A triste canção do sul (subsídios para a história do fado)
Notas de Rodapé:
«A mulher forte, com razão assomada da descortesia, recavalgou para se desaffrontar; e não duvidamos que o houvera conseguido, se o cavallo não discordasse manifestamente das opiniões da cavalleira: o exame phrenelogico dos dois craneos, se algum curioso de anatomia comparada o tiver de fazer lá para o futuro, deverá, se nos não enganamos, redundar todo em gloria do quadrupede.»
O brado de um poeta contra as touradas não encontrava écco; nem as mulheres nem os homens lhe davam ouvidos.
Qualquer Fadinho toureiro, como relembraremos no capitulo seguinte, o combatia e supplantava.
Resta-nos ainda fallar de duas especies de Fados.
Aquelles que tratam assumptos pornographicos, mais ou menos desbragados, encontram-se na Guitarrinha innocente e no Almanach do fado bréjeiro.
Quanto aos Fados exdruxulos, e outros que apenas visam a uma combinação artificiosa de palavras, technicas ou arrevezadas, havemos de incluil-os na secção dos Fados de nomenclatura, não porque propriamente o sejam, mas porque melhor ficarão ali do que em qualquer outro grupo.
FADO CHORADINHO
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NOTAS DE RODAPÉ:
[40] Cordas da guitarra.
[41] Alberto Bessa, A giria portugueza.
[42] Adolpho Coelho, Os ciganos de Portugal, pag. 56.
[43] Bute é uma das palavras que o calão adoptou das linguas
estrangeiras. Vem do inglez boot, bota, pé. (Adolpho Coelho.)
[44] Dos Cordões, por trazer sempre dois ao pescoço. Esta
mulher devia ser do norte. Morava na rua das Gaveas.
[45] A Borboleta inculcava-se irmã natural do infeliz tribuno
Vieira de Castro. Quando ella morreu, cantou-se-lhe um Fado que dizia:
Se em seu collo de alabastro
Nutrisse conducta sã,
Desmentira o ser irmã, Do fraco Vieira de Castro.
Estava escripto no cadastro
Da sorte que os malfadou,
Matar o irmão quem matou;
Tornar-se a irmã prostituta,
Que d’essa chamma corrupta Tanto á luz se aproximou!...
[46] Victor Hussla inspirou-se certamente n’esta lettra quando
compoz a ballada «Triste vida do marujo».
[47] Dom Antonio ou Antonio Caro era o illustre estadista
Antonio Maria de Fontes Pereira de Mello, chefe do partido regenerador. Este partido estava então no poder, sendo chefe do gabinete, por delegação de Fontes, o conselheiro Antonio Rodrigues Sampaio.
[48] Sem passar a fronteira, pag. 138.
[49] N’um opusculo em que se descrevem as touradas com
que o senado da camara de Lisboa celebrou a acclamação da rainha D. Maria I, encontra-se a origem da accepção tauromachica da palavra Neto. Diz o folheto. «Seguiu-se a entrar na praça o meirinho da cidade João Marcelino Alvares de Sá (a que o vulgo n’estas funcções chama Neto, pela tradição de um meirinho de appellido Neto, que assistiu a muitos d’estes festejos) etc.» É uma nota curiosa, e por isso a registamos.
[50] Todas estas noticias foram colhidas n’uma curiosa
collecção de programmas, coordenados em volumes de
miscellanea, que existem na bibliotheca da Academia Real das Sciencias de Lisboa.