você ainda me odeia?

se

até

a ideia

de ficar de pé

por mim mesma

assusta você

então

dane-

-se

acho que

o poder

que você pensava

que tinha

sobre mim

não era tão

grande assim

em

primeiro lugar.

– masculinidade frágil.

mas

estou divagando.

o que tenho

tentado dizer

esse tempo todo

é que

quando você

errou comigo

estava

esperando que eu

o perdoasse

como uma

boa e bem-educada

mulher,

mas na verdade

você finalmente

ficou conhecendo

o gosto que o fogo tem.

– & não, não tem gosto de uísque.

não peça desculpas; não aceite desculpas.

– 3º mandamento das bruxas.