A triste canção do sul (subsídios para a história do fado)
Notas de Rodapé:
Mas não deixarei em silencio outras quadras, de rapazes que passaram por Coimbra. Ellas dão toda a emoção produzida pelo Fado na alma nacional:
Não temos musica é a nossa falha!
Sabemos a do vento e mais do mar...
É a da India e do campo da batalha,
Que o proprio fado é um modo de chorar.
F (G ).
Cantador enamorado
Á minha porta a cantar,
Não cantes, chora-me o fado,
Que o fado fez-se a chorar...
(L P ).
Eu se o meu fado cantar
Sineiro m’ hei de fazer:
P’ra todo o povo chorar
Quando o meu fado souber.
(L V ).
Da academia de Coimbra tem partido a publicação de folhas volantes, editadas pelo livreiro França Amado: uma d’ellas intitula-se Cantigas para o Fado e para as Fogueiras do San João.
NOTAS DE RODAPÉ:
[68] Quando o sr. D. Antonio Ayres de Gouvea, hoje bispo de
Bethsaida, foi cursar a Universidade em 1850, ainda os estudantes compunham e cantavam amphiguris. Segundo informação de s. ex.ᵃ, appareceu mais tarde o Fado de Coimbra
e depois o da Figueira. Fado ainda não era então, em Coimbra, uma designação generica, mas apenas especial d’aquellas duas canções.
[69] Emquanto este livro esperava o momento de entrar no
prélo, falleceu Urbano de Castro, ás 3 horas da manhã de 6 de novembro de 1902.
Aqui fica n’esta pagina um clarão do seu espirito tão finamente
litterario. É como se eu plantasse aqui uma saudade.
[70] Leia-se: Vê zero.
[71] Leia-se: Vê dois ró.
[72] Leia-se: F (éfe) primo.
[73] Leia-se: M linha.
[74] Leia-se: Dêtê.
[75] Leia-se: Hidrogénio.
[76] Leia-se: Agua.
[77] Leia-se: Prata.
[78] Leia-se: Potassa.
[79] Leia-se: Chloro.
[80] Leia-se: Hydrogénio.
[81] Leia-se: Antimonio.
[82] Leia-se: Agua.
[83] Leia-se: Chumbo.
[84] Leia-se: Azote.
[85] Fasciculo 56.
[86] Ficára reprovado em alguns preparatorios e no 1.º anno
d’esta faculdade.
[87] Esta quadra é de Guerra Junqueiro, na Morte de D. João.
[88] De Fausto Guedes.
[89] De Antonio Nobre.
[90] Presumo que esta quadra é do Hylario.
[91] Tambem attribuo esta quadra ao Hylario.
[92] De Francisco Bastos, estudante brazileiro, morto.
[93] De Fausto Guedes Teixeira.
[94] Repetimos esta quadra por causa do seu encadeamento
com as duas seguintes. Suppomos que é do Hylario.
[95] É do Hylario.
[96] De Fausto Guedes Teixeira.
[97] De Fausto Guedes Teixeira.
[98] É do Hylario.
[99] Esta e as trez quadras seguintes são de Fausto Guedes
Teixeira.
[100] Supponho que é do Hylario.
[101] Ha manifesta contradicção entre o Cancioneiro e o seu
Catalogo, de modo que o leitor fica hesitante. O Cancioneiro é um vasto e importante repositorio de canções populares, mas carece de algumas rectificações e de muitas aclarações, o que aliás não admira em obra de tanto vulto. Assim, no fasc. 4., diz que o amphiguri Duzentos gallegos appareceu em 1846 e 1847, sendo porem certo que Filinto Elysio já se refere a elle. Reappareceu n’essa epoca, o que faz differença. No fasc. 56 traz sob o titulo Remar... remar... uma barcarola com a seguinte nota: «É esta barcarola, uma das canções orpheonicas do Mondego, hoje vulgarisada por todo o paiz.» Não cita o nome do auctor, e comtudo eu conheço-o muito bem. Sou eu mesmo, que dos 16 para os 17 annos a compuz: é a «Barcarola de Ismael» no poemeto A nereida.
Mais tarde, quando inclui este poemeto no livro Cantares,
procurei corrigir algumas infantilidades, que me saltaram aos olhos. Fiz reparo nos dois seguintes versos:
Velas ao vento,
Remar, remar.
No commum dos casos, se o vento sopra não é preciso remar.
Por isso modifiquei assim a barcarola:
Do mar no fundo,
Sobre as areas,
Cantam sereas,
Quando ha luar.
O mar é lindo
N’este momento!
Repoisa o vento,
Remar, remar.
Do mar no fundo,
Cheios de aljofres,
Ha muitos cofres,
Que te hei de dar...
O mar é lindo
E a tarde é calma.
Delira a alma!
Remar, remar.
Do mar no fundo,
Sobre as areas,
Cantam sereas,
Quando ha luar.
O mar é lindo!
O ceu convida!
O amor é vida...
Remar, remar.
A barcarola, tal como ella vem no Cancioneiro, chega a não
fazer sentido logo no primeiro verso, que diz:
No mar, no fundo, etc.
E padece outras alterações, que facilmente podiam ter sido
evitadas.
[102] Tambem publicado, com a lettra, nos Cantos populares
editados no Porto por Eduardo da Fonseca.
[103] Tambem vem publicado na 2.ª série de Cantos populares,
Porto, editor Eduardo da Fonseca.
[104] Consegui reunir na minha modesta livraria 24 volumes
sobre a poesia popular das nações da Europa. Estimo muito esta collecção, não só porque não é facil juntal-a, mas porque n’ella
encontro bellezas que deixam a perder de vista muitos poetas cultos e gloriosos.
[105] No jornal A Chronica, n.º 68, do 3.º anno.