A família real no Brasil: política e cotidiano (1808-1821)

Juliana Gesuelli Meirelles · Capítulo 6 de 8

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A família real no Brasil: política e cotidiano (1808-1821)

Considerações Finas

 

A volta de D. João VI para a Europa marcava o final de um período ímpar na História da colonização do Novo Mundo. Pela primeira vez um monarca atravessou o oceano, pisou em suas possessões coloniais, transladou – com sua corte – uma estrutura governamental para o outro lado do Atlântico e foi aclamado Rei com toda a pompa das cortes europeias.

No entanto, ao retornar para o Velho Continente, D. João VI partia muito menos Rei do que quando aqui chegara. Nos treze anos em que permaneceu no Brasil a face política do mundo luso-brasileiro se transformara a ponto de colocar em questão a natureza de seu pátrio poder. Se em Portugal desde a Revolução do Porto (1820) os súditos-cidadãos exigiam a regeneração da pátria, com a promulgação de uma Constituição pelas Cortes que assentaria o poder político do Rei em uma monarquia constitucional, deste lado do Atlântico o diálogo e a tensão política com o Reino não foram menores.

A partir de 1821, os ecos da Revolução do Porto já se faziam presente no espaço público do Brasil, sobretudo no Rio de Janeiro. Os conflituosos interesses da elite brasileira colocavam em cena as disputas pela vigência de diferentes projetos políticos que apareciam de forma patente na dinâmica da vida cotidiana. A arena pública se tornava palco da constituição da prática cidadã e o homem comum passava a refletir e a discutir os destinos do Brasil. O povo emergia como personagem de primeiro escalão na teatralidade da vida política e era agora necessário que os representantes do poder se preocupassem em criar formas mais sofisticada de controle das possíveis consequências políticas desses indivíduos no espaço público.

Atos e palavras ganhavam novos significados. Resultado da complexidade de um universo plural em que os códigos de sociabilidade tradicionais do Antigo Regime se conflitavam com os novos valores e posturas políticas que constituíam uma sociedade em constante mutação.