A Moreninha

Joaquim Manuel de Macedo · Capítulo 1 de 13 · parte 3/3

Páginas do PDF

A Moreninha

Duas Palavras

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

- Ao cupido de Praxíteles, como Aquídias de Rodes?…

- Alguma estátua da Academia das Belas-Artes?…

- Nada disso.

- Então a quem?

- A todas as senhoras, resumidas num só ente ideal. À custa dos belos olhos de uma, das lindas madeixas de outra, do colo de alabastro desta, do talhe elegante daquela, eu formei o meu belo ideal, a quem tributo o amor mais constante. Reúno o que de melhor está repartido e faço mais ainda: aperfeiçôo a minha obra todos os dias. Por exemplo, retirando-me desta ilha, eu creio que vestirei o meu belo ideal de novas formas!

Viva o cumprimento!…

- Foi assim, minhas senhoras, que me pude tornar constante e, graças ao meu proveitoso sistema, posso amar a todas as senhoras a um tempo, sem ser infiel a nenhuma, disse.

- Muito bem!… Muito bem!…

- Augusto desempenhou-se.

O champanha estourava naquele momento. Leopoldo tomou a palavra pela ordem.

Eu vou, exclamou, propor um belo meio de terminar estas discussões, convidando a todos os senhores para um brinde, no qual Augusto, por castigo de sua inconstância, não nos poderá acompanhar. Não é novo que mancebos bebam, no meio dos prazeres de um festim, um copo de vinho depois de pronunciar o nome daquela que é a dama de seus pensamentos. Aqui não estamos só mancebos e, pois, não faremos tanto; pronunciaremos, contudo, a inicial do primeiro nome.

- Sim! Sim! disse Filipe, Augusto não beberá conosco…- Não, maninho, acudiu a interessante Moreninha, ele há de beber também.

- Ah, minha senhora! No beber um copo de champanha não está a dúvida; a dificuldade toda é poder, entre tantos nomes, escolher o mais amado. Acode-me tal número dos que têm tocado o superlativo do amor…

- M… disse Leopoldo, esvaziando seu copo.

- C… pronunciou Filipe, olhando para d. Clementina.

- J… balbuciou Fabrício, exasperado com um acesso de tosse que atacara Augusto.

Os outros mancebos pronunciaram suas letras, e só o inconstante faltava.

- Eia! Ânimo, sr. Augusto, disse d. Carolina.

- Mas que letra, minha senhora?… se eles me dessem licença, faria o enorme sacrifício de reduzir as que me lembram ao diminuto número de vinte e três.

- Nada! nada! Nesta saúde não entra o número plural.

- Pois bem, sr. Augusto, continuou a menina, uma coleção não deixa de ser singular; beba o seu copo de champanha ao alfabeto inteiro!

- Sim, minha senhora, ao alfabeto inteiro!

Meia hora depois levantaram-se da mesa. Leopoldo aproximou-se de Augusto.

- Então que dizes, Augusto?…

- Que passaremos a mais agradável noite.

- E quem ganhará a aposta?

- Eu.

- De qual destas meninas estás mais apaixonado?…

- Estou na minha regra, mas hoje tenho-me apaixonado só de três, principalmente.

 

- E o que pensas da irmã de Filipe?

- A melhor resposta que te posso dar, é… não sei… porque, ao meio-dia, a julgava travessa, importuna e feia, mas era-me completamente indiferente.

- À uma hora?…

- Eu a supus estouvada e desagradável.

- Às duas horas?…

- Má, e desejava vê-la longe de mim.

- Durante o jantar?…

- Fui achando-lhe algum espírito e acusei-me por havê-la julgado feia.

- E agora?

- Parece que me sinto inclinado a declará-la engraçada e bonitinha.

- E daqui a pouco? Eu direi.

Cap. VI - Augusto com seus amores

Poucos momentos depois da cena antecedente, a sala de jantar ficou entregue unicamente ao insaciável Keblerc, que entendeu, não sabemos se mal ou bem, que era muito mais proveitoso ficar fazendo honra a meia dúzia de garrafas de belo vinho, do que acompanhar as moças, que se foram deslizar pelo jardim. Outro tanto não fizeram os rapazes, que de perto as acompanharam, assim como pais, maridos e irmãos, todos animados

e cheios de prazer e harmonia, dispostos a acabar o dia e entrar pela noite com gosto.

Mas dissemos que não sabíamos se Keblerc havia feito bem ou mal em não imitar os outros. Sem dúvida já fomos condenados por homens de mau gosto; cumpre-nos dar algumas razões. Entendemos. cá para nós, que por diversos caminhos vão, tanto o alemão como os rapazes, a um mesmo fim. Em resultado, esgotadas as garrafas e terminado o passeio, haverá mona, não só na sala de jantar, mas também no jardim; a diferença é que uma será mona de vinho e a outra de amor. Esta última costuma sempre ser a mais perigosa. Pela nossa parte confessamos que não há cachaça que embebede mais depressa do que uma que se bebe nos olhos travessos de certas pessoas.

Passeava-se. Cada cavalheiro dava o braço a uma senhora, e, divagando-se assim pelo jardim, o dicionário das flores era lembrado a todo momento. Menina havia que, apenas algum lhe dizia, apontando para a flor:

- Acácia!

- Sonhei com você! respondia logo.

- Amor-perfeito!

- Existo para ti só! tornava imediatamente.

E o mesmo faria a respeito de todas as flores que lhe mostravam. Era uma doutora de borla e capelo em todas as ciências amatórias; e esta menina era, sem mais nem menos, aquela lânguida e sonsinha d. Quinquina… Fiai-vos nas sonsas!

Um moço e uma moça, porém, andavam como se costuma dizer, solteiros; bem

vezes dela se aproximava o sujeito, mas a bela quanto mais perto a via, mais saltava, corria, voava como um beija-flor, como uma abelha ou, melhor, como uma doidinha. Eram eles d. Carolina e Augusto.

Augusto passeava só, contra vontade; d. Carolina por assim o querer.

Augusto viu de repente todos os braços “engajados”. Duas senhoras, a quem se dirigiu, fingiram não ouvi-lo ou se desculparam. O inconstante não lhes fazia conta, ou antes queriam, tornando-se difíceis, vê-lo requestando-as; porque, desde o programa de Augusto, cada uma delas entendeu lá consigo que seria grande glória para qualquer, prender com inquebráveis cadeias aquele capoeira de amor e que o melhor meio de isto conseguir era fingir desprezá-lo e mostrar não fazer conta com ele. Exatamente intentavam batê-lo por meio dessa tática poderosa, com que quase sempre se triunfa da mulher, isto é, pouco a pouco.

D. Carolina, pelo contrário, havia rejeitado dez braços. Queria passear só. Um braço era uma prisão e a engraçada Moreninha gosta sobretudo da liberdade. Ela quer correr, saltar e entender com as outras; agora adiante de todos, e daqui a pouco ser a última no passeio; viva, com os olhos brilhantes; ágil, com seu pezinho sempre pronto para a carreira; inocente para não se envergonhar de suas travessuras e criada com mimo demais para prestar atenção ao conselho de seu irmão, está em toda a parte, vê, observa tudo e de tudo tira partido para rir-se. Em contínua hostilidade com todas aquelas que passeavam com moços, de cada vista d’olhos, de cada suspiro, de cada ação que percebia, tirava motivo para seus epigramas; e, inimigo invencível, porque não tinha fraco por onde fosse atacado, era por isso temido e acariciado. Deixemô-la, pois, correr e saltar, aparecer e desaparecer ao mesmo tempo; nem à nossa pena é dado o poder de acompanhá-la, que ela é tão rápida como o pensamento.

Finalmente, o pobre Augusto encontrou uma senhora que teve piedade dele. Estão afastados do resto da companhia, e conversam. Vamos ouvi-los.

- Com efeito, disse a sra. d. Ana, devo confessar que me espantei, ouvindo-o sustentar com tão vivo fogo a inconstância do amor.

- Mas, minha senhora, não sei por que se quer espantar!… E uma opinião.

- Um erro, senhor! … Ou, melhor ainda, um sistema perigoso e capaz de produzir grandes males.

- Eis o que também me espanta!

- Não, senhor, nada há aqui que exagerado seja; rogo-lhe que por um instante pense comigo: se o seu sistema é bom, deve ser seguido por todos; e se assim acontecesse, onde iria assentar o sossego das famílias, a paz dos esposos, se lhe faltava a sua base - a constância?…

Augusto guardou silêncio e ela continuou:

- Eu devo crer que o sr. Augusto pensa de maneira absolutamente diversa daquela pela qual se explicou. Consinta que lhe diga: no seu pretendido sistema, o que há é muita velhacaria; finge não se curvar por muito tempo diante de beleza alguma, para plantar no amor-próprio das moças o desejo de triunfar de sua inconstância.

- Não, minha senhora, o único partido que eu procuro, e tenho conseguido tirar, é o sossego de que há algum tempo gozo.

- Como?

- É uma história muito longa, mas que eu resumirei em poucas palavras. Com efeito, não sou tal qual me pintei durante o jantar. Não tenho a louca mania de amar um belo ideal, como pretendi fazer crer; porém, o certo é que eu sou e quero ser inconstante com todas e conservar-me firme no amor de uma só.

- Então o senhor já ama?…

- Julgo que sim.

- A uma moça?

- Pois então a quem?…

- Sem dúvida bela!…

- Creio que deve ser.

- Pois o senhor não sabe?…

- Juro que não.

- O seu semblante?

- Não me lembro dele.

- Mora na corte?…

- Ignoro-o.

- Vê-a muitas vezes?…

- Nunca.

- Como se chama?…

- Desejo muito sabê-lo.

- Que mistério!

- Eu devo mostrar-me grato à bondade com que tenho sido tratado, satisfazendo a curiosidade que vejo muito avivada no seu rosto; e, pois, a senhora vai ouvir o que ainda não ouviu nenhum dos meus amigos, o que eu não lhes diria, porque eles provavelmente rir-se-iam de mim. Se deseja saber o mais interessante episódio de minha vida, entremos nesta gruta, onde praticaremos livres de testemunhas, e mais em liberdade.

Eles entraram.

Era uma gruta pouco espaçosa e cavada na base de um rochedo que dominava

o mar. Entrava-se por uma abertura alta e larga, como qualquer porta ordinária. Ao lado direito havia um banco de relva, em que poderiam sentar-se a gosto três pessoas; no fundo via-se uma pequena bacia de pedra, onde caía, gota a gota, límpida e fresca, água que do alto do rochedo se destilava; preso por uma corrente à bacia de pedra, estava um copo de prata, para servir a quem quisesse provar da boa água do rochedo.

Foi este lugar escolhido por Augusto para fazer suas revelações à digna hóspeda.

O estudante, depois de certificar-se de que toda a companhia estava longe, veio sentar-se junto da sra. d. Ana, no banco de relva, e começou a história dos seus amores.

Cap. VII - Os dois breves, branco e verde

Negócios importantes, minha senhora, tinham obrigado meu pai a deixar sua fazenda e a vir passar alguns meses na corte; eu o acompanhei, assim como toda a nossa família, isto foi há sete anos, e nessa época houve um dia… mas que importa o dia?… Eu o poderia dizer já; o dia, o lugar, a hora, tudo está presente à minha alma, como se fora sucedido ontem o acontecimento que vou ter a honra de relatar; é uma loucura… a minha mania… embora… Foi, pois, há sete anos, e tinha eu então treze anos de idade, que, brincando em uma das belas praias do Rio de Janeiro, vi uma menina que não poderia ter ainda oito.

Figure-se a mais bonita criança do mundo, com um vivo, agradável e alegre semblante, com cabelos negros e anelados voando ao derredor de seu pescoço, com o fogo do céu nos olhos, com o sorrir dos anjos nos lábios, com a graça divina em toda ela, e far-se-á ainda uma idéia incompleta dessa menina.

Ela estava à borda do mar e seu rosto voltado para ele; aproximei-me devagarinho. Uma criança viva e espirituosa, quando está quieta, é porque imagina novas travessuras ou combina os meios para executar alguma a que se opõe obstáculos; eu sabia isto por experiência própria; cheguei-me para saber em que pensava a menina; a pequena distância dela parei, porque já tinha adivinhado seu pensamento.

Na praia estava deposta uma concha, mas tão perto do mar, que quem a quisesse tomar e não fosse ligeiro e experiente se expunha a ser apanhado pelas ondas, que rebentavam com força, então.

Eu vi a travessa menina hesitar longo tempo entre o desejo de possuir a concha e o receio de ser molhada pelas vagas; depois pareceu haver tomado uma resolução: o capricho de criança tinha vencido. Com suas lindas mãozinhas arregaçou o vestido até aos joelhos, e quando a onda recuou, ela fez um movimento, mas ficou ainda no mesmo lugar, inclinada para diante e na ponta dos pés: segunda, terceira, quarta, quinta onda, e sempre a mesma cena de ataque e receio do inimigo. Finalmente, ao refluxo da sexta, ela precipitou-se sobre a concha; mas a areia escorregou debaixo de seus pés e a interessante menina caiu na praia, sem risco e com graça: erguendo-se logo e, espantada ao ver perto de si a nova onda, que desta vez vinha mansa e fraca como respeitosa, correu para trás e sem o pensar atirou-se nos meus braços, exclamando:

- Ah!… Eu ia morrer afogada!…

Depois, vendo-se com o vestido cheio de areia, começou a rir-se muito, sacudindo-o e dizendo ao mesmo tempo:

- Eu caí! Eu caí!…

E como se não bastasse esta passagem rápida do susto para o prazer, ela olhou de novo para o mar, e tornando-se levemente melancólica, balbuciou com voz pesarosa, apontando para a concha:

- Mas… a minha concha!…

Ouvindo a sua voz harmoniosa e vibrante, eu não quis saber de fluxos nem refluxos de ondas; corri para elas com entusiasmo e, radiante de prazer e felicidade, apresentei-me à linda menina, embora um pouco molhado, mas trazendo a concha desejada.

Este acontecimento fez-nos logo camaradas. Corremos a brincar juntos com toda essa confiança infantil que só pode nascer da inocência e que ainda em parte se dava em mim, posto que já esse tempo fosse eu um pouco velhaquete e sonso, como um estudante de latim que era, e por tal já procurava minhas blasfêmias no dicionário.

É sempre digno de observar-se esta tendência que têm as calças para o vestido! Desde a mais nova idade e no mais inocente brinquedo aparece o tal mútuo pendor dos sexos… e de mistura umas vergonhas muito engraçadas…

Eu cá sempre fui assim; quando brincava o tempo-sera, por exemplo, sempre preferia esconder-me atrás das portas com a menos bonita de minhas primas, do que com o mais formoso de meus amigos de infância.

Mas, como ia dizendo, nós brincamos juntos, corríamos e caíamos na areia, e depois ríamos ambos de nós mesmos. Tínhamos esquecido todo o mundo, e pensávamos somente em nos divertir, como os melhores amigos.

Depois de uma agradável hora passada em mil diversas travessuras, que nossa imaginação e inconstância de meninos modificava e inventava a cada momento, a minha interessante camarada voltou-se de repente para mim, e perguntou:

- Sou bonita, ou feia?…

Eu quis responder-lhe mil coisas… corei… e finalmente murmurei tremendo:

- Tão bonita!…

- Pois então, tornou-me ela, quando formos grandes, havemos de nos casar, sim?

- Oh!… Pois bem!…

- Havemos, continuou o lindo anjinho de oito anos, eu o quero… Olhe, o meu primo Juca me queria também, mas ainda ontem me quebrou a minha mais

bonita boneca… Ora, o marido não deve quebrar as bonecas de sua mulher!… Eu quero, pois, me casar com o senhor, que há de apanhar bonitas conchinhas para mim… Além disso ele não tem, como o senhor, os cabelos louros nem a cor rosada…

- Porém eu gosto mais dos cabelos pretos…

- Melhor!… Melhor!… exclamou a menina, saltando de prazer. Olhe: os meus são pretos!

E nisto ela puxou com a sua pequena mãozinha um de seus belos anéis da madeixa, para mostrar-mo, e largando-o depois, eu vi cair outra vez em seu pescoço, de novo torcido como um caracol.

Ainda corremos mais e continuamos a brincar juntos; e, sem o pensar, nós nos esquecemos de procurar saber os nossos verdadeiros nomes, porque nos bastavam esses com que já nos tratávamos, de:meu marido, minha mulher!

A viveza, a graça e o espírito da encantadora menina tinham feito desaparecer meu natural acanhamento; nós estávamos como dois antigos camaradas, quando fomos interrompidos em nossas travessuras por um outro

menino que para nós corria chorando.

- O que tem? perguntamos ambos.

- E meu pai que morre! exclamou ele, apontando para uma casinha que avistamos algumas braças distante de nos.

Ficamos um momento tristemente surpreendidos; depois, como dominados pelo mesmo pensamento, ela e eu dissemos a um tempo:

- Vamos lá.

E corremos para a pequena casa.

Entramos. Era um quadro de dor e luto que tínhamos ido ver. Uma pobre velha e três meninos, mal vestidos e magros, cercavam o leito em que jazia moribundo um ancião de cinqüenta anos, pouco mais ou menos. Pelo que agora posso concluir, uma síncope havia causado todo o movimento, pranto e desolação que observamos. Quando chegamos ao pé de seu leito, ele tornava a si.

- Ainda não morri, balbuciou, olhando com ternura para seus filhos, e deixando cair dos olhos grossas lágrimas. Depois, deparando conosco, continuou:

- Quem são estes dois meninos?…

Ninguém lhe respondeu, porque todos choravam, sem excetuar a minha bela

camarada e eu.

- Não chorem ao pé de mim, exclamou o velho, sufocado em pranto e escondendo o rosto entre as mãos, enquanto seus três filhos e o quarto que tínhamos há pouco visto fora, se atiravam sobre ele, no excesso da maior, da mais nobre e da mais sublime das dores.

A minha camarada dirigiu-se então à velha.

- O que tem então ele?… perguntou com viva demonstração de interesse.

- Oh, meus meninos, respondeu a aflita velha, ele sofre uma enfermidade cruel, mas que poderia não ser mortal… porém e pobre!… E morre mais depressa pelo pesar de deixar seus filhos expostos à fome!… Morre de miséria!… Morre de fome!…

- Fome! exclamamos com espanto; fome! pois também morre-se de fome?…

E instintivamente a minha interessante companheira tirou do bolso do seu avental uma moeda de ouro e, dando-a à velha, disse:

- Foi meu padrinho que ma deu hoje de manhã… eu não preciso dela… não tenho fome.

E eu tirei do meu bolso uma nota, não me lembro de que valor, e por minha vez a entreguei, dizendo:

- Foi minha mãe que ma deu e ela me dá um abraço, sempre que faço esmolas aos pobres.

Não é possível descrever o que se passou então naquela miserável choupana. Minha linda mulher e eu tivemos de ser abraçados mil vezes, de ver de joelhos a nossos pés a velha e os meninos… Finalmente nós nos aproximamos dele, que nos apertou com entusiasmo contra o coração.

- Quem sois? pôde, enfim, dizer; quem sois?

- Duas crianças, foi a menina que respondeu.

- Dois anjos, tornou o velho. E quem é este menino?…

- É o meu camarada, disse ainda ela. Vosso irmão?

- Não senhor, meu… marido.

- Marido?

- Sim, eu quero que ele seja meu marido.

- Deus realize vossos desejos!…

Acabando de pronunciar estas palavras, o ancião guardou silêncio por alguns instantes… bebeu com sofreguidão um púcaro cheio de água e, olhando de novo para nós, e tendo no rosto um ar de inspiração e em suas palavras um acento profético, exclamou:

- Seja dado ao homem agonizante lançar seus últimos pensamentos do leito da morte, além dos anos, que já não serão para ele, e penetrar com seus olhares através do véu futuro… Meus filhos, amai-vos e amai-vos muito! A virtude se deve ajuntar, assim como o vício se procura; sim, amai-vos. Eu não vos iludo… vejo lá… bem longe… a promessa realizada! São dois anjos que se unem… vêde!… Os meninos que entraram na casa do miserável, que enxugaram o pranto e mataram a fome da indigência, são abençoados por Deus e unidos em nome d’Ele!… Meus filhos, eu os vejo casados lá no futuro!

- Oh!… Eis aí outra vez o delírio!… disse a velha, vendo a exaltação e o semblante afogueado do enfermo.

- Não, minha mãe, continuou ele; não! Não é delírio… Pois quê!… Não pode o Eterno abençoar a virtude pela minha boca?… Oh! Meus meninos! Deus paga sempre a esmola que se dá ao pobre!… Ainda uma vez… lá no futuro… vós o sentireis.

Nós estávamos espantados: o rosto do ancião se havia tornado rubro, seus olhos flamejantes… Seus lábios tremiam convulsivamente, sua mão rugosa tinha três vezes nos abençoado.

Escutando suas palavras, eu acreditei que estávamos ouvindo uma profecia infalivelmente realizável, pronunciada por um inspirado do Senhor.

Não parou aí a nossa admiração. O doente, cujas forças pareciam haver reaparecido subitamente, apoiando-se sobre um dos cotovelos, abriu a gaveta de uma mesa que estava junto

de seu leito, e tirando de uma pequena e antiga caixa dois breves, os deu à velha dizendo:

A velha, obedecendo pontualmente, os descoseu com prontidão. Os breves eram dois: um verde e outro branco.

Depois o ancião, voltando-se para mim, disse:

Menino! Que trazeis convosco que possais oferecer a esta menina?…

Eu corri com os olhos tudo que em mim havia e só achei para entregar ao admirável homem que me falava um lindo alfinete de camafeu, que meu pai me tinha dado para trazer ao peito: maquinalmente, pus-lhe nas mãos o meu camafeu.

O velho quebrou o pé do alfinete e dando-o a sua mãe, acrescentou:

- Minha mãe, cosa dentro do breve branco este camafeu.

E voltando-se para minha bela camarada, continuou:

- Menina! Que trazeis convosco que possais oferecer a este menino?…

A menina, atilada e viva, como já esperando tal pergunta, entregou-lhe um botão de esmeralda que trazia em sua camisinha.

O velho o deu a sua mãe, dizendo:

- Minha mãe, cosa esta esmeralda dentro do breve verde.

Quando as ordens do ancião foram completamente executadas, ele tomou os dois breves e, dando-me o de cor branca, disseme:

- Tomai este breve, cuja cor exprime a candura da alma daquela menina. Ele contém o vosso camafeu: se tendes bastante força para ser constante e amar para sempre aquele belo anjo, dai-lho a fim de que ela o guarde com desvelo.

Eu mal compreendi o que o velho queria: ainda maquinalmente entreguei o breve à linda menina, que o prendeu no cordão de ouro que trazia ao pescoço.

Chegou a vez dela. O homem deu-lhe o outro breve, dizendo:

- Tomai este breve, cuja cor exprime as esperanças do coração daquele menino. Ele contém a vossa esmeralda: se tendes bastante força para ser constante e amar para sempre aquele bom anjo, dai-lho, a fim de que ele o guarde com desvelo.

Minha bela mulher executou a insinuação do velho com prontidão, e eu prendi o breve ao meu pescoço, com uma fita que me deram.

Quando tudo isto estava feito, o velho prosseguiu ainda:

 

- Ide, meus meninos; crescei e sede felizes! Vós olhastes para mim, pobre e miserável, e Deus olhará para vós… Ah! Recebei a bênção de um moribundo!…

Isto dizendo, apertou nossas mãos com força: eu senti, então, que o velho ardia; senti que seu bafo era como vapor de água fervendo, que sua mão era uma brasa que queimava… Sinto ainda sobre os meus dedos o calor abrasador dos seus e agora compreendo que, com efeito, ele delirava quando assim praticou com duas crianças.

Enfim, nós deixamos aquela morada aflitos e admirados. Sós, nós pensamos no velho e choramos juntos; depois, nas crianças isto não merece reparo, a nossa dor se mitigou, para cuidarmos em brincar outra vez.

De repente a menina olhou para mim e disse:

- E quando minha mãe perguntar pela esmeralda?…

Eu cuidei que lhe respondia, e fiz-lhe igual pergunta:

 

- E quando meu pai perguntar pelo meu camafeu?

Ficamos olhando um para o outro; passados alguns instantes, minha linda mulher, que me parecera estar pensando, disse sorrindo-se.

- Eu vou pregar uma mentira.

- E qual?

- Eu direi a minha mãe que perdi a minha esmeralda na praia.

- E eu responderei a meu pai que perdi o meu camafeu nas pedras.

- E, não o achando, esquecer-se-ão disso.

- E os breves?… Nós os guardaremos?…

- O velho disse que sim. Para que será isto?…

- Disse que é para nos casarmos quando formos grandes.

- Pois então nós os guardaremos.

- Oh! Eu o prometo.

- Eu o juro.

Neste momento soou ave-maria.

- Tão tarde! exclamou a menina…minha mãe ralhará comigo!

E, dizendo isto, correu, esquecendo-se até de despedir-se de mim. Esse fatal descuido acabava de entristecer-me, quando ela, já de longe, voltou-se para onde eu estava e, mostrando-me o breve branco, gritou:

- Eu o guardarei!

Pela minha parte entendi dever dar-lhe igual resposta, e, pois, mostrei-lhe o meu breve verde e gritei-lhe também:

- Eu o guardarei!

Aqui parou Augusto para respirar, tão cansado estava com a longa narração; porém ergueu-se logo, ouvindo à entrada da gruta.

- Alguém nos escuta! disse ele.

- Foi talvez uma ilusão! respondeu a digna hóspeda.

- Não, minha senhora; eu ouvi distintamente a bulha que faz uma pessoa que corre, tornou Augusto dirigindose à entrada da gruta e observando em derredor dela.

- Então?… perguntou a sra. d. Ana.

- Enganei-me, na verdade.

- Mas vê alguma pessoa?…

- Apenas lá vejo sua bela neta, a sra. d. Carolina, pensativa e recostada à efígie da Esperança.

Cap. VIII - Augusto prosseguindo

A avó de Filipe quis tomar, por sua vez, a palavra; porém o estudante lhe fez ver que ainda muito faltava para o fim de suas histórias, e voltando de novo ao seu lugar, continuou:

- O acontecimento que acabo de relatar, minha senhora, produziu vivíssima impressão no meu espírito; ajudado por minha memória de menino

de treze anos, apenas entrei em casa escrevi, palavra por palavra, quanto me havia acontecido. isto me tirou o trabalho de mentir, porque adormecendo sobre o papel que acabava de escrever, meu pai o leu à sua vontade e soube o destino do camafeu, sem precisar que eu lhe dissesse. Ele ainda estava junto de mim quando despertei, exclamando: o meu breve!… o velho!… minha mulher!…

Anda, doidinho, disseme meu pai com bondade; eu te perdôo as novas loucuras, em louvor da ação que praticaste, socorrendo um velho enfermo; agora, guarda, eu to peço, e mesmo to mando, guarda melhor esse breve do que guardaste o camafeu.

E isto dizendo, deixou-me.

Não se falou mais neste acontecimento; soube que o velho morrera no dia seguinte e que no momento da agonia abençoara de novo a minha camarada e

a mim.

Meu pai fez todas as despesas do enterro do velho e socorreu a sua desgraçada família.

Eu nunca mais vi, nem tive notícia alguma da minha interessante camarada, mas nem por isso a esqueci, minha senhora… porque, ou seja que meu coração a tivesse amado deveras, ou que esse breve tivesse alguma coisa de encantador, o certo é que eu ainda hoje me lembro com saudades dessa criança tão travessa, porém tão bela. Sem saber seu nome, pois nem lho perguntei, nem ela mo disse, quando quero falar a seu respeito, digo sempre: a minha mulher! Riem-se… não me importa: eu não posso dizer de outro modo.

Sempre com sua imagem na minha alma, com seu engraçado sorriso diante de

meus olhos, com suas sonoras palavras soando a meus ouvidos, passei cinco anos pensando nela de dia, e com ela sonhando de noite; era uma loucura, mas que havia eu de fazer?… Cheguei assim aos meus dezoito anos.

Eu já era, pois, mancebo. Meus pais nada poupavam para me educar convenientemente, e eu aprendia quanto me vinha à cabeça; diziam que a minha voz era sonora, e por tal convidavam-me para cantar em elegantes sociedades; julgavam que eu dançava com graça e lá ia eu para os bailes; finalmente, como cheguei a fazer algumas quadras, pediam-me recitar sonetos em dias de anos, e assim introduziram-me em mil reuniões, onde as belezas formigavam e os amores eram dardejados por brilhantes olhos de todas as cores.

Além disto freqüentava as casas de meus companheiros de estudos e os ouvia contar proezas de paixões, triunfos e derrotas amorosas. Meu amor-próprio se despertou, e tive vontade de amar e ser amado.

Julguei esta minha determinação ainda mais justa, pois tendo ido passar certas férias na roça, e falando mil vezes no meu breve e em minha mulher, ouvi minha mãe dizer uma vez, cru que me julgava longe:

- Temo que esse breve tire o juízo àquele menino; talvez que nos seja preciso casá-lo cedo.

Portanto, para não ouvir somente, mas também para contar alguma vitória de amor, para não endoidecer por causa do breve e, finalmente, para não ser necessário à minha mãe casar-me cedo, determinei-me a amar.

- Esqueceu-se, por conseqüência, de sua mulher e do seu breve! perguntou a sra. d. Ana, interrompendo Augusto.

- Ao contrário, minha senhora, tornou este; foi essa minha resolução que me tornou mais firme e mais amante de minha mulher.

Não sei, continuou Augusto, que teve o amor comigo. para entender que todas as moças deviam rir-se de mim e zombar de meus afetos! Pensa que brinco, minha senhora?… Pois tüi isso mesmo que me sucedeu no decurso de minhas paixões. Eu resumo algumas.

A primeira moça que amei era uma bela moreninha, de dezesseis anos de idade. Fiz-lhe a minha declaração na carta mais patética que um pateta poderia conceber, no fim de três dias recebi uma resposta abrasadora e cheia de protestos de gratidão e ternura; meu coração se entusiasmou com isso… Na primeira reunião de estudantes contei a minha vitória, li a minha carta e a resposta que havia recebido. Fui vivamente aplaudido; porém, oito dias depois, os mesmos estudantes quase me quebraram a cabeça com cacholetas e gargalhadas, porque oito dias, bem contadinhos, depois dessa resposta, a minha terna amada casou-se com um velho de sessenta anos. Jurei não amar moça nenhuma que tivesse a cor morena.

Apaixonei-me logo e fui, desgraçadamente, correspondido por uma interessante jovem tão coradinha, que parecia mesmo uma rosa francesa, Nós nos encontrávamos nas noites dos sábados em certa casa, onde se dava todas as semanas uma partida; era a mais agradável sabatina que podia ter um estudante; porém o meu novo amor chegava a ser tocante demais, e a minha querida levava o ciúme até um ponto que me atormentava prodigiosamente: se passava algum dia em que não a visse e lhe não mandasse uma flor, aparecia-me depois chorosa e abatida; se na tal partida eu me atrevia a dançar com alguma outra moça bonita, era contar com um desmaio certo, e desmaio de que não acordava sem que eu mesmo lhe

chegasse ao nariz o seu vidrinho de essência de rosas; tudo mais era por este teor e forma. Este amor já estava um pouco velho, certamente, tinha três meses de idade. Um sábado mandei-lhe prevenir que faltaria à partida; mas tendo terminado cedo meus trabalhos, não pude resistir ao desejo de vê-la e fui à reunião; eram onze horas da noite quando entrei na sala, procurei-a com os olhos e certo moço, com quem me dava, que me entendeu, apontou para um gabinete vizinho. Voei para ele.

Ela estava sentada junto de um mancebo e com as costas voltadas para a porta; tomavam sorvetes. Cheguei-me de manso:conversavam os dois, sem vergonha nenhuma, em seus amores!

Fiquei espantado e tanto mais que, pelo que ouvi, eles já se correspondiam há muito tempo; mas o meu espanto se tornou em fúria quando ouvi o machacaz falar no meu nome, fingindo-se zeloso, e receber em resposta as seguintes palavras: - Augustozinho?… Lamente-o antes, coitado! É um pobre menino com quem me divirto nas horas vagas! … Soltei um surdo gemido; a traidora olhou para mim e, voltando-se depois para o seu querido, disse com o maior sangue frio: - Ora, aí tem! Perdi por sua causa este divertimento.

Jurei não amar moça nenhuma de cor rosada. Sem emendar-me, ainda tornei-me cego amante de uma jovem pálida, e, como das outras vezes, fui correspondido com ardor; mas desta tive eu provas de afeto muito sérias. Antes de ver-me, ela amava um primo e até escrevia-lhe a miúdo; eu exigi que a minha terceira amada continuasse a receber cartas dele e que as respondesse; consentiu nisso, com a condição de lhe redigir eu as respostas. Belo! disse eu comigo: vou também divertir-me por minha vez à custa de um amante infeliz!

E o negócio ficou assentado.

Infelizmente eu não conhecia o primo da minha amada, mas essa era a infelicidade mais tolerável possível.

Um dia tratamos de encontrar-nos em certa igreja, onde tinha de haver esplêndida festa; cheguei cedo, mas logo depois de minha chegada rebentou uma tempestade e choveu prodigiosamente. Pouco durou o mau tempo, porém as ruas deveriam ter ficado alagadas e a bela esperada não podia vir; apesar disso eu olhava a todos os momentos para a porta e, coisa notável, sempre encontrava os olhos de um outro moço, que se dirigiam também para lá; acabada a festa, ambos nos aproximamos.

- Nós devemos ser amigos, disse ele.

- Eu penso do mesmo modo, respondi.

E apertamos as mãos.

- Sou capaz de jurar que adivinho a razão por que o senhor olhava tanto para aquela porta, continuou ele.

- E eu também.

Convenho: esperávamos ambos nossas amadas e a chuva mangaram conosco.

- Exatamente.

- Mas nós vamos, sem dúvida, vingar-nos, indo agora vê-las à janela.

- Eu queria propor a mesma vingança.

Bravo! … Iremos juntos… Onde mora a sua?…

- Na rua de…

- Ainda melhor… a minha é na mesma rua.

Saímos da igreja, embraçamo-nos e fomos. A minha amada morava perto, eu

avistei-a debruçada na janela, talvez me esperando, pois olhava para o lado donde eu vinha; abri a boca para dizer ao meu novo amigo:.é aquela!… Quando ele me pronunciou com indizível prazer: é aquela!

Julgue, minha senhora, da minha exasperação! Pela terceira vez eu era a boneca de uma menina!…

Não sei por que ainda tive ânimo de tirar o meu chapéu à tal pálida, que ao menos dessa vez se fez cor-de-rosa, talvez por ver-me de braço com o novo amigo.

Passando a maldita casa, Jorge, que assim se chamava o moço, disseme com fogo:

- Aquela jovem adora-me!

- Está certo disso, meu amigo?

- Tenho provas.

- Acredita muito nelas?

- Tenho as mais fortes; por último recebi ainda a de maior confiança: eu lhe conto. Um estudante a requestou e escreveu-lhe; ela mandou-me a carta, e eu respondi em seu lugar. A correspondência tem continuado por minha vontade e sou eu quem sempre faço a norma das cartas que ela deve escrever; achará isto imprudência, e eu acho um belo divertimento.

- Sim… um belo divertimento…

- Mas que é isso? Está tão pálido!

- Não é coisa de cuidado… Eu… ora… o estudante…

- É por certo um famoso pateta…

- Não é bom ir tão longe…

- Não tem dúvida… é um tolo rematado.

- Fale-me a verdade: eu acho aquela moça com cara de ser sua prima.

- Quem lhe disse?… E, com efeito, minha prima!

- Pois vamos à minha casa.

- E a sua amada?…

- Não me fale mais nela.

Apenas chegamos à minha casa, abri uma gaveta, e tirando dela todas as cartas que Jorge havia escrito à sua prima, e que ela me tinha mandado, assim como as normas que eu redigira para as que deveriam ser enviadas ao meu amigo, acrescentando:

- Concordemos ambos que, se o estudante foi um famoso pateta e um tolo rematado, não o foi menos o primo daquela senhora a quem cortejamos na rua de…

Jorge devorou todas as cartas e normas que lhe dei; depois desatou a rir e, abraçando-me, exclamou:

- Concordemos também, caro estudante, que minha prima tem bastante habilidade para se corresponder com meio mundo, sem se incomodar com o trabalho da redação de suas cartas!

O bom humor de Jorge tornou-me alegre. Jantamos juntos, rimo-nos todo o dia, e só de noite se retirou.

Tratei de dormir, mas, antes de adormecer, falei ainda comigo mesmo: juro que não hei de amar a moça nenhuma de cor pálida.

Desde então declarei guerra ao amor, minha senhora; tornei-me ao que era dantes, isto é, ocupei-me somente em me lembrar de minha mulher e em beijar o meu breve.

Mas eu andava triste e abatido e às vezes pensava assim: ora, pois jurei não amar moça nenhuma que fosse morena, corada ou pálida: estas são as cores, estes são os tipos da beleza… e, portanto, minha mulher terá, a pesar meu, uma das tais cores; logo não me caso com minha mulher e, em última conclusão, serei celibatário; vou ser frade… frade!

Minha tristeza, meu abatimento deu nos olhos da digna, jovial e espirituosa esposa de um de meus bons amigos. Ela me pediu que lhe confiasse as minhas penas e eu não pude deixar de relatar estes três fatos à consorte de um caro amigo.

A única consolação que tive foi vê-la correr para o piano, e ouvi-la cantar as seguintes e outras quadrinhas musicadas no gosto nacional:

OceanofPDF.com